Identidade funcional, sentido e dignidade na aposentadoria: análise das repercussões nas relações familiares.

  • Autor
  • ELISABETE GÓES SILVA PEREIRA MUNIZ
  • Co-autores
  • VINÍCIUS CERQUEIRA BASTOS DOS SANTOS
  • Resumo
  •  

    Identidade funcional, sentido e dignidade na aposentadoria: análise das repercussões nas relações familiares. O encerramento do vínculo institucional para servidores públicos efetivos transcende a esfera administrativa, configurando-se como uma transição ontológica. Sob a ótica da Logoterapia e Análise Existencial, a aposentadoria é freqüentemente acompanhada pelo surgimento do vazio existencial, quando a identidade pessoal é reduzida ao papel profissional. Diante de uma sociedade, de lógica majoritariamente produtivista e utilitarista - que vincula a dignidade da pessoa à sua utilidade econômica, os servidores enfrentam o desafio para preservar sua dignidade e saúde mental após a desvinculação formal. O objetivo principal deste estudo é compreender como a ausência de planejamento de vida para o advento da aposentadoria se correlaciona com a saúde mental e as expectativas pessoais de servidores concursados da Justiça Federal em Salvador, Bahia. Para tanto, foi necessário identificar, na literatura sobre Logoterapia e Análise Existencial, e sentido do trabalho, como se interrelacionam a perda do vínculo laboral e o vazio existencial; as transformações nas estruturas familiares com a aposentadoria e o comum tempo de ócio, os impactos sofridos pelos servidores na transição para a inatividade laboral, além dos aspectos subjetivos negligenciados pela ausência de planejamento para a aposentadoria. A pesquisa caracteriza-se como uma revisão de literatura a partir de um relato de experiência por meio de uma pergunta estruturada a uma servidora pública. A fundamentação teórica ancora-se na Logoterapia de Viktor Frankl, utilizando-se dos conceitos da Análise Existencial para compreender os fenômenos da transição para a aposentadoria, do sentido do trabalho, e do vazio existencial em pessoas inativas profissionalmente no contexto do serviço público. “A relação natural do homem com o seu trabalho profissional, considerado como campo de possível realização criadora de valores e da realização única e plena de si mesmo, sofre muitas vezes um desvio em virtude das circunstâncias dominantes do trabalho” (FRANKL, 2019, p. 207). Observa-se que a acomodação por "tempo de serviço" gera uma estagnação da identidade pessoal em torno do papel funcional, o que torna o rompimento desse vínculo um evento caótico. Embora possuam elevado nível intelectual, nota-se, entre os servidores, a carência de uma cultura de planejamento para a aposentadoria. A velhice, associada pelo senso comum apenas a perdas, intensifica a percepção de aposentadoria à improdutividade. A ausência de novos projetos de vida — sejam voluntários ou remunerados — costuma comprometer a saúde física e mental devido à brusca mudança na rotina. A análise aponta que a manutenção da saúde existencial depende da capacidade do sujeito de autotranscender, encontrando novos valores que dêem suporte à sua dignidade fora dos muros da instituição. Foi entrevistada uma servidora, e, para preservar a sua identidade, o seu respectivo nome é fictício: Vida; obedecendo ao sigilo e cumprindo os procedimentos éticos da prática profissional. A entrevistada Vida respondeu à seguinte pergunta: Você já refletiu sobre sua vida de um modo geral quando estiver aposentada? “Na verdade eu nunca pensei neste assunto. No passado, durante muitos anos, eu tinha apenas a expectativa de aposentar para cuidar dos meus pais. Acontece que, eles partiram antes da minha aposentadoria, então, na minha visão, parar de trabalhar perdeu todo o sentido. Conforme Frankl (2019), a autotranscedência é a própria essência da existência humana e significa que o ser humano é alguém cuja natureza aponta para além de si. Esta potencialidade de sair de si em direção ao outro, para servir é o que proporciona a realização do sujeito, ou seja: “a autotranscendência da existência humana. Ela denota o fato de que o ser humano sempre aponta e se dirige para algo ou alguém diferente de si mesmo” (FRANKL, 2019, p. 135). Conclui-se que a teoria frankliana oferece ferramentas que podem ser úteis para promover um período de aposentadoria que conserve também o sentido de viver, auxiliando o servidor a redescobrir sua identidade pessoal para além do cargo anteriormente ocupado. Todavia, a Logoterapia não atua como um manual determinista; os resultados dependem essencialmente da capacidade de liberdade humana, juntamente ao uso responsável dela, ao responder aos novos apelos da vida, transformando o "fim" da carreira em um novo horizonte de possibilidades. 

