ERRO DE MANEJO NUTRICIONAL EM GECKO-LEOPARDO (Eublepharis maculariu): RELATO DE CASO

  • Autor
  • Jadhe Martins Fernandes
  • Co-autores
  • Luma Araújo Ferreira , Ana Júllia D'Ávila Cunha , Letícia de Paula Fonseca Banna , Larissa Rodrigues Folha , Juliana Maria Santos Miranda
  • Resumo
  • O manejo alimentar adequado é essencial para a saúde e bem-estar de répteis mantidos em cativeiro, como o Gecko-leopardo (Eublepharis macularius). Entretanto, é comum observar tutores cometendo falhas na gestão nutricional, ambiental e higiênica, que podem desencadear quadros clínicos graves, comprometendo a qualidade de vida do animal. O trabalho tem como objetivo relatar o caso de manejo inadequado de Gecko-leopardo subnutrido. O paciente, macho juvenil, com peso corporal de apenas 16g, foi encaminhado para atendimento pela clínica Bicho Selvagem. O tutor relatava que o animal estava inativo, sem apetite e com dificuldades na troca de pele (disecdise). Durante a anamnese clínica, foi realizada avaliação da cavidade oral, auscultação e exame do tegumento. Observou-se as mucosas orais normocoradas e os olhos apresentavam-se com brilho e umidade preservados. Os sinais clínicos, como apatia, letargia progressiva e dificuldade de apreensão, estavam relacionados ao manejo nutricional e ambiental inadequado, com baixa frequência alimentar, ausência de suplementação vitamínico-mineral e dieta desequilibrada em relação aos micronutrientes necessários à espécie. O protocolo terapêutico incluiu uma readaptação na dieta, com a introdução de uma rotina alimentar mais frequente, passando a ser alimentado todos os dias ou, dias alternados, com insetos (baratas e tenébrios), sendo ofertado 10% do peso do animal ou até a saciedade. Além disso, foi prescrito o uso de uma gota diária de Glicol Pet, um suplemento com ação estimulante de apetite, e aplicação de vitamina A na dosagem de 0,1 mg/kg por via intramuscular, com administração semanal durante três semanas. Iniciou-se a suplementação de cálcio com vitamina D3, realizada duas vezes por semana, conforme recomendação para a espécie (1% da dieta seca), a fim de prevenir doenças metabólicas ósseas e promover a recuperação do estado nutricional. Foram realizados ajustes ambientais, implementando áreas secas e úmidas e luz UV (que auxilia na absorção de vitaminas e micronutrientes). Na primeira reavaliação, observou-se uma melhora progressiva no quadro clínico do animal. O Gecko apresentava peso de 27g, ausência de disecdise e comportamento mais ativo. Todavia, notou-se o surgimento de bolsas de cálcio visíveis, especialmente na região axilar dos membros torácicos, sinalizando possível excesso de cálcio. Diante disso, a suplementação foi imediatamente suspensa para evitar hipercalcemia. Mesmo com a suspensão, o animal continuou apresentando evolução clínica satisfatória. No retorno final, em 17 de junho, o Gecko-leopardo pesava 42g, atingindo o peso ideal para a espécie e demonstrando comportamento ativo e boa aparência geral. Apesar disso, ainda se observavam discretas bolsas de cálcio persistentes na região axilar, o que reforça a importância do monitoramento contínuo, visto que a suplementação de cálcio e vitaminas nesses animais é bastante sensível e facilmente afetada por pequenas variações na dieta. Este caso reforça como a orientação adequada de profissionais especializados pode transformar a vida de um animal. O manejo alimentar vai além da oferta de alimento, é necessário entender as necessidades específicas de cada espécie para garantir uma vida longa e saudável. Juntamente com o acompanhamento clínico periódico, esses cuidados são fundamentais para garantir a saúde de espécies exóticas mantidas em cativeiro.

  • Palavras-chave
  • Gecko-leopardo, nutrição de répteis, manejo alimentar.
  • Modalidade
  • Pôster
  • Área Temática
  • Medicina da Conservação
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