DESVELANDO AS VIVÊNCIAS DE PESSOAS EM TRATAMENTO DE HEMODIÁLISE: um relato de experiência.
Elaine Guedes Fontoura
Raísa Correia de Souza Nogueira
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INTRODUÇÃO: A vida é carregada de sentido e caminha num dinamismo que exige do ser humano respostas a todo o tempo. O sentido é o que move, seja no enfrentamento da própria existência, no sofrimento e também na morte. Destes, o sofrimento está inserido na hemodiálise, pois além de ser um tratamento de uma doença crônica, exige a autotranscedência, para manter-se com propósito e distanciar-se da tríade trágica. OBJETIVO: O estudo tem por objetivo relatar a experiência da prática da pesquisa em revelar as vivências de pessoas em tratamento hemodialítico sob a perspectiva téorico-filosófica do sentido da vida e análise existencial de Viktor Emil Frankl. METODOLOGIA: Trata-se de um relato de experiência que retrata o percebido por uma pesquisadora mediante a produção de dados de uma pesquisa qualitativa, de cunho fenomenológico, a qual visou compreender as vivências de pessoas ao longo de seus itinerários terapêuticos até o tratamento de hemodialítico. A História Oral foi adotada para descrever este relato de experiência, obedecendo os seguintes passos: Preparação: realizado o estado da arte sobre a temática e construção da entrevista; Execução: após aprovação no Comitê de Ética em Pesquisa, foi iniciado as entrevistas fenomenológicas, as quais foram gravadas; Pós-produção: momento de transcrição e análise dos dados produzidos e Relato final: elaboração deste resumo. Após a análise das entrevistas, foram desveladas as unidades de sentido, e os agrupamentos temáticos de acordo com a Análise Existencial e Sentido da Vida de Frankl, que serviram de alicerce para a construção de quatro temas de análise: sofrimento profundo, emoções extravasadas com choro, lágrimas de gratidão, alegria e felicidade. Os dados produzidos neste relato estão inseridos em formato de fluxograma analítico seguindo as CARE Guidelines para facilitar a parametrização e demonstração do detalhamento dos dados. RESULTADOS/DISCUSSÃO: A seleção das pessoas foi a primeira intervenção experienciada. Buscou-se no painel de indicadores clínicos da unidade, pessoas há dois anos em tratamento de hemodiálise. O próximo passo foi junto a equipe da recepção localizadores dessas pessoas, como: turno de diálise e estimativa do horário de chegada. Foi acompanhado a chegada de cada participante previamente selecionadas para então proceder com a abordagem inicial. Nesse primeiro momento, foi percebido comportamento de estranheza, desconfiança e surpresa, uma vez que não havia vínculo delas com a pesquisadora e a participação em pesquisas parecia ser algo novo, principalmente no tanger do percurso de suas vidas até aquele momento. Houve uma recusa, com a justificada de falta de tempo e desinteresse sobre o assunto. Nas demais, após esse primeiro contato, as pessoas utilizavam daquele momento como oportunidade para empoderamento, pois se viam como protagonistas de sua própria história e isso interessava a alguém (neste caso, a pesquisadora). A segunda intervenção foi ouvir os relatos de seus itinerários terapêuticos. Nesta fase, foi a pesquisara quem se surpreendeu, pois lhe foram apresentados relatos que se traduziram em quatro temas de análise: A) sofrimento profundo: que até então, não estava superado, mesmo comparecendo às sessões de hemodiálise, mas que transmitia uma perda de propósito, uma falta de sentido para continuar vivendo. Para alguns pacientes, a hemodiálise é sobreviver, mas sem conseguir encontrar um sentido. Vivencia-se então o vazio existencial. B) Emoções extravasadas como choro: esses comportamentos foram desvelados ao analisar algumas falas o arrependimento das escolhas realizadas no passado e as dificuldades em aceitar as consequências de suas respostas dadas à vida, principalmente frente aos mais relevantes fatores de risco para a doença renal: hipertensão e diabetes. A isso, Frankl define como falta de auto responsabilidade. C) Lágrimas de gratidão: apesar dos sofrimentos e proximidade da morte entre sintomas, ter consciência de seu diagnóstico, piora clínica e superação, a pesquisadora percebia que em algumas falas haviam gratidão por estarem vivas e a hemodiálise era apenas mais um capítulo em seu destino. Para estas, existia um “para quê viver”, defendido por Frankl. D) Alegria e felicidade: algumas vivências traduziam o caminho percorrido até a hemodiálise como uma convocação da vida para um novo momento de poder ser, e que apesar de tudo, ainda conseguiam encontrar a felicidade, pois ela não era o alvo, e sim a vontade de sentido, como Frankl elucida em sua teoria da Logoterapia. Conclusão: A vida convoca o ser humano a refletir sobre a realidade, liberdade e o sentido da vida e sob quaisquer circunstâncias, ela tem um propósito. No entanto, algumas pessoas desconhecem ou perderam o sentido de suas vidas ao se depararem com situações adversas, e mergulham num vazio da própria existência. Outras, ao passar pela tempestade, ressignificaram a si mesmo. É necessário (re)encontrar o “para quê” viver, para que se possa suportar quase todo “como”.
O XIII Congresso Brasileiro de Logoterapia e Análise Existencial (CBLAE 2026) ocorreu entre os dias 26 e 29 de agosto de 2026 na Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), em Feira de Santana, na Bahia.
