O Cisne-coscoroba (Coscoroba coscoroba) é uma ave pertencente à ordem Anseriformes, classificada como de risco de extinção “Pouco Preocupante” pela IUCN. Entre as doenças que os afetam, destaca-se a megabacteriose, doença não zoonótica causada pelo fungo Macrorhabdus ornithogaster. Esta enfermidade é mais frequente em aves de cativeiro, espécimes jovens e imunossuprimidos. Os sinais clínicos mais evidentes estão relacionados ao sistema digestório, como: apatia, regurgitação, polifagia, emagrecimento progressivo, diarreia e, em casos severos, óbito. É importante mencionar que, a transmissão é horizontal, sendo a via fecal-oral a mais comum. Por isso, faz-se importante manter a biossegurança nos recintos, focando em manejo ambiental e sanitário, para assim, interromper o ciclo de infecção do fungo. Nesse contexto, o presente trabalho visa relatar um caso de megabacteriose em um espécime de C. coscoroba, pertencente ao plantel do Parque Zoobotânico Mangal das Garças. Durante a ronda diária, foi identificado que um exemplar de C. coscoroba, fêmea, com aproximadamente treze anos, apresentava anorexia há uma semana, com escore corporal igual a 1. Diante disso, iniciou-se a alimentação induzida, via sonda esofágica, utilizando papa de ração para anseriformes suplementada com Organew. Para elucidar o quadro clínico foram realizados exames complementares. Em hemograma, foram observados: eritropenia macrocítica, policromasia e hipocromia sugerindo assim uma anemia regenerativa, além disso, observou-se trombocitopenia discreta com a presença de agregados plaquetários. No bioquímico, notou-se diminuição dos níveis séricos de AST. Em radiografia, identificou-se características de enterite e o resultado do exame coproparasitológico manifestou-se positivamente para M. ornithogaster, explicando assim as alterações radiográficas e laboratoriais. A partir do diagnóstico, iniciou-se o tratamento, a princípio, via sonda esofágica. O protocolo baseou-se na administração de nistatina, duas vezes ao dia, na dose de 300.000 UI/kg, por quatorze dias, vinagre de maçã, na dose de 16 mL por litro de água, por trinta dias e Hemolitan gold, na dose de 0,1 mL/kg, uma vez ao dia, durante quatorze dias. Após o início do tratamento, observou-se o restabelecimento da ingestão voluntária e aumento do escore para 1,5. Dessa forma, a alimentação e medicação induzidas foram suspensas. Para a continuidade do tratamento manteve-se a nistatina, por meio de seringa dosadora e iniciou-se a oferta da ração em suspensão na água com vinagre de maçã, estimulando assim, tanto o consumo da ração quanto do vinagre, o que contribuiu para a eficácia do tratamento. Ao fim do protocolo medicamentoso, realizou-se novamente o coproparasitológico, sequenciado por três dias, estes apresentaram resultado negativo para o fungo comprovando a eficiência do tratamento. Vale ressaltar que, por ser um animal do plantel da área externa do Parque Zoobotânico, não foi possível realizar mudanças significativas no ambiente, por isso, para assegurar a saúde do espécime, manteve-se a ração suplementada, para auxiliar na imunidade, e monitoramento constante. Diante do quadro apresentado, conclui-se que, após a finalização do protocolo terapêutico, o animal apresentou melhora significativa no estado clínico. Sendo assim, esse caso evidencia a eficácia do tratamento adotado, a importância do diagnóstico preciso e intervenção rápida na abordagem da megabacteriose.
Comissão Organizadora
Felipe José da Costa Andrade
Tobias Emilio Tavares Lima
Dharma Maria Mendes Coelho
Gabriel Almeida de Oliveira Bezerra
Maria Clara Moura Silva
Comissão Científica
Tobias Emilio Tavares Lima
Dharma Maria Mendes Coelho