O Projeto Carvalho configura-se como uma atividade extensionista, desenvolvida por estudantes do 5º período do curso de Psicologia, em Niterói-RJ. As turmas são convocadas a elaborar, semestralmente, uma proposta no âmbito do Projeto de Curricularização da Extensão. Tal iniciativa caracteriza-se como ação construída de forma colaborativa entre docentes e discentes, promovendo integração da universidade e sociedade. Além disso, visa possibilitar aplicação do conhecimento acadêmico em contextos reais, contribuindo para formação dos futuros psicólogos, por meio do desenvolvimento de competências profissionais e compromisso social.
A temática do envelhecimento populacional tem despertado interesse no âmbito acadêmico, sobretudo com relação à questão dos cuidados à pessoa idosa, frente aos desafios presentes no ciclo da vida, pois conforme dados do IBGE (2022), o Brasil ultrapassa 32 milhões de pessoas idosas, o que tem provocado reflexões importantes sobre políticas públicas, estratégias de prevenção em saúde, combate ao etarismo, rede de apoio, dentre outras medidas para o público em questão. Nesta disciplina de Desenvolvimento Humano, além da teoria, busca-se despertar o valor e dignidade da pessoa idosa.
O presente trabalho consiste no relato de experiência, acerca da atividade extensionista intitulada ‘Projeto Carvalho- O Poder das Histórias’. E a partir da intervenção realizada em campo, buscou-se, à luz da Logoterapia, associar e analisar como alguns dos conceitos presentes nesta abordagem foram percebidos nesta prática acadêmica.
A atividade foi realizada no Centro Dia para idosos, contou com 16 alunos facilitadores, supervisionados pela docente, e 22 pessoas idosas. Após a acolhida, os alunos deram início à leitura do conto, “O Carvalho”, que introduziu a narrativa de que: “O mundo é muito grande e cheio de árvores diferentes. Há algumas muito grandes, outras baixas. Algumas dão frutos e outras não, mas todas são importantes...” (trecho do conto), com o intuito de promover diálogos e reflexões sobre a vida. Além disto, foram utilizadas fotografias da cidade antiga (Niterói), para estimular a memória autobiográfica, e recordar experiências pessoais. Um dos idosos trouxe a lembrança de: “quando comprou um sofá na loja M. para presentear sua mãe, teve que levá-lo na cabeça, junto de um colega; e os dois andaram até a estação do bonde...”. E neste momento de interação, entre alunos e idosos, os eventos significativos foram sendo compartilhados.
Sob a perspectiva da Logoterapia, compreende-se que cada indivíduo é único e irrepetível, sendo portador de uma missão singular a ser descoberta e realizada no mundo, conforme proposto por Frankl. O ser humano é orientado por valores e, no campo de possibilidades, convocado a identificar e assumir as tarefas e sentidos que lhe competem concretizar. E assim, na medida em que busca realizar sentidos, de forma livre e responsável, constrói o seu próprio monumento.
Neste caminho de construção Lukas (1992, p.168) destaca que “o tesouro que a juventude possui, a plenitude de possibilidades que ela tem diante de si, é incerta; mas o tesouro que a velhice possui em conteúdos já realizados é imperecível, é certo.” Dessa forma, o caminho percorrido pela pessoa idosa, escolhas, posicionamentos e enfretamentos, bem como, decisões realizadas, representam um valor imensurável e digno de reconhecimento no caminho existencial.
Nesta interação, entre a juventude e o mais velhos, poderá sempre haver espaço para crescimento e enriquecimento de ambos, quando se reconhece que um dos tesouros da vida humana, compreende a dignidade do “ser” que atravessa na temporalidade. A troca intergeracional realizada nesta atividade acadêmica, apontou para uma tarefa valiosa.
Na aplicação do “Projeto Carvalho” foi possível identificar, não apenas a vivência de processos criativos, evidenciada na elaboração dos recursos utilizados na atividade, mas, também uma postura autotranscendente por parte dos alunos, por meio da escuta, acolhimento, afeto, interações; o evento foi marcado por trocas significativas, expressado pela maioria como uma oportunidade ímpar, e com isso, revelando os valores de experiência.
