Educação para o Sentido: aproximações conceituais entre a Logoterapia e o Sistema Preventivo de Dom Bosco

  • Autor
  • Montegômere do Nascimento Simão
  • Co-autores
  • Magno de Carvalho Xavier
  • Resumo
  • A reflexão contemporânea sobre os fundamentos da educação tem evidenciado a necessidade de abordagens que integrem a dimensão existencial ao processo formativo, superando modelos centrados exclusivamente na transmissão de conteúdos. Nesse contexto, destaca-se a relevância de perspectivas que reconhecem o ser humano como sujeito livre, responsável e orientado à busca de sentido. À luz dessa problemática, o presente estudo caracteriza-se como um trabalho teórico-conceitual, de abordagem analítico-comparativa, baseado na análise das categorias centrais da Logoterapia, desenvolvida por Viktor Frankl, e do Sistema Preventivo, fundamento da Pedagogia Salesiana proposta por Dom Bosco, com ênfase na identificação de convergências e divergências conceituais. O procedimento metodológico consistiu na seleção e análise das categorias fundamentais de ambos os referenciais, seguida de sua comparação sistemática, visando explicitar pontos de aproximação, tensões conceituais e limites da articulação proposta. O objetivo consiste em examinar os pontos de aproximação e distinção entre esses referenciais, bem como propor um modelo integrador orientado à compreensão da educação como processo formativo voltado ao sentido da vida.

    A análise evidencia convergências significativas no plano antropológico, sobretudo no reconhecimento da liberdade da vontade e da responsabilidade como dimensões constitutivas da existência humana. Ambas as perspectivas rejeitam compreensões deterministas, enfatizando a capacidade do sujeito de posicionar-se diante das circunstâncias e orientar suas escolhas a partir de valores. No entanto, essa aproximação não se sustenta de maneira homogênea em todas as dimensões conceituais. No que se refere à transcendência, observa-se uma distinção fundamental: na Logoterapia, a autotranscendência configura-se como uma categoria noética, vinculada à abertura do sujeito ao sentido e à realização de valores que o ultrapassam, sem implicar necessariamente adesão a sistemas religiosos específicos; por sua vez, no Sistema Preventivo, a religião assume caráter explicitamente formativo, integrando-se à prática educativa como mediação orientadora da vida moral e espiritual. Desse modo, embora seja possível estabelecer uma correlação entre autotranscendência e religiosidade no que se refere à abertura ao que transcende o indivíduo, tal aproximação exige rigor analítico, uma vez que a primeira constitui uma estrutura existencial universal, enquanto a segunda se insere em um horizonte pedagógico historicamente situado. Essa distinção indica que a articulação entre os referenciais se sustenta com maior consistência no nível antropológico do que no plano de suas mediações concretas, evidenciando limites importantes para propostas integradoras.

    A partir dessas convergências e divergências, propõe-se um modelo conceitual integrador no qual os fundamentos antropológicos da Logoterapia operam como base interpretativa, enquanto o Sistema Preventivo se configura como mediação pedagógica. Tal articulação permite compreender o processo educativo como espaço de desenvolvimento da consciência, da liberdade responsável e do protagonismo existencial, no qual o educando é chamado a responder às demandas de sentido presentes nas situações concretas da vida. Nesse horizonte, a educação deixa de ser compreendida como mera transmissão de saberes, passando a configurar-se como processo de formação integral orientado pela descoberta e realização de valores, implicando uma compreensão ampliada do papel do educador e das dinâmicas formativas.

