Trata-se de estudo qualitativo tipo relato de experiência de estudante de enfermagem de universidade pública no interior da Bahia cujo objetivo foi descrever as suas vivências no contexto do fenômeno dos Cuidados Paliativos relacionando com a Logoterapia e Análise Existencial de Viktor Frankl, especialmente no que se refere à possibilidade de perceber sentido na vida diante do sofrimento frente a possibilidade de finitude da vida. A aproximação com a temática emergiu da experiência com o adoecimento do pai por neoplasia maligna em estágio avançado. Na época, a compreensão conceitual sobre Cuidados Paliativos era mínima, apesar de vivenciar concretamente esse contexto. O acompanhamento do processo de adoecimento, desde as fases de negação até a aceitação, revelou-se que o cuidado ultrapassa intervenções técnicas e alcança a dimensão existencial do ser humano. Um episódio marcante ocorreu quando, após indicação cirúrgica baseada em exames de imagem, constatou-se intraoperatoriamente a presença de metástase, inviabilizando a retirada tumoral. A comunicação da notícia deu-se de forma direta, sem preparo prévio ou suporte familiar estruturado. Até então, esperançoso quanto à possibilidade de cura, o pai da estudante recebeu a informação ao lado dela e passou a buscar explicações. Naquele momento, sendo filha e estudante de Enfermagem, experimentou-se uma ruptura existencial, sendo convocada a sustentar emocionalmente uma realidade que ela mesma ainda elaborava. Desse modo, tal vivência é a expressão de sofrimento, um dos elementos da tríade trágica, além da culpa e da possibilidade de morte. Contudo, frente a essas circunstâncias, é possível encontrar sentido de vida. O modo de se revelar com posicionamento significa dizer um “sim” à vida apesar de tudo. Ou seja, mesmo quando não é possível modificar o diagnóstico médico, permanece a possibilidade de escolher a atitude frente ao sofrimento. Naquele momento, apesar de emocionalmente abalada, buscou-se acolher o pai e explicar-lhe com clareza os passos do tratamento, sustentando uma postura de serenidade e presença diante da notícia recebida, estabelecendo um modo de cuidado empático e sensível. A presença, a escuta e o compromisso com o cuidado configuraram-se como expressões de dignidade frente aquele que gerou. Assim, foi possível perceber o valor existencial de atitude mesmo na possibilidade de finitude da vida, como também, que a forma como os profissionais se comunicam influenciam o estado emocional da pessoa. Demonstrações de respeito, leveza e dignidade afetam expressivamente a disposição diante do tratamento. Pequenos gestos, como uma conversa atenciosa e um olhar acolhedor, produzem bem estar significativo. Essa experiência reforçou que o Cuidado Paliativo não se restringe ao controle de sintomas, mas implica reconhecer a pessoa como ser biopsicossocioespiritual, única e irrepetível, capaz de atribuir sentido à própria existência até o fim da vida, inclusive diante de conflitos existenciais frequentemente não verbalizados. Viver essa experiência trouxe preparo para entender o processo de cuidado. No sexto semestre da graduação em Enfermagem, uma experiência acadêmica aprofundou essa reflexão pelo embate no modo de se comunicar os achados diagnósticos com a pessoa hospitalizada. A situação foi de uma mulher em pré-operatório para derivação biliodigestiva decorrente de massa tumoral irressecável. Presenciou-se que a pessoa hospitalizada, inicialmente, foi informada pela equipe de saúde que o procedimento teria caráter curativo, ao tempo que minutos antes do procedimento, explicaram que a cirurgia possuía finalidade exclusivamente paliativa, visando à desobstrução biliar. Tal situação trouxe um olhar de desorientação, sofrimento e angústia à pessoa hospitalizada. Nesse momento, o valor de vivência foi trazido pela lembrança do experienciado com a notícia da doença do pai e corroborou para a reflexão das fragilidades no processo comunicacional e a ausência de integração da pessoa como sujeito ativo de seu próprio percurso terapêutico. Assim, apesar de por pouco tempo, a