MONITORAMENTO COMPORTAMENTAL DE FILHOTE DE PEIXE-BOI-DA-AMAZÔNIA (Trichechus inunguis) EM REABILITAÇÃO NO CETRAS UFRA

  • Autor
  • Beatriz Silva Ribeiro
  • Co-autores
  • Matheus Cauã de Souza Lobato , Tauãn dos Santos de Matos , Ana Silvia Sardinha Ribeiro
  • Resumo
  • O monitoramento etológico baseia-se na observação de aspectos comportamentais e físicos de animais de vida livre ou sob cuidados humanos. Para peixes-boi-amazônicos de ambiente natural, esta metodologia pode ser complexa devido à sua biologia e ocorrência. Desta forma, este trabalho tem por objetivo explorar o monitoramento etológico de um espécime filhote de Trichechus inunguis em um período de sua reabilitação no Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Selvagens (CETRAS/UFRA), a fim de contribuir com o caso clínico do indivíduo, analisando possíveis alterações comportamentais e seu bem-estar. O animal chegou ao CETRAS no dia 10/11/2024 e foi introduzido ao Programa de Monitoramento Comportamental e Bem-estar de Animais Selvagens (PMCBEAS) no dia 10/12/2024, e foram determinados enriquecimentos ambientais (EA) para serem realizados no turno da manhã, enquanto o monitoramento sem EA ocorria no turno da tarde, ambos registrados através de um documento Google forms. Desta forma, os dados comportamentais analisados por este trabalho compreendem o período entre os dias 10/12/2024 e 19/05/2025, totalizando 94 monitoramentos ao final da análise. Os seis monitoramentos realizados no ano de 2024 foram condizentes com o quadro clínico do animal no momento, mostrando comportamentos como apatia e repouso na maior parte do tempo, sendo observada com maior frequência a utilização de uma nadadeira para locomoção em nível de água baixo e dificuldade respiratória (observação única). Quanto à atividade do animal, o comportamento “nado ativo” foi relatado com maior frequência (62,2%), seguido pelo de “forrageamento” (24,3%) e “atenção ao redor” (12,2%), enquanto o comportamento de “apatia” (1,4%) foi relatado somente uma vez até o último dia de análise. Ademais, quanto à interação com o ambiente, interações dos tipos “regulares” (34,1%) e “altas” (31,8%) foram relatadas com maior frequência, enquanto “pouca interação” (17%) e “não interagiu” (17%) foram descritas com mesma frequência, porém poucas vezes. Os comportamentos gerais mais observados foram de boa interação com o ambiente e nado ativo, forrageamento no chão e bordas da piscina, interação com elementos naturais (como alfaces d’água e folhas que caíam na piscina), e repouso submerso, entretanto, em menor quantidade, foram observados comportamentos como giros na piscina e outros tipos de brincadeiras, além de eventual exposição do dorso ao sol. Possíveis estereotipias associadas à presença humana foram descritas em 7 monitoramentos, entretanto, devido ao condicionamento realizado com o animal durante a oferta de leite, estas estereotipias foram desconsideradas. Por fim, quanto à frequência de EA’s e interação, foram utilizados enriquecimentos ambientais do tipo físico, sensorial, cognitivo e alimentar, com isso, foi relatado que o animal possui maior interesse e curiosidade por EA’s físicos e alimentares (especialmente varal com folhas), apresentando menor interesse pelos EA’s cognitivos e sensoriais. Diante do exposto, é imprescindível a prática do monitoramento comportamental de Trichechus inunguis sob cuidados humanos, de forma a esclarecer aspectos pouco observados destes animais em vida livre, e contribuir com o bem-estar físico e mental destes animais em reabilitação.

  • Palavras-chave
  • Monitoramento, bem-estar, filhote, peixe-boi-da-amazônia.
  • Modalidade
  • Pôster
  • Área Temática
  • Comportamento e Bem-estar
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  • Medicina da Conservação

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