Introdução: O cuidado respeitoso na Enfermagem, especialmente na Atenção Primária à Saúde, é frequentemente apresentado como fundamento da prática assistencial. No entanto, na realidade dos serviços, observa-se uma distância entre o discurso da humanização e a concretização de práticas que considerem, de fato, a singularidade e a vulnerabilidade dos usuários em saúde. Nesse cenário, torna-se relevante compreender o cuidado para além de sua dimensão técnica, incorporando uma perspectiva que considere fundamentos existenciais fenomenológicos no cuidado em saúde. A teoria frankliana, contribui para a compreensão do ser humano cuidado, como pessoa capaz de perceber sentido na vida, mesmo frente aos limites e condições adversas da vida. Objetivo: Analisar o cuidado respeitoso na prática de profissionais de Enfermagem na Atenção Primária à Saúde, à luz da análise existencial frankliana. Método: Trata-se de estudo de abordagem qualitativa, caráter descritivo e exploratório, realizado em Unidade de Saúde da Família (USF) situada no interior do estado da Bahia. Participaram do estudo cinco profissionais de Enfermagem, sendo dois enfermeiros e três técnicos de Enfermagem. A coleta de dados ocorreu no período de agosto a setembro de 2025, por meio de entrevistas semiestruturadas. Os dados foram analisados à Análise de Conteúdo de Bardin, utilizando como referencial teórico-analítico a Análise Existencial de Viktor Frankl. O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa sob o parecer nº 7.690. 049. Resultados e discussão: Os achados revelam que o cuidado respeitoso é compreendido pelas profissionais como um modo de agir que envolve presença, escuta, acolhimento e responsabilidade diante da vulnerabilidade do usuário. Entretanto, mais do que descrever tais práticas, as narrativas descortinam que o diferencial do cuidado não está apenas no que é feito, mas na forma como o profissional se posiciona diante do outro. Ao recusarem realizar consultas rápidas e mecanizadas e ao enfatizarem a necessidade de “enxergar o paciente”, as participantes demonstram uma postura que ultrapassa o cumprimento de protocolos, aproximando-se de um cuidado centrado na pessoa. Sob a perspectiva de Viktor Frankl, esse movimento pode ser compreendido como expressão da liberdade de atitude, na qual o profissional, mesmo diante de limitações institucionais, mantém a capacidade de escolher como responder à realidade apresentada. Assim, o cuidado respeitoso emerge como resposta ética e existencial ao sofrimento do outro, sendo construído na relação e não determinado exclusivamente pelas condições externas. Além disso, as falas expressam satisfação diante da melhora do paciente e do reconhecimento recebido, isso indica que o sentido do trabalho se constrói na experiência concreta do cuidar. Nessa direção, o cuidado se aproxima do que Frankl descreve como realização de valores, especialmente aqueles relacionados à dedicação e ao serviço ao outro. Por outro lado, as situações em que as profissionais relatam agir diante de riscos clínicos evidenciam que o cuidado respeitoso também se manifesta na responsabilidade prática, ou seja, na capacidade de intervir e buscar respostas às necessidades do usuário, articulando-se com o princípio da resolutividade no sistema de saúde. Considerações finais: O estudo permite concluir que, à luz da Análise Existencial de Viktor Frankl, o cuidado respeitoso pode ser entendido como uma prática que envolve responsabilidade, escolha de atitude e busca de sentido no encontro com o outro. Mais do que uma exigência das políticas de saúde, trata-se de uma postura ética que se constrói no dia a dia do trabalho, mesmo diante das dificuldades presentes na Atenção Primária à Saúde. Entretanto, é importante reconhecer que o sentido no trabalho não depende apenas do profissional. As condições de trabalho, a organização dos serviços e as demandas do sistema também influenciam diretamente na forma como o cuidado é realizado. Assim, para que o cuidado respeitoso aconteça de forma efetiva, é necessário tanto o envolvimento do profissional quanto a existência de condições institucionais que favoreçam práticas mais humanas, evitando a mecanização do cuidado e valorizando a singularidade de cada pessoa atendida. Que este estudo contribua para o fortalecimento do cuidado de Enfermagem na Atenção Primária à Saúde, ao subsidiar práticas profissionais mais conscientes, responsáveis e respeitosas, que favoreçam a promoção da dignidade do usuário no cotidiano do trabalho em saúde.
O XIII Congresso Brasileiro de Logoterapia e Análise Existencial (CBLAE 2026) ocorreu entre os dias 26 e 29 de agosto de 2026 na Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), em Feira de Santana, na Bahia.
Com o tema central “Sentido na Vida e Dignidade Humana”, o congresso ofereceu quatro dias de uma intensa programação dedicada ao estudo, à atualização e à difusão do legado de Viktor Frankl. Foram realizados minicursos de pré-congresso, conferências, outorga do Prêmio Viktor Frankl, apresentações de trabalhos científicos, e mesas-redondas.
Promovido bianualmente, o CBLAE agrega pessoas interessadas na visão frankliana. É o evento de maior relevância nacional da área, constituindo um espaço privilegiado para o encontro e o diálogo entre representantes da academia, da clínica psicológica, da educação e diferentes campos da saúde. A programação favoreceu a discussão sobre temas contemporâneos relacionados à pesquisa, à inovação e às aplicações da Logoterapia no Brasil e no mundo.
Viktor Frankl legou os fundamentos da Logoterapia e Análise Existencial e, ao mesmo tempo, convocou as gerações futuras para continuar este legado. Ele não considerava seus conceitos como um sistema fechado, mas como um saber aberto e dinâmico, a ser constantemente estudado, aprofundado e atualizado. Em sintonia com essa perspectiva a ABLAE e o CBLAE entende que esta é uma missão desta geração de logoterapeutas.
