ATENDIMENTO CLÍNICO EM PREGUIÇA-COMUM (Bradypus variegatus) COM TRAUMA UNGUEAL

  • Autor
  • Ana Thaís Sampaio Mauricio
  • Co-autores
  • Felipe José da Costa Andrade , Ieda Fabiane Ramos Castro , Luna Vitória Mendes de Souza , Luiza Pinto Marinho , Antonio Carlos Nascimento de Souza Filho , Aline Alessandra Lima Soares , Brenda Cabral Ferreira , Giulia Vieira Fonseca , Cinthia Távora de Albuquerque Lopes
  • Resumo
  • As colisões veiculares são reconhecidas como uma das principais causas de trauma físico em animais silvestres de vida livre, resultando frequentemente em fraturas, luxações, feridas e, em muitos casos, óbito. Tais acidentes têm impacto direto na conservação da fauna, especialmente em áreas onde rodovias fragmentam habitats naturais e dificultam o deslocamento seguro dos animais. O bicho-preguiça é uma espécie arborícola que, ocasionalmente, desce ao solo para defecar, locomover-se entre árvores não conectadas ou buscar alimento. Essa exposição ao ambiente terrestre somado à sua locomoção hipocinética aumenta sua vulnerabilidade a acidentes automobilísticos, principalmente em regiões onde há intensa atividade rodoviária. Diante desse cenário, o objetivo deste trabalho é relatar o atendimento clínico e terapêutico de um exemplar de bicho-preguiça-comum (Bradypus variegatus) vítima de colisão veicular, ressaltando a importância da abordagem rápida e adequada para a recuperação do animal e a conservação da espécie. Em julho de 2025, um exemplar macho de B. variegatus pesando 1,64 kg foi atendido no setor de animais silvestres do Hospital Veterinário da Universidade Federal do Pará (UFPA), na cidade de Castanhal, com suspeita de colisão veicular. O animal chegou consciente, responsivo e em bom estado geral. Ao exame físico seguido de exame radiográfico, não foram detectadas fraturas ou luxações. No entanto, observou-se lesão traumática na porção média das 3 garras do membro anterior esquerdo, com fissura e sangramento ativo, porém sem comprometimento dos dígitos. Foi instituído protocolo terapêutico com dipirona (30 mg/kg, VO, BID) por 5 dias, tramadol (3 mg/kg, VO, TID) por 3 dias, e meloxicam (0,2 mg/kg, IM,SID) por 3 dias, com o objetivo de controlar dor e inflamação. Para suporte circulatório e correção da hidratação, administrou-se fluido de Ringer com lactato (manutenção de 50 mL/kg/dia, SC), com ajuste para 7% de desidratação por 5 dias. O tratamento local da lesão consistiu em limpeza da área afetada com soro fisiológico, seguida de aplicação de spray à base de Rifamicina e pomada cicatrizante e repitelizante (Vetaglós®), duas vezes ao dia, durante 7 dias. Além disso, houve suplementação de complexo B (1 mg/kg, VO, BID) como medida de suporte energético. Após dois dias de tratamento, o animal já se alimentava espontaneamente e apresentava comportamento ativo. Em sete dias, observou-se cicatrização completa da lesão ungueal e o paciente  foi considerado clinicamente apto para soltura, procedimento realizado pelo órgão ambiental competente. Este caso ressalta que a abordagem clínica rápida e adequada contribui não apenas para a recuperação individual do animal, mas também para a conservação das espécies que enfrentam riscos crescentes de interação negativa com atividades humanas.

     
  • Palavras-chave
  • Palavras-chave: Colisões veiculares; xenarthras; fauna; animais silvestres.
  • Modalidade
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  • Área Temática
  • Medicina da Conservação
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  • Comportamento e Bem-estar
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