Introdução: A saúde mental corresponde a um estado de bem-estar que permite ao indivíduo lidar com o estresse, desenvolver suas potencialidades e atuar na sociedade. Trata-se de um fenômeno influenciado por fatores biológicos, psicológicos e sociais. Atualmente, observa-se aumento de transtornos mentais, especialmente entre jovens em fase de transição para a vida adulta. O ingresso no ensino superior representa um período de mudanças que podem impactar a saúde mental. Na graduação em Enfermagem, esses desafios são intensificados pela elevada carga horária dos componentes curriculares, exigências acadêmicas, pressão emocional relacionada ao cuidado à pessoa, afastamento familiar e dificuldades socioeconômicas que contribuem para sentimentos de ansiedade e frustração. Apesar disso, essas vivências podem favorecer o desenvolvimento da resiliência, entendida como a capacidade de enfrentar adversidades e adaptar-se. À luz de Viktor Frankl, essas tensões na educação quando bem dosadas podem contribuir para o crescimento pessoal. Objetivo: Compreender a resiliência de estudantes de Enfermagem no enfrentamento dos desafios para saúde mental na formação acadêmica. Método: Pesquisa de abordagem qualitativa, com delineamento descritivo e caráter exploratório, vinculada a um projeto “guarda-chuva”, aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Estadual de Feira de Santana, sob parecer nº 3.706.976. A coleta de dados ocorreu no período de abril a junho de 2025, com a participação de dez estudantes de Enfermagem, do quarto ao décimo semestre. A análise dos dados foi realizada conforme a técnica de análise de conteúdo de Bardin, fundamentada na perspectiva da Análise Existencial de Viktor Frankl. Resultados e discussão: As narrativas das estudantes de Enfermagem revelam uma experiência formativa marcada por uma tensão constante entre satisfação e frustração, revelando desafios que impactam diretamente a saúde mental. A desvalorização da profissão, expressa pela falta de reconhecimento social, institucional e governamental, surge como um dos principais fatores de sofrimento. Essa realidade gera uma ruptura entre o investimento pessoal na formação e o retorno simbólico esperado. Na perspectiva de Viktor Frankl, tal vivência pode ser compreendida como frustração da “vontade de sentido”, na qual o sujeito não encontra, no meio social, respostas que corroborem seu propósito existencial. A sobrecarga acadêmica também se destaca como elemento significativo, caracterizada por elevada carga horária, múltiplas exigências e dificuldades de conciliação com a vida pessoal. Esse contexto favorece o desgaste físico e emocional, sendo percebido pelas estudantes como um sofrimento muitas vezes destituído de sentido. Esse sofrimento pode ser suportado quando possui um significado; no entanto, quando percebido como imposto e sem finalidade, tende a se tornar adoecedor, comprometendo a motivação e o engajamento existencial. As dificuldades financeiras e a fragilidade das políticas de permanência estudantil intensificam esse cenário, gerando insegurança e pensamentos de desistência. Para a Análise Existencial, a ausência de condições que possibilitem a construção de projetos de vida favorece o surgimento do vazio existencial, especialmente quando o indivíduo não vislumbra perspectivas futuras que deem sentido ao seu esforço presente. Além disso, fatores como o afastamento familiar e os desafios relacionados ao transporte para as práticas nas instituições de saúde ampliam a sensação de desgaste e vulnerabilidade. Essas condições concretas da vida acadêmica reforçam a percepção de um cotidiano marcado por obstáculos que, muitas vezes, dificultam a vivência plena do sentido da formação. Por outro lado, a teoria frankliana permite compreender que a tensão vivenciada não é patológica, ou seja, uma certa dose de tensão entre o que o indivíduo é e o que deseja se tornar pode ser saudável, desde que orientada por sentido. Nesse contexto, a resiliência emerge como possibilidade de enfrentamento, na medida em que as estudantes, ao encontrarem sentido em suas experiências, podem transformar o sofrimento em crescimento pessoal. Assim, a manutenção da saúde mental está diretamente relacionada à capacidade de encontrar sentido nas adversidades, reafirmando a centralidade da dimensão existencial no processo formativo em Enfermagem. Considerações finais: Os achados expressam que a formação em Enfermagem, embora permeada por conquistas, é atravessada por desafios que desencadeiam sentimentos de frustração, sobrecarga e insegurança, afetando a saúde mental dos estudantes. Fatores como desvalorização profissional, exigências acadêmicas intensas, dificuldades financeiras e limitações estruturais revelam um contexto que fragiliza a vivência formativa. À luz da Análise Existencial de Viktor Frankl, compreende-se que tais experiências podem favorecer a frustração da vontade de sentido, especialmente quando o estudante não encontra reconhecimento ou propósito nas condições inatas em que está inserido. No entanto, mesmo diante dessas adversidades, permanece a possibilidade de escolha de atitudes frente ao sofrimento. Nesse contexto, a resiliência é uma capacidade essencial, permite que os estudantes enfrentem os desafios e encontrem sentido em suas experiências. Assim, destaca-se a importância de instituições de ensino promoverem estratégias que fortaleçam não apenas o desempenho acadêmico, mas também o suporte emocional e existencial, contribuindo para a formação de profissionais preparados e conscientes de seu papel.
