A clínica da neurose na Logoterapia: da psicologia profunda à psicoterapia das alturas

  • Autor
  • Valdir Barbosa Lima Neto
  • Resumo
  • Este trabalho teórico-conceitual discute a clínica da neurose na perspectiva da Logoterapia e Análise Existencial de Viktor Frankl, situando-a no contexto das escolas vienenses de psicoterapia e destacando sua contribuição para a superação de leituras reducionistas do sofrimento psíquico. Parte-se do pressuposto de que a compreensão da neurose depende da imagem de ser humano sustentada por cada modelo clínico. Nessa direção, o estudo examina como Freud, Adler e Frankl oferecem distintas interpretações do sofrimento neurótico e mostra que a proposta frankliana representa uma ampliação antropológica da clínica, ao integrar a dimensão noética às dimensões somática e psíquica.Metodologicamente, realizou-se uma revisão de literatura integrativa, com base em textos clássicos de Viktor Frankl traduzidos para o português, abrangendo escritos de 1938 até a década de 1970, em interlocução com obras de Freud, Adler, comentadores e epistemólogos da psicologia. A análise reconstrói o percurso histórico-conceitual da neurose na modernidade clínica, desde o afastamento das explicações organicistas até sua formulação no interior da Psicologia Profunda. Na psicanálise, a neurose aparece ligada aos conflitos inconscientes, à repressão e às tensões pulsionais; na psicologia individual, é compreendida como resposta disfuncional ao sentimento de inferioridade e às dificuldades de inserção comunitária. Frankl reconhece o valor dessas contribuições, mas identifica nelas um limite: a tendência a reduzir o paciente a mecanismos psíquicos de autorregulação, obscurecendo sua inclinação a valores e sua abertura ao sentido.Nesse horizonte, a Logoterapia propõe uma reformulação da clínica da neurose por meio do que Frankl denomina, em sentido amplo, “psicoterapia das alturas”. Trata-se de uma ampliação da escuta clínica que, sem negar as profundezas da vida psíquica, inclui também as alturas antropológicas da existência, onde se situam valores, ideais, liberdade, responsabilidade e autotranscendência. A partir dessa perspectiva, o sofrimento neurótico não pode ser compreendido exclusivamente como efeito de impulsos reprimidos ou compensações psíquicas, mas também como expressão de frustrações existenciais e de um empobrecimento da relação da pessoa com os valores. A clínica, portanto, deixa de visar apenas à redução de tensões e passa a considerar também a capacidade humana de orientar-se por valores a realizar. Nessa perspectiva, para além da mera equilibração de tensões, a saúde passa a ser compreendida também a partir da inclinação humana a viver tensões significativas.  Conclui-se que a contribuição específica da Logoterapia para a clínica da neurose reside em sua capacidade de articular integração psíquica e abertura noética, oferecendo uma compreensão multidimensional do adoecimento humano. Ao reafirmar a pessoa como ser livre, responsável e capaz de autotranscendência, a abordagem frankliana humaniza a prática psicoterapêutica e amplia suas possibilidades de intervenção diante de neuroses, das manifestações do vazio existencial e crises de sentido. Assim, a clínica da neurose, sob a ótica da Logoterapia, pode ser compreendida como um deslocamento da psicoterapia das profundezas para uma clínica que integra profundezas e alturas da existência humana, evitando reducionismos e patologizações em um contexto atual marcado pela proliferação diagnóstica.

  • Palavras-chave
  • Logoterapia; Clínica da neurose; Psicoterapia das alturas; Noodinâmica; Viktor Frankl.
  • Área Temática
  • Psicologia
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O XIII Congresso Brasileiro de Logoterapia e Análise Existencial (CBLAE 2026) ocorreu entre os dias 26 e 29 de agosto de 2026 na Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), em Feira de Santana, na Bahia.

Com o tema central “Sentido na Vida e Dignidade Humana”, o congresso ofereceu quatro dias de uma intensa programação dedicada ao estudo, à atualização e à difusão do legado de Viktor Frankl. Foram realizados minicursos de pré-congresso, conferências, outorga do Prêmio Viktor Frankl, apresentações de trabalhos científicos, e mesas-redondas.

Promovido bianualmente, o CBLAE agrega pessoas interessadas na visão frankliana. É o evento de maior relevância nacional da área, constituindo um espaço privilegiado para o encontro e o diálogo entre representantes da academia, da clínica psicológica, da educação e diferentes campos da saúde. A programação favoreceu a discussão sobre temas contemporâneos relacionados à pesquisa, à inovação e às aplicações da Logoterapia no Brasil e no mundo.

Viktor Frankl legou os fundamentos da Logoterapia e Análise Existencial e, ao mesmo tempo, convocou as gerações futuras para continuar este legado. Ele não considerava seus conceitos como um sistema fechado, mas como um saber aberto e dinâmico, a ser constantemente estudado, aprofundado e atualizado. Em sintonia com essa perspectiva a ABLAE e o CBLAE entende que esta é uma missão desta geração de logoterapeutas.

Os Anais do CBLAE 2026 reúnem 73 trabalhos, apresentados oralmente em salas paralelas na tarde do dia 28/08 e na manhã do dia 29/08. Foram momentos de discussões frutíferas entre professores, estudantes de graduação e pós-graduação e profissionais da psicologia, enfermagem, educação, filosofia e outras áreas do conhecimento.

