A pododermatite é uma afecção inflamatória e degenerativa que acomete as regiões plantares e palmares dos membros de animais domésticos e silvestres, sendo caracterizada por lesões proliferativas com hiperqueratose e hiperplasia epidérmica, frequentemente associadas a processos inflamatórios que podem evoluir para erosões e ulcerações. Esta condição é comum em animais sob cuidados humanos, especialmente em ambientes de cativeiro, onde substratos inadequados favorecem o desenvolvimento da inflamação podal. Embora amplamente relatada em diferentes espécies, a ocorrência de pododermatite em procionídeos, como o quati (Nasua nasua), é pouco documentada na literatura. Entre março e abril de 2025, quatro filhotes de quati, com peso entre 275 e 300 g, foram admitidos no Hospital Veterinário da Universidade Federal do Pará, apresentando quadro de pododermatite de forma eritematosa, caracterizada por ausência de pelos, lesão seca, inflamada, com descamação e dor nos membros torácicos e pélvicos. Fatores ambientais e fisiológicos que afetaram a integridade da barreira cutânea nas regiões plantares. Foi instituído protocolo terapêutico com meloxicam (0,1mg/kg, IM) dose única devido ação analgesica e antiinflamatoria, dipirona (25 mg/kg, BID, VO) por 5 dias, visando o controle da dor, além da administração de vitamina C (60 mg/kg, SID, VO) por 13 dias, com o intuito de estimular a síntese de colágeno, essencial para a regeneração tecidual. O tratamento local consistiu em limpeza diária com clorexidine 2% e soro fisiológico cloreto de sódio 0,9% gelado para remoção de sujidades, redução da inflamação, diminuição de edema e ação analgésica, seguida da aplicação tópica de pomada Vetaglós®, com ação cicatrizante, antimicrobiana e anti-inflamatória. Após 15 dias houve alta médica pela resolução das afecções podais. Dessa forma, o protocolo instituído, composto por anti-inflamatórios sistêmicos, analgésicos, suporte vitamínico e tratamento local com limpeza e agentes cicatrizantes tópicos, mostrou-se eficaz na resolução completa das lesões, sem recidivas clínicas. O presente relato demonstra que a pododermatite em filhotes de quati pode ser efetivamente tratada quando há identificação precoce, abordagem terapêutica adequada e correção dos fatores predisponentes relacionados ao manejo em cativeiro.
Comissão Organizadora
Felipe José da Costa Andrade
Tobias Emilio Tavares Lima
Dharma Maria Mendes Coelho
Gabriel Almeida de Oliveira Bezerra
Maria Clara Moura Silva
Comissão Científica
Tobias Emilio Tavares Lima
Dharma Maria Mendes Coelho