ESOFAGOSTOMIA EM Rhinoclemmys punctularia: ABORDAGEM CIRÚRGICA E ANESTÉSICA

  • Autor
  • Ana Thaís Sampaio Mauricio
  • Co-autores
  • Fabrício Quaresma de Souza , Bianca Barbosa , Antonio Carlos Nascimento de Souza Filho , Luiza Pinto Marinho , Naelle Cristina Rocha Maciel Amorim , Ananda Iara de Jesus Sousa , Carolina Carrera Pensador , Aline Alessandra Lima Soares , Roberta Martins Crivelaro-THIESEN
  • Resumo
  • A esofagostomia é um procedimento cirúrgico indicado para permitir a alimentação enteral em pacientes que, por diversas condições clínicas, não conseguem se alimentar pela via oral. É especialmente útil em casos de fraturas mandibulares, alterações neurológicas, neoplasias orais ou após cirurgias que comprometem a deglutição. Em quelônios, a técnica consiste na abertura do esôfago cervical, geralmente no lado esquerdo do pescoço, por onde é introduzida uma sonda até o estômago. Trata-se de um método eficiente para garantir suporte nutricional adequado, contribuindo de forma significativa para a recuperação de pacientes anoréxicos. Em maio de 2025, um exemplar adulto de aperema (Rhinoclemmys punctularia), com peso de 227 g, foi admitido no Hospital Veterinário da Universidade Federal do Pará - Campus Castanhal. O animal apresentava um quadro de desnutrição severa, associado à hipovitaminose e desidratação, sendo a apatia e a anorexia fatores que poderiam agravar ainda mais o estado geral do paciente. Após avaliação clínica, optou-se pela realização da esofagostomia para incremento de suporte nutricional. Para tal, anestesia foi realizada com midazolam (2 mg/kg, IM), um fármaco ansiolítico, miorrelaxante e anticonvulsivante; cetamina (20 mg/kg, IM), responsável pela indução e manutenção da anestesia dissociativa; e morfina (1 mg/kg, IM), que atua em receptores opioides tipo ?, modulando a transmissão da dor. Inicialmente, foi realizada a mensuração  de uma sonda nasoesofágica n. 10 posicionando-a na parte média do pescoço até 1 cm antes da posição inicial do estômago no plastrão. O paciente foi então colocado em decúbito lateral direito, tendo seu pescoço tracionado para frente. Uma pinça hemostática curva Crile de 16 cm foi introduzida pela cavidade oral até a porção média cervical do esôfago na lateral esquerda, exercendo uma força para fora com a pinça promovendo assim, uma elevação visível na pele do animal e marcando o ponto ideal para a incisão. Após a antissepsia da região com clorexidine 2%, utilizou-se um bisturi com lâmina 15 para a incisão, que fora realizada em profundidade total até se encontrar a ponta da pinça no interior do esôfago. Após identificação da pinça, a sonda foi introduzida até a extremidade aberta, para que a sonda fosse capturada por ela. Em seguida, a sonda fora puxada para dentro da cavidade oral e em ato contínuo, revertida para dentro do esôgafo e introduzida até a sua marcação prévia. Após a correta inserção, procedeu-se à fixação da sonda à pele com fio nylon 2-0 com padrão de sutura em bailarina. O tempo total do procedimento foi de 20 minutos. Todo o procedimento ocorreu livre de intercorrências. A rápida instituição do protocolo de suporte nutricional, viabilizado pela esofagostomia, mostra-se essencial para pacientes anoréxicos, incrementando o ganho calórico e energético ao paciente e possibilitando sua franca recuperação, que sem o suporte calórico adequado seria impraticável. Este relato visa incentivar tais condutas médicas em quelônios anoréxicos.

     

  • Palavras-chave
  • Testudines; gastrointestinal; animais silvestres; amazônia.
  • Modalidade
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  • Área Temática
  • Medicina da Conservação
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