Na elaboração do relatório e discussão em sala, os resultados indicaram uma significativa mudança do olhar dos estudantes sobre o envelhecimento, manifestada pelo valor da pessoa idosa, especialmente no encontro de suas histórias, e no fato de serem percebidos, como capazes de viver experiências valorosas, independentemente de limitações físicas, como expressou uma das alunas, “a sensação que eu e muitos colegas tivemos foi de que nossa dinâmica tinha o intuito de melhorar o dia deles, mas eles que melhoraram infinitamente não só o nosso dia como nossa vida pessoal e profissional”, e outra pontuou: “Todo o grupo saiu [...] com uma sensação de leveza e chegamos à conclusão de que achamos que doaríamos algo a eles, mas saímos com muito mais do que levamos para lá.” O campo de visão ampliou-se!
Foi possível identificar através dos relatos da turma, que a atividade intergeracional possibilitou verdadeiros “encontros existenciais” com monumentos, e a tarefa acadêmica pareceu ganhar consistência, quando “o vivido”, revelou valores e realização de sentidos, guardados na memória não somente para um dia, mas possivelmente para uma vida inteira.
O XIII Congresso Brasileiro de Logoterapia e Análise Existencial (CBLAE 2026) ocorreu entre os dias 26 e 29 de agosto de 2026 na Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), em Feira de Santana, na Bahia.
Com o tema central “Sentido na Vida e Dignidade Humana”, o congresso ofereceu quatro dias de uma intensa programação dedicada ao estudo, à atualização e à difusão do legado de Viktor Frankl. Foram realizados minicursos de pré-congresso, conferências, outorga do Prêmio Viktor Frankl, apresentações de trabalhos científicos, e mesas-redondas.
Promovido bianualmente, o CBLAE agrega pessoas interessadas na visão frankliana. É o evento de maior relevância nacional da área, constituindo um espaço privilegiado para o encontro e o diálogo entre representantes da academia, da clínica psicológica, da educação e diferentes campos da saúde. A programação favoreceu a discussão sobre temas contemporâneos relacionados à pesquisa, à inovação e às aplicações da Logoterapia no Brasil e no mundo.
Viktor Frankl legou os fundamentos da Logoterapia e Análise Existencial e, ao mesmo tempo, convocou as gerações futuras para continuar este legado. Ele não considerava seus conceitos como um sistema fechado, mas como um saber aberto e dinâmico, a ser constantemente estudado, aprofundado e atualizado. Em sintonia com essa perspectiva a ABLAE e o CBLAE entende que esta é uma missão desta geração de logoterapeutas.
Os Anais do CBLAE 2026 reúnem 73 trabalhos, apresentados oralmente em salas paralelas na tarde do dia 28/08 e na manhã do dia 29/08. Foram momentos de discussões frutíferas entre professores, estudantes de graduação e pós-graduação e profissionais da psicologia, enfermagem, educação, filosofia e outras áreas do conhecimento.
Prezados estudiosos da Logoterapia e Análise Existencial aqui está a apresentação dos resumos dos trabalhos orais apresentados. São textos que expandem a compreensão entendimento dos pensamentos franklianos. Desejamos que seja uma leitura profícua, desperte novas reflexões e favoreça o diálogo entre leitores e autores, ampliando o entendimento e o desenvolvimento da abordagem que tem como centro o sentido na vida.
Prof. Dr. Flávio Luiz Honorato da Silva
(Coordenador da Comissão Científica do CBLAE 2026)
Os resumos de trabalhos deverão ter como fundamento básico a Logoterapia e Análise Existencial de Viktor Frankl (LAE).
O texto do resumo deve ser colado no formulário e conter de 300 a 800 palavras. Não é necessário citar referências.
Todos os trabalhos serão apresentados oralmente e de modo presencial e posteriormente publicados nos anais. Haverá premiação dos melhores trabalhos.
