ST 01. A cidade e suas memórias: a fonte oral e a (re)escrita da História | Proponentes: Claudia Cristina da Silva Fontineles (UFPI) e Marcelo de Sousa Neto (UESPI)Contatos: claudiafontineles@ufpi.edu.br ; marcelo@ccm.uespi.br Este ST reúne trabalhos que, a partir da História Oral, reflitam sobre a história, a memória e as manifestações culturais como categorias em permanente (re)escrita, produzida e disputada pelos sujeitos que habitam e narram o espaço urbano. As cidades se transformam ao longo do tempo em suas funções, configurações e sentidos, e é nessa transformação que a fonte oral revela seu potencial. Ao capturar vozes e experiências que os registros oficiais tendem a silenciar, ela participa ativamente da (re)escrita da cidade, tomada aqui como ato narrativo que confere inteligibilidade ao espaço vivido. No campo dos patrimônios culturais, as percepções sobre o que é considerado e reivindicado como valor patrimonial são históricas e mutáveis. A inserção das culturas populares nesse debate trouxe novos desafios e novas vozes. Patrimônios materiais e imateriais tornaram-se arenas de disputa sobre direitos, pertencimento e acesso ao espaço urbano. Em contextos de gentrificação, intolerância religiosa, megaeventos e retração do poder público, o patrimônio converteu-se em ferramenta de reivindicação do direito à cidade. É nesse cruzamento entre memória, patrimônio e urbanidade que diferentes temporalidades coexistem. Monumentos, ruas e bairros são construídos, destruídos, preservados ou apagados conforme as relações de força que organizam o presente. As entrevistas produzidas no âmbito da História Oral permitem acessar essas temporalidades em camadas, revelando identidades e estigmas que marcam a sociabilidade urbana e os sentidos que os citadinos atribuem aos lugares e práticas que reconhecem como seus. Ao propor a fonte oral como instrumento de (re)escrita do espaço urbano, este ST convida pesquisadores a pensar não apenas o que as memórias dizem sobre a cidade, mas o que a cidade diz sobre as memórias. São bem-vindos trabalhos que articulem memórias e discursos sobre lugares, moradores, manifestações culturais e episódios urbanos cuja relevância emerge das relações que os próprios sujeitos estabelecem com eles. |
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ST 02. Aproximações entre História Oral e Psicanálise |Proponente: Yussef Campos (UFG)Contato: yussefcampos@ufg.br Esse Simpósio Temático propõe a aproximação metodológica entre História e Psicanálise para receber pesquisas que investigam temas caros à Psicanálise através dos recursos oferecidos pela História Oral, e vice-versa. Ensina Alessandro Portelli que “a narração oral só toma forma em um encontro pessoal causado pela pesquisa de campo” (Portelli, 2010, p.19). A história oral, que dá atenção à história do cotidiano, local e enraizada, “vista de baixo”, é fecunda (François, 2006). Ao lado da história oral – arte multivocal e “dialógica” (Portelli, 2016) -, caminha a Psicanálise – “experiência dialética” (Lacan, 1998, p.215), que, além de método de tratamento clínico, é uma teoria e um método de pesquisa (Dunker; Iannini, 2023, p.80).A história oral e Psicanálise estão conectadas, pois buscam perceber como o passado exprime-se no presente através da narração do interlocutor. Memória e inconsciente, histórias sensíveis e trauma (exemplo de como o real para Lacan pode incidir no sujeito), a escuta atenta e acolhedora, a forma de como o sujeito se coloca na história, são importantes chaves de interpretação tanto para uma quanto para outra. “A verdade histórica”, enuncia Dunker, “tem um pé na sua estrutura de ficção e o outro no Real suprimido da simbolização e repetido no imaginário da alienação” (2024, p.XVIII). “A história oral, então, é primordialmente uma arte da escuta” (Portelli, 2016, p.10), como o é a Psicanálise. “Ouvir é um fenômeno fisiológico; escutar é um acto psicológico” (BARTHES, 1976, p.137). Nesse sentido, Voldman considera que “quando realiza entrevistas, certamente o historiador deve trabalhar segundo suas técnicas próprias, mas também deve ter em mente dois outros procedimentos, tomados de empréstimo a disciplinas vizinhas: por um lado, servir-se das contribuições da sociologia na condução e na formulação das pesquisas; por outro, não negligenciar elementos de psicologia, psicossociologia e psicanálise. Para ele, não se trata de propor interpretações da mensagem que lhe é comunicada, mas de saber que o não-dito, a hesitação, o silêncio, a repetição desnecessária, o lapso, a divagação e a associação são elementos integrantes e até estruturantes do discurso e do relato” (Voldman, 2006, p.38). Ainda que seja apenas um vagido (um lamento, um gemido), conforme ensina Lacan (1998, p.239), e a experiência subjetiva do tempo.Portelli afirmou, ao descrever o depoimento de um entrevistado, que “a história [oral] faz um uso muito intenso e eloquente da repetição” (2010, p.234). Isso nos remonta a Freud, em seu clássico texto, no qual afirma que “enquanto ele [o paciente] permanecer em tratamento, não se livrará desta compulsão de repetição; por fim compreendemos que este é seu modo de recordar” (2010, p.197). Para Rousso, “(...) os historiadores em geral admitem, de maneira mais ou menos declarada, que as representações do passado observadas em determinada época e em determinado lugar - contanto que apresentem um caráter recorrente repetitivo, que digam respeito a um grupo significativo e que tenham aceitação nesse grupo ou fora dele – constituem a manifestação mais clara de uma ‘memória coletiva’” (2006, p.95). |
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ST 03. As fronteiras agrícolas e as transformações socioeconômicas e ambientais | Proponente: Edmilton da Silva (UFES)Contato: edms.514@outlook.com O avanço de fronteiras agrícolas no Brasil tem a exploração de madeira nativa como uma de suas características principais. Trata-se, com efeito, de uma atividade econômica desempenhada, sobretudo, por empresas madeireiras, muitas das quais eram concessionárias do Estado, atuando como “agentes” da colonização em áreas específicas. Há casos, porém, em que o próprio Estado também agia em tais fronteiras como empresário produtor de mercadorias. Desse modo, a expansão de fronteiras agrícolas no país provocou um acentuado processo de desmatamento com múltiplas consequências socioeconômicas e ambientais.Nesse contexto, verifica-se o alijamento de comunidades originárias e tradicionais, a luta pela propriedade, posse e uso da terra com envolvimento, em muitos casos, de agentes públicos, favorecendo fazendeiros e grileiros. Mas igualmente se destacam questões relativas aos movimentos migratórios, à mobilidade do trabalho, às relações trabalhistas nas empresas do setor madeireiro e de móveis e à história dessas empresas. Verifica-se, além disso, que a derrubada, a extração e a comercialização de madeira nativa, em várias situações, adquiriram relevância estratégica política e econômica (fornecimento de lenha e carvão e formação de áreas de reflorestamento, por exemplo) para o Poder Público nos âmbitos dos municípios, dos estados e do próprio país. Trata-se, em última instância, de cenários marcados pela territorialização do capital, bem como pelo processo de modernização, transformando, sobretudo, o ambiente, a economia e a sociedade. Nessa perspectiva, o uso da metodologia da história oral torna-se essencial enquanto mecanismo de produção documental e de análise de variados fenômenos, mas ainda no sentido de que ela carrega consigo uma infinidade de relatos que dizem algo sobre o que outros também vivenciaram ou estão vivenciando. Assim, este Simpósio Temático tem por objetivo reunir pesquisas concretizadas ou em andamento que adotem essa metodologia para discutir tais questões, particularmente no domínio dos diferentes biomas brasileiros, especialmente nos séculos XX e XXI. |
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ST 04. Geopoesia e História Oral: Vidas Conversáveis em Crítica Polifônica | Proponentes: Augusto Rodrigues da Silva Junior (UnB), Elizeth da Costa Alves (IFTO) e Larissa Cardoso Beltrão (SEDUC-GO)Contatos: augustorodriguesdr@gmail.com; elizethcosta314@gmail.com; larissabeltrao87@gmail.com Um sentimento íntimo da voz, articulando o direito ao literário à História Oral, convoca um pensamento engajado neste início de milênio. A partir de contadores de histórias, narradoras e narradores da geopoesia, investigamos modos de inscrição da experiência em ecossistemas dialógicos. Geopoetas (Der Erzähler; Walter Benjamin, 1936) que partilham saberes e dizeres aos ancestrais e no cotidiano, aos ouvintes e “anotadores” (escritor, pesquisador) convertem suas experiências em escritas, vídeos, digigrafias. O registro, em cadernos de campo, em câmeras (e smarts) preservam formas sensíveis de enunciação, convertendo a escuta geopoética em mediações e impressões. Em diálogo com Olga Cabrera (2000) e Luisa Passerini (1984), buscamos o “verdadeiro estatuto historial”, territorializando a vivência no passado e ativando mediações simbólicas de raizamas, escavamos raízes e rizomas de brasis liminares. Propomos tensionar visões ancestrais cerradeiras e amazoniais e tencionar forças analíticas africanas e originárias para enformar uma colcha de retalhos hermenêutica. Nesse horizonte de observação, cosmologias e recordações emergem como campos atravessados por conflitos e silêncios em arenas, convocando etnocartografias tecidas no tempo e constelações apreendidas no espaço. A Proposta desse Simpósio é reunir vozes e imagens que “de tão longe vêm vindo” (Brandão, 2004). Na convergência da educação do campo com a literatura de campo, convocamos a partilha de processos criadores quilombolas, com ênfase na Comunidade Kalunga (GO-TO) e Mesquita (DF); produções do “corredor da geopoesia”; obras e reverberações do “Entorno” – termo pejorativo para designar trânsitos de Goiás pelo Distrito Federal; também são bem-vindas manifestações amazoniais, nordestinas e geralzeiras; saberes de mestras e mestres afro-indígenas, ribeirinhos, moradores de vãos e de orlas; benzedeiras, raizeiras, benzedores e raizeiros. Também pretendemos discutir a estilização das vocalidades em obras literárias (que remontam a Hugo de Carvalho Ramos e Rosa, bem como Cora Coralina, Godoy Garcia e tantos outros). Convocamos o diálogo entre História Oral e geopoesia com a Oralitura, Etnografia, Educomunicação, Geocrítica, Ecocrítica e outras ciências (de) humanas. Tendo a Capital Federal (e a Unb) como zona(s) de influência e ponto de encontro, desejamos a emergência de lideranças, foliões e pesquisadores para lançarem palavralmente seus testemunhos – reinscritos no espaço pedagógico. Nos cantos, nas conversas cotidianas e nas manifestações festivas, dramas e campos, metáforas e metonímias se articulam em trocas que passam pelo corpo, pelo som e pela escrita – “pra quem é de escrita”. Como campo metodológico, a História Oral aproxima-se do geopoético no reconhecimento da voz e da performance como documentos (Thompson; Zumthor; Portelli; Bakhtin). Ao articular subjetividade e desierarquização epistemológica, constituintes de cosmologias contadas, a escuta geopoética e a escrita tradutiva firmam-se como gesto ético-político. Enquanto o caderno (de campo ou de artista) opera como dispositivo de mediação, experiência e transmissão engendra-se uma criação produtiva que amplia a condição interpretativa, deslocando leituras cristalizadas e reinscrevendo o testemunho como palavra responsiva. Entre Benjamin e Willi Bolle, Leda Maria Martins e Agostinho da Silva, buscamos “vidas conversáveis” e trabalhos que se constituam como arquivos vivos, capazes de ensinar que lutar com palavras é ouvir, criar, rexistir e narrar: no tempo, no espaço, na ancestralidade. |
