Este trabalho insere-se no campo da Psicologia e da Comunicação Social, com o objetivo de investigar como as crenças na responsabilidade ética de jornalistas e influenciadores digitais constituem atitudes orientadas para o sentido da vida, a partir da perspectiva da Logoterapia e Análise Existencial de Viktor Frankl. Em um cenário contemporâneo marcado pela intensificação da comunicação digital, pela fragmentação da verdade e pela crescente crise de credibilidade das instituições midiáticas, torna-se urgente compreender os fundamentos psicológicos e filosóficos que sustentam a atuação ética dos comunicadores de massa.
A pesquisa parte do pressuposto de que a comunicação não é apenas um fenômeno técnico ou informacional, mas um ato profundamente humano, dotado de implicações existenciais, morais e sociais. Nesse sentido, a atuação do jornalista e do influenciador digital ultrapassa a simples mediação de informações, assumindo um papel formador de consciência coletiva. Assim, investiga-se de que modo as crenças individuais acerca da responsabilidade ética influenciam a construção de atitudes profissionais comprometidas com a verdade, o sentido e a dignidade humana.
Do ponto de vista teórico, o estudo articula contribuições da Psicologia Social, especialmente no que se refere ao conceito de atitude, com fundamentos filosóficos clássicos e contemporâneos sobre ética e verdade, além da teoria logoterapêutica de Viktor Frankl. A atitude é compreendida como uma predisposição organizada de natureza cognitiva, afetiva e comportamental, que orienta a ação do sujeito diante da realidade (RODRIGUES, 1972; ALLPORT, 1935). No entanto, avança-se para além da definição clássica ao incorporar a dimensão noética proposta por Frankl (1989), na qual o ser humano é concebido como um ser orientado pelo sentido, capaz de assumir uma posição responsável frente às circunstâncias.
A Logoterapia oferece, portanto, um referencial central para esta análise, ao afirmar que a principal motivação humana é a vontade de sentido, e que a liberdade humana está intrinsecamente vinculada à responsabilidade. Nesse contexto, a responsabilidade ética não é entendida apenas como cumprimento de normas externas, mas como uma resposta consciente e intencional ao chamado do sentido presente em cada situação concreta. Aplicada ao campo da comunicação, essa perspectiva implica reconhecer que cada ato comunicativo carrega uma dimensão ética inescapável, na medida em que influencia percepções, comportamentos e estruturas sociais.
Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa de natureza qualitativa, de caráter teórico-bibliográfico, que busca integrar diferentes campos do conhecimento para construir uma análise interdisciplinar. A investigação é conduzida a partir da revisão de literatura nas áreas de Psicologia Social, Filosofia, Teoria da Comunicação e Logoterapia, articulando autores clássicos e contemporâneos, como Gordon Allport, Aroldo Rodrigues, Viktor Frankl, Manuel Castells, Eugênio Bucci e Wilson Gomes. A partir dessa base, propõe-se uma reflexão crítica sobre o papel dos comunicadores na sociedade atual, especialmente no contexto das redes sociais digitais.
Os resultados apontam que a crise ética na comunicação de massa não pode ser compreendida apenas como um problema estrutural ou institucional, mas também como uma crise de sentido no nível individual dos comunicadores. A ausência de uma orientação existencial clara favorece a adoção de práticas comunicativas pautadas por interesses imediatistas, polarização ideológica e manipulação da informação. Por outro lado, quando o sujeito se orienta por uma ética fundamentada no sentido, observa-se uma tendência à atuação mais responsável, comprometida com a verdade e com o impacto humano de sua comunicação.
Além disso, o estudo evidencia que os influenciadores digitais emergem como novos agentes de formação de opinião, muitas vezes sem a mediação de princípios éticos consolidados. Esse fenômeno amplia a necessidade de uma formação que vá além das competências técnicas, incorporando uma educação para a responsabilidade ética e existencial. Nesse sentido, defende-se que a Logoterapia oferece uma base sólida para a construção de uma ética da comunicação centrada no sentido da vida, capaz de orientar práticas mais conscientes e humanizadas.
