A jaguatirica (Leopardus pardalis) é um mamífero carnívoro, sua distribuição corresponde à região biogeográfica que compreende desde a América do Norte até a América do Sul, e está distribuído em todo o território brasileiro. Comumente, fatores antrópicos, com ênfase nos períodos neonatais e juvenis, resultam em separação precoce dos cuidados parentais e necessidade de intervenção clínica. Objetivou-se descrever o manejo clínico e o protocolo inicial de reabilitação de um filhote de Leopardus pardalis encaminhado ao Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Selvagens da Universidade Federal Rural da Amazônia (CETRAS/UFRA). O animal, advindo de zona rural após ser resgatado por moradores do município de Tomé-Açu/PA, foi encaminhado pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente ao CETRAS/UFRA. O filhote, fêmea, com peso corporal de 0,978 Kg, apresentando estado de alerta preservado, responsividade elevada à contenção física e vocalização intensa. No exame clínico, observou-se distensão abdominal moderada com sensibilidade à palpação na região hipogástrica, sem outros sinais clínicos expressivos de disfunção sistêmica. Instaurou-se terapêutica com administração oral de simeticona (1 gota/kg) visando reduzir a tensão gasosa intestinal, associada à dipirona (25 mg/kg, VO) para analgesia e controle de resposta inflamatória inicial. Instituiu-se manejo nutricional com alimentação artificial a partir da transição de sucedâneo lácteo comercial (Pet Milk) para fórmula veterinária de suporte (Suport Milk), com oferta a cada quatro horas, respeitando-se o volume proporcional ao peso e à taxa metabólica basal do animal. Durante o período de reabilitação no Centro, adotou-se a prática de exposição controlada à luz solar em períodos matinais (entre 7h e 9h), protocolo importante para a manutenção da fotoconversão do 7-desidrocolesterol em vitamina D3 na epiderme, favorecendo a absorção intestinal de cálcio e fosfato como profilaxia ao desenvolvimento de distúrbios osteometabólicos. Realizava-se estimulação da região perineal e urogenital com algodão umedecido em solução morna após as mamadas, a fim de promover os reflexos fisiologicamente induzidos pelo comportamento materno de lambedura. Ao longo da internação, o filhote apresentou ganho de peso contínuo, normalização da motilidade gastrointestinal e comportamento compatível com o desenvolvimento neurológico esperado para a espécie. O animal foi destinado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) para o Centro de Triagem de Animais Silvestres (CETAS) de São Luís/MA, a fim de prosseguir com a reabilitação e futura avaliação de aptidão à soltura.
Comissão Organizadora
Felipe José da Costa Andrade
Tobias Emilio Tavares Lima
Dharma Maria Mendes Coelho
Gabriel Almeida de Oliveira Bezerra
Maria Clara Moura Silva
Comissão Científica
Tobias Emilio Tavares Lima
Dharma Maria Mendes Coelho