Os Anais do CBLAE 2026 reúnem 73 trabalhos, apresentados oralmente em salas paralelas na tarde do dia 28/08 e na manhã do dia 29/08. Foram momentos de discussões frutíferas entre professores, estudantes de graduação e pós-graduação e profissionais da psicologia, enfermagem, educação, filosofia e outras áreas do conhecimento.
Prezados estudiosos da Logoterapia e Análise Existencial aqui está a apresentação dos resumos dos trabalhos orais apresentados. São textos que expandem a compreensão entendimento dos pensamentos franklianos. Desejamos que seja uma leitura profícua, desperte novas reflexões e favoreça o diálogo entre leitores e autores, ampliando o entendimento e o desenvolvimento da abordagem que tem como centro o sentido na vida.
Prof. Dr. Flávio Luiz Honorato da Silva
(Coordenador da Comissão Científica do CBLAE 2026)
Os resumos de trabalhos deverão ter como fundamento básico a Logoterapia e Análise Existencial de Viktor Frankl (LAE).
O texto do resumo deve ser colado no formulário e conter de 300 a 800 palavras. Não é necessário citar referências.
Todos os trabalhos serão apresentados oralmente e de modo presencial e posteriormente publicados nos anais. Haverá premiação dos melhores trabalhos.
Áreas temáticas:
Psicologia
Educação
Enfermagem
Saúde
Ciências da Religião
Filosofia
Outras áreas
Categoria:
Pesquisa empírica: trabalhos que apresentam resultados obtidos a partir de coleta e análise sistemática de dados (quantativos e/ou qualitativos), com método explicitado. Exemplos de metodologias comuns: estudo transversal (survey/questionário/entrevista), estudo longitudinal, estudo quase-experimental, estudo correlacional, validação/adaptação de instrumentos, estudo qualitativo (fenomenologia, análise temática, teoria fundamentada, etnografia), métodos mistos, etc.
Relato de experiência e práticas profissionais: trabalhos que descrevem e analisam criticamente uma prática, intervenção, projeto ou ação profissional (clínica, educação, saúde, assistência, organizações etc.), destacando contexto, tomada de decisão e aprendizados. Exemplos de metodologias comuns: relato técnico fundamentado, pesquisa-ação, avaliação de processo, avaliação de programa/intervenção (com indicadores simples), triangulação de registros (diários de campo, observação, feedback de participantes).
Trabalho teórico-conceitual: trabalhos voltados ao aprofundamento teórico, discussão conceitual e elaboração de argumentos com base em literatura pertinente, podendo articular Logoterapia/Análise Existencial com temas e campos correlatos. Exemplos de metodologias comuns: ensaio teórico, análise conceitual, revisão de literatura (narrativa, integrativa, escopo), abordagens hermenêuticas/interpretativas de textos (quando cabível), comparação de modelos teóricos.
Produtos, tecnologias e inovação: propostas que apresentam um produto/solução aplicável (material, protocolo, instrumento, roteiro, recurso educativo), com descrição do desenvolvimento, fundamentação e uso potencial. Exemplos de metodologias comuns: prototipagem e iteração, validação de conteúdo, estudo piloto, avaliação de usabilidade/aceitabilidade, avaliação preliminar de efetividade (pré–pós, feedback estruturado).
Idioma da Submissão:
Português
Espanhol
Máximo de autores (e co-autores) por trabalho: 6
Máximo de trabalhos permitidos por autor: 2
Máximo de trabalhos permitidos por co-autor: 6
O primeiro autor deve estar inscrito no evento e conferir a confirmação de submissão em seu email. Caso não receba a confirmação, a submissão pode não ter sido realizada.
Coordenação Geral
David Moises Barreto dos Santos (presidente)
Vinicius Cerqueira Bastos dos Santos
Adriana Braitt Lima
Comissão Científica
Flávio Luiz Honorato da Silva (UFPB) - coordenador
Alisson de Meneses Pontes (UNILIFE)
Benedito Guilherme Falcão Farias (ALVEF)
David Moises Barreto dos Santos (UEFS)
Diogo Arnaldo Corrêa (UMC)
Elaine Custódio Rodrigues Gusmão (UFCG)
Flávia Neves Ferreira (UEPB)
Francisca Pereira da Cruz Zubicueta (UFMA)
Francisco Carlos Gomes dos Santos (AGIR3)
Gilvan de Melo Santos (UEPB)
Hermilia Feitosa Junqueira Ayres (UFCG)
Karen Guedes Oliveira (UFPB)
Katia Vanessa Pinto de Meneses (UnB)
Lisieux D'Jesus Luzia de Araújo Rocha (FCC)
Lorena Bandeira Melo de Sá (UNINASSAU)
Lílian Perdigão Caixêta Reis (UFV)
Marcos Vinicius da Costa Meireles (IFG)
Maria Helena Budal da Silva (Escola de Logoterapia)
Paulo Kroeff (UFRGS)
Rouseane da Silva Paula Queiroz (UERN)
Sandrelena da Silva Monteiro (UFJF)
Sarah Xavier Vasconcelos de Fialho Rodrigues (UNILIFE)
Sheila Maria Hesketh Rabuske (ALVEF)
Silvania Rita Ramos (SOBRAL)
Simone Guedes Alves Gomes dos Santos (AGIR3)
Solange Santos de Freitas (Núcleo Mineiro de Logoterapia)
Tatiana Oliveira de Carvalho (TJMA)
Vinícius Cerqueira Bastos dos Santos (UEFS)