Áreas temáticas:
Psicologia
Educação
Enfermagem
Saúde
Ciências da Religião
Filosofia
Outras áreas
Categoria:
Pesquisa empírica: trabalhos que apresentam resultados obtidos a partir de coleta e análise sistemática de dados (quantativos e/ou qualitativos), com método explicitado. Exemplos de metodologias comuns: estudo transversal (survey/questionário/entrevista), estudo longitudinal, estudo quase-experimental, estudo correlacional, validação/adaptação de instrumentos, estudo qualitativo (fenomenologia, análise temática, teoria fundamentada, etnografia), métodos mistos, etc.
Relato de experiência e práticas profissionais: trabalhos que descrevem e analisam criticamente uma prática, intervenção, projeto ou ação profissional (clínica, educação, saúde, assistência, organizações etc.), destacando contexto, tomada de decisão e aprendizados. Exemplos de metodologias comuns: relato técnico fundamentado, pesquisa-ação, avaliação de processo, avaliação de programa/intervenção (com indicadores simples), triangulação de registros (diários de campo, observação, feedback de participantes).
Trabalho teórico-conceitual: trabalhos voltados ao aprofundamento teórico, discussão conceitual e elaboração de argumentos com base em literatura pertinente, podendo articular Logoterapia/Análise Existencial com temas e campos correlatos. Exemplos de metodologias comuns: ensaio teórico, análise conceitual, revisão de literatura (narrativa, integrativa, escopo), abordagens hermenêuticas/interpretativas de textos (quando cabível), comparação de modelos teóricos.
Produtos, tecnologias e inovação: propostas que apresentam um produto/solução aplicável (material, protocolo, instrumento, roteiro, recurso educativo), com descrição do desenvolvimento, fundamentação e uso potencial. Exemplos de metodologias comuns: prototipagem e iteração, validação de conteúdo, estudo piloto, avaliação de usabilidade/aceitabilidade, avaliação preliminar de efetividade (pré–pós, feedback estruturado).
Idioma da Submissão:
Português
Espanhol
Máximo de autores (e co-autores) por trabalho: 6
Máximo de trabalhos permitidos por autor: 2
Máximo de trabalhos permitidos por co-autor: 6
O primeiro autor deve estar inscrito no evento e conferir a confirmação de submissão em seu email. Caso não receba a confirmação, a submissão pode não ter sido realizada.
Coordenação Geral
David Moises Barreto dos Santos (presidente)
Vinicius Cerqueira Bastos dos Santos
Adriana Braitt Lima
Comissão Científica
Flávio Luiz Honorato da Silva (UFPB) - coordenador
Alisson de Meneses Pontes (UNILIFE)
Benedito Guilherme Falcão Farias (ALVEF)
David Moises Barreto dos Santos (UEFS)
Diogo Arnaldo Corrêa (UMC)
Elaine Custódio Rodrigues Gusmão (UFCG)
Flávia Neves Ferreira (UEPB)
Francisca Pereira da Cruz Zubicueta (UFMA)
Francisco Carlos Gomes dos Santos (AGIR3)
Gilvan de Melo Santos (UEPB)
Hermilia Feitosa Junqueira Ayres (UFCG)
Karen Guedes Oliveira (UFPB)
Katia Vanessa Pinto de Meneses (UnB)
Lisieux D'Jesus Luzia de Araújo Rocha (FCC)
Lorena Bandeira Melo de Sá (UNINASSAU)
Lílian Perdigão Caixêta Reis (UFV)
Marcos Vinicius da Costa Meireles (IFG)
Maria Helena Budal da Silva (Escola de Logoterapia)
Paulo Kroeff (UFRGS)
Rouseane da Silva Paula Queiroz (UERN)
Sandrelena da Silva Monteiro (UFJF)
Sarah Xavier Vasconcelos de Fialho Rodrigues (UNILIFE)
Sheila Maria Hesketh Rabuske (ALVEF)
Silvania Rita Ramos (SOBRAL)
Simone Guedes Alves Gomes dos Santos (AGIR3)
Solange Santos de Freitas (Núcleo Mineiro de Logoterapia)
Tatiana Oliveira de Carvalho (TJMA)
Vinícius Cerqueira Bastos dos Santos (UEFS)