Sentido na vida é um tema fundamental da existência e atualmente há um crescente interesse e percepção de sua relevância nas diferentes áreas do conhecimento. O objetivo desse trabalho é avaliar ações educativas de introdução à Logoterapia e Análise Existencial no contexto universitário. Essas ações fazem parte do programa de extensão “Caminhos para uma vida com sentido”, desenvolvido pelo Laboratório de Sentido na Vida da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS).
Ao longo de 2025 foram desenvolvidas 17 atividades formativas e gratuitas em três modalidades: 1) cinco encontros formativos com professores da Educação Básica de escolas de três cidades distintas, realizados durante a jornada pedagógica; 2) um grupo de estudos do livro “Sobre o sentido na vida”; 3) onze minicursos de introdução à Logoterapia. As duas últimas foram destinadas ao público geral e realizadas em salas e/ou auditórios da UEFS. Os minicursos trabalharam os seguintes temas: biografia e contexto histórico de Viktor Frankl, visão antropológica do ser humano, liberdade da vontade, vontade de sentido e sentido na vida. Estes foram marcados por um caráter expositivo, com presenças de dinâmicas e aberto ao diálogo interdisciplinar entre e com os participantes. Ao final dos encontros, foram aplicadas fichas de avaliação compostas por itens quantitativos, com escala de Likert de 5 pontos, e qualitativos, sob o objetivo de colher impressões subjetivas dos participantes.
Ao todo, 350 pessoas participaram das dezessete atividades realizadas, com média de participação de 20,7. Essa flutuação se deve à própria natureza da atividade: os encontros formativos foram promovidos pela gestão das escolas visitadas em parte de um turno da jornada pedagógica, o grupo de estudo aconteceu em quatros reuniões semanais de uma hora e meia, e cada minicurso era independente, tinha duração de duas horas e ocorria em dias e horários variados da semana. Enquanto os encontros com professores foram caracterizados por um público mais uniforme, os minicursos formativos e grupos de estudo trouxeram um caráter mais diverso em seus participantes: houve uma presença mais expressiva de estudantes de Psicologia e licenciaturas como Letras e Ciências Biológicas, mas também contando com participantes de outros cursos, além de profissionais de diferentes áreas fora da comunidade acadêmica, como professores e profissionais da Saúde, por exemplo.
Por meio das fichas de avaliação dispostas nestas atividades, pôde-se inferir que todos obtiveram uma média igual ou maior do que 4,4: relevância para a profissão (4,4), relevância para a vida (4,5), cumprimento dos objetivos (4,6), adequação da metodologia (4,4), tempo de duração (4,4), ambiente adequado (4,5), aprendizado de noções de logoterapia (4,5). Adicionalmente, também foi avaliado a satisfação geral de cada participante em relação aos encontros, resultando em uma média de 4,7.
Já no campo qualitativo, as avaliações trouxeram, entre outros aspectos, um recorte subjetivo de aprendizados, que se expressaram principalmente em três grandes categorias:
1) reflexões pessoais sobre a existência, trazendo elaborações entre o conteúdo teórico e a vivência dos participantes, à exemplo dos seguintes depoimentos (33%): “Esse encontro me fez refletir sobre a importância de buscar um sentido na vida e ter uma razão sempre em mente para guiar minhas decisões”, “acho importante não querer apenas estar livre mas entender o sentido de estar livre [...], os impactos que já estão nos cercando do que buscar algo que nunca (talvez) possamos encontrar”, “entendi que os sentidos na vida são temporários, vão mudando com o tempo e que são eles que nos dão força para enfrentar os desafios”;
2) a valorização do conhecimento adquirido sobre Logoterapia, conforme ilustrado nessas respostas (25%): “a forma como a ‘pessoa’ é caracterizada como além das circunstâncias imediatas e/ou histórias é fundamental para outras profissões que lidam com recursos humanos”, “o aprofundamento do sentido de que a pessoa é além da doença, além dos paradigmas que os mais diversos contextos a impõe na vida”;
3) intenções formativas que buscam consolidar uma continuidade no estudo e articulação entre logoterapia e carreira profissional (19%): “Esse encontro foi bastante importante para mim enquanto estudante de psicologia (...) Servirá de mais um material acadêmico que poderá ser bem aproveitado na minha vida e futura profissão”, “Me despertou curiosidade em saber mais sobre a logoterapia”.
