A suindara é um rapinante de hábitos noturnos, com ocorrência em todo o Brasil. Possui alimentação generalista, incluindo insetos, aves e pequenos mamíferos. Esta espécie é comumente encontrada em áreas urbanas e por isso sofre ameaças de ação antrópica, como colisões em prédios, eletrocussão e maus tratos devidos aos estigmas provenientes de mitos. A reabilitação de rapinantes após lesões traumáticas envolvendo fraturas pode ser desafiadora, muitas vezes exigindo a permanência da ave sob cuidados humanos e em muitos casos, o tratamento cirúrgico não e? suficiente para permitir pleno retorno ao voo. Neste contexto, as técnicas de falcoaria são ferramentas que auxiliam neste manejo e possibilitam a inserção do bem-estar, visando qualidade de vida do animal. Foi atendido um espécime de coruja (Tyto furcata) no Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Selvagens (CETRAS) da Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), no dia 26/04/24, resgatada pelo Batalhão de Polícia Ambiental (BPA), encontrada caída em via pública e pesando 336 gramas. No exame clínico, constatou-se fratura no membro torácico direito, já em processo de formação de calo ósseo. Apesar da consolidação óssea, houve desalinhamento, o que comprometeu a capacidade de voo e inviabilizou o retorno à vida livre. Diante disso, o animal permaneceu sob cuidados no CETRAS. Com o objetivo de mitigar o estresse e promover o bem-estar da ave em cativeiro, foram adotadas técnicas de falcoaria para melhor condicionamento e manejo. Inicialmente, o animal foi inserido na rotina de amansamento, que buscava vincular à alimentação diretamente na luva de falcoaria. As pesagens aconteciam diariamente, para controle de peso. Com o uso de equipamentos específicos da falcoaria, o rapinante passou a ter acesso diário a poleiros externos, com luz solar e banhos em bacia com água. Após duas semanas, a ave foi amansada e vinculada a luva, permitindo o avanço no treinamento. Durante dois meses, foram realizados de 10 a 15 saltos por dia, do poleiro a luva, aumentando gradativamente a distância entres estes, com obtenção de recompensa. Foi utilizado codorna abatida, com porções entre 15 e 20 gramas, ajustados conforme a pesagem, a fim de mantê-la no peso ideal de resposta ao treino. Os saltos foram iniciados usando estímulos sonoros, com apito e visuais, mostrando a luva de falcoaria. Devido à limitação no voo, a ave permaneceu apenas nos exercícios de salto. Apesar da restrição física, observou-se melhora no comportamento, com redução da vocalização diante da aproximação humana e maior adaptação ao manejo do CETRAS. Conclui-se que as técnicas de falcoaria são eficazes na promoção do bem-estar e na qualidade de vida de aves cativas, sendo uma alternativa viável na rotina de reabilitação e cuidado em centros especializados.
Comissão Organizadora
Felipe José da Costa Andrade
Tobias Emilio Tavares Lima
Dharma Maria Mendes Coelho
Gabriel Almeida de Oliveira Bezerra
Maria Clara Moura Silva
Comissão Científica
Tobias Emilio Tavares Lima
Dharma Maria Mendes Coelho