Este estudo investiga, sob a ótica da Economia Comportamental, como a pobreza atua como ampliadora de vieses comportamentais em decisões econômicas. A partir de uma revisão de literatura com protocolo sistemático de 18 estudos, os resultados demonstram que a escassez impõe uma tributação cognitiva, consumindo a largura de banda mental e focando o indivíduo em urgências imediatas (fenômeno da visão de túnel). Essa sobrecarga potencializa o viés do presente, aversão à perda e consumo compensatório, dificultando o planejamento financeiro de longo prazo. A pesquisa evidencia o debate entre redução cognitiva e racionalidade sob restrição, indicando que escolhas aparentemente irracionais são respostas adaptativas à privação. Conclui-se que intervenções eficazes contra a pobreza devem integrar transferência de renda com arquiteturas de escolha e nudges (incentivos comportamentais sutis) que simplifiquem o processo decisório e reduzam o custo cognitivo de indivíduos em situação de vulnerabilidade.
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