reação foi de confortar e apoiar a pessoa antes da cirurgia. A ausência de clareza e sensibilidade na transmissão das informações compromete o posicionamento frente à própria condição, fragilizando a autonomia e dificultando a percepção de sentido. As experiências relatadas impulsionaram o aprofundamento na temática dos Cuidados Paliativos. A inquietação que delas emerge não é apenas técnica, mas ontológica suscitando a seguinte indagação: por que, em contextos marcados pela finitude, nos quais se exige presença, escuta qualificada e reconhecimento da singularidade, ainda predominam práticas centradas exclusivamente no procedimento? A partir dessas vivências, consolidou-se a compreensão de que a comunicação em Cuidados Paliativos não pode ser compreendida como ato meramente informativo, mas como intervenção ético-clínica que exige preparo, escuta qualificada e reconhecimento da singularidade da pessoa. Como futura enfermeira, reconheço a necessidade de investir em formação específica de comunicação de más notícias, educação permanente em Cuidados Paliativos e incorporação de referenciais que considerem a dimensão existencial do cuidado. Este relato mostra que integrar os pressupostos da Logoterapia à prática paliativista fortalece uma assistência centrada na dignidade, na autonomia e na possibilidade de sentido até o último instante da vida, reafirmando a comunicação como eixo estruturante do cuidado em contextos de finitude.
O XIII Congresso Brasileiro de Logoterapia e Análise Existencial (CBLAE 2026) ocorreu entre os dias 26 e 29 de agosto de 2026 na Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), em Feira de Santana, na Bahia.
Com o tema central “Sentido na Vida e Dignidade Humana”, o congresso ofereceu quatro dias de uma intensa programação dedicada ao estudo, à atualização e à difusão do legado de Viktor Frankl. Foram realizados minicursos de pré-congresso, conferências, outorga do Prêmio Viktor Frankl, apresentações de trabalhos científicos, e mesas-redondas.
Promovido bianualmente, o CBLAE agrega pessoas interessadas na visão frankliana. É o evento de maior relevância nacional da área, constituindo um espaço privilegiado para o encontro e o diálogo entre representantes da academia, da clínica psicológica, da educação e diferentes campos da saúde. A programação favoreceu a discussão sobre temas contemporâneos relacionados à pesquisa, à inovação e às aplicações da Logoterapia no Brasil e no mundo.
Viktor Frankl legou os fundamentos da Logoterapia e Análise Existencial e, ao mesmo tempo, convocou as gerações futuras para continuar este legado. Ele não considerava seus conceitos como um sistema fechado, mas como um saber aberto e dinâmico, a ser constantemente estudado, aprofundado e atualizado. Em sintonia com essa perspectiva a ABLAE e o CBLAE entende que esta é uma missão desta geração de logoterapeutas.
Os Anais do CBLAE 2026 reúnem 73 trabalhos, apresentados oralmente em salas paralelas na tarde do dia 28/08 e na manhã do dia 29/08. Foram momentos de discussões frutíferas entre professores, estudantes de graduação e pós-graduação e profissionais da psicologia, enfermagem, educação, filosofia e outras áreas do conhecimento.
Prezados estudiosos da Logoterapia e Análise Existencial aqui está a apresentação dos resumos dos trabalhos orais apresentados. São textos que expandem a compreensão entendimento dos pensamentos franklianos. Desejamos que seja uma leitura profícua, desperte novas reflexões e favoreça o diálogo entre leitores e autores, ampliando o entendimento e o desenvolvimento da abordagem que tem como centro o sentido na vida.
Prof. Dr. Flávio Luiz Honorato da Silva
(Coordenador da Comissão Científica do CBLAE 2026)
Os resumos de trabalhos deverão ter como fundamento básico a Logoterapia e Análise Existencial de Viktor Frankl (LAE).
O texto do resumo deve ser colado no formulário e conter de 300 a 800 palavras. Não é necessário citar referências.
Todos os trabalhos serão apresentados oralmente e de modo presencial e posteriormente publicados nos anais. Haverá premiação dos melhores trabalhos.
