Logoterapia em Ação: Terapia Comunitária Integrativa e Construção do Sentido da Vida na Formação em Enfermagem.
A formação de estudantes em Enfermagem é marcada por intensas demandas acadêmicas, emocionais e relacionais que desafiam os estudantes ao longo do percurso formativo. A vivência constante de situações de sofrimento humano, o contato com a dor, a doença e a morte, associadas às exigências curriculares e às pressões por desempenho, podem impactar significativamente a saúde mental desses graduandos. Nesse contexto, a construção e o fortalecimento do sentido da vida emergem como elementos fundamentais para a formação de profissionais mais resilientes, éticos e comprometidos com o cuidado humanizado. O presente estudo aborda a relevância do sentido da vida na graduação em Enfermagem, destacando a Terapia Comunitária Integrativa como estratégia de promoção da saúde mental e fortalecimento existencial dos futuros profissionais. O sentido da vida, compreendido como a percepção de propósito, significado e direção existencial, constitui um fator protetivo frente ao sofrimento psíquico. Estudantes que identificam significado em suas experiências acadêmicas tendem a apresentar maior engajamento, melhor enfrentamento de adversidades e satisfação com a escolha profissional. Na Enfermagem, essa dimensão assume caráter relevante, pois o cuidado exige não apenas competência técnica, mas também maturidade emocional, empatia e capacidade de lidar com situações complexas e desafiadoras. Entretanto, pesquisas apontam elevados índices de ansiedade, estresse, sintomas depressivos e esgotamento entre estudantes de Enfermagem. A sobrecarga de atividades teóricas e práticas, a insegurança diante das responsabilidades assistenciais e as dificuldades socioeconômicas frequentemente vivenciadas pelos graduandos podem fragilizar o equilíbrio emocional e comprometer o processo de formação. Diante desse cenário, torna-se imprescindível à implementação de estratégias institucionais que promovam espaços de escuta, acolhimento e fortalecimento dos vínculos interpessoais. A Terapia Comunitária Integrativa, criada pelo psiquiatra brasileiro Adalberto Barreto, configura-se como uma prática integrativa e complementar em saúde fundamentada na valorização da experiência, da cultura e dos saberes populares. Baseada nos pilares da antropologia cultural, da teoria sistêmica, da pedagogia de Paulo Freire e da resiliência, a Terapia Comunitária Integrativa promove rodas de conversa estruturadas, nas quais os participantes compartilham vivências, dificuldades e estratégias de superação. O método favorece a construção coletiva de soluções, fortalece redes de apoio e estimula o protagonismo das pessoas em seu processo de cuidado. No contexto da graduação em Enfermagem, a Terapia Comunitária Integrativa apresenta-se como ferramenta potente para a promoção do sentido da vida. Ao proporcionar um espaço seguro de expressão e escuta qualificada, possibilita que os estudantes reflitam sobre suas escolhas, valores e expectativas profissionais. A partilha de experiências comuns reduz sentimentos de isolamento e solidão, frequentemente presentes na trajetória acadêmica, e reforça a percepção de pertencimento ao grupo. Além disso, a valorização das histórias de superação contribui para o desenvolvimento da autoestima, da autoconfiança e da esperança. A experiência com a Terapia Comunitária Integrativa no ambiente universitário evidencia impactos positivos na saúde mental dos estudantes, tais como redução de sintomas ansiosos, melhoria na capacidade de enfrentamento de conflitos e fortalecimento das relações interpessoais. Ao reconhecer o sofrimento como parte da condição humana e estimular a solidariedade, a prática amplia a compreensão do cuidado para além da dimensão técnica, favorecendo a formação de enfermeiros mais sensíveis às dimensões subjetivas do processo saúde-doença. Outro aspecto relevante refere-se ao desenvolvimento de competências socioemocionais essenciais ao exercício profissional, como empatia, escuta ativa, comunicação assertiva e trabalho em equipe. A participação nas rodas de Terapia Comunitária Integrativa permite que os graduandos experimentem, na prática, princípios que posteriormente serão fundamentais na assistência em saúde. Dessa forma, a estratégia não apenas contribui para o bem-estar durante a formação, mas também repercute na qualidade do cuidado prestado no futuro. Ao fortalecer o sentido da vida, a Terapia Comunitária Integrativa favorece a construção de uma identidade profissional mais sólida e alinhada a valores humanísticos. Estudantes que reconhecem propósito em sua trajetória tendem a demonstrar maior comprometimento com a ética, a responsabilidade social e a defesa do Sistema Único de Saúde. O cuidado passa a ser compreendido como prática relacional e transformadora, fundamentada no respeito à dignidade humana. Conclui-se que a Terapia Comunitária Integrativa constitui estratégia relevante na promoção do sentido da vida e da saúde mental de estudantes de Enfermagem. Sua implementação no contexto acadêmico representa investimento na formação integral do futuro profissional, contribuindo para a construção de enfermeiros mais resilientes, conscientes e preparados para os desafios contemporâneos da prática assistencial. Recomenda-se que instituições de ensino superior incorporem práticas integrativas como a Terapia Comunitária Integrativa em seus projetos pedagógicos, fortalecendo políticas institucionais voltadas ao cuidado em saúde mental.
