TREINAMENTO DE FALCOARIA NA REABILITAÇÃO DE FALCÃO MORCEGUEIRO (FALCO RUFIGULARIS) ATENDIDO NO CETRAS UFRA

  • Autor
  • Letícia Lobato Silva
  • Co-autores
  • Kailane dos Santos Figueiredo , Giovanna Michiko Sibaja Tanaka da Silva , Amanda Amorim Figueiredo , Leandro Oliveira Bandeira , Ana Silvia Sardinha Ribeiro
  • Resumo
  • O falcão-morcegueiro, também conhecido como falcão cauré, é uma ave falconiforme da família Falconidae, de pequeno porte (24 a 29 cm), ágil e veloz, que se alimenta de andorinhas, beija-flores e morcegos. Com ampla distribuição no Brasil, habita florestas e centros urbanos mais arborizados. A fragmentação do habitat tem levado essa espécie a buscar adaptação aos ambientes urbanos, sendo comum em centros de reabilitação. A reabilitação de aves de rapina envolve desafios como necessidade de treinamento físico e técnico para caça, além de espaço amplo para exercícios. A falcoaria, embora seja uma arte milenar, começou a ser usada nesse contexto em 2006, a partir de estudo de Peter H. Holz, que indicou maior taxa de sobrevivência em aves treinadas, evidenciando sua eficácia no processo de reabilitação. Um exemplar de Falco rufigularis foi atendido no Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres da Universidade Federal Rural da Amazônia (CETRAS/UFRA), oriundo de entrega voluntária entre setembro e dezembro de 2024. Tratava-se de um macho jovem, pesando 121g, com dificuldades para alçar voo e comportamento incomum. Nos dois primeiros dias, foram administrados glicose 50% (1ml/kg – via oral), fluidoterapia com ringer com lactato (5mg/kg – via subcutânea) e alimentação induzida com vísceras de camundongo. Incluído no programa de falcoaria para recuperar sua capacidade de voo, o treinamento iniciou com alimentação na luva, utilizando codorna, além de pesagens diárias. O peso ideal para começar os treinos foi 95g. Após vinculação à luva, iniciou-se musculação com voos verticais e treinos “luva a luva” em distâncias de até 60 metros. Posteriormente, foi feita simulação de caça com o lure, uma espécie de presa artificial manipulada com movimentos rápidos e circulares. O alimento recompensa era mais abundante, encerrando o treino ao ser capturado. O animal demonstrou boa resistência muscular e respondeu positivamente ao estímulo de caça. Na semana anterior à soltura, o peso foi aumentado para facilitar a adaptação pósreintrodução. Após atingir o peso ideal e demonstrar comportamento natural da espécie, foi considerado apto a retornar ao ambiente natural. O sucesso do processo está ligado ao cumprimento dos requisitos de bem-estar e adaptação ambiental. Conclui-se que o uso da falcoaria na reabilitação de aves de rapina é eficaz, favorecendo a readaptação física e comportamental e contribuindo para sua reintegração à natureza.

  • Palavras-chave
  • falcoaria; aves de rapina; reabilitação.
  • Modalidade
  • Pôster
  • Área Temática
  • Comportamento e Bem-estar
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