Este trabalho tem como objetivo compreender de que modo a Logoterapia e Análise Existencial pode contribuir para a compreensão do suicídio, especialmente a partir dos conceitos de vazio existencial, frustração existencial e sentido da vida e, com base nisso, refletir sobre possíveis contribuições dessa abordagem para a prevenção e o cuidado em saúde mental.
Trata-se de uma pesquisa bibliográfica, de abordagem qualiquantitativa e caráter teórico-reflexivo, desenvolvida a partir da descrição e interpretação de obras selecionadas de Viktor Frankl, entre elas Psicoterapia e Sentido da Vida (2019), Em Busca de Sentido (2025), Sobre o Sentido da Vida (2022) e O Sofrimento de uma Vida sem Sentido (2015). O estudo aproxima-se do ensaio teórico, entendido como uma escrita de natureza reflexiva e interpretativa, fundamentada na argumentação conceitual. (Meneghetti, 2011).
Partindo da afirmação de Frankl (2019) de que o suicídio não elimina a infelicidade ocorrida, mas retira do mundo o próprio sujeito, este estudo reconhece o suicídio como um fenômeno complexo, que expressa uma forma extrema de sofrimento humano. Sua complexidade não se restringe aos dados epidemiológicos, mas decorre também de seu caráter multifatorial e multicausal, envolvendo dimensões biopsíquicas, sociais, políticas, filosóficas e existenciais. Nesse sentido, compreendê-lo exige ultrapassar leituras reducionistas e considerar a totalidade da experiência humana.
Frankl (2022) fundou, em Viena, um Centro de Aconselhamento para Jovens, dedicando-se ao atendimento de pessoas com comportamento suicida e quadros depressivos no contexto do pós-Primeira Guerra Mundial. A partir dessa experiência, observou que, em muitos casos, havia a vivência de um vazio existencial, isto é, uma sensação de falta de sentido, direção e valor na própria vida. Assim, o suicídio pode ser compreendido, em vários casos, como manifestação extrema desse vazio existencial.
Em O Sofrimento de uma Vida sem Sentido (2015), Frankl afirma que o homem moderno sofre de uma “frustração existencial”, isto é, da incapacidade de encontrar um sentido para a própria vida. Dessa maneira, esse vazio manifesta-se como um sentimento profundo de ausência de significado, inutilidade e falta de direção interior.
Frankl (2015) compreende esse fenômeno a partir de mudanças históricas e antropológicas. Segundo ele, diferentemente dos animais, o ser humano não possui instintos que determinem automaticamente o que deve fazer; além disso, o homem contemporâneo perdeu também as tradições que antes orientavam sua existência. Assim, sem instintos claros e sem referências tradicionais sólidas, muitos indivíduos deixam de saber o que realmente desejam, e, como consequência, tendem ao conformismo - fazendo apenas o que os outros fazem - ou ao totalitarismo - submetendo-se ao que os outros esperam deles.
Partindo desse pressuposto, Frankl acredita que muitos casos de ideação suicida relacionam-se à experiência do vazio existencial, marcada pela baixa percepção de razões para viver. Esse vazio frequentemente se articula à frustração existencial, que surge quando a vontade de sentido, entendida como motivação primária do ser humano, encontra-se bloqueada ou impossibilitada de realização. Nessa perspectiva, o sofrimento psíquico não é compreendido apenas como sintoma, mas também como expressão de uma vida cuja significação se tornou obscurecida, fazendo com que a existência passe a ser percebida como desprovida de valor. (Frankl, 2019).
Diante disso, Frankl (2019) critica a ideia de que o suicídio possa ser justificado por uma avaliação objetiva da vida. Para ele, tal decisão baseia-se em uma percepção subjetiva, circunstancial e limitada, incapaz de abarcar as possibilidades futuras de sentido. A Logoterapia propõe, então, uma intervenção centrada na reconstrução de uma vida orientada para realizações de sentido, ajudando o indivíduo a reconhecer que, mesmo diante do sofrimento, a vida preserva um valor incondicional. A noção de que cada pessoa possui uma tarefa singular e irrepetível, ainda que atravessada por dor, perdas ou limitações, assume papel importante na prevenção, pois reposiciona o sujeito diante de sua existência.