O XIII Congresso Brasileiro de Logoterapia e Análise Existencial (CBLAE 2026) ocorreu entre os dias 26 e 29 de agosto de 2026 na Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), em Feira de Santana, na Bahia.
Com o tema central “Sentido na Vida e Dignidade Humana”, o congresso ofereceu quatro dias de uma intensa programação dedicada ao estudo, à atualização e à difusão do legado de Viktor Frankl. Foram realizados minicursos de pré-congresso, conferências, outorga do Prêmio Viktor Frankl, apresentações de trabalhos científicos, e mesas-redondas.
Promovido bianualmente, o CBLAE agrega pessoas interessadas na visão frankliana. É o evento de maior relevância nacional da área, constituindo um espaço privilegiado para o encontro e o diálogo entre representantes da academia, da clínica psicológica, da educação e diferentes campos da saúde. A programação favoreceu a discussão sobre temas contemporâneos relacionados à pesquisa, à inovação e às aplicações da Logoterapia no Brasil e no mundo.
Viktor Frankl legou os fundamentos da Logoterapia e Análise Existencial e, ao mesmo tempo, convocou as gerações futuras para continuar este legado. Ele não considerava seus conceitos como um sistema fechado, mas como um saber aberto e dinâmico, a ser constantemente estudado, aprofundado e atualizado. Em sintonia com essa perspectiva a ABLAE e o CBLAE entende que esta é uma missão desta geração de logoterapeutas.
Os Anais do CBLAE 2026 reúnem 73 trabalhos, apresentados oralmente em salas paralelas na tarde do dia 28/08 e na manhã do dia 29/08. Foram momentos de discussões frutíferas entre professores, estudantes de graduação e pós-graduação e profissionais da psicologia, enfermagem, educação, filosofia e outras áreas do conhecimento.
Prezados estudiosos da Logoterapia e Análise Existencial aqui está a apresentação dos resumos dos trabalhos orais apresentados. São textos que expandem a compreensão entendimento dos pensamentos franklianos. Desejamos que seja uma leitura profícua, desperte novas reflexões e favoreça o diálogo entre leitores e autores, ampliando o entendimento e o desenvolvimento da abordagem que tem como centro o sentido na vida.
Prof. Dr. Flávio Luiz Honorato da Silva
(Coordenador da Comissão Científica do CBLAE 2026)
Os resumos de trabalhos deverão ter como fundamento básico a Logoterapia e Análise Existencial de Viktor Frankl (LAE).
O texto do resumo deve ser colado no formulário e conter de 300 a 800 palavras. Não é necessário citar referências.
Todos os trabalhos serão apresentados oralmente e de modo presencial e posteriormente publicados nos anais. Haverá premiação dos melhores trabalhos.
