EFEITOS DAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS E DESMATAMENTO NA DISTRIBUIÇÃO DE ATELES MARGINATUS (É. GEOFFROY, 1809)

  • Autor
  • Camila Leal da Costa
  • Co-autores
  • Carlito da Silva Evangelista Junior , Letícia Braga Gomes , Marcela Guimarães Moreira Lima
  • Resumo
  •  

    A Amazônia é considerada a região com a maior diversidade de primatas do mundo, contendo cerca de 128 táxons, dos quais 54% são endêmicos. Apesar da sua grande diversidade, a região amazônica vem sofrendo com ações antrópicas nas últimas décadas, como o desmatamento e as mudanças climáticas. O desmatamento é resultado da crescente demanda de atividades agropecuárias que se concentraram em uma região conhecida como o arco do desmatamento, localizada em uma área de transição entre a Amazônia e o Cerrado brasileiro, que tende ir a cada vez mais para o norte. Além do desmatamento, as mudanças climáticas se configuram como um agravante, uma vez que as mudanças de temperatura podem causar efeitos na fisiologia das espécies, bem como alterar o regime de chuvas e, consequentemente, reduzir a disponibilidade de alimento, aumentando o risco de extinção para as espécies. Entre as espécies que provavelmente estarão mais expostas às mudanças climáticas extremas e ao desmatamento, destaca-se o macaco-aranha-da-testa-branca (Ateles marginatus). A espécie é endêmica da Amazônia, ocorrendo nos estados do Pará e Mato Grosso, possuindo uma distribuição que se sobrepõe à região do arco do desmatamento. Nesse contexto, o objetivo do trabalho foi avaliar os efeitos das mudanças climáticas e do desmatamento sobre a distribuição geográfica de A. marginatus em cenários futuros alternativos. Para isso, geramos modelos de distribuição de espécies para condições de base (1981-2010) e para dois períodos futuros (2041 a 2070 e 2071 a 2100). Para cada período futuro, foram utilizados dois cenários de emissão de gases do efeito estufa, sendo uma projeção otimista (SSP 370) e outra pessimista (SSP 585). Como resultado, encontrou-se no cenário otimista para o período de 2041 a 2070 uma perda estimada em 64,75% da distribuição em comparação com as condições de base. Para o mesmo período em um cenário pessimista, estimou-se uma perda de 89,69%. Já para o período de 2071 a 2100, a perda estimada para o cenário otimista foi de 87,96%, enquanto no cenário pessimista 94,75%. Com isso, concluímos que A. marginatus sofrerá uma perda considerável de sua distribuição mesmo em cenários otimistas, o que expõe a espécie a um cenário crítico de risco de extinção. Considerando que a espécie possui uma grande parte da sua distribuição no arco do desmatamento, a perda e fragmentação do hábitat provocado pelo desmatamento nessa região, somado aos efeitos das mudanças climáticas podem acentuar significativamente o risco de extinção da espécie, sendo necessário identificar quais serão as principais áreas de refugio climático, a fim de subsidiar estratégias eficazes de manejo e conservação da espécie.

  • Palavras-chave
  • Aquecimento global; Arco do desmatamento; Primatas; Ateles marginatus.
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