Valores de atitude frente à gestação de alto risco: vivências de mulheres hospitalizadas

  • Autor
  • Ingrid Pereira Gomes
  • Co-autores
  • Shirley Cazumbá Cardoso Machado , Shâmia Sousa Silva , Adriana Braitt Lima , Verônica Cunha Peixoto , Maria das Graças de Jesus Almeida
  • Resumo
  • Introdução: Embora a maioria das gestações evolua sem intercorrências, algumas mulheres apresentam gravidez de alto risco, associada a condições clínicas ou obstétricas capazes de comprometer o bem-estar materno-fetal. No Brasil, a mortalidade materna ainda se configura como um relevante problema de saúde pública, evidenciando a necessidade de atenção qualificada, especialmente para gestantes em situação de risco. Nesse contexto, muitas mulheres necessitam de hospitalização, frequentemente prolongada, o que implica afastamento do convívio social e familiar, além de gerar sentimentos de medo, insegurança e sofrimento. A vivência da gestação de alto risco ultrapassa aspectos biológicos, envolvendo dimensões emocionais, sociais e espirituais que influenciam a forma como a mulher percebe e enfrenta essa experiência. Assim, torna-se fundamental compreender esses aspectos para qualificar o cuidado em saúde, especialmente no âmbito da enfermagem. A Análise Existencial de Viktor Frankl fundamenta este estudo ao considerar o ser humano em sua dimensão biopsicoespiritual e destacar a busca de sentido como elemento central da existência. Na visão frankliana os valores de atitude referem-se à capacidade da pessoa de escolher como reagir a situações adversas, ou seja, trata-se da atitude consciente que a pessoa adota frente ao sofrimento ou de circunstâncias extremas, permitindo encontrar significado mesmo em experiências dolorosas. Objetivo: Compreender os valores de atitude vivenciados por mulheres hospitalizadas diante da gestação de alto risco. Método: Estudo descritivo, de abordagem qualitativa, realizado na enfermaria obstétrica de hospital público, no interior da Bahia, com a participação de 10 mulheres com gestação de alto risco hospitalizadas. A coleta de dados ocorreu no período de agosto a setembro de 2025. A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP), sob o parecer nº 7.720.429. As informações foram obtidas por meio de entrevistas semiestruturadas com a ajuda de roteiro de entrevista e a análise dos dados foi conduzida conforme a Configuração Triádica (Humanista, Personalista e Existencial), articulada ao referencial da Análise Existencial de Viktor Frankl. Resultados e discussão: Os resultados desvelaram que a hospitalização é inicialmente associada a medo e insegurança, é progressivamente reinterpretada como espaço de cuidado, aprendizado e fortalecimento. Esse processo de ressignificação demonstra a capacidade das gestantes de atribuir novos sentidos à realidade vivida, transformando uma condição adversa em oportunidade de crescimento pessoal. As mulheres com gestação de alto risco atribuem significados à experiência gestacional a partir de atitudes marcadas por superação, esperança e gratidão. As narrativas revelam que, mesmo diante de adversidades e incertezas, as gestantes desenvolvem formas de enfrentamento que possibilitam ressignificar a vivência da gravidez e da hospitalização. Para as participantes, a gestação de alto risco torna-se evento transformador, apesar das dificuldades sendo interpretado como oportunidade de mudança e reconstrução do sentido na vida. Experiências simbólicas ao longo da gestação, como a descoberta da gravidez e eventos relacionados ao bebê, atuam como elementos mobilizadores, favorecendo a emergência de sentimentos positivos mesmo em contextos de risco. Os achados indicam que, diante do sofrimento e da incerteza, algumas mulheres adotam uma postura de valorização da vida e gratidão, convertendo experiências desafiadoras em significado pessoal. Esse movimento descortina a capacidade humana de escolher atitudes frente às circunstâncias, mesmo quando estas não podem ser modificadas. Tal compreensão está alinhada à perspectiva da Análise Existencial de Viktor Frankl, segundo a qual os valores de atitude referem-se à possibilidade de o indivíduo decidir como responder a situações inevitáveis. Assim, mesmo diante da gestação de alto risco, as participantes demonstram liberdade interior para atribuir sentido à experiência, reafirmando sua dignidade e potencial de crescimento. Dessa forma, os resultados revelam que a maneira como as gestantes se posicionam frente à adversidade é fundamental para a construção de sentidos, permitindo transformar o sofrimento em uma experiência significativa. Considerações finais: Conclui-se que as mulheres hospitalizadas com gestação de alto risco são capazes de atribuir sentidos à experiência vivida por meio de valores de atitude, expressos em sentimentos de esperança, gratidão e superação. Mesmo diante de um contexto marcado por incertezas e sofrimento, as participantes demonstram capacidade de ressignificar a gestação e a hospitalização, transformando adversidades em oportunidades de crescimento pessoal e fortalecimento emocional. À luz da Análise Existencial, compreende-se que a forma como essas mulheres escolhem se posicionar frente à realidade exerce papel central na construção de sentido, reafirmando sua liberdade interior e dignidade humana. Assim, reforça-se a relevância de práticas de cuidado que considerem não apenas os aspectos clínicos, mas também as dimensões existenciais das gestantes, favorecendo uma assistência mais humanizada, sensível e integral.