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ST 05. História do Esporte e das Práticas Corporais: memória e narrativas orais | Proponente: Marina de Mattos Dantas (UEMG)Contato: marinamattos@gmail.com Este Simpósio Temático tem como objetivo reunir e promover o diálogo entre pesquisas que investigam a História dos Esportes e das Práticas Corporais por meio de fontes e narrativas orais. Com base na metodologia da História Oral, busca-se refletir sobre as múltiplas experiências de sujeitos e grupos sociais em torno do corpo e da memória. A escuta das trajetórias de vida, sejam elas individuais ou coletivas, permite uma compreensão do tema a partir das lembranças de pessoas que vivenciaram os contextos e acontecimentos investigados. Nesse sentido, o simpósio propõe agregar trabalhos em diferentes estágios de desenvolvimento, articulando a História Oral, os esportes e as práticas corporais a temas amplos como política, economia, gênero e raça, por exemplo. Mantendo o intuito de edições passadas, a proposta é, ainda, ampliar o escopo analítico tradicional, ao incorporar não apenas as modalidades esportivas de alto rendimento, mas também expressões culturais e práticas corporais diversas, como a capoeira, a dança, o ioga, entre outras formas de uso do corpo. Ao reunir investigações que exploram a complexidade e a diversidade dessas práticas, este Simpósio Temático pretende fomentar, ainda, debates interdisciplinares e transdisciplinares, visibilizando pesquisas concluídas ou em andamento que contribuam para a consolidação de um campo de estudos atento à articulação entre essas práticas, narrativas orais e memória. Ao acolher diferentes recortes e abordagens, o simpósio reforça a relevância da História Oral como ferramenta metodológica fundamental para a produção e compreensão do campo de estudos. |
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ST 06. História oral e educação: usos pedagógicos e possibilidades de investigação | Proponentes: Carolina Dellamore (Centro de Memória da Educação – SME Contagem/MG) e Gabriel Amato (Centro Pedagógico – UFMG)Contatos: carolinadellamore@gmail.com; amatolgabriel@gmail.com A proposta deste simpósio temático é promover debates em torno das relações entre história oral e educação, explorando três eixos principais que articulam práticas pedagógicas, investigações acadêmicas e processos formativos. O primeiro eixo aborda a história oral como prática pedagógica em diferentes níveis de ensino (fundamental, médio e superior), considerando sua inserção tanto em atividades disciplinares (como História, Sociologia, Geografia, Língua Portuguesa, entre outras) quanto em projetos interdisciplinares. Interessa-nos, nesse sentido, a apresentação de relatos de experiência nos quais o/a pesquisador/a atua também como docente, bem como pesquisas de campo que analisem criticamente os usos da história oral em espaços de educação formal (escolas e universidades) e não formal (museus, centros culturais, bibliotecas e movimentos sociais). Busca-se, ainda, contemplar a produção de instrumentos didáticos fundamentados na história oral, assim como investigações sobre a presença (ou ausência) dessa metodologia em materiais didáticos considerados tradicionais. O segundo eixo propõe discutir a história oral como metodologia de pesquisa sobre a educação, a partir de diferentes perspectivas disciplinares, como a História, a Sociologia e a Antropologia. Pretende-se abrir espaço para reflexões acerca das potencialidades e dos limites da história oral, bem como de seu arcabouço teórico-metodológico, na análise de fenômenos e políticas educacionais em contextos diversos. Incluem-se aqui estudos sobre a constituição de sistemas educacionais hegemônicos, aspectos da cultura escolar, fundamentos epistemológicos de currículos e políticas pedagógicas, além de experiências de educação popular e suas formas de organização. Por fim, o terceiro eixo dedica-se à discussão sobre a constituição, organização e preservação de acervos voltados à História da Educação, em diferentes contextos institucionais e sociais, bem como os usos da história oral como ferramenta na formação de professores de distintas áreas do conhecimento. Interessa-nos, particularmente, debater experiências formativas que mobilizem a história oral como recurso para que futuros/as docentes (e também professores em exercício) elaborem narrativas sobre si e reflitam criticamente sobre suas memórias, trajetórias e identidades profissionais. |
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ST 07. História oral, formação docente e ensino de História | Proponentes: Erinaldo Vicente Cavalcanti (UFPA) e Cristiano Nicolini (UFG)Contatos: ericontadordehistorias@gmail.com; cristianonicolini@ufg.br A História oral se consolidou como metodologia de trabalho que permite acessar um universo de questões/problemas ampliando a compreensão das ciências acerca de uma variedade de temáticas e perspectivas epistemológicas. O presente Simpósio Temático se propõe a receber comunicações que focalizam a memória e utilizam a metodologia da história oral nas pesquisas desenvolvidas acerca das temáticas que envolvem a História do ensino de história, a formação docente do professor, a trajetória – ou história de vida – dos sujeitos escolares, sejam estudantes ou professores, as representações do espaço escolar e das experiências de ensino e aprendizagem que mobilizam a História oral como ferramenta de trabalho. |
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ST 08. História oral, gênero e sexualidade: memórias, resistências e insurgências | Proponente: Amanda Calabria (USP; LABHOI-UFF) e Maria Ferraz (LABHOI/UFF)Contato: melcalabriaa@gmail.com A onda anti gênero vem se afirmando como parte de um projeto político da extrema direita global, atravessando o cotidiano e se infiltrando nas diferentes dimensões da vida social, como alertado por Sonia Corrêa (2018). Vivemos um tempo de intensificação de violências e da circulação reiterada de ofensas e ameaças a mulheres e pessoas LGBTQIAPN+, a suas existências e direitos. Por outro lado, não são poucas as existências plurais e as vocalidades de insubmissão. Fazer ecoar palavras de afirmação e resistência também se coloca como um gesto historiador. A história oral se tece no encontro entre presença, escuta, compromisso, escolhas e negociações. Ela nos convoca a uma atenção radical ao tempo presente, às vidas, debates e acontecimentos. Implicadas/es com a história de nosso tempo, apostamos na história oral como um campo e metodologia possível para sustentar escutas, reconhecer existências e ampliar memórias e narrativas que, muitas vezes, escapam ou são silenciadas. Visibilizar sujeitas, palavras, insurgências e modos de vida plurais é também caminho para tensionar regimes de silenciamento, recompor memórias e afirmar nossa recusa a um “nós” único, estável e homogêneo. Este simpósio convida pesquisas que abordem experiências e trajetórias de sujeitos, grupos, comunidades e movimentos sociais, considerando gênero, raça, sexualidade e território, dimensões fundamentais na constituição de modos de viver, sentir, narrar e imaginar o mundo. São bem-vindos trabalhos de história oral, memória e biografia que caminhem com mulheres, mulheridades, lesbianidades, transgeneridades, existências cuir e LGBTQIAPN+, movimentos sociais e comunidades diversas. Também valorizamos reflexões que apostam em insurgências epistêmicas, giros decoloniais, processos criativos e relacionais na construção de conhecimento e práticas colaborativas nos processos de produção, compartilhamento e difusão de trabalhos em história oral. Gênero, aqui, não se apresenta como uma categoria fixa e redutora de papéis. Compreendemos gênero como operador de diferença e posicionalidade, de afirmação e relacionalidade, sempre articulados a raça, etnia, sexualidade, território e geração. Nos ancoramos nas literaturas feminista autônoma, comunitária, cuir, queer, negra e decolonial, que posicionam gênero desde a vivência, o relacional e a práxis. Acreditamos que essa trama abre caminho para reposicionar escritas, trabalhar memórias e fazer insurgir debates de modo responsável frente às questões do presente. |
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ST 09. História Oral e História da Educação: Sujeitos, Instituições e Patrimônios | Proponentes: Jose Edimar de Souza (UCS) e Betânia de Oliveira Laterza Ribeiro (UFU)Contatos: profedimar@gmail.com; betania.laterza@gmail.com
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ST 10. História oral, justiça climática e cosmopolítica |Proponentes: Idelma Santiago da Silva (UNIFESSPA) e Dernival Venâncio Ramos Júnior (UFNT)Contatos: idelma@unifesspa.edu.br , dernivaljunior@gmail.com O Simpósio Temático pretende reunir pesquisadores/as com trabalhos baseados na História Oral ou na articulação entre história oral e etnografia, que dialoguem com as múltiplas vozes e práticas envolvidas no debate e na luta por justiça climática, especialmente estudos produzidos a partir de relações entre universidades, povos e comunidades tradicionais e movimentos sociais. No ST espera-se realizar o debate que associe justiça climática e epistêmica, seja na abordagem crítica dos conflitos e das interseccionalidades relacionadas às emergências climáticas que aprofundam desigualdades, seja na visualização das presenças e existências antecipatórias de alternativas. Ademais, pretende-se que o ST seja um espaço para pensar as potencialidades teóricas e práticas da história oral nos estudos de cosmopolítica. |
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ST 11. História oral e memória das artes, da cultura e da criatividade | Proponentes: Ricardo Santhiago (UNIFESP) e Miriam Hermeto Sá Motta (UFMG)Contatos: rsanthiagoc@gmail.com ; miriamhermeto@gmail.com Relatos orais têm sido amplamente utilizados na confecção de trabalhos sobre arte, cultura e criatividade e no estudo de gestos de criação artística e intelectual. Da mesma forma, diversos autores já discutiram o potencial artístico intrínseco à narração oral e às etapas de trabalho com esse material.O simpósio temático “História oral e memória das artes, da cultura e da criatividade” coloca-se como um espaço aberto para a apresentação de projetos em andamento e concluídos, bem como o debate de ideias a partir de perspectivas que combinem a temática das artes ao instrumental metodológico, teórico e conceitual dos estudos de história oral e memória. Em sua 14ª edição, o ST visa reunir pesquisadores em dois fluxos: a) Trabalhos de registro de história oral e memória de artistas, movimentos culturais e intelectuais e práticas criativas. Enquadram-se propostas resultantes de pesquisa, bem como projetos em andamento, abordando: 1. Artistas e conjuntos de artistas, grupos, coletivos, movimentos, em diferentes linguagens e campos de atuação: música, literatura, artes plásticas, dança, circo, performance, fotografia, arte digital, cinema, slam, teatro etc.; 2. Momentos, movimentos e correntes artísticas; 3. História e cultura intelectual, intelectuais, obras do pensamento, campos do saber; 4. Manifestações culturais, independentemente de seu âmbito analítico (cultura popular, cultura erudita, cultura de massa etc.); 5. Experiências de utilização de relatos orais em estudos sobre o processo criativo, em articulação com outras ferramentas, como a crítica genética.b) Discussões sobre o caráter artístico e criativo agregado a trabalhos com narrativas pessoais. Enquadram-se propostas que discutam a possibilidade de a história oral ter, em si, um componente artístico, ou de se comunicar com práticas artísticas. Entre outras possibilidades, contempla-se: 1. Aproximação da história oral a outras artes, como fotografia, desenho, vídeo, artes plásticas, arte digital, etc.; 2. Interpretações de obras literárias baseadas na oralidade; 3. Discussões metodológicas sobre o emprego de técnicas advindas de campos como a literatura e a linguística tanto para a constituição quanto para a análise de fontes orais; 4. A inter-relação entre história oral e história pública, discutindo a viabilidade e os procedimentos da difusão de trabalhos de história oral para públicos não especializados, por meio de diversos suportes, como o rádio, o cinema e o livro. |
