OVARIOHISTERECTOMIA TERAPÊUTICA EM MACACO VERDE AFRICANO (Chlorocebus aethiops) – RELATO DE CASO

  • Autor
  • Isa Marcela Souza das Neves
  • Co-autores
  • Jamerson luiz brito da silva , Rafael dos Santos de Andrade , Marina Sette Camara Benarrós
  • Resumo
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    O termo natimorto para primatas não humanos (PNHs) significa descontinuidade gestacional devido a diversos fatores endógenos ou ambientais, indicando ocorrência de feto macerado ou que o animal não respirou ao nascer. Em PNHs, determinar a etiologia de natimortos continua um desafio, no entanto, conhecer o histórico de perdas fetais em biomodelos de importância para pesquisas biomédicas é essencial para o manejo de colônias reprodutoras e para a realização de estudos reprodutivos. O objetivo deste trabalho é relatar uma ovariohisterectomia (OH) como terapêutica para quadro de morte e maceração fetal em um exemplar de Chlorocebus aethiops mantido sobre cuidados humanos. Foi atendido no Setor de Medicina Veterinária (SEMEV) do Centro Nacional de Primatas (CENP), um exemplar de macaco verde africano (C. aethiops), adulto, fêmea, pesando 3,6 kg com histórico de gestação prolongada sem indícios de parto iminente. No exame físico o escore corporal estava regular, mucosas hipocoradas e desidratação leve, com temperatura retal de 35,9°C. Na ultrassonografia, foi evidenciado presença de conteúdo intrauterino sem delimitação anatômica e formações ósseas, ausência de movimentos ou batimentos cardíacos confirmando a suspeita clínica de morte fetal. O animal foi encaminhado ao centro cirúrgico para realização de OH terapêutica de emergência. Na avaliação anestésica o animal foi classificado como ASA III, estava alerta e com dor leve; hematócrito de 38,7%, proteína total de 5,09 g/dL e albumina de 2,8 g/dL, como medicação pré-anestésica foi utilizado associação de cetamina (7 mg/kg), midazolam (0,2 mg/kg), dexmedetomidina (0,1 mg/kg) e tramadol (3 mg/kg) por via intramuscular (IM). Na manutenção, o animal recebeu isoflurano em máscara de oxigênio a 100% e fentanil (5 mg/kg) via intramuscular conforme a necessidade. Para a realização da técnica cirúrgica, o abdome foi preparado de maneira asséptica e a cavidade abdominal acessada por celiotomia retroumbilical com fácil visualização do útero. Após uma inspeção geral da cavidade abdominal, o útero foi exteriorizado e o ovário identificado, isolado digitalmente e em sistema de três pinças, como descrito para cães e gatos, sendo a ligadura realizada com fio absorvível poliglactina 3-0 em ambos os ovários. Em seguida o ligamento redondo foi isolado e seccionado, permitindo, pela tração cranial a exposição e localização digital da cérvice e corpo uterino, onde foram colocados 3 pinças e ligado com fio absorvível poliglactina 2-0 secção e remoção uterina. Para o fechamento da cavidade abdominal, foi utilizado padrão de sutura em “x” com fio absorvível poliglactina 3-0, e demorrafia em padrão Wolf, com nylon 2-0. No pós operatório foi prescrito meloxican (0,2 mg/kg, SID, IM), enrofloxacino (10 mg/kg, BID, IM) e tramadol (2 mg/kg, BID, IM). Decorridos 11 dias do procedimento cirúrgico, retiraram-se os pontos de pele e o animal recebeu alta médica retornando a sua unidade de reprodução de origem. A realização de OH em primatas como medida terapêutica em casos de morte fetal ou mesmo doenças uterinas é eficaz proporcionando longevidade e qualidade de vida para animais criados sob cuidados humanos.

  • Palavras-chave
  • Primatas Não Humanos; Amazônia; Cirurgia reprodutiva; Técnica cirúrgica.
  • Modalidade
  • Pôster
  • Área Temática
  • Medicina da Conservação
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  • Comportamento e Bem-estar
  • Medicina da Conservação

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