Introdução: A infecção do sítio cirúrgico (ISC) constitui uma das principais complicações relacionadas aos procedimentos cirúrgicos, estando associada ao aumento da morbimortalidade, prolongamento da internação hospitalar, elevação dos custos assistenciais e comprometimento da segurança do paciente. Entre as estratégias preventivas recomendadas pelas principais diretrizes internacionais, destaca-se a antibioticoprofilaxia cirúrgica, cuja administração adequada reduz significativamente a colonização bacteriana durante o ato operatório. Objetivo: Analisar as evidências científicas acerca da importância da antibioticoprofilaxia na prevenção de infecções em procedimentos cirúrgicos, enfatizando seus benefícios, indicações e recomendações para a prática clínica. Métodos: Trata-se de uma revisão narrativa da literatura, realizada por meio de buscas nas bases de dados PubMed, SciELO e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS). Foram selecionados artigos publicados entre 2019 e 2025, nos idiomas português e inglês, disponíveis na íntegra, além de diretrizes nacionais e internacionais relacionadas à antibioticoprofilaxia cirúrgica. Os estudos elegíveis foram analisados qualitativamente quanto às recomendações e aos desfechos clínicos. Resultados: Os estudos evidenciaram que a antibioticoprofilaxia administrada entre 30 e 60 minutos antes da incisão cirúrgica reduz significativamente a incidência de infecção do sítio cirúrgico, especialmente em procedimentos limpos contaminados e potencialmente contaminados. A cefazolina foi o antimicrobiano mais frequentemente recomendado devido ao seu amplo espectro contra microrganismos da microbiota cutânea e ao perfil de segurança. Observou-se ainda que a administração prolongada de antimicrobianos após o término da cirurgia não proporciona benefícios adicionais e está associada ao aumento da resistência bacteriana, eventos adversos e custos hospitalares. Conclusão: A antibioticoprofilaxia representa uma das principais medidas para prevenção das infecções em procedimentos cirúrgicos quando realizada conforme protocolos baseados em evidências. Sua utilização racional contribui para reduzir complicações pós-operatórias, fortalecer a segurança do paciente, minimizar a resistência antimicrobiana e promover maior qualidade da assistência cirúrgica.
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