O caráter transmórbido do espírito na psicose: reflexões a partir da prática clínica em um CAPS à luz da Logoterapia

  • Autor
  • Sávio Moreira Emmerick
  • Resumo
  • A Logoterapia e Análise Existencial, proposta por Viktor Frankl, compreende o ser humano como uma unidade biopsicoespiritual e sustenta que a dimensão espiritual ou noética permanece essencialmente íntegra mesmo diante de condições psicopatológicas graves. Esse princípio é denominado caráter transmórbido do espírito e constitui um dos fundamentos antropológicos da abordagem frankliana. No campo da saúde mental, especialmente no cuidado de pessoas que vivenciam transtornos psicóticos, essa perspectiva oferece uma ampliação da compreensão clínica ao reconhecer que o adoecimento psicofísico não esgota a totalidade da pessoa nem elimina sua capacidade de responder existencialmente às circunstâncias da vida. O presente trabalho tem como objetivo refletir, a partir da prática profissional em um serviço de atenção psicossocial, sobre manifestações do caráter transmórbido do espírito em pessoas com transtornos psicóticos. Trata-se de um relato de experiência fundamentado na atuação de um psicólogo em um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS I) localizado no interior do estado do Rio de Janeiro. A experiência ocorreu entre agosto de 2023 e abril de 2024, período no qual foram acompanhados usuários diagnosticados com esquizofrenia e outros transtornos psicóticos no contexto da atenção psicossocial. No cotidiano clínico do serviço, marcado por situações de sofrimento psíquico intenso, crises recorrentes e vulnerabilidade social, foi possível observar que, para além das manifestações sintomatológicas, muitos usuários expressavam atitudes que indicavam a permanência de aspectos salutares, ainda que de modo residual. Entre essas manifestações destacaram-se atitudes de cuidado com familiares e outros usuários do serviço, reflexões sobre a própria trajetória de vida, expressões de arrependimento e desejo de mudança, tentativas de reorganização de projetos pessoais e preocupações morais relacionadas às próprias ações e responsabilidades. Tais expressões, frequentemente discretas ou pouco valorizadas no registro clínico tradicional, podem ser compreendidas à luz da Logoterapia como indicadores da presença da dimensão noética da pessoa, mesmo diante do sofrimento psicótico. A experiência também evidenciou que a forma como os profissionais interpretam e registram a experiência do usuário pode favorecer ou obscurecer a percepção dessas manifestações existenciais. Em muitos casos, expressões relacionadas a valores, sentido de vida ou transcendência tendem a ser reduzidas a sintomas ou não são incorporadas às estratégias de cuidado. A perspectiva frankliana, ao afirmar a integridade essencial da dimensão espiritual da pessoa, oferece um horizonte antropológico que permite reconhecer tais manifestações como parte constitutiva da existência humana e como recursos potenciais no processo terapêutico. Nesse sentido, a prática clínica inspirada na Logoterapia pode contribuir para ampliar a escuta profissional no campo da saúde mental, orientando o cuidado para aquilo que permanece saudável no sujeito. Tal abordagem favorece o fortalecimento da relação terapêutica, o reconhecimento da singularidade da pessoa e a construção de intervenções que considerem a dimensão existencial da experiência humana. As reflexões apresentadas integram o percurso inicial de uma pesquisa de doutorado em andamento e apontam para a relevância de se aprofundar investigações sobre o caráter transmórbido do espírito em pessoas com transtornos psicóticos no contexto da atenção psicossocial.

  • Palavras-chave
  • Saúde Mental; Atenção Psicossocial; Psicose; Logoterapia; Antropologia Frankliana.
  • Área Temática
  • Psicologia
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O XIII Congresso Brasileiro de Logoterapia e Análise Existencial (CBLAE 2026) ocorreu entre os dias 26 e 29 de agosto de 2026 na Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), em Feira de Santana, na Bahia.

Com o tema central “Sentido na Vida e Dignidade Humana”, o congresso ofereceu quatro dias de uma intensa programação dedicada ao estudo, à atualização e à difusão do legado de Viktor Frankl. Foram realizados minicursos de pré-congresso, conferências, outorga do Prêmio Viktor Frankl, apresentações de trabalhos científicos, e mesas-redondas.

Promovido bianualmente, o CBLAE agrega pessoas interessadas na visão frankliana. É o evento de maior relevância nacional da área, constituindo um espaço privilegiado para o encontro e o diálogo entre representantes da academia, da clínica psicológica, da educação e diferentes campos da saúde. A programação favoreceu a discussão sobre temas contemporâneos relacionados à pesquisa, à inovação e às aplicações da Logoterapia no Brasil e no mundo.

Viktor Frankl legou os fundamentos da Logoterapia e Análise Existencial e, ao mesmo tempo, convocou as gerações futuras para continuar este legado. Ele não considerava seus conceitos como um sistema fechado, mas como um saber aberto e dinâmico, a ser constantemente estudado, aprofundado e atualizado. Em sintonia com essa perspectiva a ABLAE e o CBLAE entende que esta é uma missão desta geração de logoterapeutas.

Os Anais do CBLAE 2026 reúnem 73 trabalhos, apresentados oralmente em salas paralelas na tarde do dia 28/08 e na manhã do dia 29/08. Foram momentos de discussões frutíferas entre professores, estudantes de graduação e pós-graduação e profissionais da psicologia, enfermagem, educação, filosofia e outras áreas do conhecimento.

