Introdução: A gestação de alto risco caracteriza-se por condições clínicas ou obstétricas que podem comprometer a saúde materno-fetal, exigindo acompanhamento especializado e, em muitos casos, hospitalização. Diferentemente da gestação habitual, essa condição envolve probabilidade de intercorrências, o que torna o processo gestacional complexo e exige cuidados contínuos. Nesse contexto, a hospitalização representa mudança significativa na vida da mulher, implicando afastamento do convívio familiar, social e de suas atividades cotidianas. Além disso, a instabilidade clínica e a imprevisibilidade do quadro contribuem para a vivência de sentimentos como medo, insegurança e preocupação, especialmente diante da possibilidade de complicações durante a gestação e o parto. Essas experiências não se restringem aos aspectos biológicos e psicológicos, envolve dimensão intersubjetiva, existencial, que influencia a forma como a mulher vivencia esse período. Objetivo: Compreender como mulheres hospitalizadas com gestação de alto risco experienciam sentido na vida frente a possibilidade de morte na perspectiva do existencialismo frankliano. Na visão frankliana é possível dizer “sim a vida” apesar de situações inevitavelmente trágicas como a possibilidade de morte, esse otimismo não é negação do sofrimento, é o reconhecimento de que, mesmo nas circunstâncias adversas, é possível manter a liberdade de escolher uma atitude, transformar a finitude em motivação para viver com propósito. Método: Estudo de abordagem qualitativa realizado na clínica obstétrica de hospital público do interior da Bahia com 10 mulheres hospitalizadas por gestação de alto risco. A coleta de dados ocorreu entre agosto e setembro de 2025. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP), parecer nº 7.720.429. Utilizaram-se entrevistas semiestruturadas, analisadas conforme a Configuração Triádica de Vietta, articulada à Análise Existencial de Viktor Frankl. Resultados e discussão: Os resultados descortinaram que as mulheres hospitalizadas com gestação de alto risco vivenciam sentimentos de insegurança, medo e preocupação diante do diagnóstico médico e da instabilidade clínica marcada por incertezas quanto à evolução do quadro materno-fetal. A oscilação dos sintomas, ora com períodos de estabilidade, ora com agravamentos, contribui para um estado contínuo de tensão, dificultando o relaxamento e reforçando a sensação de falta de controle sobre a própria condição. Observa-se que algumas participantes comparam a gestação atual com experiências anteriores sem intercorrências, o que intensifica a percepção de estranhamento, desafio e dificuldade de aceitação. A mudança de uma gestação considerada tranquila para uma condição de alto risco evidencia a ruptura de expectativas, gerando sentimentos de vulnerabilidade. Os relatos apontam o impacto emocional diante do surgimento inesperado de complicações clínicas, desencadeando medo relacionado à própria vida e à do bebê. O medo da possibilidade de morte do bebê emerge como elemento central nas falas, acompanhado por sentimentos de tensão, apreensão e sobrecarga emocional. As participantes expressam dificuldade em lidar com a imprevisibilidade da situação, relatando excesso de pensamentos e incertezas quanto ao futuro. A hospitalização, embora represente um espaço de cuidado e monitoramento, também reforça a gravidade do quadro, intensificando a percepção de risco e a fragilidade emocional. À luz da Análise Existencial de Viktor Frankl, tais vivências podem ser compreendidas a partir do conceito de angústia de expectativa, caracterizada pela ansiedade antecipatória frente à possibilidade de eventos negativos. Nesse contexto, o “medo do medo” intensifica o sofrimento, uma vez que a gestante não teme apenas a situação em si, mas também a possibilidade de agravamento e perda. O medo, portanto, ultrapassa a dimensão psicofísica e assume caráter existencial, relacionado à ameaça à vida e à perda do controle sobre o próprio destino. Essa condição desvela a necessidade de cuidado em saúde que ultrapasse o modelo biomédico, contemplando a dimensão espiritual das gestantes. Reconhecer e acolher essas vivências torna-se fundamental para promover suporte integral, contribuindo para a elaboração do sofrimento e para a construção de sentidos diante da experiência vivida. Considerações finais: Concluiu-se que a gestação de alto risco, associada à hospitalização, configura experiência permeada por sentimentos de insegurança, medo e incerteza, especialmente diante da possibilidade de complicações e risco de morte. As mulheres apresentam fragilidade emocional frente à imprevisibilidade do quadro clínico, o que intensifica a vivência de angústia e apreensão. À luz da Análise Existencial de Viktor Frankl, compreende-se que essas experiências mobilizam dimensões profundas da existência humana, nas quais o sofrimento e a ameaça à vida despertam reflexões sobre o sentido da própria existência. O medo vivenciado pelas gestantes pode ser entendido como expressão da angústia diante de situações que fogem ao controle, nas quais, ainda assim, permanece a liberdade interior de posicionamento frente à realidade. Destaca-se a importância de um cuidado em saúde que vá além dos aspectos biológicos, contemplando dimensões emocionais e existenciais. A equipe de enfermagem exerce papel fundamental ao oferecer acolhimento e suporte, favorecendo o enfrentamento das gestantes. Assim, reforça-se a necessidade de uma assistência humanizada, que reconheça a singularidade da mulher e a busca de sentido no contexto da gestação de alto risco.
