Tyto furcata, popularmente conhecida como coruja-das-torres, coruja-da-igreja ou rasga-mortalha, é frequentemente associada a superstições populares, sendo erroneamente considerada um símbolo de mau agouro. No entanto, trata-se de uma ave de grande importância ecológica, atuando como bioindicadora da saúde ambiental e controladora natural de pragas. Apesar disso, casos de ferimentos e traumas em indivíduos dessa espécie são recorrentes, principalmente devido a colisões e ações antrópicas. Neste trabalho, tem como objetivo relatar o caso clínico de atendimento, tratamento e reabilitação de uma T. furcata resgatada com fratura exposta em membro torácico esquerdo, destacando as condutas médico-veterinárias e os desdobramentos para a conservação da ave. Com esse propósito, o presente relato foi realizado a partir da observação clínica, registro de intervenções terapêuticas e acompanhamento pós-operatório do animal resgatado pela empresa parceira CS Grãos e encaminhada ao Hospital Veterinário Universitário da Universidade Federal do Piauí – Campus Cinobelina Elvas (HVU-CPCE) no dia 30/04/2024, provavelmente em uma idade madura, sexo indefinido, escore corporal baixo e com 400 gramas de peso corporal. Assim então, foi observada a fratura da asa esquerda com necrose, confirmada logo após a avaliação clínica. A coruja apresentava seu comportamento típico, mucosa hipocorada e a temperatura sem alterações. Foram realizados depois dessas observações os primeiros procedimentos ambulatoriais com medicações como: Cloridrato de Midazolam 0,5 mg/kg, (sedação) IV, Fluidoterapia com solução Bionew IV, Meloxicam 0,2 mg/kg, SC, Enrofloxacino 10mg/kg, Dipirona 25mg/kg IM, e a limpeza da lesão com solução de Clorexidine a 2%. Baseado no diagnóstico de uma fratura exposta de rádio e ulna esquerda, optou-se por amputação do membro afetado, para o bem-estar e vivência da ave. O pré-operatório não teve complicações, porém o pós-operatório exigiu mais atenção, durante 3 dias depois do procedimento cirúrgico houve a necessidade de uma alimentação forçada por sonda e seringa, e apresentou melhora gradual. Sua evolução no HVU ocorreu de forma promissora, voltando a ter seu comportamento natural e bem mais aflorado, passou a rejeitar ração úmida e carne crua, diante disso, a introdução de alimentação com presas vivas (camundongos e pintos), com resposta positiva, estimulando assim, seu instinto de caça. Como resultado, após a cirurgia e recuperação da T. furcata, percebeu-se um grande avanço em relação a sua movimentação, caça, instintos naturais, entre outros sinais evolutivos. Determinando-se assim, a sua alta clínica, mas devido a sua condição fisiológica, não poderia ser devolvida novamente a seu habitat natural, sendo necessário assim mantê-la em cativeiro para a sua conservação, passando a ficar por um tempo no HVU. Desse modo, como não era apropriado passar sua vida no hospital e não ser possível a sua reintegração à natureza, a ave foi encaminhada ao CETAS da SEMARH (Centro de Triagem de Animais Silvestres da Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Piauí) garantindo sua conservação em condições apropriadas. Em síntese, o caso destaca a relevância da atuação conjunta entre sociedade, empresas e órgãos ambientais na preservação da fauna silvestre e assim também proporcionando uma qualidade de vida mais adequada para animais que estejam em situações semelhantes.
Comissão Organizadora
Felipe José da Costa Andrade
Tobias Emilio Tavares Lima
Dharma Maria Mendes Coelho
Gabriel Almeida de Oliveira Bezerra
Maria Clara Moura Silva
Comissão Científica
Tobias Emilio Tavares Lima
Dharma Maria Mendes Coelho