Promoção da dignidade da pessoa idosa: uma experiência interdisciplinar entre Direito e Logoterapia na prevenção da violência patrimonial

  • Autor
  • Ana Claudia da Silva Dufflis
  • Resumo
  •  

    O envelhecimento populacional, fenômeno mundial caracterizado pelo crescimento do número de pessoas com sessenta anos ou mais, vem repercutindo diretamente na dinâmica de vida dos indivíduos, organização das famílias, formulação e ampliação de políticas públicas voltadas a esse segmento, além de impactar a forma como os recursos sociais e econômicos são distribuídos.

    O aumento do número de pessoas idosas em uma determinada população traz inúmeros desafios, dentre eles a necessidade de cuidado e de atenção às condições em que essas pessoas vivem. Em muitos casos, dificuldades emocionais, cognitivas e sociais podem ampliar a vulnerabilidade da pessoa idosa, limitando sua capacidade de se proteger e identificar situações de risco. Tal contexto contribui para a ocorrência de violações de direitos, com destaque para a violência patrimonial e financeira, temática central do presente relato.

    Considera-se violência patrimonial ou financeira contra a pessoa idosa toda forma de uso, apropriação ou exploração indevida de seus bens e recursos financeiros, praticada por pessoa ou instituição, que comprometa sua dignidade, subsistência e direitos de cidadania (BRASIL, 2025). Tal prática viola diretamente o princípio da dignidade da pessoa humana, fundamento da Constituição Brasileira (art. 1º, III), que assegura o respeito à integridade física e moral, o mínimo existencial para uma vida digna e veda tratamentos desumanos ou degradantes.

    Já sob a perspectiva da Logoterapia, abordagem psicológica proposta por Viktor Frankl, a dignidade humana é uma característica inerente ao ser humano por sua própria condição de ser pessoa, entendida como um valor intrínseco e incondicional, que não se perde mesmo diante de condições de vulnerabilidade, sofrimento ou limitações próprias do envelhecer. Tal perspectiva contribui para uma abordagem ampliada do cuidado à pessoa idosa, ao considerar não apenas seus direitos, mas também sua dimensão existencial, singularidade e unicidade.

    O presente trabalho tem como objetivo relatar a experiência de uma ação educativa interdisciplinar voltada à promoção da dignidade da pessoa idosa e à prevenção da violência patrimonial, realizada em parceria com a Defensoria Pública. Trata-se de um relato de experiência de intervenção psicoeducativa desenvolvida com grupo de pessoas idosas, conduzida por uma psicóloga e uma defensora pública, integrando conhecimentos da Psicologia e do Direito.

    A atividade abordou, no âmbito psicológico, aspectos relacionados à dignidade humana, às vulnerabilidades na velhice e aos riscos associados a golpes e abusos patrimoniais, incluindo a discussão sobre o perfil de abusadores e fatores de risco. A partir da abordagem logoterapêutica, buscou-se promover reflexão sobre o valor da vida, a dignidade da pessoa humana, autonomia e responsabilidade pessoal. No campo jurídico, foram apresentadas informações sobre os direitos da pessoa idosa, tipos de violência patrimonial, estratégias de prevenção, orientações sobre canais de denúncia e instrumentos jurídicos para reparação.

    A experiência ora relatada aconteceu em maio de 2026, na Escola Superior da Defensoria Pública de Roraima. Como estratégia metodológica, utilizou-se a roda de conversa, caracterizada por um espaço de diálogo e acolhimento, no qual os participantes foram convidados a compartilhar vivências, percepções e saberes, favorecendo a construção coletiva de conhecimento. Participaram 16 pessoas idosas, de 60 a 82 anos, integrantes do Programa Social de Extensão à Pessoa Idosa (Universidade Estadual de Roraima), que foram incentivadas a relatar suas experiências relacionadas ao tema, o que possibilitou uma troca rica, significativa e permeada por reflexões críticas. A atividade iniciou com uma dinâmica para integração do grupo, seguida da fala das facilitadoras e durou cerca de duas horas, com intervalo para coffee break.