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ST 12. História oral e patrimônio cultural no Brasil: narrativas, disputas, construções | Proponentes: Juliana Rampim Florêncio (IDP - Brasília) e Edson Dias (PPGD/UnB)Contato: ju.r.florencio@gmail.com Este Simpósio Temático (ST) propõe uma investigação crítica das relações entre história oral e patrimônio, visto que ambos os campos compartilham preocupações fundamentais com a memória, com a identidade e com a construção ou reconstrução de narrativas e representações sobre o passado. A história oral, ao privilegiar testemunhos, experiências vividas e narrativas individuais e coletivas, amplia as possibilidades de compreensão histórica ao incorporar vozes e arquivos frequentemente marginalizadas nos registros oficiais e institucionais. Já o patrimônio, em suas múltiplas dimensões – material, imaterial, cultural, simbólica etc. –, constitui-se como um campo de disputas e seleções, inclusive jurídicas, sobre o que deve ser preservado e transmitido às gerações futuras.Nesse sentido, o ST busca explorar como a história oral pode contribuir para a problematização dos processos de patrimonialização, evidenciando os critérios, os silêncios e as hierarquias que permeiam, sobretudo no Brasil, a construção do patrimônio. Ao registrar memórias de grupos sociais diversos, a história oral evidentemente tensiona narrativas hegemônicas e possibilita a emergência de outras perspectivas sobre bens, hábitos, práticas e lugares considerados patrimoniais. Assim, o diálogo entre tais campos permite repensar o patrimônio não apenas como um conjunto de objetos ou tradições estáticas, mas como um processo dinâmico e por vezes conflituoso, percorrido por disputas de poder e por diferentes regimes de memória.Igualmente, o escopo do GT examina as profundas implicações culturais, metodológicas, éticas e políticas associadas à articulação entre história oral e patrimônio sobretudo em relação ao contexto brasileiro. Questões como autoria, representatividade, mediação do pesquisador/a e devolução social do conhecimento tornam-se centrais quando se lida com narrativas de memória em contextos de valorização patrimonial. A escuta sensível, o respeito às comunidades e a construção compartilhada do conhecimento aparecem, assim, como princípios fundamentais para práticas mais democráticas, inclusivas e decoloniais.Por fim, o ST visa fomentar, mediante o uso de fontes orais em suas diversas modalidades, o intercâmbio entre pesquisadores/as, estudantes e profissionais que atuam nessas áreas, incentivando abordagens interdisciplinares e reflexões críticas sobre políticas públicas, práticas institucionais e experiências comunitárias. Ao articular história oral e patrimônio, pretende-se contribuir para a construção de novas formas de pensar a preservação e a transmissão da memória, valorizando a diversidade de experiências e promovendo, especificamente no Brasil, uma compreensão mais plural e participativa do passado. |
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ST 13. História Oral e Povos Indígenas | Proponentes: Diego Omar da Silveira (UEA), Patricia Emanuelle Nascimento (UFU), Poliene Soares dos Santos Bicalho (UEG)Contatos: diegomarhistoria@yahoo.com.br; patricia.nascimento@ufu.br; poliene.bicalho@ueg.br O presente Simpósio Temático reúne trabalhos que se debruçam sobre as interfaces – atuais e possíveis – entre o campo da história oral e os mundos indígenas. Parte-se da enorme importância que a história indígena tem hoje, no sentido de visibilizar sujeitos, narrativas e cosmologias praticamente deixados à margem da história nacional, mas também da necessidade de registrar os diferentes protagonistas dos processos de contato – seja pelos órgãos do indigenismo oficial (de Estado), seja através dos indigenismos alternativos surgidos na segunda metade do século XX. Nesse sentido, a história oral tem um papel fundamental, pois permite não apenas mergulhar nas tradições orais de diferentes povos e etnias para trazê-las ao espaço público, mas também registrar a trajetória de sujeitos e comunidades (sertanistas, missionários, indigenistas, antropólogos, advogados e ativistas socioambientais) que compartilharam com diferentes povos as lutas por terra/território, língua, cultura e autodeterminação. O convite se estende também àqueles/as pesquisadores/as que se dedicam a problematizar as implicações teóricas das narrativas orais indígenas na descolonização de vários campos do saber, dentro e fora das universidades, com implicações inclusive na construção de políticas públicas, como a educação e a saúde indígenas, por exemplo. |
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ST 14. História oral e tendências historiográficas contemporâneas: desafios metodológicos, debates e deslocamentos no século XXI | Proponente: Leandro Seawright (USP)Contato: leandro.fflch@usp.br Nas últimas décadas, a história oral tem sido convocada a repensar seus fundamentos, procedimentos e horizontes de investigação diante das profundas transformações da historiografia contemporânea. Desde o final do século XX, a crise dos paradigmas totalizantes, a crítica à representação, a expansão da história feminista, dos estudos de gênero, das reflexões étnico-raciais e das histórias global, conectada e transnacional alteraram de modo significativo as formas de formular problemas históricos; definir propostas de pesquisa e trabalhar com escalas, experiências e regimes de historicidade. Tais deslocamentos repercutem diretamente sobre a metodologia da história oral, exigindo revisão crítica de noções como testemunho, memória, narrativa, mediação, escuta e comunidade.No século XXI, esse cenário se torna ainda mais desafiador com a emergência de perspectivas pós-humanas e pós-antropocêntricas, da história animal, das discussões sobre plantas, do Antropoceno, das humanidades digitais, da história digital e dos impactos recentes da Inteligência Artificial Generativa. Esses debates não apenas ampliam o repertório temático da pesquisa, mas também tensionam o estatuto do humano, os modos de produção e circulação dos relatos e os próprios limites da agência histórica. Ao lado dessas inflexões, os debates decoloniais têm desempenhado papel decisivo ao interrogar a persistência de hierarquias epistemológicas, a naturalização de protocolos disciplinares e a permanência de formas de colonialidade no interior da produção do conhecimento histórico. Para a história oral, isso implica perguntar não apenas quem fala, mas sob quais condições de escuta, inteligibilidade e validação certos sujeitos, memórias e experiências se tornam reconhecíveis como historicamente legítimos. Nesse sentido, o Simpósio Temático propõe reunir pesquisadoras e pesquisadores interessados em examinar de que maneira as tendências historiográficas contemporâneas, em especial os debates decoloniais, reconfiguram a história oral como campo de produção de conhecimento. Interessa acolher trabalhos que enfrentem criticamente questões relativas à metodologia da história oral, às disputas em torno da memória, às múltiplas formas de testemunho, às comunidades étnicas e tradicionais, às cosmologias não ocidentais, às experiências de violência, trauma e resistência, bem como aos desafios colocados pelas novas tecnologias e pelas mediações digitais. O ST busca, assim, fortalecer a reflexão sobre as condições de possibilidade de uma história oral no século XXI, atenta à pluralidade regional do país, aberta ao diálogo interdisciplinar e comprometida com a renovação crítica de seus instrumentos teóricos e metodológicos. |
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ST 15. História oral, trabalho e patrimônio: memórias de trabalhadores em instituições de acervos histórico-culturais | Proponentes: Rafaella Bettamio (Arquivo Nacional/RJ) e Aparecida Rangel (Fundação Casa de Rui Barbosa)Contatos: rafabettamio@gmail.com ; cida@rb.gov.br Este Simpósio Temático visa refletir sobre questões afeitas à história oral e à memória coletiva relacionadas à trajetória de trabalhadores em instituições voltadas à preservação de acervos histórico-culturais. Pretende reunir análises que utilizem a metodologia da história oral em perspectiva multidisciplinar, dialogando com o campo de estudos do mundo do trabalho, tendo interesse especial sobre atividades desenvolvidas em espaços institucionais de proteção, guarda e difusão de acervo histórico-cultural patrimonializado. O objetivo é integrar debates de caráter teórico e metodológico com experiências e dificuldades práticas de pesquisas, a fim de instituir e ampliar uma rede de colaboração e troca entre estudos que se debrucem sobre a memória do trabalho desenvolvido em entidades responsáveis pela preservação e acesso a tais acervos. Partindo da memória dos trabalhadores, as investigações apresentadas devem abarcar desde os processos que envolvem a produção, o tratamento, a conservação e a difusão de acervos patrimonializados até questões relativas à identidade dos grupos e à cultura institucional, além de a atuação política e organizacional, bem como os reflexos dessas funções em suas vidas profissionais e pessoais. É necessário que as abordagens relacionem argumentos teóricos e metodológicos com as experiências e dificuldades práticas da pesquisa. Essas devem utilizar do método da história oral para, a partir da memória dos trabalhadores, iluminarem as múltiplas atividades desenvolvidas e os significados atribuídos aos acervos, ao trabalho, aos trabalhadores, às instituições e às pesquisas produzidas a partir dos acervos patrimonializados. A ideia central do Simpósio é apresentar de que forma as entrevistas de história oral são capazes de tornar visível o papel ativo dos trabalhadores nessas instituições. Afinal, os múltiplos significados produzidos por intervenções próprias ao trabalho desenvolvido por eles na instituição são invisíveis ao público em grande parte das vezes. Visamos também dialogar com pesquisas que, a partir de memórias orais de trabalhadores do ramo do patrimônio histórico-cultural, abordem questões afeitas a políticas institucionais, associações de trabalhadores, sindicatos, rotinas de trabalho e seus impactos na trajetória funcional e no trabalho desenvolvido por esses sujeitos em tais repartições custodiadoras e colecionadoras de acervos patrimonializados. Em última instância, objetivamos que o Simpósio seja um ambiente favorável à troca de ideias, experiências e considerações sobre a história oral enquanto metodologia de análises que relacionem trajetórias profissionais ao tratamento dado a acervos histórico-culturais por trabalhadores ao longo do tempo. Sob essa perspectiva, pretendemos contribuir com a materialização da memória oral dos trabalhadores dessas instituições, promovendo reflexões e diálogos entre análises sobre conjuntos histórico-culturais patrimonializados e as instituições que os conservam, difundem e lhes dão acesso. |
