COMPACTAÇÃO INTESTINAL ASSOCIADA À INGESTÃO DE INSETOS EM ANU-BRANCO (Guira guira) EM REABILITAÇÃO

  • Autor
  • Helder Victor da Silva Vasconcelos
  • Co-autores
  • Aline Alessandra Lima soares , Felipe José da Costa Andrade , Luiza pinto marinho , Antonio Carlos Nascimento de Sousa filho , Ana Thaís Sampaio Mauricio , Danielly Oliveira Brito , Bianca Barbosa , Luna da Silva Mendes , Giulia Vieira Fonseca
  • Resumo
  • A compactação por exoesqueleto é uma condição que pode acometer aves alimentadas com presas de corpo inteiro ou fragmentos de invertebrados ricos em quitina. Esse material possui pouca digestibilidade e pode se acumular no trato gastrointestinal, especialmente na moela e no proventrículo, levando à estase e, em alguns casos, à obstrução parcial. Os sinais clínicos geralmente se instalam de forma insidiosa e incluem anorexia, regurgitação, perda de peso progressiva e, em estágios mais avançados, prostração. Além da alteração da motilidade, o acúmulo de conteúdo compactado pode interferir na absorção de nutrientes e agravar o estado clínico geral. Um filhote de anu-branco (Guira guira) neonato, pesando 25g, foi admitido no Hospital Veterinário da Universidade Federal do Pará após ser resgatado do solo, com suspeita de queda do ninho. A alimentação do paciente consistiu em 2 unidades de larvas de tenébrio (Tenebrio molitor) e 1 unidade de barata adulta (Blaptica dubia). Como o mesmo apresentava reflexo de procura, os insetos eram fracionados em pedaços menores e ofertados diretamente ao bico, no período das 08h às 18h, com intervalo de duas horas entre as refeições. Posteriormente, observou-se distensão celomática e dispneia, com palpação evidenciando conteúdo mais consistente. Após avaliação clínica, foi diagnosticada a impactação gastrointestinal em função da quantidade de quitina presente no exoesqueleto dos insetos ingeridos. O protocolo terapêutico instituído incluiu lactulose (4 mL/kg VO e 4 mL/kg VR, TID), utilizada como laxativo para facilitar a evacuação; domperidona (0,2 mg/kg, VO, BID), como agente procinético para estimular a motilidade gastrointestinal; dipirona (25 mg/kg, VO, BID), como analgésico; enemas com NaCl 0,9% aquecido em banho-maria (TID), para remoção mecânica do conteúdo intestinal; e fluidoterapia com NaCl 0,9% (50 mL/kg/dia VO), fracionada a cada hora entre o período de 08h a 18h, com o objetivo de manter a hidratação e auxiliar na função intestinal. A circunferência celomática foi monitorada a cada hora com fita métrica, permitindo o acompanhamento da evolução do quadro. Após três dias do início do tratamento, observou-se melhora clínica progressiva, com regressão do quadro, retomada da evacuação normal e comportamento ativo. Conclui-se que o manejo clínico adequado, aliado à identificação precoce da impactação gastrointestinal, foi fundamental para a recuperação do paciente. Ressalta-se a importância do monitoramento da dieta de filhotes em reabilitação, especialmente no uso de insetos com elevado teor de quitina, que podem predispor a quadros obstrutivos em aves.

  • Palavras-chave
  • Aves silvestres; Distúrbios digestivos; Neonatologia; Quitina.
  • Modalidade
  • Pôster
  • Área Temática
  • Medicina da Conservação
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  • Biologia
  • Comportamento e Bem-estar
  • Medicina da Conservação

Comissão Organizadora
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Tobias Emilio Tavares Lima
Dharma Maria Mendes Coelho
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Comissão Científica

Tobias Emilio Tavares Lima
Dharma Maria Mendes Coelho