Finalmente, foram apontadas também alguns pontos a serem aperfeiçoados em termos de limitações de infraestrutura do espaço ofertado (17%) e o desejo de ampliação do tempo de minicurso para maior aprendizado (13%) e de inclusão de mais dinâmicas nesse percurso (12%).
Em geral, pode-se dizer que essas ações educativas foram bem recebidas pela comunidade, uma vez que até então havia uma relativa falta (e demanda), sobretudo, no contexto feirense acerca de conteúdo voltado para discussões de teor existencial. A participação de estudantes e profissionais de diferentes áreas do saber, junto à satisfação registrada através das avaliações, indica o potencial didático do diálogo logoterapêutico e como este pode promover reflexões que busquem integrar conhecimento teórico ao campo vivencial.
O XIII Congresso Brasileiro de Logoterapia e Análise Existencial (CBLAE 2026) ocorreu entre os dias 26 e 29 de agosto de 2026 na Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), em Feira de Santana, na Bahia.
Com o tema central “Sentido na Vida e Dignidade Humana”, o congresso ofereceu quatro dias de uma intensa programação dedicada ao estudo, à atualização e à difusão do legado de Viktor Frankl. Foram realizados minicursos de pré-congresso, conferências, outorga do Prêmio Viktor Frankl, apresentações de trabalhos científicos, e mesas-redondas.
Promovido bianualmente, o CBLAE agrega pessoas interessadas na visão frankliana. É o evento de maior relevância nacional da área, constituindo um espaço privilegiado para o encontro e o diálogo entre representantes da academia, da clínica psicológica, da educação e diferentes campos da saúde. A programação favoreceu a discussão sobre temas contemporâneos relacionados à pesquisa, à inovação e às aplicações da Logoterapia no Brasil e no mundo.
Viktor Frankl legou os fundamentos da Logoterapia e Análise Existencial e, ao mesmo tempo, convocou as gerações futuras para continuar este legado. Ele não considerava seus conceitos como um sistema fechado, mas como um saber aberto e dinâmico, a ser constantemente estudado, aprofundado e atualizado. Em sintonia com essa perspectiva a ABLAE e o CBLAE entende que esta é uma missão desta geração de logoterapeutas.
Os Anais do CBLAE 2026 reúnem 73 trabalhos, apresentados oralmente em salas paralelas na tarde do dia 28/08 e na manhã do dia 29/08. Foram momentos de discussões frutíferas entre professores, estudantes de graduação e pós-graduação e profissionais da psicologia, enfermagem, educação, filosofia e outras áreas do conhecimento.
Prezados estudiosos da Logoterapia e Análise Existencial aqui está a apresentação dos resumos dos trabalhos orais apresentados. São textos que expandem a compreensão entendimento dos pensamentos franklianos. Desejamos que seja uma leitura profícua, desperte novas reflexões e favoreça o diálogo entre leitores e autores, ampliando o entendimento e o desenvolvimento da abordagem que tem como centro o sentido na vida.
Prof. Dr. Flávio Luiz Honorato da Silva
(Coordenador da Comissão Científica do CBLAE 2026)
Os resumos de trabalhos deverão ter como fundamento básico a Logoterapia e Análise Existencial de Viktor Frankl (LAE).
O texto do resumo deve ser colado no formulário e conter de 300 a 800 palavras. Não é necessário citar referências.
Todos os trabalhos serão apresentados oralmente e de modo presencial e posteriormente publicados nos anais. Haverá premiação dos melhores trabalhos.