     

  • Palavras-chave
  • APOSENTADORIA, SENTIDO, DIGNIDADE, FAMÍLIA, LOGOTERAPIA
  • Área Temática
  • Psicologia
Voltar

O XIII Congresso Brasileiro de Logoterapia e Análise Existencial (CBLAE 2026) ocorreu entre os dias 26 e 29 de agosto de 2026 na Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), em Feira de Santana, na Bahia.

Com o tema central “Sentido na Vida e Dignidade Humana”, o congresso ofereceu quatro dias de uma intensa programação dedicada ao estudo, à atualização e à difusão do legado de Viktor Frankl. Foram realizados minicursos de pré-congresso, conferências, outorga do Prêmio Viktor Frankl, apresentações de trabalhos científicos, e mesas-redondas.

Promovido bianualmente, o CBLAE agrega pessoas interessadas na visão frankliana. É o evento de maior relevância nacional da área, constituindo um espaço privilegiado para o encontro e o diálogo entre representantes da academia, da clínica psicológica, da educação e diferentes campos da saúde. A programação favoreceu a discussão sobre temas contemporâneos relacionados à pesquisa, à inovação e às aplicações da Logoterapia no Brasil e no mundo.

Viktor Frankl legou os fundamentos da Logoterapia e Análise Existencial e, ao mesmo tempo, convocou as gerações futuras para continuar este legado. Ele não considerava seus conceitos como um sistema fechado, mas como um saber aberto e dinâmico, a ser constantemente estudado, aprofundado e atualizado. Em sintonia com essa perspectiva a ABLAE e o CBLAE entende que esta é uma missão desta geração de logoterapeutas.

Os Anais do CBLAE 2026 reúnem 73 trabalhos, apresentados oralmente em salas paralelas na tarde do dia 28/08 e na manhã do dia 29/08. Foram momentos de discussões frutíferas entre professores, estudantes de graduação e pós-graduação e profissionais da psicologia, enfermagem, educação, filosofia e outras áreas do conhecimento.

Prezados estudiosos da Logoterapia e Análise Existencial aqui está a apresentação dos resumos dos trabalhos orais apresentados. São textos que expandem a compreensão entendimento dos pensamentos franklianos. Desejamos que seja uma leitura profícua, desperte novas reflexões e favoreça o diálogo entre leitores e autores, ampliando o entendimento e o desenvolvimento da abordagem que tem como centro o sentido na vida.

Prof. Dr. Flávio Luiz Honorato da Silva
(Coordenador da Comissão Científica do CBLAE 2026)

Os resumos de trabalhos deverão ter como fundamento básico a Logoterapia e Análise Existencial de Viktor Frankl (LAE). 

O texto do resumo deve ser colado no formulário e conter de 300 a 800 palavras. Não é necessário citar referências.

Todos os trabalhos serão apresentados oralmente e de modo presencial e posteriormente publicados nos anais. Haverá premiação dos melhores trabalhos.

