A jaguatirica (Leopardus pardalis) é um felídeo neotropical, distribuído em todos os biomas brasileiros, com exceção da região dos pampas. Apesar de ser classificada como “Pouco Preocupante” pela Lista Vermelha da União Internacional Para a Conservação da Natureza (IUCN), a espécie é frequentemente submetida à pressões de origem antrópica, que interferem seu desenvolvimento e sobrevivência no ambiente natural, como a caça ilegal, o desmatamento e a ocupação de áreas naturais. Este trabalho tem como objetivo relatar o caso clínico de intoxicação por chumbo em Leopardus pardalis, atendida no Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Selvagens (CETRAS) da Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA). O animal, fêmea adulta, foi resgatado por agentes do Batalhão de Polícia Ambiental após ser encontrado em estado de apatia e incoordenação motora no município de Vigia-PA, com suspeita inicial de atropelamento. No exame físico e neurológico, foram observados diminuição do nível de consciência, ausência de reflexo pupilar bilateral, secreção nasal e globos oculares opacos. Exames radiográficos evidenciaram onze estruturas metálicas distribuídas em diversas regiões do corpo. A ultrassonografia demonstrou alterações compatíveis com peritonite, enteropatia, nefropatia e pancreatite. O hemograma revelou anemia microcítica normocrômica não regenerativa, linfocitose e discreta trombocitose. O perfil bioquímico indicou elevação de uréia, ALT e GGT, com diminuição da creatinina sérica. A dosagem de chumbo sanguíneo, realizada por ICP-OES, resultou abaixo do limite de detecção (<0,001 µg/L), provavelmente em decorrência do quadro clínico apresentado e da distribuição tecidual do metal. A terapêutica adotada incluiu fluidoterapia, analgésicos, antibióticos, anti-inflamatórios não esteroidais, protetores hepáticos e gástricos, além de suporte vitamínico. No 16º dia de internação, realizou-se procedimento cirúrgico para remoção de projéteis com localização acessível. O animal apresentou evolução clínica satisfatória, com recuperação dos reflexos neurológicos, normalização das fezes, melhora do estado nutricional e comportamento agressivo compatível com indivíduos da espécie. Após a reabilitação no CETRAS, o animal foi destinado para soltura em reserva ambiental protegida pelo ICMBio, no município de Tucuruí-PA.
Comissão Organizadora
Felipe José da Costa Andrade
Tobias Emilio Tavares Lima
Dharma Maria Mendes Coelho
Gabriel Almeida de Oliveira Bezerra
Maria Clara Moura Silva
Comissão Científica
Tobias Emilio Tavares Lima
Dharma Maria Mendes Coelho