A moxabustão é uma das técnicas advindas da Medicina Tradicional Chinesa, e envolve a combustão de ervas, mas principalmente a Artemisia vulgaris, que possui propriedades antiinflamatórias, analgésicas e cicatrizante, a qual pode ser aplicada em diversas patologias para auxiliar na cicatrização das camadas do tecido lesionado. Este tipo de método promove um estímulo no sistema nervoso central, realizando um aumento da circulação sanguínea, além de potencializar a nutrição e metabolismo local, o que consequentemente auxiliará na velocidade da cicatrização da lesão. Diante disso, o presente trabalho tem como objetivo abordar a utilização de moxabustão como uma terapêutica complementar em um protocolo pós cirúrgico em um quati de cauda anelada, Nasua nasua. O animal foi recebido pelo Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Selvagens (CETRAS) da Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), no dia cinco de fevereiro do ano de 2025, o qual foi encaminhado pelo Batalhão de Polícia Ambiental, foi resgatado apresentando laceração no flanco esquerdo e fratura no último terço das vértebras caudais, pesando 304 gramas, macho e ainda filhote. Após avaliação dos parâmetros, estabilização, limpeza e sutura da lesão do flanco, o animal foi submetido a procedimento de caudectomia no mesmo dia, tendo como protocolo anestésico a cetamina (10mg/kg/IM), midazolam (0,5mg/kg/IM) e metadona (0,2mg/kg/IM) como medicação pré-anestésica, lidocaína (3mg/kg/IM) como anestésico local, para indução, propofol (4mg/kg/IV) e fentanil (2mg/kg/IV), e isoflurano para manutenção, não houve intercorrências na cirurgia. O protocolo pós cirúrgico adotado incluíam as seguintes medicações: maxitec 0,05 mg/kg VO, dipirona 25 mg/kg VO, cefalexina 30 mg/kg VO e cal-d-mix 1 mL/kg VO, limpeza e troca de curativo da cauda e da lesão do flanco esquerdo duas vezes por dia, com solução fisiológica e pomada a base de sulfato de neomicina, entretanto, apesar do quati estar se alimentando bem, demonstrando estar ativo e tendo o devido suporte medicamentoso, a cicatrização do local cirúrgico ainda se apresentava tardia, com isso, no dia 10 de fevereiro foi acrescentado a utilização de moxabustão em cone, duas vezes por dia, para ser aplicada no local da lesão, tanto da cauda quanto do flanco esquerdo. Após uma semana foi possível observar uma melhora significativa, com o tecido de granulação em maturação, diminuição do edema e rubor nos locais de lesões, assim melhorando a cicatrização em feridas por segunda intenção. Com isso, o atrelamento da medicina tradicional e chinesa, atuando em conjunto, contribuíram para a recuperação do animal, além disso, ressalta-se, a importância de adaptações e mudanças nos protocolos terapêuticos para melhor controlar o manejo da dor e estimular a homeostasia do organismo.
Comissão Organizadora
Felipe José da Costa Andrade
Tobias Emilio Tavares Lima
Dharma Maria Mendes Coelho
Gabriel Almeida de Oliveira Bezerra
Maria Clara Moura Silva
Comissão Científica
Tobias Emilio Tavares Lima
Dharma Maria Mendes Coelho