A acupuntura é uma técnica milenar da medicina tradicional chinesa que consiste na inserção de agulhas finas em pontos específicos objetivando o reequilíbrio do organismo. Em animais, diversos são os efeitos benéficos provenientes desta técnica como a liberação de mediadores inflamatórios, melhora da circulação local e aumento do limiar doloroso, por exemplo. Além disso, é uma estratégia interessante para o tratamento de distúrbios neurológicos e do comportamento potencializando a terapêutica convencional, semelhantemente ao descrito para seres humanos. Objetivou-se relatar o uso de acupuntura como componente do tratamento de acupuntura em Saimiri collinsi sob cuidados humanos. Foi atendido no Setor de Medicina Veterinária do Centro Nacional de Primatas (SEMEV - CENP), um espécime de S. collinsi macho, com 5 anos e 1 kg com quadro convulsivo (status epileticus) recorrente há cerca de 24 horas. Foram realizados exames hematológicos e de imagem (radiografia e tomografia do crânio) e não foram detectadas alterações anatômicas ou neoformações, sendo o diagnóstico final epilepsia de origem idiopática. Procedeu-se então com o tratamento contra as crises convulsivas pensando no bem-estar e redução de potenciais efeitos colaterais ao sistema nervoso do animal, adotando-se uso de fenobarbital (5 mg/kg), VO, BID, e após 30 dias levetiracetam (6 mg/kg), VO, SID. Mesmo com a terapêutica convencional, o animal ainda apresentava crises muito frequentes, em intervalos de no máximo 72 horas, então se optou pela associação de eletroacupuntura em cinco acupontos distribuídos pela cabeça durante 30 minutos com intensidade de 2 Hz, somente mediante contenção física. As sessões foram realizadas uma vez por semana, durante 5 semanas seguidas. Após a associação da terapêutica com a eletroacupuntura, notou-se maior espaçamento de tempo entre as crises convulsivas mesmo na presença de fatores estressantes como limpeza do recinto, barulhos e movimentação de pessoas, contenção física e interação com outros animais. O animal recebeu alta médica após 60 dias seguidos sem episódios de convulsão. Concluiu-se que a adoção de terapias complementares associadas ao tratamento convencional é uma estratégia viável na medicina de animais silvestres e contribui diretamente para a melhora clínica mesmo de doenças de origem idiopática.
Comissão Organizadora
Felipe José da Costa Andrade
Tobias Emilio Tavares Lima
Dharma Maria Mendes Coelho
Gabriel Almeida de Oliveira Bezerra
Maria Clara Moura Silva
Comissão Científica
Tobias Emilio Tavares Lima
Dharma Maria Mendes Coelho