    Observou-se significativa participação e engajamento dos participantes, que demonstraram interesse pelos conteúdos abordados e relataram satisfação com a iniciativa, corroborando, através de seus relatos, terem vivenciado ou testemunhado situações parecidas. A ação favoreceu a ampliação do conhecimento sobre direitos, o reconhecimento de situações de risco e o fortalecimento da autonomia e da consciência crítica dos participantes.

    A realização da atividade se justificou diante do grande número de pessoas idosas vítimas de violência patrimonial, principalmente golpes e estelionatos. Dados da Defensoria Pública de Roraima (2025) indicam que mais de 5% dos atendimentos cíveis foram relacionados a empréstimos fraudulentos praticados contra pessoas idosas. Parte dessas demandas envolve aposentados, que têm sua subsistência comprometida por tais transações. Trata-se de ponto de especial relevância, considerado o envelhecimento da população e a facilidade de perpetração de golpes no ambiente virtual. 

    Conclui-se que ações educativas interdisciplinares, que integram saberes da Psicologia e do Direito, constituem estratégias relevantes na prevenção da violência patrimonial e na promoção da dignidade da pessoa idosa. Destaca-se a importância da ampliação de iniciativas dessa natureza, especialmente no contexto do envelhecimento populacional, como forma de fortalecer redes de proteção e promover o cuidado integral ao público em questão.

     

     

     

  • Palavras-chave
  • dignidade, violência patrimonial, Logoterapia, Direito, pessoa idosa
  • Área Temática
  • Psicologia
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O XIII Congresso Brasileiro de Logoterapia e Análise Existencial (CBLAE 2026) ocorreu entre os dias 26 e 29 de agosto de 2026 na Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), em Feira de Santana, na Bahia.

Com o tema central “Sentido na Vida e Dignidade Humana”, o congresso ofereceu quatro dias de uma intensa programação dedicada ao estudo, à atualização e à difusão do legado de Viktor Frankl. Foram realizados minicursos de pré-congresso, conferências, outorga do Prêmio Viktor Frankl, apresentações de trabalhos científicos, e mesas-redondas.

Promovido bianualmente, o CBLAE agrega pessoas interessadas na visão frankliana. É o evento de maior relevância nacional da área, constituindo um espaço privilegiado para o encontro e o diálogo entre representantes da academia, da clínica psicológica, da educação e diferentes campos da saúde. A programação favoreceu a discussão sobre temas contemporâneos relacionados à pesquisa, à inovação e às aplicações da Logoterapia no Brasil e no mundo.

Viktor Frankl legou os fundamentos da Logoterapia e Análise Existencial e, ao mesmo tempo, convocou as gerações futuras para continuar este legado. Ele não considerava seus conceitos como um sistema fechado, mas como um saber aberto e dinâmico, a ser constantemente estudado, aprofundado e atualizado. Em sintonia com essa perspectiva a ABLAE e o CBLAE entende que esta é uma missão desta geração de logoterapeutas.

Os Anais do CBLAE 2026 reúnem 73 trabalhos, apresentados oralmente em salas paralelas na tarde do dia 28/08 e na manhã do dia 29/08. Foram momentos de discussões frutíferas entre professores, estudantes de graduação e pós-graduação e profissionais da psicologia, enfermagem, educação, filosofia e outras áreas do conhecimento.

Prezados estudiosos da Logoterapia e Análise Existencial aqui está a apresentação dos resumos dos trabalhos orais apresentados. São textos que expandem a compreensão entendimento dos pensamentos franklianos. Desejamos que seja uma leitura profícua, desperte novas reflexões e favoreça o diálogo entre leitores e autores, ampliando o entendimento e o desenvolvimento da abordagem que tem como centro o sentido na vida.

Prof. Dr. Flávio Luiz Honorato da Silva
(Coordenador da Comissão Científica do CBLAE 2026)

Os resumos de trabalhos deverão ter como fundamento básico a Logoterapia e Análise Existencial de Viktor Frankl (LAE). 

O texto do resumo deve ser colado no formulário e conter de 300 a 800 palavras. Não é necessário citar referências.

Todos os trabalhos serão apresentados oralmente e de modo presencial e posteriormente publicados nos anais. Haverá premiação dos melhores trabalhos.

