PROTOCOLO ANESTÉSICO DE AMPUTAÇÃO EM MEMBRO DE SAGUI (Saguinus niger): RELATO DE CASO

  • Autor
  • Luma Araújo Ferreira
  • Co-autores
  • Jadhe Martins Fernandes , Kaytson Michael Vila Nova de Vasconcelos , Cleyzer Lopes Silva , Cleidilene Romário Lima , Juliana Maria Santos Miranda
  • Resumo
  • O Brasil abriga a maior diversidade de espécies de primatas do mundo, com destaque para sua rica fauna silvestre. Contudo, a crescente antropização — resultado da urbanização, desmatamento e expansão agrícola — configura-se como uma das principais ameaças à conservação desses animais. Paralelamente, o aumento da aquisição ilegal de primatas como animais de estimação tem gerado consequências preocupantes, incluindo acidentes traumáticos, choques elétricos e a transmissão de zoonoses. Esses fatores não apenas comprometem o bem-estar e a sobrevivência dos indivíduos, mas também representam um desafio para a saúde pública e a medicina veterinária de animais silvestres. O trabalho tem como objetivo relatar um caso de trauma em um espécime de Sagui. Foi atendido pela clínica Bicho Selvagem, em Belém do Pará, um Sagui-preto (Saguinus niger) apresentando exposição óssea em decorrência de fratura em membro direito, cujo comprometimento era total. O animal foi submetido ao processo cirúrgico de amputação. O protocolo anestésico para o indivíduo de 150 g consistiu, como medicação pré anestésica: 13 mg/kg de Cetamina (IM), um dissociativo de curta ação que eleva o fluxo simpático pelo estímulo direto do sistema nervoso central, aumenta a frequência cardíaca, débito cardíaco e induz a apneia transitória, associado a 0,5 mg/kg de Midazolam (IM), um sedativo benzodiazepínico utilizado na perianestesia e frequentemente administrado para redução dos efeitos excitatórios centrais da Cetamina, de maneira a reduzir frequência cardíaca, débito cardíaco e pressão arterial em consequência dos efeitos sobre centros vasomotores e, 0,3 mg/kg de Morfina (IV), que ainda é um fármaco agonista opioide amplamente utilizado para dores leves a intensas. Para indução, utilizou-se 1 mg/kg de Propofol (IV), um hipnótico não barbitúrico, de ação ultracurta, que possui rápido início de ação e recuperação, além de minimizar a depressão residual do sistema nervoso central, depressão cardiorespiratória, reduzir o débito cardíaco e pressão sanguínea. Para a intubação orotraqueal utilizou-se uma sonda de N° 2.0. Quanto à manutenção geral, foi por meio do Sevoflurano inalatório, caracterizado por ser sem odor, não irritante, manter o índice cardíaco, aumentar a frequência cardíaca e reduzir ventilação, pressão arterial e resistência vascular sistêmica. Ademais, foi administrado, em forma de instilação, Lidocaína sem vasoconstritor em dose 2 mg/kg (IM e SC) para analgesia. Visto que suturas de procedimentos como a extirpação de um membro são complexas, foi utilizada a técnica de laserterapia: 1 joule, 5 segundos por ponto, em toda a ferida cirúrgica. Após a cirurgia, ocorreu a recuperação anestésica e o animal voltou a se alimentar normalmente após 30 minutos do procedimento, porém em algumas horas, veio a óbito pela gravidade do procedimento e condições corporais. O caso relatado demonstra a complexidade do manejo anestésico e cirúrgico em primatas neotropicais. Apesar da execução bem-sucedida do protocolo anestésico e do procedimento de amputação, o desfecho clínico desfavorável evidencia a fragilidade desses animais diante de traumas severos e estresse fisiológico. Nesse contexto, torna-se fundamental o relato de casos clínicos que envolvam intervenções terapêuticas e anestésicas nesses exemplares, contribuindo para o aprimoramento das práticas clínicas.

  • Palavras-chave
  • anestesia; fratura; silvestre
  • Modalidade
  • Pôster
  • Área Temática
  • Medicina da Conservação
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