  • Palavras-chave
  • Gravidez de alto risco, Cuidados de enfermagem, Hospitalização.
  • Área Temática
  • Enfermagem
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O XIII Congresso Brasileiro de Logoterapia e Análise Existencial (CBLAE 2026) ocorreu entre os dias 26 e 29 de agosto de 2026 na Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), em Feira de Santana, na Bahia.

Com o tema central “Sentido na Vida e Dignidade Humana”, o congresso ofereceu quatro dias de uma intensa programação dedicada ao estudo, à atualização e à difusão do legado de Viktor Frankl. Foram realizados minicursos de pré-congresso, conferências, outorga do Prêmio Viktor Frankl, apresentações de trabalhos científicos, e mesas-redondas.

Promovido bianualmente, o CBLAE agrega pessoas interessadas na visão frankliana. É o evento de maior relevância nacional da área, constituindo um espaço privilegiado para o encontro e o diálogo entre representantes da academia, da clínica psicológica, da educação e diferentes campos da saúde. A programação favoreceu a discussão sobre temas contemporâneos relacionados à pesquisa, à inovação e às aplicações da Logoterapia no Brasil e no mundo.

Viktor Frankl legou os fundamentos da Logoterapia e Análise Existencial e, ao mesmo tempo, convocou as gerações futuras para continuar este legado. Ele não considerava seus conceitos como um sistema fechado, mas como um saber aberto e dinâmico, a ser constantemente estudado, aprofundado e atualizado. Em sintonia com essa perspectiva a ABLAE e o CBLAE entende que esta é uma missão desta geração de logoterapeutas.

Os Anais do CBLAE 2026 reúnem 73 trabalhos, apresentados oralmente em salas paralelas na tarde do dia 28/08 e na manhã do dia 29/08. Foram momentos de discussões frutíferas entre professores, estudantes de graduação e pós-graduação e profissionais da psicologia, enfermagem, educação, filosofia e outras áreas do conhecimento.

Prezados estudiosos da Logoterapia e Análise Existencial aqui está a apresentação dos resumos dos trabalhos orais apresentados. São textos que expandem a compreensão entendimento dos pensamentos franklianos. Desejamos que seja uma leitura profícua, desperte novas reflexões e favoreça o diálogo entre leitores e autores, ampliando o entendimento e o desenvolvimento da abordagem que tem como centro o sentido na vida.

Prof. Dr. Flávio Luiz Honorato da Silva
(Coordenador da Comissão Científica do CBLAE 2026)

Os resumos de trabalhos deverão ter como fundamento básico a Logoterapia e Análise Existencial de Viktor Frankl (LAE). 

O texto do resumo deve ser colado no formulário e conter de 300 a 800 palavras. Não é necessário citar referências.

Todos os trabalhos serão apresentados oralmente e de modo presencial e posteriormente publicados nos anais. Haverá premiação dos melhores trabalhos.