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ST 16. História Oral Ambiental, memórias e territórios em disputa: entre o local e o global | Proponentes: Marcos Fábio Freire Montysuma (UFSC) e Andréa Casa Nova Maia (UFRJ)Contatos: mmontysuma@gmail.com ; andreacn.bh@gmail.com O Simpósio Temático propõe reunir pesquisas voltadas às experiências históricas de populações que vivem em diferentes ecossistemas, biomas e territórios — como Amazônia, Cerrado, Mata Atlântica, Caatinga, Pantanal, Pampa, zonas costeiras e marinhas, reservas da biosfera, espaços urbanos e rurais, áreas do interior e do litoral e que, com frequência, não dispõem de controle político efetivo para defender seus direitos, seus territórios e seus modos de vida diante dos interesses do capital. Interessa-nos discutir processos de degradação ambiental, contaminação, expropriação, exposição desigual ao risco e destruição das condições de vida que atingem grupos socialmente vulnerabilizados em contextos marcados por injustiça ambiental, racismo ambiental e violência lenta. O simpósio acolhe trabalhos que abordem os efeitos socioambientais de distintas formas de exploração econômica e apropriação intensiva da natureza, incluindo atividades industriais, extrativas, minerárias, petroquímicas, logísticas, energéticas e agroquímicas. Nesse campo, interessam especialmente pesquisas sobre mineração, inclusive de lítio e outros minerais estratégicos, exploração de petróleo, grandes empreendimentos de infraestrutura, circulação e deposição de resíduos tóxicos, poluição industrial, contaminação de solos e águas, bem como os impactos dessas dinâmicas sobre comunidades urbanas, periféricas, rurais, ribeirinhas, costeiras, indígenas, quilombolas, camponesas, pesqueiras e demais coletividades afetadas por processos de espoliação e abandono. Buscamos compreender como determinados territórios são historicamente convertidos em zonas de sacrifício ambiental, waste zones ou paisagens do descarte associadas ao Wasteocene, espaços nos quais se concentram resíduos, toxicidade, adoecimento, ruína socioeconômica e passivos ambientais duradouros. Interessa-nos também examinar situações em que a reorganização das dinâmicas produtivas, o deslocamento de investimentos ou a abertura de novas frentes de exploração deixam para trás ambientes degradados, precarização da vida e um preço elevado a ser pago por quem permanece nesses territórios. Em muitos desses contextos, observam-se processos que podem dialogar com a noção de desindustrialização nociva, mas também com a de colonialismo químico, evidenciando como a distribuição da toxicidade acompanha relações desiguais de poder, classe, raça e território. O ST busca, assim, fortalecer a pesquisa entre a história oral, a memória e os debates da história ambiental, de gênero e meio ambiente, da ecologia política, dos estudos da toxicidade, da saúde coletiva e da justiça ambiental. Pretende agregar não apenas historiadores e historiadoras, mas também ecologistas, cientistas sociais, pesquisadoras/es da saúde, educadoras/es, militantes e sujeitos diretamente implicados nessas experiências, desde que mobilizem a história oral como prática metodológica, ética e política. Serão especialmente bem-vindos trabalhos sobre memórias da contaminação, conflitos socioambientais, experiências de adoecimento, resistência, reparação e disputas por justiça ambiental. |
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ST 17. História Oral, Cidades e Memória | Proponentes: Raimundo Nonato Lima dos Santos (UFPI), Lêda Rodrigues Vieira (UESPI)Contatos: raimundolima2011@ufpi.edu.br ; ledarodrigues@phb.uespi.br O simpósio visa a socialização de pesquisas que tomam a cidade como objeto de estudo e reflexão, por meio de registros memorialísticos. Nessa perspectiva, a cidade não é vista apenas como palco de eventos históricos, ela também se faz protagonista de ações, uma vez que o elemento síntese que a constitui é a aglomeração humana e suas relações cotidianas. Neste agrupamento humano, as relações de poder se estilhaçam em múltiplas gentes, espaços e tempos e se expressam em diferentes modos de ser e existir, configurando o ethos urbano. Assim, com base em Sandra Pesavento (2007), entendemos que a cidade pode ser interpretada por meio de sua materialidade, sociabilidade e sensibilidade. Esse modo de ser citadino, transforma o espaço, causando impactos ambientais que podem afetar tanto a população local, como de outras regiões. Essa problemática nos leva a vários questionamentos, entre eles, cabe as indagações: Como a história oral pode contribuir de modo concreto para os debates contemporâneos sobre justiça climática, crises ambientais, a partir de estudos sobre as transformações e relações sociais urbanas? Como práticas de escuta e narração expandem a compreensão dos impactos ambientais que atravessam comunidades urbanas, em áreas centrais e periféricas? Diante desses questionamentos e, principalmente, de possibilitar o debate sobre a História Oral, as cidades e a memória, esperamos reunir neste simpósio os estudos sobre bairros, praças, ruas, prédios, lugares e não lugares, cidades visíveis e cidades imaginárias, em diferentes tempos e espaços, que têm como fonte principal, relatos, depoimentos, entrevistas, lendas e canções transmitidas oralmente. Além disso, esses estudos também podem discutir o viver urbano em períodos de governos autoritários, do passado e do presente, apontando, as transformações dos espaços e das gentes, nas suas caminhadas pela cidade, como reflexos dessas ideologias governamentais vigentes, bem como, as questões que envolvem o patrimônio cultural e urbano. |
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ST 18. História Oral e Culturas Visuais | Proponentes: Ana Maria Mauad (UFF), Carlos Eduardo Pinto de Pinto (UERJ), Marcus Vinicius de Oliveira (IFRJ)Contatos: anamauad@id.uff.br; dudachacon@gmail.com; marcusoliveira93@gmail.com No contexto do debate historiográfico da virada do século XX para o XXI, a história oral e a história visual chamavam a atenção para o fato de que a experiência de rememoração não se processava através de uma única forma de expressão, tampouco estava dissociada das condições sociais e tecnológicas existentes. Essas preocupações desencadearam a configuração de novas abordagens que associaram os processos de rememoração às condições culturais de sua produção, incorporando a dimensão visual da experiência passada, como parte da pesquisa histórica. Do ponto de vista conceitual, a noção de Cultura Visual reúne dois aspectos importantes: enquanto cultura, associa-se à construção de valores e identidade por meio do visual, incluindo conflitos e estratégias de exclusão que os processos identitários envolveriam na produção visual do social. Por outro lado, a dimensão visual considera tanto as condições da visão, como os modos de ver e dar a ver, abarcando uma gama de relações sociais. Tal perspectiva nos permite associar visualidade e oralidade aos estudos históricos, por meio dos registros da história oral, no que identificamos como fontes de memória. Os processos de subjetivação das experiências sociais constituem a base espessa das memórias que podem ser ativadas e compartilhadas em situações de rememoração provocadas pelas imagens. Por outro lado, a produção de imagens implica em um saber-fazer que envolve práticas sociais num sistema complexo de partilhas sensíveis. O debate dos últimos anos resultou em formas criativas de compartilhamento dos resultados em produtos que consideram tanto a natureza oral, visual e/ou sonora dos materiais tratados, quanto o compartilhamento de autoridades entre os sujeitos envolvidos nos processos de pesquisa. Um exercício que vem sendo valorizado nos trabalhos acadêmicos e de história pública.O ST pretende reunir trabalhos que reflitam sobre as relações entre oralidade e visualidade em perspectiva histórica, bem como a problemática da produção social da memória e dos usos do passado no regime de historicidade contemporâneo, com abertura para os debates sobre a produção audiovisual nos territórios comuns da história oral e da história pública. Considerando o caráter transdisciplinar das pesquisas sobre a memória pública, o ST se caracteriza como espaço que convida ao diálogo os distintos campos do saber que incorporam fontes orais e visuais, como História, Ciências Sociais e Comunicação. Destacam-se as reflexões sobre: o (audio)visual como objeto de pesquisa; a produção de vídeos; as fontes orais e visuais na construção social da memória, entre outros. Os trabalhos devem incluir ao menos dois dos conceitos-chave a seguir: memória, espaço público, audiovisual, oralidade, visualidade e cultura visual. |
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ST 19. História Oral e Etnografias Críticas: práxis, coteorização e descolonização de narrativas | Proponentes: Amarildo Ferreira Junior (IFRR; PPGSOF/UFRR) e Tony Leão da Costa (UEPA)Contatos: amarildo.junior@ifrr.edu.br; leaodacosta@yahoo.com.br Nas últimas décadas, as ciências sociais têm sido questionadas em suas estruturas de saber/poder e em sua ênfase no método e na “neutralidade” como elementos que as constituem e as diferenciam frente às outras formas de conhecimento e prática social. De maneira geral, muitos sujeitos até então “externos” ao que poderia ser visto como campo do saber formal, científico e técnico se levantaram para afirmar que existem dimensões da realidade social historicamente silenciadas. Esse silenciamento ocorreria não simplesmente por ausência ou deficiência de estudos sobre esses mesmos sujeitos, inúmeras vezes objetificados pela ciência, mas pela existência de estruturas assimétricas de poder inerentes à própria constituição do pensamento social. Estruturas que determinam ao saber científico não apenas a descrição/interpretação da realidade, mas também a hierarquização, a seleção/apagamento, o diálogo meramente formal e moderado, o disciplinamento e apagamento de ruídos e a imposição da autoridade sobre o “objeto” estudado.Buscando nos inserirmos no ambiente impulsionado por esses questionamentos, este Simpósio Temático dá continuidade às atividades que vimos fomentando nos três últimos Encontros Nacionais de História Oral (2020, 2022 e 2024) e no Encontro de História Oral da Região Norte acerca de reflexões críticas advindas de duas modalidades de saber-fazer: a) a elaboração de epistemologias compartilhadas/colaborativas entre os saberes das/dos pesquisadores e os saberes advindos da experiência dos movimentos sociais contestatórios; b) experiências em construção colaborativa/coautoriais de repertórios arquivísticos e instrumentos político-pedagógicos sobre a história/memória das lutas desses mesmos movimentos sociais. Em um sentido, interessa-nos discutir com epistemologias “radicais” que rejeitam o colonialismo, a lógica instrumental e tecnicista das ciências sociais e busquem construir estudos/intervenções colaborativos e dialógicos com os sujeitos historicamente subalternizados a partir de suas in(ter)ferências na realidade histórico-social. Busca-se partir do diálogo com as experiências dos próprios sujeitos e agentes em movimento, reconstruir “à contrapelo” os sentidos da História e das estruturas de entendimento que se tornaram hegemônicas com o ideário da modernidade ocidental.Por outro lado, fugindo de certa tentação “hiper-epistemologizante” da teoria crítica contemporânea (momento no qual o epistemológico ocupa um lugar hipertrofiado na reflexão crítica, parecendo por vezes ser a dimensão a partir da qual se desencadeariam todas as energias de mudanças das demais estruturas sociais), procuramos pensar sobre o papel das/dos pesquisadores na construção de instrumentos políticos práticos para/com os próprios sujeitos sociais, considerando seus limites e potencialidades. Assim, buscamos abrigar discussões que articulem o conceito de práxis nos campos da História Oral e da Etnografia Crítica sem dissociar o epistemológico do mundo da vida dos sujeitos sociais em movimento e que cultivem de forma prática a sensibilidade às diferentes dimensões das experiências individual e coletiva com as quais se está em relação. Em resumo, interessam-nos trabalhos que tanto questionem as configurações tradicionais de entendimento da realidade nos âmbitos do pensamento social, em que os movimentos populares também se encontram - quase sempre como “objetos” -, quanto apresentem práticas colaborativas e críticas de realização de registros oralistas, de sistematização de experiências e de produção de instrumentos político-pedagógicos e repertórios arquivísticos nesses mesmos âmbitos. |