Como contribuição teórica, o trabalho propõe uma ampliação do conceito de atitude, integrando a dimensão noética e a responsabilidade existencial como elementos constitutivos da ação ética. No campo aplicado, sugere-se que os princípios da Logoterapia possam ser incorporados na formação de jornalistas e influenciadores digitais, promovendo uma comunicação mais alinhada com valores humanos universais.
Conclui-se que a responsabilidade ética na comunicação de massa deve ser compreendida como uma atitude orientada pelo sentido da vida, na qual o sujeito assume sua liberdade de escolha de forma consciente e comprometida com o bem comum. Em um contexto de profundas transformações tecnológicas e culturais, essa perspectiva se apresenta como um caminho promissor para a reconstrução da credibilidade e da integridade na comunicação contemporânea.
O XIII Congresso Brasileiro de Logoterapia e Análise Existencial (CBLAE 2026) ocorreu entre os dias 26 e 29 de agosto de 2026 na Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), em Feira de Santana, na Bahia.
Com o tema central “Sentido na Vida e Dignidade Humana”, o congresso ofereceu quatro dias de uma intensa programação dedicada ao estudo, à atualização e à difusão do legado de Viktor Frankl. Foram realizados minicursos de pré-congresso, conferências, outorga do Prêmio Viktor Frankl, apresentações de trabalhos científicos, e mesas-redondas.
Promovido bianualmente, o CBLAE agrega pessoas interessadas na visão frankliana. É o evento de maior relevância nacional da área, constituindo um espaço privilegiado para o encontro e o diálogo entre representantes da academia, da clínica psicológica, da educação e diferentes campos da saúde. A programação favoreceu a discussão sobre temas contemporâneos relacionados à pesquisa, à inovação e às aplicações da Logoterapia no Brasil e no mundo.
Viktor Frankl legou os fundamentos da Logoterapia e Análise Existencial e, ao mesmo tempo, convocou as gerações futuras para continuar este legado. Ele não considerava seus conceitos como um sistema fechado, mas como um saber aberto e dinâmico, a ser constantemente estudado, aprofundado e atualizado. Em sintonia com essa perspectiva a ABLAE e o CBLAE entende que esta é uma missão desta geração de logoterapeutas.
Os Anais do CBLAE 2026 reúnem 73 trabalhos, apresentados oralmente em salas paralelas na tarde do dia 28/08 e na manhã do dia 29/08. Foram momentos de discussões frutíferas entre professores, estudantes de graduação e pós-graduação e profissionais da psicologia, enfermagem, educação, filosofia e outras áreas do conhecimento.
Prezados estudiosos da Logoterapia e Análise Existencial aqui está a apresentação dos resumos dos trabalhos orais apresentados. São textos que expandem a compreensão entendimento dos pensamentos franklianos. Desejamos que seja uma leitura profícua, desperte novas reflexões e favoreça o diálogo entre leitores e autores, ampliando o entendimento e o desenvolvimento da abordagem que tem como centro o sentido na vida.
Prof. Dr. Flávio Luiz Honorato da Silva
(Coordenador da Comissão Científica do CBLAE 2026)
Os resumos de trabalhos deverão ter como fundamento básico a Logoterapia e Análise Existencial de Viktor Frankl (LAE).
O texto do resumo deve ser colado no formulário e conter de 300 a 800 palavras. Não é necessário citar referências.
Todos os trabalhos serão apresentados oralmente e de modo presencial e posteriormente publicados nos anais. Haverá premiação dos melhores trabalhos.
