REABILITAÇÃO E REINTRODUÇÃO DE GAMBÁ-COMUM (Didelphis marsupialis Linnaeus, 1758) VÍTIMA DE AÇÃO ANTRÓPICA

  • Autor
  • Ana Caroline Cunha Messias
  • Co-autores
  • Raquel Leite Urbano , Caroline Sotto Mayor Padua Rodrigues , Natália Boaventura Reis de Assis , Luis Fernando Moraes Moreira , Ana Sílvia Sardinha Ribeiro
  • Resumo
  • O gambá-comum, Didelphis marsupialis, é um mamífero marsupial considerado sinantrópico com ampla plasticidade ecológica, o que lhe confere a capacidade de adaptar-se a diferentes ambientes. A urbanização e a perda de habitats naturais contribuem para o direcionamento dos gambás para áreas próximas às habitações humanas. A partir da interação antrópica com a fauna são identificadas práticas como a caça de animais silvestres, mesmo que ilegal. Por fins culturais ou não, ações antrópicas negativas em relação aos gambás ainda são comuns. Neste âmbito, relatamos o sucesso na reabilitação e reintrodução de espécime de D. marsupialis vítima de ação antrópica. Um gambá-comum adulto, macho e baixo escore corporal, pesando 1,172Kg, foi encontrado com o focinho amarrado por uma corda e resgatado em via pública no município de Abaetetuba-PA com suspeita de fuga após trauma mecânico em possível tentativa de abate. O mesmo foi encaminhado por órgão ambiental ao Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Selvagens da Universidade Federal Rural da Amazônia, Belém-PA. Durante a realização do exame clínico, o animal estava apático e apresentava incoordenação motora e ausência de sensibilidade nos membros pélvicos e no membro torácico direito. Além disso, foram observadas quatro lesões profundas, uma em área maxilar, duas cervicais e outra axilar direita. Ao exame radiográfico, observou-se quatro projéteis alojados no animal. Diante do quadro, o gambá foi submetido à cirurgia para remoção dos projéteis, dos quais apenas dois foram possíveis de serem removidos devido à dificuldade de acesso cirúrgico. A conduta terapêutica estabelecida consistiu de: cloridrato de tramadol (2,0mg/Kg, IM, BID, 5d); dipirona (25mg/Kg, VO, BID, 15d); meloxicam (0,1mg/Kg, VO, SID, 5d); e cefalexina (30mg/Kg, VO, BID, 7d). Visando auxiliar na recuperação neurológica do animal, realizou-se suplementação com vitaminas do complexo B (0,5mL/Kg, VO, SID, 93d) e administrou-se protetores hepáticos à base dos aminoácidos arginina 75mg/mL e ornitina 20mg/mL (4,0mL/Kg, SC, SID, 6d) e de silimarina (10mg/Kg, VO, BID, 10d, posteriormente SID, 80d). Após 22 dias de internação, o animal ainda apresentava incoordenação motora, locomovia-se de forma lateralizada e desequilibrava-se posteriormente, demonstrando baixa reatividade à contenção física. Foi realizada colheita de sangue para hemograma e avaliação bioquímica, nas quais não foram observadas alterações. Ao longo do tratamento, o quadro evoluiu de forma positiva, com melhora do equilíbrio, diminuição da lateralização e maior expressão de comportamentos de defesa e reatividade característicos da espécie. Após dois meses e 24 dias de internação, o animal foi transferido para um recinto maior visando ampliar sua área de locomoção e contribuir para a sua recuperação. Perante a evolução do animal, comportamentos naturais foram estimulados através da ambientação do seu recinto e pela realização de enriquecimentos ambientais. Deste modo, depois de três meses e 14 dias de recuperação e reabilitação, o mesmo encontrava-se apto à soltura e foi reintroduzido na natureza. Diante do caso relatado, demonstrou-se que a conduta terapêutica foi efetiva, em virtude da recuperação do animal. Assim, ressalta-se a necessidade de sensibilização sobre a importância ecológica da espécie D. marsupialis no intuito de minimizar ações antrópicas negativas.

  • Palavras-chave
  • Marsupial, fauna sinantrópica, caça, projéteis
  • Modalidade
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  • Área Temática
  • Medicina da Conservação
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