O XIII Congresso Brasileiro de Logoterapia e Análise Existencial (CBLAE 2026) ocorreu entre os dias 26 e 29 de agosto de 2026 na Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), em Feira de Santana, na Bahia.
Com o tema central “Sentido na Vida e Dignidade Humana”, o congresso ofereceu quatro dias de uma intensa programação dedicada ao estudo, à atualização e à difusão do legado de Viktor Frankl. Foram realizados minicursos de pré-congresso, conferências, outorga do Prêmio Viktor Frankl, apresentações de trabalhos científicos, e mesas-redondas.
Promovido bianualmente, o CBLAE agrega pessoas interessadas na visão frankliana. É o evento de maior relevância nacional da área, constituindo um espaço privilegiado para o encontro e o diálogo entre representantes da academia, da clínica psicológica, da educação e diferentes campos da saúde. A programação favoreceu a discussão sobre temas contemporâneos relacionados à pesquisa, à inovação e às aplicações da Logoterapia no Brasil e no mundo.
Viktor Frankl legou os fundamentos da Logoterapia e Análise Existencial e, ao mesmo tempo, convocou as gerações futuras para continuar este legado. Ele não considerava seus conceitos como um sistema fechado, mas como um saber aberto e dinâmico, a ser constantemente estudado, aprofundado e atualizado. Em sintonia com essa perspectiva a ABLAE e o CBLAE entende que esta é uma missão desta geração de logoterapeutas.
Os Anais do CBLAE 2026 reúnem 73 trabalhos, apresentados oralmente em salas paralelas na tarde do dia 28/08 e na manhã do dia 29/08. Foram momentos de discussões frutíferas entre professores, estudantes de graduação e pós-graduação e profissionais da psicologia, enfermagem, educação, filosofia e outras áreas do conhecimento.
Prezados estudiosos da Logoterapia e Análise Existencial aqui está a apresentação dos resumos dos trabalhos orais apresentados. São textos que expandem a compreensão entendimento dos pensamentos franklianos. Desejamos que seja uma leitura profícua, desperte novas reflexões e favoreça o diálogo entre leitores e autores, ampliando o entendimento e o desenvolvimento da abordagem que tem como centro o sentido na vida.
Prof. Dr. Flávio Luiz Honorato da Silva
(Coordenador da Comissão Científica do CBLAE 2026)
Os resumos de trabalhos deverão ter como fundamento básico a Logoterapia e Análise Existencial de Viktor Frankl (LAE).
O texto do resumo deve ser colado no formulário e conter de 300 a 800 palavras. Não é necessário citar referências.
Todos os trabalhos serão apresentados oralmente e de modo presencial e posteriormente publicados nos anais. Haverá premiação dos melhores trabalhos.