Áreas temáticas:
Psicologia
Educação
Enfermagem
Saúde
Ciências da Religião
Filosofia
Outras áreas
Categoria:
Pesquisa empírica: trabalhos que apresentam resultados obtidos a partir de coleta e análise sistemática de dados (quantativos e/ou qualitativos), com método explicitado. Exemplos de metodologias comuns: estudo transversal (survey/questionário/entrevista), estudo longitudinal, estudo quase-experimental, estudo correlacional, validação/adaptação de instrumentos, estudo qualitativo (fenomenologia, análise temática, teoria fundamentada, etnografia), métodos mistos, etc.
Relato de experiência e práticas profissionais: trabalhos que descrevem e analisam criticamente uma prática, intervenção, projeto ou ação profissional (clínica, educação, saúde, assistência, organizações etc.), destacando contexto, tomada de decisão e aprendizados. Exemplos de metodologias comuns: relato técnico fundamentado, pesquisa-ação, avaliação de processo, avaliação de programa/intervenção (com indicadores simples), triangulação de registros (diários de campo, observação, feedback de participantes).
Trabalho teórico-conceitual: trabalhos voltados ao aprofundamento teórico, discussão conceitual e elaboração de argumentos com base em literatura pertinente, podendo articular Logoterapia/Análise Existencial com temas e campos correlatos. Exemplos de metodologias comuns: ensaio teórico, análise conceitual, revisão de literatura (narrativa, integrativa, escopo), abordagens hermenêuticas/interpretativas de textos (quando cabível), comparação de modelos teóricos.
Produtos, tecnologias e inovação: propostas que apresentam um produto/solução aplicável (material, protocolo, instrumento, roteiro, recurso educativo), com descrição do desenvolvimento, fundamentação e uso potencial. Exemplos de metodologias comuns: prototipagem e iteração, validação de conteúdo, estudo piloto, avaliação de usabilidade/aceitabilidade, avaliação preliminar de efetividade (pré–pós, feedback estruturado).
Idioma da Submissão:
Português
Espanhol
Máximo de autores (e co-autores) por trabalho: 6
Máximo de trabalhos permitidos por autor: 2
Máximo de trabalhos permitidos por co-autor: 6
O primeiro autor deve estar inscrito no evento e conferir a confirmação de submissão em seu email. Caso não receba a confirmação, a submissão pode não ter sido realizada.
Coordenação Geral
David Moises Barreto dos Santos (presidente)
Vinicius Cerqueira Bastos dos Santos
Adriana Braitt Lima
Comissão Científica
Flávio Luiz Honorato da Silva (UFPB) - coordenador
Alisson de Meneses Pontes (UNILIFE)
Benedito Guilherme Falcão Farias (ALVEF)
David Moises Barreto dos Santos (UEFS)
Diogo Arnaldo Corrêa (UMC)
Elaine Custódio Rodrigues Gusmão (UFCG)
Flávia Neves Ferreira (UEPB)
Francisca Pereira da Cruz Zubicueta (UFMA)
Francisco Carlos Gomes dos Santos (AGIR3)
Gilvan de Melo Santos (UEPB)
Hermilia Feitosa Junqueira Ayres (UFCG)
Karen Guedes Oliveira (UFPB)
Katia Vanessa Pinto de Meneses (UnB)
Lisieux D'Jesus Luzia de Araújo Rocha (FCC)
Lorena Bandeira Melo de Sá (UNINASSAU)
Lílian Perdigão Caixêta Reis (UFV)
Marcos Vinicius da Costa Meireles (IFG)
Maria Helena Budal da Silva (Escola de Logoterapia)
Paulo Kroeff (UFRGS)
Rouseane da Silva Paula Queiroz (UERN)
Sandrelena da Silva Monteiro (UFJF)
Sarah Xavier Vasconcelos de Fialho Rodrigues (UNILIFE)
Sheila Maria Hesketh Rabuske (ALVEF)
Silvania Rita Ramos (SOBRAL)
Simone Guedes Alves Gomes dos Santos (AGIR3)
Solange Santos de Freitas (Núcleo Mineiro de Logoterapia)
Tatiana Oliveira de Carvalho (TJMA)
Vinícius Cerqueira Bastos dos Santos (UEFS)