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ST 20. História Oral, História da Educação e Patrimônio Cultural: narrativas, construção de saberes e promoção da justiça climática | Proponentes: Cesar Evangelista Fernandes Bressanin (UFT), Maria Zeneide Carneiro Magalhães de Almeida (PUC/GO)Contatos: kaeserevangelista@gmail.com; zeneide.cma@gmail.com O presente Simpósio Temático propõe reunir pesquisas que articulam a História Oral, a História da Educação e o Patrimônio Cultural, tendo como eixo central as narrativas docentes e as oralidades como fontes privilegiadas para a compreensão das experiências educativas em diferentes tempos, territórios e contextos socioculturais. Inserido no contexto do 18º Encontro Nacional de História Oral, cujo tema é “Oralidades plurais na construção de um futuro de justiça climática”, o simpósio busca problematizar o papel das memórias individuais e coletivas na produção de saberes, na constituição de identidades e na construção de práticas educativas comprometidas com a justiça social e ambiental. As narrativas docentes, compreendidas como testemunhos de trajetórias profissionais e de vida, constituem-se como dispositivos analíticos fundamentais para acessar dimensões subjetivas, afetivas, políticas e culturais da educação, frequentemente invisibilizadas nos registros oficiais (Josso, 2004; Nóvoa, 2007; Goodson, 2022). Nesse sentido, a História Oral, ao privilegiar a escuta sensível e o diálogo com os sujeitos (Portelli, 2016), possibilita a valorização de vozes plurais, especialmente aquelas situadas em contextos marcados por desigualdades sociais, territoriais e ambientais, como comunidades indígenas, quilombolas, ribeirinhas e populações do campo. Ao mesmo tempo, o simpósio busca estabelecer um diálogo fecundo entre educação e patrimônio cultural, entendido em suas dimensões material e imaterial, como campo dinâmico de disputas simbólicas e de construção de pertencimentos (Iphan, 2023). As oralidades, nesse contexto, desempenham papel central na preservação, transmissão e ressignificação de saberes tradicionais, contribuindo para processos de educação patrimonial e para a valorização da diversidade cultural. Ao incorporar tais narrativas no espaço escolar, amplia-se a possibilidade de uma educação contextualizada, crítica e territorialmente situada (Souza, 2013; Florêncio, 2014). Articulando essas dimensões ao debate sobre justiça climática, o simpósio propõe refletir sobre como as experiências narradas por docentes e comunidades evidenciam os impactos das crises socioambientais e, ao mesmo tempo, oferecem caminhos de resistência e de construção de alternativas sustentáveis (Bauer; Borges, 2016). Em regiões como a Amazônia e o Cerrado, tais narrativas revelam a interdependência entre educação, território, cultura e meio ambiente. Dessa forma, o simpósio acolherá trabalhos que abordem: narrativas docentes e formação de professores; História Oral e práticas educativas; educação e patrimônio cultural; memória, identidade e território; educação em contextos socioambientais; oralidades e justiça climática; e experiências pedagógicas voltadas à valorização dos saberes tradicionais e do patrimônio cultural. Ao promover o diálogo entre História Oral, educação e patrimônio cultural, o simpósio reafirma a centralidade das oralidades na construção de futuros mais justos, sustentáveis e culturalmente diversos. |
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ST 21. História Oral e Memória na Construção do Conhecimento Arqueológico e do Patrimônio | Proponente: Bruno Vitor de Farias Vieira (UNIVASF)Contato: bruno.vitor@univasf.edu.br A Arqueologia tem como fundamento o estudo das relações socioculturais a partir da materialidade produzida e transformada pelos seres humanos ao longo do tempo, geralmente associada a períodos bem recuados. No entanto, diversas fontes e metodologias também integram o campo de investigação arqueológica e patrimonial com cronologias mais recentes ou até mesmo contemporâneas, como os contextos ligados à Arqueologia Histórica, Arqueologia Patrimonial, Etnoarqueologia e ainda a Arqueologia Pública e suas variações. Nesse âmbito, a valorização e a inserção da sociedade e das comunidades nos processos de interpretação arqueológica e patrimonial passam a reconhecer a memória e a história oral como ferramentas fundamentais, seja como complementares, seja, em alguns casos, como meios privilegiados, ou mesmo únicos, de acesso às relações entre os objetos e as pessoas que se vinculam a esses patrimônios. Tais abordagens permitem alcançar dimensões como sentimentos, anseios, relações e interpretações pessoais, especialmente no desenvolvimento de estratégias de comunicação com a sociedade, historicamente distanciada desse tipo de produção científica. É nessa perspectiva que este Simpósio Temático tem como objetivo promover o diálogo, a discussão e o compartilhamento entre pesquisadores(as) acerca de trabalhos que tenham como princípio a construção de narrativas arqueológicas e/ou patrimoniais, em diferentes contextos, e que empreguem a memória e a história oral na produção do conhecimento e na valorização das pessoas e de suas histórias, relacionadas a bens de valor patrimonial (histórico, cultural, ambiental) e arqueológico. |
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ST 22. História Oral e Mundos do Trabalho: experiências, movimentos sociais, práticas educativas e de resistência | Proponentes: Alejandra Luisa Magalhaes Estevez (UFF), Richard de Oliveira Martins (INEP) e Felipe Augusto dos Santos Ribeiro (ESPI)Contatos: alestevez@id.uff.br; o.m.richard@gmail.com Os relatos orais e as memórias vêm se consolidando como fontes privilegiadas para a compreensão dos mundos do trabalho e dos movimentos sociais. Esses estudos têm reafirmado o potencial da oralidade não apenas como recurso metodológico, mas como campo de problematização das relações entre experiência, narrativa e construção do conhecimento histórico. Ao valorizar os testemunhos de trabalhadores e trabalhadoras, a História Oral amplia o acesso a dimensões subjetivas, afetivas e políticas que atravessam o cotidiano do trabalho, permitindo revisitar criticamente processos históricos marcados por conflitos, violências e resistências.Desde sua consolidação nas décadas de 1960 e 1970, sob a influência da história social “vista de baixo”, a História Oral tem contribuído para tornar visíveis sujeitos e experiências frequentemente marginalizados pelas narrativas oficiais. Nos debates mais recentes da área, observa-se um significativo aprofundamento das análises sobre as interseções entre memória social, mundos do trabalho e movimentos sociais, incorporando uma agenda temática cada vez mais ampla e complexa. Tais abordagens evidenciam como os testemunhos constituem instrumentos fundamentais para compreender tanto trajetórias individuais quanto dinâmicas coletivas de mobilização e resistência.Este Simpósio Temático propõe reunir pesquisas que dialoguem com esse campo em expansão, enfatizando o papel da oralidade na construção de interpretações críticas sobre os mundos do trabalho em diferentes contextos históricos e sociais. Interessa, particularmente, compreender como as narrativas de vida revelam trajetórias de lideranças e movimentos sociais em protestos urbanos e rurais, bem como em escolas da Educação Básica, espaços de trabalho, militância, moradia, evidenciando conexões entre experiência vivida e ação coletiva.A proposta também contempla investigações sobre as relações de classe, raça, gênero e sexualidade na configuração dos espaços urbanos e rurais, destacando como essas dimensões se entrelaçam nas experiências laborais e nas formas de organização social. Do mesmo modo, busca-se acolher trabalhos que abordem as experiências cotidianas de trabalho, incluindo situações de violência, exploração e controle, tanto em ambientes produtivos quanto nas comunidades de trabalhadores no campo e na cidade. Somam-se ainda as experiências de educação popular, entendidas como práticas formativas e políticas construídas no interior das lutas sociais e dos mundos do trabalho, fundamentais para a conscientização, organização coletiva e produção de saberes entre trabalhadores e trabalhadoras.Outro eixo fundamental refere-se às políticas de memória e à justiça de transição, especialmente no que diz respeito às experiências de trabalhadores, camponeses, indígenas, populações negras e moradores de periferias durante a ditadura civil-militar e no processo de redemocratização. Por fim, o simpósio abre-se a análises sobre as experiências de luta e resistência no século XXI, considerando as transformações recentes no mundo do trabalho e os novos repertórios de ação coletiva. |