Áreas temáticas:
Psicologia
Educação
Enfermagem
Saúde
Ciências da Religião
Filosofia
Outras áreas
Categoria:
Pesquisa empírica: trabalhos que apresentam resultados obtidos a partir de coleta e análise sistemática de dados (quantativos e/ou qualitativos), com método explicitado. Exemplos de metodologias comuns: estudo transversal (survey/questionário/entrevista), estudo longitudinal, estudo quase-experimental, estudo correlacional, validação/adaptação de instrumentos, estudo qualitativo (fenomenologia, análise temática, teoria fundamentada, etnografia), métodos mistos, etc.
Relato de experiência e práticas profissionais: trabalhos que descrevem e analisam criticamente uma prática, intervenção, projeto ou ação profissional (clínica, educação, saúde, assistência, organizações etc.), destacando contexto, tomada de decisão e aprendizados. Exemplos de metodologias comuns: relato técnico fundamentado, pesquisa-ação, avaliação de processo, avaliação de programa/intervenção (com indicadores simples), triangulação de registros (diários de campo, observação, feedback de participantes).
Trabalho teórico-conceitual: trabalhos voltados ao aprofundamento teórico, discussão conceitual e elaboração de argumentos com base em literatura pertinente, podendo articular Logoterapia/Análise Existencial com temas e campos correlatos. Exemplos de metodologias comuns: ensaio teórico, análise conceitual, revisão de literatura (narrativa, integrativa, escopo), abordagens hermenêuticas/interpretativas de textos (quando cabível), comparação de modelos teóricos.
Produtos, tecnologias e inovação: propostas que apresentam um produto/solução aplicável (material, protocolo, instrumento, roteiro, recurso educativo), com descrição do desenvolvimento, fundamentação e uso potencial. Exemplos de metodologias comuns: prototipagem e iteração, validação de conteúdo, estudo piloto, avaliação de usabilidade/aceitabilidade, avaliação preliminar de efetividade (pré–pós, feedback estruturado).
Idioma da Submissão:
Português
Espanhol
Máximo de autores (e co-autores) por trabalho: 6
Máximo de trabalhos permitidos por autor: 2
Máximo de trabalhos permitidos por co-autor: 6
O primeiro autor deve estar inscrito no evento e conferir a confirmação de submissão em seu email. Caso não receba a confirmação, a submissão pode não ter sido realizada.
Coordenação Geral
David Moises Barreto dos Santos (presidente)
Vinicius Cerqueira Bastos dos Santos
Adriana Braitt Lima
Comissão Científica
Flávio Luiz Honorato da Silva (UFPB) - coordenador
Alisson de Meneses Pontes (UNILIFE)
Benedito Guilherme Falcão Farias (ALVEF)
David Moises Barreto dos Santos (UEFS)
Diogo Arnaldo Corrêa (UMC)
Elaine Custódio Rodrigues Gusmão (UFCG)
Flávia Neves Ferreira (UEPB)
Francisca Pereira da Cruz Zubicueta (UFMA)
Francisco Carlos Gomes dos Santos (AGIR3)
Gilvan de Melo Santos (UEPB)
Hermilia Feitosa Junqueira Ayres (UFCG)
Karen Guedes Oliveira (UFPB)
Katia Vanessa Pinto de Meneses (UnB)
Lisieux D'Jesus Luzia de Araújo Rocha (FCC)
Lorena Bandeira Melo de Sá (UNINASSAU)
Lílian Perdigão Caixêta Reis (UFV)
Marcos Vinicius da Costa Meireles (IFG)
Maria Helena Budal da Silva (Escola de Logoterapia)
Paulo Kroeff (UFRGS)
Rouseane da Silva Paula Queiroz (UERN)
Sandrelena da Silva Monteiro (UFJF)
Sarah Xavier Vasconcelos de Fialho Rodrigues (UNILIFE)
Sheila Maria Hesketh Rabuske (ALVEF)
Silvania Rita Ramos (SOBRAL)
Simone Guedes Alves Gomes dos Santos (AGIR3)
Solange Santos de Freitas (Núcleo Mineiro de Logoterapia)
Tatiana Oliveira de Carvalho (TJMA)
Vinícius Cerqueira Bastos dos Santos (UEFS)