ENCONTRO EXISTENCIAL: O CORAÇÃO DO MÉTODO LOGOTERAPÊUTICO
Resumo
A Logoterapia e Análise Existencial (LAE), desenvolvida por Viktor Frankl, surge com a proposta de humanizar a prática clínica em saúde mental, posicionando-se como alternativa crítica a modelos terapêuticos marcados por reducionismos psicologizantes e naturalistas. Em contraste com abordagens que fragmentam a compreensão da pessoa em dimensões isoladas — biológica, psíquica ou social —, a perspectiva frankliana propõe uma antropologia integral que inclui a dimensão noética. Nessa dimensão se manifestam a liberdade e a responsabilidade humanas, o que possibilita uma abordagem clínica que preserva a dignidade e a singularidade da existência. Nesse contexto, a psicoterapia deixa de ser exclusivamente um procedimento técnico voltado apenas à eliminação de sintomas e passa a se orientar, sobretudo, pela clarificação existencial, permitindo ao indivíduo responder às demandas da vida a partir de valores e sentido que lhe são próprios por meio de uma conversação genuina que se restabelece no encontro existencial entre paciente e logoterapeuta.
Este trabalho tem como objetivo explicitar a concepção de encontro existencial como núcleo ético-metodológico da Logoterapia e Análise Existencial, buscando demonstrar que o encontro não constitui apenas um estilo relacional ou atitude empática do terapeuta, mas representa o princípio estruturante que integra a ontologia, a antropologia e o método clínico da abordagem frankliana.
Trata-se de um estudo teórico-conceitual fundamentado na análise de obras centrais de Viktor Frankl e em contribuições da tradição da psicoterapia existencial. A partir da revisão de literatura de textos escolhidos pelas referencias metodológicas e palavras chaves como encontro existencial, psicoterapia e eu-tu. A investigação consiste na análise interpretativa dos fundamentos filosóficos e antropológicos da LAE, buscando compreender como tais fundamentos se traduzem em orientações metodológicas para a prática clínica.
Tal análise evidencia que, na proposta frankliana, a relação terapêutica assume papel central no processo psicoterapêutico de um modo singular. A partir da perspectiva do encontro existencial, inspirada na tradição do diálogo filosófico e na relação Eu–Tu, o terapeuta não se posiciona como um analista ou um técnico aplicador de métodos, mas como presença que reconhece o outro em sua singularidade e abertura ao sentido. O encontro torna-se, assim, o espaço no qual o sofrimento humano pode ser compreendido sem reducionismos e no qual o consulente é convocado a responder existencialmente às circunstâncias de sua vida. Nesse horizonte, as técnicas logoterapêuticas não se apresentam como procedimentos isolados ou mecanizados, mas como expressões de uma postura ética que preserva a liberdade e a responsabilidade da pessoa. Dessa forma, o encontro existencial revela-se como o princípio organizador do manejo clínico, orientando a escuta, a intervenção e a própria compreensão do sofrimento humano.
Concluiu-se com esse estudo, que o conceito de encontro existencial constitui o coração do método logoterapêutico, articulando fundamentos filosóficos, postura ética e prática clínica. Ao reconhecer o encontro como eixo da relação terapêutica, a Logoterapia reafirma sua vocação humanizadora e previne reducionismos metodológicos que transformam a psicoterapia em aplicação técnica desvinculada de seus fundamentos antropológicos. Assim, compreender o encontro como princípio orientador da prática clínica contribui para preservar o espírito da proposta frankliana e fortalecer uma psicoterapia comprometida com a dignidade, a liberdade e a busca de sentido da pessoa humana.
O XIII Congresso Brasileiro de Logoterapia e Análise Existencial (CBLAE 2026) ocorreu entre os dias 26 e 29 de agosto de 2026 na Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), em Feira de Santana, na Bahia.
Com o tema central “Sentido na Vida e Dignidade Humana”, o congresso ofereceu quatro dias de uma intensa programação dedicada ao estudo, à atualização e à difusão do legado de Viktor Frankl. Foram realizados minicursos de pré-congresso, conferências, outorga do Prêmio Viktor Frankl, apresentações de trabalhos científicos, e mesas-redondas.
Promovido bianualmente, o CBLAE agrega pessoas interessadas na visão frankliana. É o evento de maior relevância nacional da área, constituindo um espaço privilegiado para o encontro e o diálogo entre representantes da academia, da clínica psicológica, da educação e diferentes campos da saúde. A programação favoreceu a discussão sobre temas contemporâneos relacionados à pesquisa, à inovação e às aplicações da Logoterapia no Brasil e no mundo.
Viktor Frankl legou os fundamentos da Logoterapia e Análise Existencial e, ao mesmo tempo, convocou as gerações futuras para continuar este legado. Ele não considerava seus conceitos como um sistema fechado, mas como um saber aberto e dinâmico, a ser constantemente estudado, aprofundado e atualizado. Em sintonia com essa perspectiva a ABLAE e o CBLAE entende que esta é uma missão desta geração de logoterapeutas.
Os Anais do CBLAE 2026 reúnem 73 trabalhos, apresentados oralmente em salas paralelas na tarde do dia 28/08 e na manhã do dia 29/08. Foram momentos de discussões frutíferas entre professores, estudantes de graduação e pós-graduação e profissionais da psicologia, enfermagem, educação, filosofia e outras áreas do conhecimento.