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ST 23. História Oral, Mulheres e Interseccionalidades | Proponentes: Flávia Pereira Machado (IFG) e Juliana Ventura de Souza Fernandes (IFMG)Contatos: flavia.ifg.machado@gmail.com; juliana.fernandes@ifmg.edu.br Neste Simpósio Temático pretendemos compartilhar experiências de pesquisa, ensino, extensão e ativismos no campo teórico-metodológico da História Oral e das Oralidades que abordem as mulheres e as mulheridades em suas pluralidades e territorialidades a partir de contextos diversos: mulheres oriundas de povos e comunidades tradicionais, mulheres trans, mulheres periféricas, mulheres negras, indígenas mulheres, quilombolas e camponesas, em espaços urbanos ou rurais. Serão aceitas comunicações que tragam reflexões sobre as mulheres e as mulheridades em uma perspectiva interseccional, evidenciando como os atravessamentos de gênero, raça, etnia, classe, sexualidades e territorialidades impactam suas trajetórias e suas vivências enquanto sujeitas coletivas ou em suas articulações individuais. Interessa-nos ainda trabalhos que evidenciem as contribuições da História Oral e das oralidades para o campo da História das Mulheres, dos Estudos de Gênero e Feminismos e para a produção do conhecimento histórico e conhecimentos afins. Compreendemos que a invisibilização das agências das mulheres não brancas e dos corpos dissidentes corroborou com práticas de pesquisa centradas em perspectivas androcêntricas, racistas e colonialistas, elegendo apenas as trajetórias de mulheres excepcionais ou subsumidas à condição de esposas, irmãs ou filhas, restritas, muitas vezes, ao âmbito doméstico. Nesse sentido, o ST convida pesquisadoras e pesquisadores que buscam redimensionar a escrita da história em perspectiva hegemônica, evidenciando as narrativas de mulheres às margens da escrita da História e negligenciadas no Ensino da mesma, bem como as narrativas das sujeitas que conformam outras mulheridades e formas de existências a partir dos seus corpos-políticos. Outrossim, receberemos comunicações de pesquisas concluídas ou em andamento que versem sobre as ações coletivas, mobilizações e os movimentos de mulheres em suas multiplicidades e diversidade de condições. Também serão bem vindas reflexões sobre a produção intelectual, científica e de saberes "outros" de mulheres plurais em articulação com a tradição oral, as oralituras e as oralidades em diferentes espacialidades e contextos culturais e sociais. |
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ST 24. História Oral, Patrimônio Imaterial e Gestão Pública: Narrativas e Identidades na Construção de Políticas Públicas | Proponente: Emerson Porto Ferreira (Diretoria de Patrimônio/ Secretaria de Cultura do Guarujá- SP)Contato: profemerson.p.ferreira@gmail.com A administração pública no Brasil pauta-se, historicamente, por uma lógica de oficialidade que, por vezes, negligencia narrativas divergentes dos discursos hegemônicos. Nesse cenário, o patrimônio material — embora fundamental — revela-se insuficiente para abarcar as complexas sedimentações históricas e as subjetividades de grupos sociais silenciados, gerando lacunas na compreensão das identidades de cidades, bairros e distritos. Este Simpósio Temático visa reunir e compartilhar pesquisas que tenham como foco a História Oral enquanto ferramenta metodológica e epistemológica essencial para preencher tais silêncios, possibilitando a revelação de novas nuances para a gestão pública e para as instituições de ensino e pesquisa.A relevância dessa abordagem encontra eco nas reflexões de Alessandro Portelli, que defende a História Oral não apenas como uma busca por fatos, mas pela construção de significados; para o autor, a "subjetividade" do relato oral é, em si, um dado histórico que permite compreender não apenas o que as pessoas fizeram, mas o que queriam fazer e como interpretam suas trajetórias. Complementarmente, a perspectiva de Ricardo Santiago reforça a necessidade de conectar a oralidade às políticas de memória e ao espaço urbano, entendendo que a gestão pública, ao ignorar as memórias sensíveis e os patrimônios imateriais, acaba por promover um apagamento da diversidade que constitui o território.Nesse sentido, a proposta busca fomentar um debate crítico sobre como a metodologia da oralidade pode auxiliar na elaboração de políticas públicas em âmbitos municipal, estadual e federal, servindo como fonte de preservação de memórias coletivas e identidades locais. Serão bem-vindas comunicações que discutam a relação entre narrativas orais e a gestão do patrimônio cultural, o impacto do registro de vozes não hegemônicas na formulação de políticas de reparação e as experiências práticas de aplicação da história oral em projetos de administração e educação. Assim, o ST pretende consolidar a História Oral como um elemento estratégico para a construção de visões de passado e presente mais democráticas, plurais e representativas da diversidade brasileira, transformando o "ouvir" em um ato de cidadania e de justiça histórica. |
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ST 25. História oral, trajetórias e identidades narradas | Proponentes: Igor Lemos Moreira (Unespar - Campus Paranaguá) e Lívia Morais Garcia Lima (UNESP)Contatos: igorlemoreira@gmail.com; livia.m.lima@unesp.br Nas últimas décadas, o debate sobre o papel da narrativa na historiografia tem se adensado, particularmente desde a chamada "giro-linguístico". Perpassando questões ligadas a ficcionalidade, imaginação histórica e subjetividade, tais discussões levaram pesquisadores ao questionamento, cada vez mais, acerca dos desafios de construção de tramas narrativas e discursivas a partir das relações entre fontes, epistemologias e o próprio ato de escrita. Essa operação complexa foi debatida por Jablonka (2021) ao defender que a história poderia ser compreendida enquanto uma "literatura do real". LaCapra (2023) retomou tal hipótese, ressaltando esses desafios podem tomar como espaço privilegiado de reflexão a prática da história oral e as pesquisas com oralidades a partir de dois desafios centrais: (1) as formas de adaptação, transcrição e tradução do relato oral enquanto fonte; (2) o impacto da experiência de diálogo, encontro e colaboração na própria forma como historiadores produzem suas narrativas a partir do contato estabelecido no momento de entrevista, incorporando a experiência e a subjetividade dos sujeitos para além do "narrado". O Simpósio Temático "História oral, trajetórias e identidades narrativas" objetiva reunir trabalhos que se dediquem a problematizar o uso da oralidade na pesquisa sobre trajetórias e experiências de vida, bem como sua interface para a investigação e problematização acerca de identidades-narrativas; as tensões e relações envolvidas no uso de entrevistas na produção de investigações e narrativas de vida (biografias, cine-biografias, histórias de vida, análise de trajetórias, históricas coletivas, documentários); as implicações teórico-metodológicas da compreensão da entrevista enquanto um ato colaborativo e uma produção decorrente das relações estabelecidas entre pesquisador e entrevistado. Assim, com o intuito de fomentar o debate em torno do uso da oralidade, propomos a apresentação bem como a discussão teórico-conceitual e prática dos campos das trajetórias, experiências e identidades em inter-relação ou de forma independente, sob o ponto de vista da investigação científica, seus percursos metodológicos e analíticos, bem como as operações e desafios narrativos e de escrita historiográfica. Desta forma, dar a conhecer as problemáticas e objetivos que orientam a pesquisa, os sujeitos, os lócus, os organismos financiadores, especialmente focalizando as contribuições da História Oral como um recurso de abordagem tanto do que se localiza no centro como na periferia e suas ramificações estruturais e conjunturais na sociedade, no presente e em temporalidades distintas. Dentro deste escopo, enquadram-se pesquisas que abordam diversas áreas de conhecimento como artes, patrimônio, política, lazer e diversos aspectos da vida social, cultura e política, além da história oral como prática reflexiva interdisciplinar. Entre reflexões possíveis de abordagem, ressaltam-se aquelas que procurem explorar: as relações entre história oral e narrativa; o espaço biográfico por, através e em entrevistas; trajetórias, memória e identidades no tempo presente; oralidade, vida pública e entretenimento; Sensibilidades, artes e narrativas; geração, envelhecimento e juventude como identificações; marcadores sociais (gênero, raça, classe, etnicidade, religião…) e relatos de si; trauma, testemunho e memória; biografias, ficção e literatura na interface com a História Oral; Formas de narrar e construção de textos no campo da História oral; História pública, práticas colaborativas e oralidades; identidade, alteridade e educação. |
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ST 26. História Oral, memória e conflitos no campo: diálogos e desafios metodológicos | Proponentes: Airton dos Reis Pereira (UEPA) e Geovanni Gomes Cabral (UNIFESSPA)Contatos: airton@uepa.br; geocabral@unifesspa.edu.br O presente Simpósio Temático tem como objetivo promover um espaço de debate e interlocução entre pesquisas que investigam, a partir da perspectiva da metodologia da História Oral, as múltiplas dimensões – políticas, sociais e culturais – que estruturam os diálogos e as experiências em torno dos conflitos no campo no Brasil. Partindo do pressuposto de que os conflitos no campo (conflitos por terra, pela água, pelos recursos naturais, pelo território, conflitos trabalhistas, trabalho escravo, entre outros); constituem processos históricos complexos, atravessados por disputas de poder, territorialidades e regimes de legitimidade, o simpósio busca reunir trabalhos e pesquisas que mobilizam narrativas orais, memórias sociais, escutas sensíveis em diálogos com outras tipologias documentais como fontes privilegiadas para a compreensão dessas dinâmicas. Interessa-nos, especialmente, refletir sobre os modos pelos quais sujeitos historicamente situados, como trabalhadores/as rurais, povos tradicionais (quilombolas, seringueiros, faxinalenses, ribeirinhos, pescadores, marisqueiras, ciganos, caiçaras, quebradeiras de coco babaçu, castanheiros, fundo e fecho de pastos, entre outros), lideranças sociais e agentes institucionais problematizam as situações de lutas de resistência, constroem, elaboram e disputam sentidos sobre a terra, territórios, o trabalho e a violência no campo. Por fim, como essas problemáticas podem estabelecer diálogos com o campo do ensino de História, considerando a importância de transpor e traduzir os debates acadêmicos para o ambiente escolar. A proposta visa, assim, contribuir para a construção de práticas pedagógicas críticas e socialmente engajadas, capazes de aproximar estudantes das problemáticas contemporâneas relacionadas aos conflitos agrários e às disputas por memória e território. |