Áreas temáticas:

Psicologia 
Educação
Enfermagem
Saúde
Ciências da Religião
Filosofia
Outras áreas
Categoria:

Pesquisa empírica:  trabalhos que apresentam resultados obtidos a partir de coleta e análise sistemática de dados (quantativos e/ou qualitativos), com método explicitado. Exemplos de metodologias comuns: estudo transversal (survey/questionário/entrevista), estudo longitudinal, estudo quase-experimental, estudo correlacional, validação/adaptação de instrumentos, estudo qualitativo (fenomenologia, análise temática, teoria fundamentada, etnografia), métodos mistos, etc.
Relato de experiência e práticas profissionais:  trabalhos que descrevem e analisam criticamente uma prática, intervenção, projeto ou ação profissional (clínica, educação, saúde, assistência, organizações etc.), destacando contexto, tomada de decisão e aprendizados. Exemplos de metodologias comuns: relato técnico fundamentado, pesquisa-ação, avaliação de processo, avaliação de programa/intervenção (com indicadores simples), triangulação de registros (diários de campo, observação, feedback de participantes).
Trabalho teórico-conceitual: trabalhos voltados ao aprofundamento teórico, discussão conceitual e elaboração de argumentos com base em literatura pertinente, podendo articular Logoterapia/Análise Existencial com temas e campos correlatos. Exemplos de metodologias comuns: ensaio teórico, análise conceitual, revisão de literatura (narrativa, integrativa, escopo), abordagens hermenêuticas/interpretativas de textos (quando cabível), comparação de modelos teóricos.
Produtos, tecnologias e inovação: propostas que apresentam um produto/solução aplicável (material, protocolo, instrumento, roteiro, recurso educativo), com descrição do desenvolvimento, fundamentação e uso potencial. Exemplos de metodologias comuns: prototipagem e iteração, validação de conteúdo, estudo piloto, avaliação de usabilidade/aceitabilidade, avaliação preliminar de efetividade (pré–pós, feedback estruturado).
Idioma da Submissão:

Português
Espanhol 
Máximo de autores (e co-autores) por trabalho: 6

Máximo de trabalhos permitidos por autor: 2

Máximo de trabalhos permitidos por co-autor: 6

O primeiro autor deve estar inscrito no evento e conferir a confirmação de submissão em seu email. Caso não receba a confirmação, a submissão pode não ter sido realizada. 

Coordenação Geral
David Moises Barreto dos Santos (presidente)
Vinicius Cerqueira Bastos dos Santos
Adriana Braitt Lima

Comissão Científica

Flávio Luiz Honorato da Silva (UFPB) - coordenador
Alisson de Meneses Pontes (UNILIFE)
Benedito Guilherme Falcão Farias (ALVEF)
David Moises Barreto dos Santos (UEFS)
Diogo Arnaldo Corrêa (UMC)
Elaine Custódio Rodrigues Gusmão (UFCG)
Flávia Neves Ferreira (UEPB)
Francisca Pereira da Cruz Zubicueta (UFMA)
Francisco Carlos Gomes dos Santos (AGIR3)
Gilvan de Melo Santos (UEPB)
Hermilia Feitosa Junqueira Ayres (UFCG)
Karen Guedes Oliveira (UFPB)
Katia Vanessa Pinto de Meneses (UnB)
Lisieux D'Jesus Luzia de Araújo Rocha (FCC)
Lorena Bandeira Melo de Sá (UNINASSAU)
Lílian Perdigão Caixêta Reis (UFV)
Marcos Vinicius da Costa Meireles (IFG)
Maria Helena Budal da Silva (Escola de Logoterapia)
Paulo Kroeff (UFRGS)
Rouseane da Silva Paula Queiroz (UERN)
Sandrelena da Silva Monteiro (UFJF)
Sarah Xavier Vasconcelos de Fialho Rodrigues (UNILIFE)
Sheila Maria Hesketh Rabuske (ALVEF)
Silvania Rita Ramos (SOBRAL)
Simone Guedes Alves Gomes dos Santos (AGIR3)
Solange Santos de Freitas (Núcleo Mineiro de Logoterapia)
Tatiana Oliveira de Carvalho (TJMA)
Vinícius Cerqueira Bastos dos Santos (UEFS)