As aves de rapina pertencem às ordens Accipitriforme, Falconiforme e Strigiforme. São animais de hábito alimentar carnívoro, com características anatômicas adaptadas para a caça. Esses indivíduos podem utilizar o espaço urbano como área de caça e nidificação, o que pode gerar interações com o ser humano, e em muitos casos, essas interações podem levar à necessidade de atendimento veterinário. Entre as principais ameaças enfrentadas pelo grupo, destacam-se o trauma, a queda de filhotes de ninhos, os ataques por animais domésticos, a eletrocussão e intoxicação. O Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Selvagens da Universidade Federal Rural da Amazônia (CETRAS UFRA) recebe todos os anos uma grande quantidade de animais, entre elas estão, aves, répteis e mamíferos encaminhados por órgãos ambientais ou instituições parceiras. O presente trabalho teve como objetivo caracterizar o perfil das aves de rapinas recebidas no CETRAS-UFRA e seus respectivos motivos de internação. Foram analisados os prontuários das aves recebidas no CETRAS-UFRA no período de janeiro de 2023 a dezembro de 2024. As informações principais levantadas durante o estudo envolveram dados como a espécie da ave, o ano de entrada e saída da instituição, o órgão ou entidade responsável pelo encaminhamento do animal e o histórico associado à sua entrada. Esses dados, compilados em uma planilha, foram analisados segundo sua frequência de recebimento de cada uma das espécies, associado ao diagnóstico de cada indivíduo. No período analisado, o Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Selvagem da Universidade Federal Rural da Amazônia (CETRAS-UFRA), recebeu para atendimento clínico um total de 81 rapinantes das espécies Megascops choliba (27), Rupornis magnirostris (16), Tyto furcata (9), Pulsatrix perspicillata (4), Coragyps atratus (5), Falco rufigularis (3), Milvago chimachima (2), Buteo nitidus (1), Geranospiza caerulescens (1), Helicolestes hamatus (1), Buteo brachyurus (1), Falco sparverius (1), Leptodon cayanensis (1), Buteogallus schistaceus (1). Dentre elas, 30% deram entrada em decorrência de quedas, 20% foram vítimas de ataques por animais domésticos, 10% sofreram colisões com estruturas de vidro, 10% eram filhotes órfãos e 10% não apresentavam histórico conhecido. Além disso, 5% foram eletrocutadas, 5% atropeladas por veículos, 5% foram vítimas de atos de vandalismo e 5% apresentavam quadros de intoxicação. As espécies mais frequentes atendidas no CETRAS-UFRA no período analisado foram Megascops choliba (27), Rupornis magnirostris (16) e Tyto furcata (9 registros). Resultado semelhante foi observado por Gonçalves (2024), que identificou essas espécies como predominantes entre os atendimentos realizados na mesma instituição, e reforça a hipótese de que essas aves podem apresentar maior vulnerabilidade a impactos antrópicos na região, seja ela por serem mais abundantes no local ou por características comportamentais. O conhecimento acerca das espécies mais atingidas, bem como o entendimento sobre os fatores que mais impactam essas aves são de extrema importância para que sejam traçados métodos de mitigação dos impactos antrópicos que atingem as aves de rapina na região norte do Brasil.
Comissão Organizadora
Felipe José da Costa Andrade
Tobias Emilio Tavares Lima
Dharma Maria Mendes Coelho
Gabriel Almeida de Oliveira Bezerra
Maria Clara Moura Silva
Comissão Científica
Tobias Emilio Tavares Lima
Dharma Maria Mendes Coelho