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ST 27. História oral, memórias, biografias/trajetórias e lutas por direitos | Proponentes: Júlio Cláudio da Silva (UEA/ UFAM), Tiago Fonseca dos Santos (UEA/ UFAM) e Michele Pires Lima (UFAM)Contatos: tfsantos@uea.edu.br ; michelevergal@gmail.com; julio30clps@gmail.com O presente simpósio temático objetiva reunir pesquisadores/as dedicados/as aos estudos das formas de mobilizações sociais por direitos no Brasil. Outrossim, pretendemos reunir pesquisadores/as dedicados/as a pensar as potencialidades das fontes orais e das memórias dos testemunhos ou experiências de lutas por direitos sociais, registradas em áudio ou audiovisual. Visa debater as trajetórias de experiências, tematizar problemas e pensar projetos de pesquisa sobre os movimentos sociais de indígenas, de negros e negras urbano e/ou rurais, da população LGBTQI+, de comunidades tradicionais rurais/urbanas, de comunidades tradicionais de religiões de matriz africana, comunidades religiosas católicas e não católicas, com a utilização de narrativas integradas aos processos explicativos proporcionados pela história oral que “privilegia a realização de entrevistas com pessoas que participaram de, ou testemunharam, acontecimentos, conjunturas (...) como forma de se aproximar do objeto de estudo”, permitindo, inclusive, nos aproximar de situações históricas que não estão em outras tipologias de fontes, ou seja, “(...) acontecimentos pouco esclarecidos ou nunca evocados, experiências pessoais, impressões particulares, etc.” (ALBERTI, 2013, p. 24 e 30). Partindo de uma perspectiva interdisciplinar, objetivamos também discutir, do ponto de vista teórico e metodológico, a formação e a utilização de acervos e fontes orais no processo de construção da memória social dos mais diversos atores/autores envolvidos no processo de cidadanização, observando como o arquivamento de si e dos seus podem revelar aspectos de lutas por direitos face às múltiplas conjunturas do Brasil República, abarcando o período democrático, pós-Estado Novo, passando pela ditadura militar, o período de distensão e abertura, a instauração da Nova República e das lutas por direitos expressos na Constituição de 1988 e a posterior promulgação da Constituição Cidadã, assim como os retrocessos vividos após o Golpe Parlamentar de 2016. Ao longo desse período da história do tempo presente, o Simpósio Temático está sensível ao debate e escuta dos relatos das lutas, conquistas e retrocessos que, historicamente, sujeitos organizados vêm protagonizando, em vista da violação dos direitos humanos que, atualmente, vêm resistindo de modo ímpar sobre os mínimos, mas significativos direitos garantidos, nos chamando atenção para o processo histórico de formação das organizações sociais, em especial aquelas protagonizadas pela comunidade LGBTQI+, pela população negra, pelas mulheres, pelas comunidades tradicionais ou religiosas que contribuíram significativamente para o avanço positivo de pautas que lhes eram/são caras, ou seja, que o empoderamento e a participação de grupos excluídos sobre deliberações públicas e representativas não devem perder de vista a “justiça, liberdade, solidariedade e igualdade com respeito às diferenças” (GOHN, 2004, p. 2004). |
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ST 28. História oral, história pública e narrativas docentes | Proponentes: Aliny Dayany Pereira de Medeiros Pranto (UFRN), Everardo Paiva de Andrade (UFF), Rodrigo Wantuir Alves de Araújo (IFESP)Contatos: alinydayany@gmail.com; everardoandrade@id.uff.br; rodrigowantuir@ifesp.edu.br O simpósio "História oral, história pública e narrativas docentes” está em sua terceira edição no Encontro Nacional de História Oral - ENHO, além de ter tido versões em outros eventos, a exemplo do Encontro Regional de História Oral do Nordeste (2023, 2025). A manutenção de mais uma edição deste espaço de trabalho tem como objetivo principal reunir produções que discutam as narrativas autobiográficas de professores/as, expressas a partir de múltiplas abordagens e linguagens, tais como: entrevistas de história oral, entrevistas públicas, entrevistas narrativas, escritas autobiográficas, histórias de vida, dentre outras. As narrativas de professores possibilitam compreender melhor o saberfazer docente em diferentes contextos históricos e culturais, a partir da colaboração (Goodson, 2022) e da autoridade compartilhada (Frisch, 2016) com e entre esses/as narradores/as. O cruzamento de pesquisas em abordagens diversas estimula o diálogo entre áreas do conhecimento e contribui para o intercâmbio de práticas, saberes e resultados de pesquisa. Nas últimas edições, o simpósio contou com produções de diferentes áreas do conhecimento, passando pela História, Pedagogia, Educação Física, Física e outras, o que oportunizou um debate ampliado e o estabelecimento de conexões em rede, fortalecendo a troca de experiências entre as pesquisas e mais um passo na direção da consolidação da Rede Trajetórias Docentes. Diante disso, a terceira edição do simpósio no ENHO-2026 espera contribuir para a reflexão em torno do potencial dessas narrativas, mediante a aproximação e a imersão no cotidiano, nas práticas pedagógicas, na cultura escolar, no currículo, na formação e na vida em geral, de professores/as de diferentes áreas do conhecimento e em múltiplos recortes temporais e espaciais. No horizonte, o simpósio também pretende favorecer a compreensão de uma história da educação, da docência e da formação docente no Brasil e na América Latina. São fundamentais para o funcionamento deste espaço as discussões sobre história oral, história pública, história da educação, formação docente e pesquisa autobiográfica em geral, desde que privilegiem a lida com as memórias de professores, dentro e fora do Brasil. |
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ST 29. História pública e oralidades | Proponentes: Juniele Rabêlo de Almeida (UFF) e Marta Gouveia de Oliveira Rovai (UNIFAL)Contato: junielerabelo@gmail.com; martarovai88@gmail.com O Simpósio Temático tem por objetivo reunir profissionais que utilizem os procedimentos da história oral em pesquisas que pensem as possibilidades de construção/difusão/ampliação do conhecimento histórico. Sob a expressão “história pública” reúnem-se múltiplas iniciativas em favor do redimensionamento do saber histórico (produção compartilhada e ampliação dos públicos da história). Este Simpósio Temático tem como meta avançar nas discussões sobre a ampla gama de questões teóricas e práticas em torno da história pública no Brasil, visada em perspectiva internacional. Este simpósio será uma oportunidade para abordar a relação entre oralidade e história pública a partir dos seguintes temas: a história oral e a diversidade de públicos da história; o impacto social e público da produção acadêmica participativa; a função da história pública na divulgação e no gerenciamento dos acervos orais vinculados ao patrimônio material e imaterial; o impacto das novas mídias sobre as estratégias de produção e publicização da história oral; os procedimentos da história oral diante de celebrações, comemorações, memoriais; os cruzamentos entre história pública/história oral e outras áreas de conhecimento aplicado, como o jornalismo, o cinema, as relações públicas, a gestão de organizações, o turismo; a história oral e gênero; a relação entre história oral e literatura, em múltiplos âmbitos de narrativa histórica: as biografias, os testemunhos, a ficção histórica. Afirma-se a necessidade do estabelecimento de diálogos entre o saber acadêmico e o trabalho com oralidades; considerando a necessidade da não supressão da ciência em favor da história pública, porém, o desejo de pensar a construção de uma ponte de comunicação com a recepção social do trabalho acadêmico.Serão bem-vindas pesquisas e reflexões que tenham como eixo central a relação entre história pública e história oral. O Simpósio Temático será uma excelente oportunidade para aprofundarmos os debates sobre história pública e história oral no Brasil. A pergunta que podemos fazer é como a academia pode, de dentro dela, colaborar para forjar uma história engajada. |
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ST 30. Justiça do Trabalho, Trabalhadores(as), Lutas e História Oral | Proponentes: Antonio Torres Montenegro (UFPE) e Marcelo Góes Tavares (UNEAL/ PPGH-UFAL)Contatos: antonio.montenegro@ufpe.br ; marcelo.tavares@uneal.edu.br Este Simpósio Temático tem como proposta reunir pesquisadoras e pesquisadores que operem com registros documentais relacionados às distintas estratégias de luta por direitos trabalhistas. Relatos construídos por meio da metodologia da história oral, com trabalhadores/trabalhadoras e com outros agentes sociais que atuam no âmbito da Justiça do Trabalho, se constituirão em referências significativas para as reflexões e análises historiográficas a serem realizadas no âmbito deste Simpósio. Serão considerados pesquisas e respectivos estudos que apresentem narrativas sobre o protagonismo de trabalhadores e trabalhadoras, operadores do Direito do Trabalho (Juízes, Advogados, Agentes técnicos da Justiça do Trabalho, Delegados do Trabalho), lideranças sindicais, que emergem das lutas por direitos. É neste cenário de histórias do trabalho, das relações de poder, da Justiça do Trabalho, das trajetórias de trabalhadores(as) e operadores do direito do trabalho, e da própria história da Justiça do Trabalho no Brasil que estaremos nos reunindo para troca de experiências de pesquisa e aprendizagens. Nessa perspectiva, os relatos de memória registrados com a metodologia da história oral, possibilitam conhecer significativas vivências que comumente não são registrados nas fontes históricas tradicionais. Por outro lado, a prática historiográfica exige o cruzamento e o confronto entre diferentes registros documentais. Dessa maneira, os processos trabalhistas também se constituem em fontes relevantes para compreender as demandas por direitos, sejam de trabalhadores(as) individuais, de organizações sindicais representando ações coletivas, ou dos patrões. A própria dinâmica da Justiça do Trabalho e as diversas instâncias, órgãos, local de funcionamento poderão concorrer para ampliar a compreensão da atuação dessa instância de poder nos conflitos trabalhistas. Consideraremos, ainda, estudos que tratem de experiências relacionadas aos arquivos da Justiça do Trabalho e seus memoriais e/ou museus. Estes exercem um papel de destaque para as pesquisas historiográficas e suas múltiplas dimensões como importante lugar de memória de trabalhadores e trabalhadoras. O que pode suscitar também uma história oral dos arquivos e centros de memória vinculados à Justiça do Trabalho, dos trabalhadores e trabalhadoras do Brasil. |
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ST 31. Mulheres nas margens da história oral: um "dedo de prosa" como metodologia crítica | Proponentes: Ana Maria Veiga (UFPB) e Rose Elke Debiasi (UFS)Contatos: amveiga@yahoo.com.br; elkedebiazi@gmail.com Este Simpósio Temático tem como objetivo reunir pesquisas e produções audiovisuais que articulem as vivências, os saberes e a resistência de mulheres, populações sertanejas, comunidades consideradas tradicionais ou periféricas, trabalhadoras rurais, populações negras, indígenas, LGBTQIAPN+ e de outros grupos que, por diferentes razões, tiveram suas narrativas silenciadas, deslocadas ou situadas às margens das disputas hegemônicas pela produção da memória e da história. A proposta parte de uma abordagem interseccional, considerando as articulações de marcadores sociais como raça, gênero, classe, território e religião; tomando corpos e identidades como elementos centrais na produção de memórias coletivas e do próprio (des)conhecimento sobre elas. As discussões sobre sertanidades, mulheridades e outras dissidências, assim como as autonarrativas e contranarrativas, serão acolhidas, priorizando contextos de regiões historicamente alijadas da construção das narrativas ditas nacionais. A metodologia crítica do “dedo de prosa” (Veiga, 2025) remete a uma relação mais profunda, de acolhimento e mesmo de transformação que pode surgir entre pesquisadoras(es) e entrevistadas, entendidas como coautoras dos trabalhos acadêmicos e protagonistas de ações de história pública, como a produção audiovisual e exposições museológicas; é sobre aprendências múltiplas e recíprocas, e uma outra concepção de tempo e lugar, tendo em conta as epistemologias sertanejas e os saberes ancestrais das mulheres como conhecimentos não apenas válidos, mas imprescindíveis para suas comunidades e para uma historiografia que se pretende anticolonial. Este ST apresenta-se como um espaço aberto às dissidências de todos os tipos, incluindo da própria história oral na sua concepção mais tradicional. Interessa-nos, ainda, propostas que se coloquem como instrumentos de uma escuta sensível, de diálogos horizontais e uma produção compartilhada do conhecimento, envolvendo processos de registro, captação de imagens e áudio, interpretação, devolutiva, visibilização e construção de acervos. Será problematizado o papel das instituições de memória, como museus, arquivos, centros de documentação, memoriais, o cinema e as coleções comunitárias. |
