Os quatis - Nasua nasua (Linnaeus 1766) são mamíferos carnívoros da família Procyonidae,
conhecidos por serem muito curiosos e terem um nível de cognição muito alto. Estas
características únicas necessitam de desafios físicos e mentais para terem um bem-estar e
ajudar em sua reabilitação. O Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Selvagens
(CETRAS) da Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), usa essas técnicas que
auxiliam na reabilitação desses exemplares. Esses animais recebidos pelo Centro entram no
Programa de Monitoramento Comportamental e Bem-estar de Animais Selvagens
(PMCBEAS), desenvolvido no CETRAS-UFRA, que visa, além do monitoramento
comportamental, aplicar enriquecimentos ambientais (EAs) para estimular comportamentos
naturais para cada espécie, diminuindo o estresse em cativeiro e possíveis comportamentos
estereotipados. Com isso, o presente trabalho tem como objetivo abordar os variados tipos de
EAs e como eles auxiliaram na reabilitação de um exemplar de quati-de-cauda-anelada
(Nasua nasua) que chegou ao centro. A metodologia aplicada foi obtida por meio da análise
dos registros preenchidos em formulário da plataforma Google Forms do PMCBEAS,
utilizadas no setor, onde um resumo da interação do animal com o EA e quais
comportamentos ele demonstrou é feito e registrado no Google Forms para análises e
discussões futuras. O animal, um filhote de quati fêmea, deu entrada no centro dia
11/02/2025. A primeira estereotipia registrada foi em 13/02/2025, quando ficou caminhando
de um lado para o outro sem um motivo aparente, e outros comportamentos anormais
identificados eram o de morder a grade e a vocalização na presença de humanos.
Posteriormente foi necessário a introdução de EAs elaborados e com maior tempo de
interação com o intuito de manter o animal ocupado por mais tempo para que houvesse a
diminuição destes comportamentos anormais. Os EAs alimentares, físicos e cognitivos, como
comida espalhada pelo recinto, comida na trouxa de bananeira, caixa de forrageio, comida no
tubo e insetos no tronco de madeira, fizeram com que o animal gastasse mais tempo
forrageando e usando as patas dianteiras para rasgar as trouxas e acessar os alimentos que
estavam mais fundos no tubo, sendo esses comportamentos comuns da espécie. Além dos
EAs sociais e sensoriais, como o uso de espelho para estimular o comportamento de andar em
grupo, e a caixa de areia com tenébrio para que o animal entre em contato com diferentes
tipos de substrato e utilizasse o sentido olfativo para localizar as presas. A diminuição dos
comportamentos anormais só foi perceptível a partir de 25/02, quando o animal passava mais
tempo interagindo com os EAs e demonstrava mais comportamentos naturais. Depois dos
variados enriquecimentos ambientais que desafiaram a cognição e a capacidade física do
animal, em 16/04/2025, ele retornou para a natureza. Portanto, conclui-se que os EAs
cognitivos e alimentares tiveram um grande impacto positivo no bem-estar e na reabilitação
do animal, mostrando que essas técnicas possuem uma grande importância na diminuição de
comportamentos estereotipados e no desenvolvimento de habilidades vitais para a sua
sobrevivência.
Comissão Organizadora
Felipe José da Costa Andrade
Tobias Emilio Tavares Lima
Dharma Maria Mendes Coelho
Gabriel Almeida de Oliveira Bezerra
Maria Clara Moura Silva
Comissão Científica
Tobias Emilio Tavares Lima
Dharma Maria Mendes Coelho