Áreas temáticas:

Psicologia 
Educação
Enfermagem
Saúde
Ciências da Religião
Filosofia
Outras áreas
Categoria:

Pesquisa empírica:  trabalhos que apresentam resultados obtidos a partir de coleta e análise sistemática de dados (quantativos e/ou qualitativos), com método explicitado. Exemplos de metodologias comuns: estudo transversal (survey/questionário/entrevista), estudo longitudinal, estudo quase-experimental, estudo correlacional, validação/adaptação de instrumentos, estudo qualitativo (fenomenologia, análise temática, teoria fundamentada, etnografia), métodos mistos, etc.
Relato de experiência e práticas profissionais:  trabalhos que descrevem e analisam criticamente uma prática, intervenção, projeto ou ação profissional (clínica, educação, saúde, assistência, organizações etc.), destacando contexto, tomada de decisão e aprendizados. Exemplos de metodologias comuns: relato técnico fundamentado, pesquisa-ação, avaliação de processo, avaliação de programa/intervenção (com indicadores simples), triangulação de registros (diários de campo, observação, feedback de participantes).
Trabalho teórico-conceitual: trabalhos voltados ao aprofundamento teórico, discussão conceitual e elaboração de argumentos com base em literatura pertinente, podendo articular Logoterapia/Análise Existencial com temas e campos correlatos. Exemplos de metodologias comuns: ensaio teórico, análise conceitual, revisão de literatura (narrativa, integrativa, escopo), abordagens hermenêuticas/interpretativas de textos (quando cabível), comparação de modelos teóricos.
Produtos, tecnologias e inovação: propostas que apresentam um produto/solução aplicável (material, protocolo, instrumento, roteiro, recurso educativo), com descrição do desenvolvimento, fundamentação e uso potencial. Exemplos de metodologias comuns: prototipagem e iteração, validação de conteúdo, estudo piloto, avaliação de usabilidade/aceitabilidade, avaliação preliminar de efetividade (pré–pós, feedback estruturado).
Idioma da Submissão:

Português
Espanhol 
Máximo de autores (e co-autores) por trabalho: 6

Máximo de trabalhos permitidos por autor: 2

Máximo de trabalhos permitidos por co-autor: 6

O primeiro autor deve estar inscrito no evento e conferir a confirmação de submissão em seu email. Caso não receba a confirmação, a submissão pode não ter sido realizada. 

Coordenação Geral
David Moises Barreto dos Santos (presidente)
Vinicius Cerqueira Bastos dos Santos
Adriana Braitt Lima

Comissão Científica

Flávio Luiz Honorato da Silva (UFPB) - coordenador
Alisson de Meneses Pontes (UNILIFE)
Benedito Guilherme Falcão Farias (ALVEF)
David Moises Barreto dos Santos (UEFS)
Diogo Arnaldo Corrêa (UMC)
Elaine Custódio Rodrigues Gusmão (UFCG)
Flávia Neves Ferreira (UEPB)
Francisca Pereira da Cruz Zubicueta (UFMA)
Francisco Carlos Gomes dos Santos (AGIR3)
Gilvan de Melo Santos (UEPB)
Hermilia Feitosa Junqueira Ayres (UFCG)
Karen Guedes Oliveira (UFPB)
Katia Vanessa Pinto de Meneses (UnB)
Lisieux D'Jesus Luzia de Araújo Rocha (FCC)
Lorena Bandeira Melo de Sá (UNINASSAU)
Lílian Perdigão Caixêta Reis (UFV)
Marcos Vinicius da Costa Meireles (IFG)
Maria Helena Budal da Silva (Escola de Logoterapia)
Paulo Kroeff (UFRGS)
Rouseane da Silva Paula Queiroz (UERN)
Sandrelena da Silva Monteiro (UFJF)
Sarah Xavier Vasconcelos de Fialho Rodrigues (UNILIFE)
Sheila Maria Hesketh Rabuske (ALVEF)
Silvania Rita Ramos (SOBRAL)
Simone Guedes Alves Gomes dos Santos (AGIR3)
Solange Santos de Freitas (Núcleo Mineiro de Logoterapia)
Tatiana Oliveira de Carvalho (TJMA)
Vinícius Cerqueira Bastos dos Santos (UEFS)