O XIII Congresso Brasileiro de Logoterapia e Análise Existencial (CBLAE 2026) ocorreu entre os dias 26 e 29 de agosto de 2026 na Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), em Feira de Santana, na Bahia.
Com o tema central “Sentido na Vida e Dignidade Humana”, o congresso ofereceu quatro dias de uma intensa programação dedicada ao estudo, à atualização e à difusão do legado de Viktor Frankl. Foram realizados minicursos de pré-congresso, conferências, outorga do Prêmio Viktor Frankl, apresentações de trabalhos científicos, e mesas-redondas.
Promovido bianualmente, o CBLAE agrega pessoas interessadas na visão frankliana. É o evento de maior relevância nacional da área, constituindo um espaço privilegiado para o encontro e o diálogo entre representantes da academia, da clínica psicológica, da educação e diferentes campos da saúde. A programação favoreceu a discussão sobre temas contemporâneos relacionados à pesquisa, à inovação e às aplicações da Logoterapia no Brasil e no mundo.
Viktor Frankl legou os fundamentos da Logoterapia e Análise Existencial e, ao mesmo tempo, convocou as gerações futuras para continuar este legado. Ele não considerava seus conceitos como um sistema fechado, mas como um saber aberto e dinâmico, a ser constantemente estudado, aprofundado e atualizado. Em sintonia com essa perspectiva a ABLAE e o CBLAE entende que esta é uma missão desta geração de logoterapeutas.
Os Anais do CBLAE 2026 reúnem 73 trabalhos, apresentados oralmente em salas paralelas na tarde do dia 28/08 e na manhã do dia 29/08. Foram momentos de discussões frutíferas entre professores, estudantes de graduação e pós-graduação e profissionais da psicologia, enfermagem, educação, filosofia e outras áreas do conhecimento.
Prezados estudiosos da Logoterapia e Análise Existencial aqui está a apresentação dos resumos dos trabalhos orais apresentados. São textos que expandem a compreensão entendimento dos pensamentos franklianos. Desejamos que seja uma leitura profícua, desperte novas reflexões e favoreça o diálogo entre leitores e autores, ampliando o entendimento e o desenvolvimento da abordagem que tem como centro o sentido na vida.
Prof. Dr. Flávio Luiz Honorato da Silva
(Coordenador da Comissão Científica do CBLAE 2026)
Os resumos de trabalhos deverão ter como fundamento básico a Logoterapia e Análise Existencial de Viktor Frankl (LAE).
O texto do resumo deve ser colado no formulário e conter de 300 a 800 palavras. Não é necessário citar referências.
Todos os trabalhos serão apresentados oralmente e de modo presencial e posteriormente publicados nos anais. Haverá premiação dos melhores trabalhos.