O minicurso “Suicídio e autolesão à luz da Logoterapia”, realizado na Universidade Estadual de Feira de Santana, obteve avaliação positiva dos participantes, alcançando média geral de satisfação de 4,6 em uma escala de 5 pontos. Os relatos destacaram aprendizados significativos, reflexões existenciais profundas e contribuições pessoais e profissionais.
Por fim, o estudo indica que a Logoterapia amplia a compreensão do suicídio ao deslocar o foco de explicações exclusivamente biomédicas para uma perspectiva existencial, na qual o sofrimento é compreendido em sua relação com a perda de sentido da vida. Nesse contexto, evidencia-se a centralidade do sentido como elemento fundamental no enfrentamento do comportamento suicida, uma vez que sua percepção pode atuar como fator protetivo, enquanto sua ausência se associa a maior vulnerabilidade. Além disso, a abordagem frankliana contribui ao considerar a singularidade da experiência humana e a possibilidade de realização de sentido mesmo diante do sofrimento inevitável. Desse modo, oferece fundamentos relevantes para a prevenção e para práticas de cuidado em saúde mental mais integrais, humanizadas e atentas à dimensão existencial da pessoa, em diferentes contextos clínicos, educativos e comunitários contemporâneos.
O XIII Congresso Brasileiro de Logoterapia e Análise Existencial (CBLAE 2026) ocorreu entre os dias 26 e 29 de agosto de 2026 na Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), em Feira de Santana, na Bahia.
Com o tema central “Sentido na Vida e Dignidade Humana”, o congresso ofereceu quatro dias de uma intensa programação dedicada ao estudo, à atualização e à difusão do legado de Viktor Frankl. Foram realizados minicursos de pré-congresso, conferências, outorga do Prêmio Viktor Frankl, apresentações de trabalhos científicos, e mesas-redondas.
Promovido bianualmente, o CBLAE agrega pessoas interessadas na visão frankliana. É o evento de maior relevância nacional da área, constituindo um espaço privilegiado para o encontro e o diálogo entre representantes da academia, da clínica psicológica, da educação e diferentes campos da saúde. A programação favoreceu a discussão sobre temas contemporâneos relacionados à pesquisa, à inovação e às aplicações da Logoterapia no Brasil e no mundo.
Viktor Frankl legou os fundamentos da Logoterapia e Análise Existencial e, ao mesmo tempo, convocou as gerações futuras para continuar este legado. Ele não considerava seus conceitos como um sistema fechado, mas como um saber aberto e dinâmico, a ser constantemente estudado, aprofundado e atualizado. Em sintonia com essa perspectiva a ABLAE e o CBLAE entende que esta é uma missão desta geração de logoterapeutas.
Os Anais do CBLAE 2026 reúnem 73 trabalhos, apresentados oralmente em salas paralelas na tarde do dia 28/08 e na manhã do dia 29/08. Foram momentos de discussões frutíferas entre professores, estudantes de graduação e pós-graduação e profissionais da psicologia, enfermagem, educação, filosofia e outras áreas do conhecimento.
Prezados estudiosos da Logoterapia e Análise Existencial aqui está a apresentação dos resumos dos trabalhos orais apresentados. São textos que expandem a compreensão entendimento dos pensamentos franklianos. Desejamos que seja uma leitura profícua, desperte novas reflexões e favoreça o diálogo entre leitores e autores, ampliando o entendimento e o desenvolvimento da abordagem que tem como centro o sentido na vida.
Prof. Dr. Flávio Luiz Honorato da Silva
(Coordenador da Comissão Científica do CBLAE 2026)
Os resumos de trabalhos deverão ter como fundamento básico a Logoterapia e Análise Existencial de Viktor Frankl (LAE).
O texto do resumo deve ser colado no formulário e conter de 300 a 800 palavras. Não é necessário citar referências.
Todos os trabalhos serão apresentados oralmente e de modo presencial e posteriormente publicados nos anais. Haverá premiação dos melhores trabalhos.