Prezados estudiosos da Logoterapia e Análise Existencial aqui está a apresentação dos resumos dos trabalhos orais apresentados. São textos que expandem a compreensão entendimento dos pensamentos franklianos. Desejamos que seja uma leitura profícua, desperte novas reflexões e favoreça o diálogo entre leitores e autores, ampliando o entendimento e o desenvolvimento da abordagem que tem como centro o sentido na vida.

Prof. Dr. Flávio Luiz Honorato da Silva
(Coordenador da Comissão Científica do CBLAE 2026)

Os resumos de trabalhos deverão ter como fundamento básico a Logoterapia e Análise Existencial de Viktor Frankl (LAE). 

O texto do resumo deve ser colado no formulário e conter de 300 a 800 palavras. Não é necessário citar referências.

Todos os trabalhos serão apresentados oralmente e de modo presencial e posteriormente publicados nos anais. Haverá premiação dos melhores trabalhos.

Áreas temáticas:

Psicologia 
Educação
Enfermagem
Saúde
Ciências da Religião
Filosofia
Outras áreas
Categoria:

Pesquisa empírica:  trabalhos que apresentam resultados obtidos a partir de coleta e análise sistemática de dados (quantativos e/ou qualitativos), com método explicitado. Exemplos de metodologias comuns: estudo transversal (survey/questionário/entrevista), estudo longitudinal, estudo quase-experimental, estudo correlacional, validação/adaptação de instrumentos, estudo qualitativo (fenomenologia, análise temática, teoria fundamentada, etnografia), métodos mistos, etc.
Relato de experiência e práticas profissionais:  trabalhos que descrevem e analisam criticamente uma prática, intervenção, projeto ou ação profissional (clínica, educação, saúde, assistência, organizações etc.), destacando contexto, tomada de decisão e aprendizados. Exemplos de metodologias comuns: relato técnico fundamentado, pesquisa-ação, avaliação de processo, avaliação de programa/intervenção (com indicadores simples), triangulação de registros (diários de campo, observação, feedback de participantes).
Trabalho teórico-conceitual: trabalhos voltados ao aprofundamento teórico, discussão conceitual e elaboração de argumentos com base em literatura pertinente, podendo articular Logoterapia/Análise Existencial com temas e campos correlatos. Exemplos de metodologias comuns: ensaio teórico, análise conceitual, revisão de literatura (narrativa, integrativa, escopo), abordagens hermenêuticas/interpretativas de textos (quando cabível), comparação de modelos teóricos.
Produtos, tecnologias e inovação: propostas que apresentam um produto/solução aplicável (material, protocolo, instrumento, roteiro, recurso educativo), com descrição do desenvolvimento, fundamentação e uso potencial. Exemplos de metodologias comuns: prototipagem e iteração, validação de conteúdo, estudo piloto, avaliação de usabilidade/aceitabilidade, avaliação preliminar de efetividade (pré–pós, feedback estruturado).
Idioma da Submissão:

Português
Espanhol 
Máximo de autores (e co-autores) por trabalho: 6

Máximo de trabalhos permitidos por autor: 2

Máximo de trabalhos permitidos por co-autor: 6

O primeiro autor deve estar inscrito no evento e conferir a confirmação de submissão em seu email. Caso não receba a confirmação, a submissão pode não ter sido realizada. 

Coordenação Geral
David Moises Barreto dos Santos (presidente)
Vinicius Cerqueira Bastos dos Santos
Adriana Braitt Lima

Comissão Científica

Flávio Luiz Honorato da Silva (UFPB) - coordenador
Alisson de Meneses Pontes (UNILIFE)
Benedito Guilherme Falcão Farias (ALVEF)
David Moises Barreto dos Santos (UEFS)
Diogo Arnaldo Corrêa (UMC)
Elaine Custódio Rodrigues Gusmão (UFCG)
Flávia Neves Ferreira (UEPB)
Francisca Pereira da Cruz Zubicueta (UFMA)
Francisco Carlos Gomes dos Santos (AGIR3)
Gilvan de Melo Santos (UEPB)
Hermilia Feitosa Junqueira Ayres (UFCG)
Karen Guedes Oliveira (UFPB)
Katia Vanessa Pinto de Meneses (UnB)
Lisieux D'Jesus Luzia de Araújo Rocha (FCC)
Lorena Bandeira Melo de Sá (UNINASSAU)
Lílian Perdigão Caixêta Reis (UFV)
Marcos Vinicius da Costa Meireles (IFG)
Maria Helena Budal da Silva (Escola de Logoterapia)
Paulo Kroeff (UFRGS)
Rouseane da Silva Paula Queiroz (UERN)
Sandrelena da Silva Monteiro (UFJF)
Sarah Xavier Vasconcelos de Fialho Rodrigues (UNILIFE)
Sheila Maria Hesketh Rabuske (ALVEF)
Silvania Rita Ramos (SOBRAL)
Simone Guedes Alves Gomes dos Santos (AGIR3)
Solange Santos de Freitas (Núcleo Mineiro de Logoterapia)
Tatiana Oliveira de Carvalho (TJMA)
Vinícius Cerqueira Bastos dos Santos (UEFS)