Comportamento de preguiça-real filhote (Choloepus didactylus) sob cuidados humanos no CETRAS UFRA

  • Autor
  • Kaith Micaela Castro da Costa
  • Co-autores
  • Ana Sílvia Sardinha Ribeiro , Gabrielly Uchôa Gongalves , Arianne Silva Carreira , Karoline Araújo Viana , Matheus Félix Martins Paiva
  • Resumo
  •  

    A preguiça-real (Choloepus didactylus) é um mamífero encontrado na Amazônia. Onívoro, solitário, o manejo sob cuidados humanos ainda é desafiador devido à sua especificidade comportamental. A reabilitação dessa espécie demanda conhecimento sobre sua biologia e a literatura mantém-se escassa de informações. Um filhote de preguiça-real foi entregue ao Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Selvagens (CETRAS) no dia 01/12/2022 pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (SEMAS), após ser resgatado no município de Acará, no estado do Pará. O animal pesava 1,277kg, com histórico de trauma por arma de fogo; na avaliação física apresentou lesão perfuro-contundente em membro torácico direito condizente com o histórico. A abordagem da lesão foi realizada com o uso de antibioticoterapia, anti-inflamatório, sendo: Amoxicilina (10 mg/Kg); Meloxicam (0,1mg/Kg); Dipirona (25mg/Kg), para manejo da dor e lesões. Na primeira semana de reabilitação, recebeu, inicialmente, leite zero lactose e após alguns dias passou-se a ser ofertada dieta sólida, administrada diretamente ao animal, visando a sua familiarização. A dieta consistia em alimentos variados, ajustados ao peso do animal, incluindo legumes (30g de brócolis, 20g de cenoura, 20g de batata doce), frutas (15g de manga, 20g de banana), proteína animal (30g de clara de ovo, 5g de frango cru), flores de hibisco (Hibiscus spp.), folhas jovens de mangueira (Mangifera sp.) e cacau (Theobroma cacao) ad libitum. Na observação comportamental durante ingestão, notou-se recusa a itens mais rígidos e com casca, como chuchu, e preferência por opções macias, descascadas e cortadas em tiras, como cenoura, além de demonstrar interesse por ovo e banana. As folhas eram oferecidas de forma induzida e posteriormente deixadas à disposição no recinto. Após um mês passou a se alimentar de forma independente, principalmente à noite, sem registro de sobras da alimentação. Seu ganho de peso foi acompanhado através de duas pesagens semanais, após o animal defecar e urinar, que ocorria diariamente. Caminhadas eram realizadas duas vezes ao dia com intuito de expor o animal ao sol, estimular a defecação e micção durante o contato com o solo úmido, além do treinamento físico de escalada. O manejo diário utilizava almofada de pelúcia em que o animal ficava agarrado, simulando o comportamento de cuidado parental de se manter agarrado à mãe enquanto filhote, com o objetivo de promover redução do estresse. No momento de exercício o indivíduo era retirado da almofada para ser colocado em galhos e estimular o deslocamento. Nesse momento, apresentava movimentação excessiva e vocalização contínua, indicando estresse. As técnicas de manejo descritas foram bem-sucedidas e resultaram em uma reabilitação efetiva do animal, apresentando ganho de peso e desenvolvimento satisfatório durante o período de internação, recebendo alta após 3 meses de reabilitação, com peso de 2,061kg. A preguiça-real foi destinada pela SEMAS à permanência no Parque Zoobotânico do Museu Paraense Emílio Goeldi, em Belém – Pará. Conclui-se que as práticas de manejo relacionadas ao bem-estar, como a escolha cuidadosa dos alimentos e monitoramento constante, foram determinantes para reduzir o estresse e promover a recuperação do animal.

     

  • Palavras-chave
  • Palavras-chave: Bem-estar. Neonatologia. Xenarthra.
  • Modalidade
  • Pôster
  • Área Temática
  • Comportamento e Bem-estar
Voltar Download
  • Biologia
  • Comportamento e Bem-estar
  • Medicina da Conservação

Comissão Organizadora
Felipe José da Costa Andrade
Tobias Emilio Tavares Lima
Dharma Maria Mendes Coelho
Gabriel Almeida de Oliveira Bezerra
Maria Clara Moura Silva

Comissão Científica

Tobias Emilio Tavares Lima
Dharma Maria Mendes Coelho