Áreas temáticas:
Psicologia
Educação
Enfermagem
Saúde
Ciências da Religião
Filosofia
Outras áreas
Categoria:
Pesquisa empírica: trabalhos que apresentam resultados obtidos a partir de coleta e análise sistemática de dados (quantativos e/ou qualitativos), com método explicitado. Exemplos de metodologias comuns: estudo transversal (survey/questionário/entrevista), estudo longitudinal, estudo quase-experimental, estudo correlacional, validação/adaptação de instrumentos, estudo qualitativo (fenomenologia, análise temática, teoria fundamentada, etnografia), métodos mistos, etc.
Relato de experiência e práticas profissionais: trabalhos que descrevem e analisam criticamente uma prática, intervenção, projeto ou ação profissional (clínica, educação, saúde, assistência, organizações etc.), destacando contexto, tomada de decisão e aprendizados. Exemplos de metodologias comuns: relato técnico fundamentado, pesquisa-ação, avaliação de processo, avaliação de programa/intervenção (com indicadores simples), triangulação de registros (diários de campo, observação, feedback de participantes).
Trabalho teórico-conceitual: trabalhos voltados ao aprofundamento teórico, discussão conceitual e elaboração de argumentos com base em literatura pertinente, podendo articular Logoterapia/Análise Existencial com temas e campos correlatos. Exemplos de metodologias comuns: ensaio teórico, análise conceitual, revisão de literatura (narrativa, integrativa, escopo), abordagens hermenêuticas/interpretativas de textos (quando cabível), comparação de modelos teóricos.
Produtos, tecnologias e inovação: propostas que apresentam um produto/solução aplicável (material, protocolo, instrumento, roteiro, recurso educativo), com descrição do desenvolvimento, fundamentação e uso potencial. Exemplos de metodologias comuns: prototipagem e iteração, validação de conteúdo, estudo piloto, avaliação de usabilidade/aceitabilidade, avaliação preliminar de efetividade (pré–pós, feedback estruturado).
Idioma da Submissão:
Português
Espanhol
Máximo de autores (e co-autores) por trabalho: 6
Máximo de trabalhos permitidos por autor: 2
Máximo de trabalhos permitidos por co-autor: 6
O primeiro autor deve estar inscrito no evento e conferir a confirmação de submissão em seu email. Caso não receba a confirmação, a submissão pode não ter sido realizada.
Coordenação Geral
David Moises Barreto dos Santos (presidente)
Vinicius Cerqueira Bastos dos Santos
Adriana Braitt Lima
Comissão Científica
Flávio Luiz Honorato da Silva (UFPB) - coordenador
Alisson de Meneses Pontes (UNILIFE)
Benedito Guilherme Falcão Farias (ALVEF)
David Moises Barreto dos Santos (UEFS)
Diogo Arnaldo Corrêa (UMC)
Elaine Custódio Rodrigues Gusmão (UFCG)
Flávia Neves Ferreira (UEPB)
Francisca Pereira da Cruz Zubicueta (UFMA)
Francisco Carlos Gomes dos Santos (AGIR3)
Gilvan de Melo Santos (UEPB)
Hermilia Feitosa Junqueira Ayres (UFCG)
Karen Guedes Oliveira (UFPB)
Katia Vanessa Pinto de Meneses (UnB)
Lisieux D'Jesus Luzia de Araújo Rocha (FCC)
Lorena Bandeira Melo de Sá (UNINASSAU)
Lílian Perdigão Caixêta Reis (UFV)
Marcos Vinicius da Costa Meireles (IFG)
Maria Helena Budal da Silva (Escola de Logoterapia)
Paulo Kroeff (UFRGS)
Rouseane da Silva Paula Queiroz (UERN)
Sandrelena da Silva Monteiro (UFJF)
Sarah Xavier Vasconcelos de Fialho Rodrigues (UNILIFE)
Sheila Maria Hesketh Rabuske (ALVEF)
Silvania Rita Ramos (SOBRAL)
Simone Guedes Alves Gomes dos Santos (AGIR3)
Solange Santos de Freitas (Núcleo Mineiro de Logoterapia)
Tatiana Oliveira de Carvalho (TJMA)
Vinícius Cerqueira Bastos dos Santos (UEFS)