    No que se refere à aplicabilidade, ainda que o presente estudo não se constitua como investigação empírica, evidencia-se que o modelo proposto pode operar como referencial teórico para práticas educativas voltadas à formação existencial, especialmente em contextos nos quais se observa fragilização de sentido e dificuldades de posicionamento diante das circunstâncias. Ao articular a compreensão frankliana da liberdade e da vontade de sentido com as mediações pedagógicas da razão, religião e amorevolezza, torna-se possível sustentar processos formativos que favoreçam o discernimento, a tomada de decisão e a construção de respostas responsáveis às situações concretas da vida. Nesse contexto, o educador assume a função de mediador de processos de significação, contribuindo para que o sujeito desenvolva sua capacidade de orientar a própria vida a partir de valores e sentidos singulares. Tal perspectiva desloca o foco da ação educativa de uma lógica normativa para uma abordagem centrada na formação da consciência e na responsabilidade existencial, sem reduzir a dimensão noética a uma perspectiva exclusivamente confessional, preservando, assim, o rigor conceitual da articulação proposta.

    Conclui-se que o diálogo entre esses referenciais possibilita ampliar a compreensão da educação como experiência formativa que integra liberdade, responsabilidade e sentido da vida. A proposta apresenta-se, assim, como um horizonte teórico consistente para fundamentar práticas educativas comprometidas com o desenvolvimento humano integral, mantendo, contudo, o rigor necessário na distinção entre seus pressupostos conceituais.

  • Palavras-chave
  • Sistema Preventivo. Logoterapia. Educação para o sentido.
  • Área Temática
  • Educação
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O XIII Congresso Brasileiro de Logoterapia e Análise Existencial (CBLAE 2026) ocorreu entre os dias 26 e 29 de agosto de 2026 na Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), em Feira de Santana, na Bahia.

Com o tema central “Sentido na Vida e Dignidade Humana”, o congresso ofereceu quatro dias de uma intensa programação dedicada ao estudo, à atualização e à difusão do legado de Viktor Frankl. Foram realizados minicursos de pré-congresso, conferências, outorga do Prêmio Viktor Frankl, apresentações de trabalhos científicos, e mesas-redondas.

Promovido bianualmente, o CBLAE agrega pessoas interessadas na visão frankliana. É o evento de maior relevância nacional da área, constituindo um espaço privilegiado para o encontro e o diálogo entre representantes da academia, da clínica psicológica, da educação e diferentes campos da saúde. A programação favoreceu a discussão sobre temas contemporâneos relacionados à pesquisa, à inovação e às aplicações da Logoterapia no Brasil e no mundo.

Viktor Frankl legou os fundamentos da Logoterapia e Análise Existencial e, ao mesmo tempo, convocou as gerações futuras para continuar este legado. Ele não considerava seus conceitos como um sistema fechado, mas como um saber aberto e dinâmico, a ser constantemente estudado, aprofundado e atualizado. Em sintonia com essa perspectiva a ABLAE e o CBLAE entende que esta é uma missão desta geração de logoterapeutas.

Os Anais do CBLAE 2026 reúnem 73 trabalhos, apresentados oralmente em salas paralelas na tarde do dia 28/08 e na manhã do dia 29/08. Foram momentos de discussões frutíferas entre professores, estudantes de graduação e pós-graduação e profissionais da psicologia, enfermagem, educação, filosofia e outras áreas do conhecimento.

Prezados estudiosos da Logoterapia e Análise Existencial aqui está a apresentação dos resumos dos trabalhos orais apresentados. São textos que expandem a compreensão entendimento dos pensamentos franklianos. Desejamos que seja uma leitura profícua, desperte novas reflexões e favoreça o diálogo entre leitores e autores, ampliando o entendimento e o desenvolvimento da abordagem que tem como centro o sentido na vida.

Prof. Dr. Flávio Luiz Honorato da Silva
(Coordenador da Comissão Científica do CBLAE 2026)

Os resumos de trabalhos deverão ter como fundamento básico a Logoterapia e Análise Existencial de Viktor Frankl (LAE). 

O texto do resumo deve ser colado no formulário e conter de 300 a 800 palavras. Não é necessário citar referências.

Todos os trabalhos serão apresentados oralmente e de modo presencial e posteriormente publicados nos anais. Haverá premiação dos melhores trabalhos.