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ST 32. “Nós primeiro falamos para depois escrever” - Oralidades Afrodiaspóricas em Contextos Tradicionais de Matriz Africana: reexistências, biointeração e consciência biocósmica | Proponente: Daniela Barros Pontes e Silva (Centro Universitário de Brasília - UniCEUB)Contato: danibps@gmail.com Inspirado na oralidade contra-colonial de Antônio Bispo dos Santos (2015; 2023), e em diálogo com as filosofias africanas, este Simpósio Temático convida a confluir reflexões acerca da Tradição Oral (Hampátè Bâ, 2010), da produção de sabres e conhecimentos, e da constituição da consciência biocósmica (Malomalo, 2022) nas cosmopercepções de matriz africana em Diáspora: Povos, Territórios, Comunidades e Expressões Culturais Tradicionais.Compreendendo a Tradição Oral de Matriz Africana enquanto sistema de pensamento, lugar de salvaguarda e produção epistêmica e do emergir de territorialidades, o Simpósio Temático tem por objetivo destacar a dimensão educativa da Tradição Oral e das Oralidades enquanto territórios de sustentação da Diáspora na Latinoamérica, onde, por meio de Existências contra-coloniais proporcionam modos de viver em relação e consciência biocósmica.Ao acionar a fala de Antônio Bispo dos Santos: “A sociedade euro-monoteísta-cristã primeiro escreve para depois falar. Nós, primeiro falamos para depois escrever”, convidamos pessoas interessadas nas oralidades de matrizes africanas, destacando a sua dimensão educativa, na transmissão oral intrínseca ao modo de Existência em confluência com o cosmos, expressa nos modos de ser, relacionar, produzir, manejar e sustentar Povos, Territórios, Comunidades e Expressões.Na sua dimensão educativa, de África à Diáspora, a oralidade se desloca, se recria, reexiste de forma pluriversa, como episteme, como organizadora e sustentadora dos pensamentos, cosmopercepções e saberes africanos nas Existências e de Reexistências em Diáspora.Reexistência, de acordo com Silva (2023), destaca "o processo de existir novamente, sem deixar o passado para trás, num movimento contínuo, que acompanha o espiralar do Tempo (Fu-Kiau 2014; Martins1997 e 2021). Esse também é o próprio movimento da Tradição Oral, que retorna-cria-retorna continuamente, sem negar as rupturas, mas considerando as lacunas como parte do processo histórico".A educação na Tradição Oral em Diáspora é processo de constituição da pessoa, de (re)territorialização de si (Silva, 2023): da restauração (Nobles) e continuidade da consciência de si enquanto ser histórico e coletivo, porque ancestral, desde a Natureza, enquanto Ancestralidade primeira (Silva, 2019), e promovendo uma unidade, uma coerência ética consciência-comportamento.A partir da perspectiva da Filosofia Ubuntu (Ramose, 2002) e da Filosofia do Ntu (Malomalo 2022) compreende-se que, das infâncias às ancianidades, nos territórios tradicionais em Diáspora, a percepção ontológica de matriz africana não se rompe, e se restaura por meio da educação sustentada nos fundamentos da oralidade, reverberando na perenidade da consciência biocósmica e da agência na defesa dos direitos biocósmicos. |
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ST 33. Oralidade e lutas sociais: territorialidade e ambiente, sujeitos de direitos e corpos | Proponentes: Regina Beatriz Guimarães Neto (UFPE), Marcia Milena Galdez Ferreira (UEMA), Eurípedes A. Funes (UFC)Contatos: reginabeatrizg@gmail.com; milenagaldez@gmail.com; eufunes@terra.com.br A proposta deste ST busca abordar por meio da oralidade problemas relacionados ao acesso à terra, aos direitos trabalhistas e às questões ambientais que envolvam abordagens interseccionais na percepção dos problemas das classes sociais, das relações de gênero e dos processos de racialização envolvidos nas ameaças, violações, mobilizações e resistência aos/ dos corpos territórios nos quilombos, territórios indígenas, comunidades ribeirinhas, nos babaçuais, castanhais, seringais e nas fazendas onde há incidência de trabalho escravizado. Concebemos a Oralidade como estratégia privilegiada para diálogos epistemológicos e para a produção de narrativas capazes de alcançar e alçar lutas sociais e temas sensíveis no campo das disputas por terra, dos direitos humanos e trabalhistas e da devastação e degradação do ambiente. O presente ST, tem como escopo o debate de resultados de pesquisas tecidas na interface com a História Oral como campo teórico-metodológico, movimento dialógico e fonte de leituras e produção de conhecimento. Os estudos e pesquisas devem envolver análises dos processos migratórios, de ações violentas, de mobilizações, de lutas sociais relacionadas a conflitos por terra, por água e por relações de trabalho que se constituem em formas de exploração e/ou trabalho escravo contemporâneo e racismo ambiental. Estimular essas reflexões e análises no espaço do ST é fundamental para o enriquecimento dos debates e da compreensão dos processos históricos no Brasil, tendo os relatos e testemunhos orais como referência documental. Neste Simpósio Temático, consideramos, ainda, que os debates contemporâneos sobre as temáticas apontadas muito podem contribuir para a compreensão da justiça social e dos impactos ambientais que atravessam as comunidades urbanas, rurais, tradicionais e periféricas, em múltiplas relações com as territorialidades constituídas. Ademais, duas considerações apresentam-se relevantes: devemos procurar articular a formação intelectual e os resultados das nossas pesquisas com as práticas educativas (um dos objetivos mais importantes); e atualizar as novas contribuições historiográficas conectadas às pesquisas. |
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ST 34. Oralidades em Movimento: Migrações, Fronteiras e Pioneirismos na Construção de Narrativas Históricas | Proponentes: Jiani Fernando Langaro (UFG), Eduardo José Silva Lima (UNITINS), Flávio Dantas Martins (UFOB)Contatos: jflangaro@ufg.br; eduardo.js@unitins.br; flaviusdantas@icloud.com Este Simpósio Temático propõe reunir pesquisadoras(es) que investigam as relações entre história oral, migrações, fronteiras e experiências de pioneirismo, tendo como eixo articulador a construção social das narrativas sobre ocupação, deslocamento e produção dos territórios. Parte-se do pressuposto de que os fluxos migratórios, em diferentes temporalidades, não podem ser compreendidos apenas como deslocamentos espaciais, mas como processos históricos complexos, atravessados por condicionantes ambientais, econômicos, políticos e culturais, que redefinem continuamente as formas de habitar e significar o espaço.Nesse sentido, a história oral se apresenta como uma abordagem interessante para podermos dialogar com experiências vividas, memórias, história pública e narrativas de sujeitos que participaram diretamente desses processos, especialmente em contextos marcados por fronteiras (naturais, sociais, culturais e/ou políticas) e por dinâmicas de ocupação que frequentemente tensionam diferentes projetos de sociedade. Ao privilegiar a escuta de sujeitos historicamente invisibilizados, como trabalhadores(as) migrantes, populações tradicionais, comunidades indígenas e moradores(as) de áreas periféricas, busca-se compreender como tais grupos narram suas trajetórias, elaboram suas experiências e disputam, em contextos de desigualdade, sentidos sobre o passado.A noção de pioneirismo, frequentemente mobilizada em narrativas oficiais como elemento de valorização da ocupação territorial, é aqui problematizada a partir de uma perspectiva crítica, que a entende como construção histórica permeada por conflitos, silenciamentos e hierarquizações sociais. Ao investigar os sentidos atribuídos ao(à) “pioneiro(a)”, o simpósio pretende evidenciar as múltiplas vozes e experiências que compõem os processos de formação territorial, bem como as disputas simbólicas envolvidas na produção da memória social.A proposta enfatiza, ainda, o caráter relacional da história oral, compreendida como prática de produção compartilhada do conhecimento, na qual entrevistador(a) e entrevistado(a) constroem conjuntamente narrativas situadas. Nesse contexto, são especialmente relevantes as discussões sobre os desafios metodológicos e éticos da pesquisa com fontes orais, bem como os diálogos entre oralidade, escrita e outras linguagens na construção do conhecimento histórico. Serão acolhidos trabalhos que abordam, entre outros temas: migrações internas e internacionais; processos de ocupação territorial e expansão urbana; experiências em regiões de fronteira; conflitos por terra e recursos naturais; memórias de deslocamento e enraizamento; bem como reflexões teóricas e metodológicas sobre o uso da história oral. O simpósio pretende constituir-se como um espaço plural de debate, reunindo diferentes perspectivas e contribuindo para o avanço das pesquisas em história social, memória, história oral e oralidade. |
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ST 35. Patrimônios Culturais, cidades e memória: miradas a partir da História Oral | Proponentes: Vivian Luiz Fonseca (FGV CPDOC e UERJ) e Mário Brum (UERJ)Contatos: vivianluizfonseca@gmail.com; mariobrum@yahoo.com.br Propõe-se estabelecer diálogos entre trabalhos que, a partir da História Oral, se proponham a refletir sobre os temas dos patrimônios culturais e das cidades.As cidades adquirem diferentes configurações ao longo do tempo, a partir de várias funções, marcos arquitetônicos, espaços e relações com o ambiente. O próprio território da cidade modifica-se em extensão, funções econômicas, quais classes habitam, manifestações culturais que congregam etc. No caso dos patrimônios culturais vemos igualmente mudanças de percepção do que é considerado e reivindicado como dotado de valor patrimonial. De maneira mais evidente, a inserção das culturas populares na retórica patrimonial trouxe novos desafios para a área. Trazendo para debate ambas as categorias, percebemos nos últimos anos um vertiginoso interesse por elas. Tais discussões, para além da produção acadêmica, mobilizam hoje uma série de movimentos sociais e coletivos. No âmbito dos patrimônios (materiais e/ou imateriais), um traço recorrente é que para além de narrativas sobre passado e cultura, eles tornaram-se uma arena de embate sobre direitos. Os patrimônios tornaram-se uma estratégica ferramenta de diálogo com o Estado e, também, acesso às cidades e territórios. Cidades, estas, nas quais percebemos diferentes temporalidades coexistindo. É a partir dessas temporalidades que monumentos, ruas e bairros inteiros são construídos, destruídos, preservados, apagados da memória e/ou patrimonializados como parte essencial de identidades coletivas. Assim, o estudo das memórias articuladas nas entrevistas nos permite perceber nuances, identidades e estigmas que marcam a sociabilidade urbana e os patrimônios e, ainda, como as pessoas atribuem valores, significados e sentidos aos lugares e práticas. Assim, esse ST propõe reunir pesquisas sobre tais temas via História Oral. Igualmente, trabalhos que tenham as memórias e os discursos produzidos sobre locais, moradores, manifestações culturais e fatos urbanos que adquirem relevância a partir das relações que os citadinos estabelecem com eles. |
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