Áreas temáticas:
Psicologia
Educação
Enfermagem
Saúde
Ciências da Religião
Filosofia
Outras áreas
Categoria:
Pesquisa empírica: trabalhos que apresentam resultados obtidos a partir de coleta e análise sistemática de dados (quantativos e/ou qualitativos), com método explicitado. Exemplos de metodologias comuns: estudo transversal (survey/questionário/entrevista), estudo longitudinal, estudo quase-experimental, estudo correlacional, validação/adaptação de instrumentos, estudo qualitativo (fenomenologia, análise temática, teoria fundamentada, etnografia), métodos mistos, etc.
Relato de experiência e práticas profissionais: trabalhos que descrevem e analisam criticamente uma prática, intervenção, projeto ou ação profissional (clínica, educação, saúde, assistência, organizações etc.), destacando contexto, tomada de decisão e aprendizados. Exemplos de metodologias comuns: relato técnico fundamentado, pesquisa-ação, avaliação de processo, avaliação de programa/intervenção (com indicadores simples), triangulação de registros (diários de campo, observação, feedback de participantes).
Trabalho teórico-conceitual: trabalhos voltados ao aprofundamento teórico, discussão conceitual e elaboração de argumentos com base em literatura pertinente, podendo articular Logoterapia/Análise Existencial com temas e campos correlatos. Exemplos de metodologias comuns: ensaio teórico, análise conceitual, revisão de literatura (narrativa, integrativa, escopo), abordagens hermenêuticas/interpretativas de textos (quando cabível), comparação de modelos teóricos.
Produtos, tecnologias e inovação: propostas que apresentam um produto/solução aplicável (material, protocolo, instrumento, roteiro, recurso educativo), com descrição do desenvolvimento, fundamentação e uso potencial. Exemplos de metodologias comuns: prototipagem e iteração, validação de conteúdo, estudo piloto, avaliação de usabilidade/aceitabilidade, avaliação preliminar de efetividade (pré–pós, feedback estruturado).
Idioma da Submissão:
Português
Espanhol
Máximo de autores (e co-autores) por trabalho: 6
Máximo de trabalhos permitidos por autor: 2
Máximo de trabalhos permitidos por co-autor: 6
O primeiro autor deve estar inscrito no evento e conferir a confirmação de submissão em seu email. Caso não receba a confirmação, a submissão pode não ter sido realizada.
Coordenação Geral
David Moises Barreto dos Santos (presidente)
Vinicius Cerqueira Bastos dos Santos
Adriana Braitt Lima
Comissão Científica
Flávio Luiz Honorato da Silva (UFPB) - coordenador
Alisson de Meneses Pontes (UNILIFE)
Benedito Guilherme Falcão Farias (ALVEF)
David Moises Barreto dos Santos (UEFS)
Diogo Arnaldo Corrêa (UMC)
Elaine Custódio Rodrigues Gusmão (UFCG)
Flávia Neves Ferreira (UEPB)
Francisca Pereira da Cruz Zubicueta (UFMA)
Francisco Carlos Gomes dos Santos (AGIR3)
Gilvan de Melo Santos (UEPB)
Hermilia Feitosa Junqueira Ayres (UFCG)
Karen Guedes Oliveira (UFPB)
Katia Vanessa Pinto de Meneses (UnB)
Lisieux D'Jesus Luzia de Araújo Rocha (FCC)
Lorena Bandeira Melo de Sá (UNINASSAU)
Lílian Perdigão Caixêta Reis (UFV)
Marcos Vinicius da Costa Meireles (IFG)
Maria Helena Budal da Silva (Escola de Logoterapia)
Paulo Kroeff (UFRGS)
Rouseane da Silva Paula Queiroz (UERN)
Sandrelena da Silva Monteiro (UFJF)
Sarah Xavier Vasconcelos de Fialho Rodrigues (UNILIFE)
Sheila Maria Hesketh Rabuske (ALVEF)
Silvania Rita Ramos (SOBRAL)
Simone Guedes Alves Gomes dos Santos (AGIR3)
Solange Santos de Freitas (Núcleo Mineiro de Logoterapia)
Tatiana Oliveira de Carvalho (TJMA)
Vinícius Cerqueira Bastos dos Santos (UEFS)