Áreas temáticas:
Psicologia
Educação
Enfermagem
Saúde
Ciências da Religião
Filosofia
Outras áreas
Categoria:
Pesquisa empírica: trabalhos que apresentam resultados obtidos a partir de coleta e análise sistemática de dados (quantativos e/ou qualitativos), com método explicitado. Exemplos de metodologias comuns: estudo transversal (survey/questionário/entrevista), estudo longitudinal, estudo quase-experimental, estudo correlacional, validação/adaptação de instrumentos, estudo qualitativo (fenomenologia, análise temática, teoria fundamentada, etnografia), métodos mistos, etc.
Relato de experiência e práticas profissionais: trabalhos que descrevem e analisam criticamente uma prática, intervenção, projeto ou ação profissional (clínica, educação, saúde, assistência, organizações etc.), destacando contexto, tomada de decisão e aprendizados. Exemplos de metodologias comuns: relato técnico fundamentado, pesquisa-ação, avaliação de processo, avaliação de programa/intervenção (com indicadores simples), triangulação de registros (diários de campo, observação, feedback de participantes).
Trabalho teórico-conceitual: trabalhos voltados ao aprofundamento teórico, discussão conceitual e elaboração de argumentos com base em literatura pertinente, podendo articular Logoterapia/Análise Existencial com temas e campos correlatos. Exemplos de metodologias comuns: ensaio teórico, análise conceitual, revisão de literatura (narrativa, integrativa, escopo), abordagens hermenêuticas/interpretativas de textos (quando cabível), comparação de modelos teóricos.
Produtos, tecnologias e inovação: propostas que apresentam um produto/solução aplicável (material, protocolo, instrumento, roteiro, recurso educativo), com descrição do desenvolvimento, fundamentação e uso potencial. Exemplos de metodologias comuns: prototipagem e iteração, validação de conteúdo, estudo piloto, avaliação de usabilidade/aceitabilidade, avaliação preliminar de efetividade (pré–pós, feedback estruturado).
Idioma da Submissão:
Português
Espanhol
Máximo de autores (e co-autores) por trabalho: 6
Máximo de trabalhos permitidos por autor: 2
Máximo de trabalhos permitidos por co-autor: 6
O primeiro autor deve estar inscrito no evento e conferir a confirmação de submissão em seu email. Caso não receba a confirmação, a submissão pode não ter sido realizada.
Coordenação Geral
David Moises Barreto dos Santos (presidente)
Vinicius Cerqueira Bastos dos Santos
Adriana Braitt Lima
Comissão Científica
Flávio Luiz Honorato da Silva (UFPB) - coordenador
Alisson de Meneses Pontes (UNILIFE)
Benedito Guilherme Falcão Farias (ALVEF)
David Moises Barreto dos Santos (UEFS)
Diogo Arnaldo Corrêa (UMC)
Elaine Custódio Rodrigues Gusmão (UFCG)
Flávia Neves Ferreira (UEPB)
Francisca Pereira da Cruz Zubicueta (UFMA)
Francisco Carlos Gomes dos Santos (AGIR3)
Gilvan de Melo Santos (UEPB)
Hermilia Feitosa Junqueira Ayres (UFCG)
Karen Guedes Oliveira (UFPB)
Katia Vanessa Pinto de Meneses (UnB)
Lisieux D'Jesus Luzia de Araújo Rocha (FCC)
Lorena Bandeira Melo de Sá (UNINASSAU)
Lílian Perdigão Caixêta Reis (UFV)
Marcos Vinicius da Costa Meireles (IFG)
Maria Helena Budal da Silva (Escola de Logoterapia)
Paulo Kroeff (UFRGS)
Rouseane da Silva Paula Queiroz (UERN)
Sandrelena da Silva Monteiro (UFJF)
Sarah Xavier Vasconcelos de Fialho Rodrigues (UNILIFE)
Sheila Maria Hesketh Rabuske (ALVEF)
Silvania Rita Ramos (SOBRAL)
Simone Guedes Alves Gomes dos Santos (AGIR3)
Solange Santos de Freitas (Núcleo Mineiro de Logoterapia)
Tatiana Oliveira de Carvalho (TJMA)
Vinícius Cerqueira Bastos dos Santos (UEFS)