Áreas temáticas:

Psicologia 
Educação
Enfermagem
Saúde
Ciências da Religião
Filosofia
Outras áreas
Categoria:

Pesquisa empírica:  trabalhos que apresentam resultados obtidos a partir de coleta e análise sistemática de dados (quantativos e/ou qualitativos), com método explicitado. Exemplos de metodologias comuns: estudo transversal (survey/questionário/entrevista), estudo longitudinal, estudo quase-experimental, estudo correlacional, validação/adaptação de instrumentos, estudo qualitativo (fenomenologia, análise temática, teoria fundamentada, etnografia), métodos mistos, etc.
Relato de experiência e práticas profissionais:  trabalhos que descrevem e analisam criticamente uma prática, intervenção, projeto ou ação profissional (clínica, educação, saúde, assistência, organizações etc.), destacando contexto, tomada de decisão e aprendizados. Exemplos de metodologias comuns: relato técnico fundamentado, pesquisa-ação, avaliação de processo, avaliação de programa/intervenção (com indicadores simples), triangulação de registros (diários de campo, observação, feedback de participantes).
Trabalho teórico-conceitual: trabalhos voltados ao aprofundamento teórico, discussão conceitual e elaboração de argumentos com base em literatura pertinente, podendo articular Logoterapia/Análise Existencial com temas e campos correlatos. Exemplos de metodologias comuns: ensaio teórico, análise conceitual, revisão de literatura (narrativa, integrativa, escopo), abordagens hermenêuticas/interpretativas de textos (quando cabível), comparação de modelos teóricos.
Produtos, tecnologias e inovação: propostas que apresentam um produto/solução aplicável (material, protocolo, instrumento, roteiro, recurso educativo), com descrição do desenvolvimento, fundamentação e uso potencial. Exemplos de metodologias comuns: prototipagem e iteração, validação de conteúdo, estudo piloto, avaliação de usabilidade/aceitabilidade, avaliação preliminar de efetividade (pré–pós, feedback estruturado).
Idioma da Submissão:

Português
Espanhol 
Máximo de autores (e co-autores) por trabalho: 6

Máximo de trabalhos permitidos por autor: 2

Máximo de trabalhos permitidos por co-autor: 6

O primeiro autor deve estar inscrito no evento e conferir a confirmação de submissão em seu email. Caso não receba a confirmação, a submissão pode não ter sido realizada. 

Coordenação Geral
David Moises Barreto dos Santos (presidente)
Vinicius Cerqueira Bastos dos Santos
Adriana Braitt Lima

Comissão Científica

Flávio Luiz Honorato da Silva (UFPB) - coordenador
Alisson de Meneses Pontes (UNILIFE)
Benedito Guilherme Falcão Farias (ALVEF)
David Moises Barreto dos Santos (UEFS)
Diogo Arnaldo Corrêa (UMC)
Elaine Custódio Rodrigues Gusmão (UFCG)
Flávia Neves Ferreira (UEPB)
Francisca Pereira da Cruz Zubicueta (UFMA)
Francisco Carlos Gomes dos Santos (AGIR3)
Gilvan de Melo Santos (UEPB)
Hermilia Feitosa Junqueira Ayres (UFCG)
Karen Guedes Oliveira (UFPB)
Katia Vanessa Pinto de Meneses (UnB)
Lisieux D'Jesus Luzia de Araújo Rocha (FCC)
Lorena Bandeira Melo de Sá (UNINASSAU)
Lílian Perdigão Caixêta Reis (UFV)
Marcos Vinicius da Costa Meireles (IFG)
Maria Helena Budal da Silva (Escola de Logoterapia)
Paulo Kroeff (UFRGS)
Rouseane da Silva Paula Queiroz (UERN)
Sandrelena da Silva Monteiro (UFJF)
Sarah Xavier Vasconcelos de Fialho Rodrigues (UNILIFE)
Sheila Maria Hesketh Rabuske (ALVEF)
Silvania Rita Ramos (SOBRAL)
Simone Guedes Alves Gomes dos Santos (AGIR3)
Solange Santos de Freitas (Núcleo Mineiro de Logoterapia)
Tatiana Oliveira de Carvalho (TJMA)
Vinícius Cerqueira Bastos dos Santos (UEFS)