Ao longo dos anos, a malária aviária adquiriu grande importância devido ao seu impacto significativo na saúde e na conservação de diversas espécies de aves. Inicialmente era considerada uma doença de menor relevância nas aves, porém, hoje sabe-se que os plasmódios aviários têm determinado o declínio populacional de diversas espécies desse grupo, impulsionando estudos sobre sua patogenicidade e tratamento. A infecção por hemoparasitos apresenta uma ampla variação clínica, podendo ser assintomática ou evoluir para quadros graves, inclusive fatais, e tal espectro depende de fatores como a parasitemia e resposta imune da ave hospedeira. Dessa forma, o presente estudo aborda a infecção por Plasmodium spp. em um gavião-de-cauda-curta (Buteo brachyurus), encaminhado pela SEMATUR de Acará-PA ao CETRAS-UFRA no dia 21 de agosto de 2024. Durante o exame clínico, identificou-se uma lesão circular no músculo peitoral esquerdo, com trajeto de saída na lateral direita do peito, além de uma fratura distal da ulna. Após o exame radiográfico, foi constatada a presença de um projétil de chumbo alojado em topografia lateral da coluna e próxima aos rins. Embora o protocolo inicial tenha focado no tratamento da fratura e da lesão na musculatura peitoral, sinais inespecíficos como febre intermitente e taquipneia recorrente levantaram suspeitas de um quadro infeccioso subjacente. Diante dessa condição, foi realizada a coleta de amostra sanguínea e a confecção de esfregaços para análise laboratorial que foi realizada no Laboratório de Parasitologia da UFPA. A amostra sanguínea foi submetida à técnica de Reação em Cadeia da Polimerase (PCR), a qual detectou e amplificou material genético compatível com a presença de um hemosporídeo e através da microscopia feita no esfregaço sanguíneo constatou-se que tratava-se de um parasito do gênero Plasmodium spp. Nas aves de rapina os sinais clínicos dependem da espécie de plasmídeo, da susceptibilidade da espécie hospedeira, além de fatores individuais, mas sabe-se que os sintomas são inespecíficos e comuns a qualquer outra doença, podendo incluir letargia, inapetência, penas eriçadas, dispneia, apatia, alterações neurológicas, febre, perda de peso, e, em casos mais extremos, morte súbita. No caso da ave estudada, a sintomatologia era leve, e optou-se pelo tratamento com cloroquina manipulada em uma concentração de 20 mg/mL, administrada em 4 doses. Utilizou-se no primeiro dia uma dose de 25 mg/Kg SID, enquanto nos dois dias seguintes foi administrado 15 mg/Kg, BID e SID, respectivamente. Após a conclusão do protocolo terapêutico, houve uma melhora significativa no quadro clínico do animal e novos exames de sangue foram realizados, os quais apresentaram resultados negativos para Plasmodium spp., evidenciando a eficácia do tratamento contra a malária aviária. Assim, esse desfecho evidencia a importância do diagnóstico precoce e da intervenção terapêutica adequada, assim como o potencial terapêutico da cloroquina nesses casos.
Comissão Organizadora
Felipe José da Costa Andrade
Tobias Emilio Tavares Lima
Dharma Maria Mendes Coelho
Gabriel Almeida de Oliveira Bezerra
Maria Clara Moura Silva
Comissão Científica
Tobias Emilio Tavares Lima
Dharma Maria Mendes Coelho