Prolapso retal é a protrusão da mucosa retal através do orifício anal, associado principalmente a endoparasitismo e enterite. Nos primatas não humanos (PNH) o fator estresse também está associado a este achado; já a colopexia é a criação de uma aderência permanente entre a parede do colón e a musculatura abdominal, indicada caso a redução do prolapso através da bolsa de tabaco não consiga evitar a recidiva. Desse modo, objetiva-se relatar um caso de correção de prolapso retal recorrente por meio de colopexia em cuxiú (Chiropotes utahickae). Foi atendido no Setor de Medicina Veterinária (SEMEV) do Centro Nacional de Primatas (CENP), espécime de cuxiú fêmea, pesando 1,7 kg, nulípara, exames coproparasitológicos negativos; ao exame físico observou-se prolapso total de seguimento retal, enquanto no exame ultrassonográfico não foram observados corpos estranhos e peristaltismo preservado. Foi realizada tentativa de redução do prolapso mediante técnica de sutura em bolsa de fumo, sem sucesso, optando-se pela realização da colopexia incisional por celiotomia. Para isso, utilizou-se como MPA associação de cetamina (7 mg/kg), dexmedetomidina (0,015 mg/kg), midazolam (0,2 mg/kg) e morfina (2 mg/kg), via IM, e manutenção com isoflurano em máscara com oxigênio 100%; posteriormente, o abdômen foi tricotomizado e um acesso com cateter 24g posicionado em veia cefálica do MTE. Depois de posicionado em decúbito dorsal, a cavidade abdominal foi acessada através de celiotomia retro-umbilical, seguido de isolamento da porção descendente do colón com compressas cirúrgicas estéreis. Para a realização da colopexia, realizou-se incisão longitudinal na região antimesentérica do reto com exposição da camada serosa do órgão, e na parede abdominal a incisão seguiu os mesmos diâmetros. Na fixação do colón na parede abdominal optou-se por utilizar nylon 4-0 em um padrão simples separado, já na síntese de parede abdominal e pele utilizou-se fio absorvível poliglactina 3-0 multifilamentar, em padrão reverdin e intradérmico, respectivamente. No pós-cirúrgico administrou-se meloxicam (0,2 mg/kg) que se estendeu por 4 dias, enrofloxacino (5 mg/kg) por 7 dias e como controle da dor tramadol (2 mg/kg) por 3 dias. Decorrido 7 dias da cirurgia, não houve recidiva e o animal recebeu alta. Conclui-se que a colopexia como tratamento para correção de prolapso retal recorrente em PNH pode ser utilizada com segurança quando seguida a técnica corretamente. Este é o primeiro relato da utilização da técnica de colopexia em cuxiú cativo na Amazônia brasileira.
Comissão Organizadora
Felipe José da Costa Andrade
Tobias Emilio Tavares Lima
Dharma Maria Mendes Coelho
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Comissão Científica
Tobias Emilio Tavares Lima
Dharma Maria Mendes Coelho