Áreas temáticas:
Psicologia
Educação
Enfermagem
Saúde
Ciências da Religião
Filosofia
Outras áreas
Categoria:
Pesquisa empírica: trabalhos que apresentam resultados obtidos a partir de coleta e análise sistemática de dados (quantativos e/ou qualitativos), com método explicitado. Exemplos de metodologias comuns: estudo transversal (survey/questionário/entrevista), estudo longitudinal, estudo quase-experimental, estudo correlacional, validação/adaptação de instrumentos, estudo qualitativo (fenomenologia, análise temática, teoria fundamentada, etnografia), métodos mistos, etc.
Relato de experiência e práticas profissionais: trabalhos que descrevem e analisam criticamente uma prática, intervenção, projeto ou ação profissional (clínica, educação, saúde, assistência, organizações etc.), destacando contexto, tomada de decisão e aprendizados. Exemplos de metodologias comuns: relato técnico fundamentado, pesquisa-ação, avaliação de processo, avaliação de programa/intervenção (com indicadores simples), triangulação de registros (diários de campo, observação, feedback de participantes).
Trabalho teórico-conceitual: trabalhos voltados ao aprofundamento teórico, discussão conceitual e elaboração de argumentos com base em literatura pertinente, podendo articular Logoterapia/Análise Existencial com temas e campos correlatos. Exemplos de metodologias comuns: ensaio teórico, análise conceitual, revisão de literatura (narrativa, integrativa, escopo), abordagens hermenêuticas/interpretativas de textos (quando cabível), comparação de modelos teóricos.
Produtos, tecnologias e inovação: propostas que apresentam um produto/solução aplicável (material, protocolo, instrumento, roteiro, recurso educativo), com descrição do desenvolvimento, fundamentação e uso potencial. Exemplos de metodologias comuns: prototipagem e iteração, validação de conteúdo, estudo piloto, avaliação de usabilidade/aceitabilidade, avaliação preliminar de efetividade (pré–pós, feedback estruturado).
Idioma da Submissão:
Português
Espanhol
Máximo de autores (e co-autores) por trabalho: 6
Máximo de trabalhos permitidos por autor: 2
Máximo de trabalhos permitidos por co-autor: 6
O primeiro autor deve estar inscrito no evento e conferir a confirmação de submissão em seu email. Caso não receba a confirmação, a submissão pode não ter sido realizada.
Coordenação Geral
David Moises Barreto dos Santos (presidente)
Vinicius Cerqueira Bastos dos Santos
Adriana Braitt Lima
Comissão Científica
Flávio Luiz Honorato da Silva (UFPB) - coordenador
Alisson de Meneses Pontes (UNILIFE)
Benedito Guilherme Falcão Farias (ALVEF)
David Moises Barreto dos Santos (UEFS)
Diogo Arnaldo Corrêa (UMC)
Elaine Custódio Rodrigues Gusmão (UFCG)
Flávia Neves Ferreira (UEPB)
Francisca Pereira da Cruz Zubicueta (UFMA)
Francisco Carlos Gomes dos Santos (AGIR3)
Gilvan de Melo Santos (UEPB)
Hermilia Feitosa Junqueira Ayres (UFCG)
Karen Guedes Oliveira (UFPB)
Katia Vanessa Pinto de Meneses (UnB)
Lisieux D'Jesus Luzia de Araújo Rocha (FCC)
Lorena Bandeira Melo de Sá (UNINASSAU)
Lílian Perdigão Caixêta Reis (UFV)
Marcos Vinicius da Costa Meireles (IFG)
Maria Helena Budal da Silva (Escola de Logoterapia)
Paulo Kroeff (UFRGS)
Rouseane da Silva Paula Queiroz (UERN)
Sandrelena da Silva Monteiro (UFJF)
Sarah Xavier Vasconcelos de Fialho Rodrigues (UNILIFE)
Sheila Maria Hesketh Rabuske (ALVEF)
Silvania Rita Ramos (SOBRAL)
Simone Guedes Alves Gomes dos Santos (AGIR3)
Solange Santos de Freitas (Núcleo Mineiro de Logoterapia)
Tatiana Oliveira de Carvalho (TJMA)
Vinícius Cerqueira Bastos dos Santos (UEFS)