Prezados estudiosos da Logoterapia e Análise Existencial aqui está a apresentação dos resumos dos trabalhos orais apresentados. São textos que expandem a compreensão entendimento dos pensamentos franklianos. Desejamos que seja uma leitura profícua, desperte novas reflexões e favoreça o diálogo entre leitores e autores, ampliando o entendimento e o desenvolvimento da abordagem que tem como centro o sentido na vida.

Prof. Dr. Flávio Luiz Honorato da Silva
(Coordenador da Comissão Científica do CBLAE 2026)

Os resumos de trabalhos deverão ter como fundamento básico a Logoterapia e Análise Existencial de Viktor Frankl (LAE). 

O texto do resumo deve ser colado no formulário e conter de 300 a 800 palavras. Não é necessário citar referências.

Todos os trabalhos serão apresentados oralmente e de modo presencial e posteriormente publicados nos anais. Haverá premiação dos melhores trabalhos.

Áreas temáticas:

Psicologia 
Educação
Enfermagem
Saúde
Ciências da Religião
Filosofia
Outras áreas
Categoria:

Pesquisa empírica:  trabalhos que apresentam resultados obtidos a partir de coleta e análise sistemática de dados (quantativos e/ou qualitativos), com método explicitado. Exemplos de metodologias comuns: estudo transversal (survey/questionário/entrevista), estudo longitudinal, estudo quase-experimental, estudo correlacional, validação/adaptação de instrumentos, estudo qualitativo (fenomenologia, análise temática, teoria fundamentada, etnografia), métodos mistos, etc.
Relato de experiência e práticas profissionais:  trabalhos que descrevem e analisam criticamente uma prática, intervenção, projeto ou ação profissional (clínica, educação, saúde, assistência, organizações etc.), destacando contexto, tomada de decisão e aprendizados. Exemplos de metodologias comuns: relato técnico fundamentado, pesquisa-ação, avaliação de processo, avaliação de programa/intervenção (com indicadores simples), triangulação de registros (diários de campo, observação, feedback de participantes).
Trabalho teórico-conceitual: trabalhos voltados ao aprofundamento teórico, discussão conceitual e elaboração de argumentos com base em literatura pertinente, podendo articular Logoterapia/Análise Existencial com temas e campos correlatos. Exemplos de metodologias comuns: ensaio teórico, análise conceitual, revisão de literatura (narrativa, integrativa, escopo), abordagens hermenêuticas/interpretativas de textos (quando cabível), comparação de modelos teóricos.
Produtos, tecnologias e inovação: propostas que apresentam um produto/solução aplicável (material, protocolo, instrumento, roteiro, recurso educativo), com descrição do desenvolvimento, fundamentação e uso potencial. Exemplos de metodologias comuns: prototipagem e iteração, validação de conteúdo, estudo piloto, avaliação de usabilidade/aceitabilidade, avaliação preliminar de efetividade (pré–pós, feedback estruturado).
Idioma da Submissão:

Português
Espanhol 
Máximo de autores (e co-autores) por trabalho: 6

Máximo de trabalhos permitidos por autor: 2

Máximo de trabalhos permitidos por co-autor: 6

O primeiro autor deve estar inscrito no evento e conferir a confirmação de submissão em seu email. Caso não receba a confirmação, a submissão pode não ter sido realizada. 

Coordenação Geral
David Moises Barreto dos Santos (presidente)
Vinicius Cerqueira Bastos dos Santos
Adriana Braitt Lima

Comissão Científica

Flávio Luiz Honorato da Silva (UFPB) - coordenador
Alisson de Meneses Pontes (UNILIFE)
Benedito Guilherme Falcão Farias (ALVEF)
David Moises Barreto dos Santos (UEFS)
Diogo Arnaldo Corrêa (UMC)
Elaine Custódio Rodrigues Gusmão (UFCG)
Flávia Neves Ferreira (UEPB)
Francisca Pereira da Cruz Zubicueta (UFMA)
Francisco Carlos Gomes dos Santos (AGIR3)
Gilvan de Melo Santos (UEPB)
Hermilia Feitosa Junqueira Ayres (UFCG)
Karen Guedes Oliveira (UFPB)
Katia Vanessa Pinto de Meneses (UnB)
Lisieux D'Jesus Luzia de Araújo Rocha (FCC)
Lorena Bandeira Melo de Sá (UNINASSAU)
Lílian Perdigão Caixêta Reis (UFV)
Marcos Vinicius da Costa Meireles (IFG)
Maria Helena Budal da Silva (Escola de Logoterapia)
Paulo Kroeff (UFRGS)
Rouseane da Silva Paula Queiroz (UERN)
Sandrelena da Silva Monteiro (UFJF)
Sarah Xavier Vasconcelos de Fialho Rodrigues (UNILIFE)
Sheila Maria Hesketh Rabuske (ALVEF)
Silvania Rita Ramos (SOBRAL)
Simone Guedes Alves Gomes dos Santos (AGIR3)
Solange Santos de Freitas (Núcleo Mineiro de Logoterapia)
Tatiana Oliveira de Carvalho (TJMA)
Vinícius Cerqueira Bastos dos Santos (UEFS)