Áreas temáticas:
Psicologia
Educação
Enfermagem
Saúde
Ciências da Religião
Filosofia
Outras áreas
Categoria:
Pesquisa empírica: trabalhos que apresentam resultados obtidos a partir de coleta e análise sistemática de dados (quantativos e/ou qualitativos), com método explicitado. Exemplos de metodologias comuns: estudo transversal (survey/questionário/entrevista), estudo longitudinal, estudo quase-experimental, estudo correlacional, validação/adaptação de instrumentos, estudo qualitativo (fenomenologia, análise temática, teoria fundamentada, etnografia), métodos mistos, etc.
Relato de experiência e práticas profissionais: trabalhos que descrevem e analisam criticamente uma prática, intervenção, projeto ou ação profissional (clínica, educação, saúde, assistência, organizações etc.), destacando contexto, tomada de decisão e aprendizados. Exemplos de metodologias comuns: relato técnico fundamentado, pesquisa-ação, avaliação de processo, avaliação de programa/intervenção (com indicadores simples), triangulação de registros (diários de campo, observação, feedback de participantes).
Trabalho teórico-conceitual: trabalhos voltados ao aprofundamento teórico, discussão conceitual e elaboração de argumentos com base em literatura pertinente, podendo articular Logoterapia/Análise Existencial com temas e campos correlatos. Exemplos de metodologias comuns: ensaio teórico, análise conceitual, revisão de literatura (narrativa, integrativa, escopo), abordagens hermenêuticas/interpretativas de textos (quando cabível), comparação de modelos teóricos.
Produtos, tecnologias e inovação: propostas que apresentam um produto/solução aplicável (material, protocolo, instrumento, roteiro, recurso educativo), com descrição do desenvolvimento, fundamentação e uso potencial. Exemplos de metodologias comuns: prototipagem e iteração, validação de conteúdo, estudo piloto, avaliação de usabilidade/aceitabilidade, avaliação preliminar de efetividade (pré–pós, feedback estruturado).
Idioma da Submissão:
Português
Espanhol
Máximo de autores (e co-autores) por trabalho: 6
Máximo de trabalhos permitidos por autor: 2
Máximo de trabalhos permitidos por co-autor: 6
O primeiro autor deve estar inscrito no evento e conferir a confirmação de submissão em seu email. Caso não receba a confirmação, a submissão pode não ter sido realizada.
Coordenação Geral
David Moises Barreto dos Santos (presidente)
Vinicius Cerqueira Bastos dos Santos
Adriana Braitt Lima
Comissão Científica
Flávio Luiz Honorato da Silva (UFPB) - coordenador
Alisson de Meneses Pontes (UNILIFE)
Benedito Guilherme Falcão Farias (ALVEF)
David Moises Barreto dos Santos (UEFS)
Diogo Arnaldo Corrêa (UMC)
Elaine Custódio Rodrigues Gusmão (UFCG)
Flávia Neves Ferreira (UEPB)
Francisca Pereira da Cruz Zubicueta (UFMA)
Francisco Carlos Gomes dos Santos (AGIR3)
Gilvan de Melo Santos (UEPB)
Hermilia Feitosa Junqueira Ayres (UFCG)
Karen Guedes Oliveira (UFPB)
Katia Vanessa Pinto de Meneses (UnB)
Lisieux D'Jesus Luzia de Araújo Rocha (FCC)
Lorena Bandeira Melo de Sá (UNINASSAU)
Lílian Perdigão Caixêta Reis (UFV)
Marcos Vinicius da Costa Meireles (IFG)
Maria Helena Budal da Silva (Escola de Logoterapia)
Paulo Kroeff (UFRGS)
Rouseane da Silva Paula Queiroz (UERN)
Sandrelena da Silva Monteiro (UFJF)
Sarah Xavier Vasconcelos de Fialho Rodrigues (UNILIFE)
Sheila Maria Hesketh Rabuske (ALVEF)
Silvania Rita Ramos (SOBRAL)
Simone Guedes Alves Gomes dos Santos (AGIR3)
Solange Santos de Freitas (Núcleo Mineiro de Logoterapia)
Tatiana Oliveira de Carvalho (TJMA)
Vinícius Cerqueira Bastos dos Santos (UEFS)