Prezados estudiosos da Logoterapia e Análise Existencial aqui está a apresentação dos resumos dos trabalhos orais apresentados. São textos que expandem a compreensão entendimento dos pensamentos franklianos. Desejamos que seja uma leitura profícua, desperte novas reflexões e favoreça o diálogo entre leitores e autores, ampliando o entendimento e o desenvolvimento da abordagem que tem como centro o sentido na vida.
Prof. Dr. Flávio Luiz Honorato da Silva
(Coordenador da Comissão Científica do CBLAE 2026)
Os resumos de trabalhos deverão ter como fundamento básico a Logoterapia e Análise Existencial de Viktor Frankl (LAE).
O texto do resumo deve ser colado no formulário e conter de 300 a 800 palavras. Não é necessário citar referências.
Todos os trabalhos serão apresentados oralmente e de modo presencial e posteriormente publicados nos anais. Haverá premiação dos melhores trabalhos.
Áreas temáticas:
Psicologia
Educação
Enfermagem
Saúde
Ciências da Religião
Filosofia
Outras áreas
Categoria:
Pesquisa empírica: trabalhos que apresentam resultados obtidos a partir de coleta e análise sistemática de dados (quantativos e/ou qualitativos), com método explicitado. Exemplos de metodologias comuns: estudo transversal (survey/questionário/entrevista), estudo longitudinal, estudo quase-experimental, estudo correlacional, validação/adaptação de instrumentos, estudo qualitativo (fenomenologia, análise temática, teoria fundamentada, etnografia), métodos mistos, etc.
Relato de experiência e práticas profissionais: trabalhos que descrevem e analisam criticamente uma prática, intervenção, projeto ou ação profissional (clínica, educação, saúde, assistência, organizações etc.), destacando contexto, tomada de decisão e aprendizados. Exemplos de metodologias comuns: relato técnico fundamentado, pesquisa-ação, avaliação de processo, avaliação de programa/intervenção (com indicadores simples), triangulação de registros (diários de campo, observação, feedback de participantes).
Trabalho teórico-conceitual: trabalhos voltados ao aprofundamento teórico, discussão conceitual e elaboração de argumentos com base em literatura pertinente, podendo articular Logoterapia/Análise Existencial com temas e campos correlatos. Exemplos de metodologias comuns: ensaio teórico, análise conceitual, revisão de literatura (narrativa, integrativa, escopo), abordagens hermenêuticas/interpretativas de textos (quando cabível), comparação de modelos teóricos.
Produtos, tecnologias e inovação: propostas que apresentam um produto/solução aplicável (material, protocolo, instrumento, roteiro, recurso educativo), com descrição do desenvolvimento, fundamentação e uso potencial. Exemplos de metodologias comuns: prototipagem e iteração, validação de conteúdo, estudo piloto, avaliação de usabilidade/aceitabilidade, avaliação preliminar de efetividade (pré–pós, feedback estruturado).
Idioma da Submissão:
Português
Espanhol
Máximo de autores (e co-autores) por trabalho: 6
Máximo de trabalhos permitidos por autor: 2
Máximo de trabalhos permitidos por co-autor: 6
O primeiro autor deve estar inscrito no evento e conferir a confirmação de submissão em seu email. Caso não receba a confirmação, a submissão pode não ter sido realizada.
Coordenação Geral
David Moises Barreto dos Santos (presidente)
Vinicius Cerqueira Bastos dos Santos
Adriana Braitt Lima
Comissão Científica
Flávio Luiz Honorato da Silva (UFPB) - coordenador
Alisson de Meneses Pontes (UNILIFE)
Benedito Guilherme Falcão Farias (ALVEF)
David Moises Barreto dos Santos (UEFS)
Diogo Arnaldo Corrêa (UMC)
Elaine Custódio Rodrigues Gusmão (UFCG)
Flávia Neves Ferreira (UEPB)
Francisca Pereira da Cruz Zubicueta (UFMA)
Francisco Carlos Gomes dos Santos (AGIR3)
Gilvan de Melo Santos (UEPB)
Hermilia Feitosa Junqueira Ayres (UFCG)
Karen Guedes Oliveira (UFPB)
Katia Vanessa Pinto de Meneses (UnB)
Lisieux D'Jesus Luzia de Araújo Rocha (FCC)
Lorena Bandeira Melo de Sá (UNINASSAU)
Lílian Perdigão Caixêta Reis (UFV)
Marcos Vinicius da Costa Meireles (IFG)
Maria Helena Budal da Silva (Escola de Logoterapia)
Paulo Kroeff (UFRGS)
Rouseane da Silva Paula Queiroz (UERN)
Sandrelena da Silva Monteiro (UFJF)
Sarah Xavier Vasconcelos de Fialho Rodrigues (UNILIFE)
Sheila Maria Hesketh Rabuske (ALVEF)
Silvania Rita Ramos (SOBRAL)
Simone Guedes Alves Gomes dos Santos (AGIR3)
Solange Santos de Freitas (Núcleo Mineiro de Logoterapia)
Tatiana Oliveira de Carvalho (TJMA)
Vinícius Cerqueira Bastos dos Santos (UEFS)