A arborização urbana enfrenta o desafio do uso excessivo de espécies exóticas invasoras, consideradas a segunda maior causa de perda de biodiversidade global. Sendo assim, esse trabalho teve como objetivo realizar o inventário florestal em um trecho do Parque Linear do Córrego Grande, em Florianópolis, SC, para verificar a diversidade e a equidade das espécies, bem como a proporção entre nativas, exóticas e exóticas invasoras. O parque integra um corredor ecológico urbano fundamental para a conectividade entre Unidades de Conservação. Realizou-se um censo de todos os indivíduos arbóreos, arbustivos e arborescentes com DAP ≥ 4 cm presentes em um trecho do parque (2,81 ha). As árvores foram identificadas quanto à espécie e à origem (nativa, exótica ou exótica invasora), georreferenciadas por meio de um aplicativo desenvolvido na plataforma AppSheet. Foram avaliados 140 indivíduos, pertencentes a 34 espécies e 21 famílias botânicas. Observou-se predominância de indivíduos de espécies exóticas invasoras, especialmente da categoria 1, representadas por Melia azedarach (25,71%) e Eriobotrya japonica (2,14%). As espécies nativas apresentaram menor participação relativa, destacando-se Syagrus romanzoffiana (20%) e Alchornea glandulosa (5%). As invasoras de categoria 2, Morus nigra e Psidium guajava, apresentaram a mesma abundância (4,3% cada). O índice de Shannon (H’) foi de 2,76, e a equabilidade de Pielou (J’) foi de 0,78, indicando uma distribuição relativamente uniforme, mas já denotando a dominância de algumas espécies. A diversidade de Simpson, expressa pelo índice 1–D, foi de 0,88 (correspondente a D = 0,12). Foram catalogadas diversas invasoras de Categoria 1 (proibidas) (30%), como M. azedarach, e de Categoria 2 (manejo controlado) (12,1%), como Pinus spp. Apesar da expressiva diversidade observada, a área está fortemente impactada por invasoras. Recomenda-se a conservação das nativas e a substituição gradativa das exóticas invasoras para recuperar a funcionalidade ecológica da área e atender às diretrizes legais.
Comissão Científica
Maria Raquel Kanieski - Universidade do Estado de Santa Catarina – Udesc
Magda Cristina Villanueva Franco – Prefeitura de Joinville
Mauricio Bonesso Sampaio – Prefeitura de Maringá-PR
Marcelo Callegari Scipioni – Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC
Revisores
Angeline Martini - Universidade Federal do Paraná – UFPR
Flávia Gizele König Brun – Universidade Tecnológica Federal do Paraná – UTFPR
Karin Esemann de Quadros – Universidade da Região de Joinville – UNIVILLE
Ketleen Grala – UNIPAMPA
Maria Raquel Kanieski – Universidade do Estado de Santa Catarina – Udesc
Magda Cristina Villanueva Franco – Prefeitura de Joinville
Mauricio Bonesso Sampaio – Prefeitura de Maringá
Marcelo Callegari Scipioni – Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC
Marília Lazarotto - Universidade Federal de Pelotas – UFPel