Áreas temáticas:

Psicologia 
Educação
Enfermagem
Saúde
Ciências da Religião
Filosofia
Outras áreas
Categoria:

Pesquisa empírica:  trabalhos que apresentam resultados obtidos a partir de coleta e análise sistemática de dados (quantativos e/ou qualitativos), com método explicitado. Exemplos de metodologias comuns: estudo transversal (survey/questionário/entrevista), estudo longitudinal, estudo quase-experimental, estudo correlacional, validação/adaptação de instrumentos, estudo qualitativo (fenomenologia, análise temática, teoria fundamentada, etnografia), métodos mistos, etc.
Relato de experiência e práticas profissionais:  trabalhos que descrevem e analisam criticamente uma prática, intervenção, projeto ou ação profissional (clínica, educação, saúde, assistência, organizações etc.), destacando contexto, tomada de decisão e aprendizados. Exemplos de metodologias comuns: relato técnico fundamentado, pesquisa-ação, avaliação de processo, avaliação de programa/intervenção (com indicadores simples), triangulação de registros (diários de campo, observação, feedback de participantes).
Trabalho teórico-conceitual: trabalhos voltados ao aprofundamento teórico, discussão conceitual e elaboração de argumentos com base em literatura pertinente, podendo articular Logoterapia/Análise Existencial com temas e campos correlatos. Exemplos de metodologias comuns: ensaio teórico, análise conceitual, revisão de literatura (narrativa, integrativa, escopo), abordagens hermenêuticas/interpretativas de textos (quando cabível), comparação de modelos teóricos.
Produtos, tecnologias e inovação: propostas que apresentam um produto/solução aplicável (material, protocolo, instrumento, roteiro, recurso educativo), com descrição do desenvolvimento, fundamentação e uso potencial. Exemplos de metodologias comuns: prototipagem e iteração, validação de conteúdo, estudo piloto, avaliação de usabilidade/aceitabilidade, avaliação preliminar de efetividade (pré–pós, feedback estruturado).
Idioma da Submissão:

Português
Espanhol 
Máximo de autores (e co-autores) por trabalho: 6

Máximo de trabalhos permitidos por autor: 2

Máximo de trabalhos permitidos por co-autor: 6

O primeiro autor deve estar inscrito no evento e conferir a confirmação de submissão em seu email. Caso não receba a confirmação, a submissão pode não ter sido realizada. 

Coordenação Geral
David Moises Barreto dos Santos (presidente)
Vinicius Cerqueira Bastos dos Santos
Adriana Braitt Lima

Comissão Científica

Flávio Luiz Honorato da Silva (UFPB) - coordenador
Alisson de Meneses Pontes (UNILIFE)
Benedito Guilherme Falcão Farias (ALVEF)
David Moises Barreto dos Santos (UEFS)
Diogo Arnaldo Corrêa (UMC)
Elaine Custódio Rodrigues Gusmão (UFCG)
Flávia Neves Ferreira (UEPB)
Francisca Pereira da Cruz Zubicueta (UFMA)
Francisco Carlos Gomes dos Santos (AGIR3)
Gilvan de Melo Santos (UEPB)
Hermilia Feitosa Junqueira Ayres (UFCG)
Karen Guedes Oliveira (UFPB)
Katia Vanessa Pinto de Meneses (UnB)
Lisieux D'Jesus Luzia de Araújo Rocha (FCC)
Lorena Bandeira Melo de Sá (UNINASSAU)
Lílian Perdigão Caixêta Reis (UFV)
Marcos Vinicius da Costa Meireles (IFG)
Maria Helena Budal da Silva (Escola de Logoterapia)
Paulo Kroeff (UFRGS)
Rouseane da Silva Paula Queiroz (UERN)
Sandrelena da Silva Monteiro (UFJF)
Sarah Xavier Vasconcelos de Fialho Rodrigues (UNILIFE)
Sheila Maria Hesketh Rabuske (ALVEF)
Silvania Rita Ramos (SOBRAL)
Simone Guedes Alves Gomes dos Santos (AGIR3)
Solange Santos de Freitas (Núcleo Mineiro de Logoterapia)
Tatiana Oliveira de Carvalho (TJMA)
Vinícius Cerqueira Bastos dos Santos (UEFS)