Com o tema central “Sentido na Vida e Dignidade Humana”, o congresso ofereceu quatro dias de uma intensa programação dedicada ao estudo, à atualização e à difusão do legado de Viktor Frankl. Foram realizados minicursos de pré-congresso, conferências, outorga do Prêmio Viktor Frankl, apresentações de trabalhos científicos, e mesas-redondas.
Promovido bianualmente, o CBLAE agrega pessoas interessadas na visão frankliana. É o evento de maior relevância nacional da área, constituindo um espaço privilegiado para o encontro e o diálogo entre representantes da academia, da clínica psicológica, da educação e diferentes campos da saúde. A programação favoreceu a discussão sobre temas contemporâneos relacionados à pesquisa, à inovação e às aplicações da Logoterapia no Brasil e no mundo.
Viktor Frankl legou os fundamentos da Logoterapia e Análise Existencial e, ao mesmo tempo, convocou as gerações futuras para continuar este legado. Ele não considerava seus conceitos como um sistema fechado, mas como um saber aberto e dinâmico, a ser constantemente estudado, aprofundado e atualizado. Em sintonia com essa perspectiva a ABLAE e o CBLAE entende que esta é uma missão desta geração de logoterapeutas.
Os Anais do CBLAE 2026 reúnem 73 trabalhos, apresentados oralmente em salas paralelas na tarde do dia 28/08 e na manhã do dia 29/08. Foram momentos de discussões frutíferas entre professores, estudantes de graduação e pós-graduação e profissionais da psicologia, enfermagem, educação, filosofia e outras áreas do conhecimento.
Prezados estudiosos da Logoterapia e Análise Existencial aqui está a apresentação dos resumos dos trabalhos orais apresentados. São textos que expandem a compreensão entendimento dos pensamentos franklianos. Desejamos que seja uma leitura profícua, desperte novas reflexões e favoreça o diálogo entre leitores e autores, ampliando o entendimento e o desenvolvimento da abordagem que tem como centro o sentido na vida.
Prof. Dr. Flávio Luiz Honorato da Silva
(Coordenador da Comissão Científica do CBLAE 2026)
Os resumos de trabalhos deverão ter como fundamento básico a Logoterapia e Análise Existencial de Viktor Frankl (LAE).
O texto do resumo deve ser colado no formulário e conter de 300 a 800 palavras. Não é necessário citar referências.
Todos os trabalhos serão apresentados oralmente e de modo presencial e posteriormente publicados nos anais. Haverá premiação dos melhores trabalhos.
Áreas temáticas:
Psicologia
Educação
Enfermagem
Saúde
Ciências da Religião
Filosofia
Outras áreas
Categoria:
Pesquisa empírica: trabalhos que apresentam resultados obtidos a partir de coleta e análise sistemática de dados (quantativos e/ou qualitativos), com método explicitado. Exemplos de metodologias comuns: estudo transversal (survey/questionário/entrevista), estudo longitudinal, estudo quase-experimental, estudo correlacional, validação/adaptação de instrumentos, estudo qualitativo (fenomenologia, análise temática, teoria fundamentada, etnografia), métodos mistos, etc.
Relato de experiência e práticas profissionais: trabalhos que descrevem e analisam criticamente uma prática, intervenção, projeto ou ação profissional (clínica, educação, saúde, assistência, organizações etc.), destacando contexto, tomada de decisão e aprendizados. Exemplos de metodologias comuns: relato técnico fundamentado, pesquisa-ação, avaliação de processo, avaliação de programa/intervenção (com indicadores simples), triangulação de registros (diários de campo, observação, feedback de participantes).
Trabalho teórico-conceitual: trabalhos voltados ao aprofundamento teórico, discussão conceitual e elaboração de argumentos com base em literatura pertinente, podendo articular Logoterapia/Análise Existencial com temas e campos correlatos. Exemplos de metodologias comuns: ensaio teórico, análise conceitual, revisão de literatura (narrativa, integrativa, escopo), abordagens hermenêuticas/interpretativas de textos (quando cabível), comparação de modelos teóricos.
Produtos, tecnologias e inovação: propostas que apresentam um produto/solução aplicável (material, protocolo, instrumento, roteiro, recurso educativo), com descrição do desenvolvimento, fundamentação e uso potencial. Exemplos de metodologias comuns: prototipagem e iteração, validação de conteúdo, estudo piloto, avaliação de usabilidade/aceitabilidade, avaliação preliminar de efetividade (pré–pós, feedback estruturado).
Idioma da Submissão:
Português
Espanhol
Máximo de autores (e co-autores) por trabalho: 6
Máximo de trabalhos permitidos por autor: 2
Máximo de trabalhos permitidos por co-autor: 6
O primeiro autor deve estar inscrito no evento e conferir a confirmação de submissão em seu email. Caso não receba a confirmação, a submissão pode não ter sido realizada.
Coordenação Geral
David Moises Barreto dos Santos (presidente)
Vinicius Cerqueira Bastos dos Santos
Adriana Braitt Lima
Comissão Científica
Flávio Luiz Honorato da Silva (UFPB) - coordenador
Alisson de Meneses Pontes (UNILIFE)
Benedito Guilherme Falcão Farias (ALVEF)
David Moises Barreto dos Santos (UEFS)
Diogo Arnaldo Corrêa (UMC)
Elaine Custódio Rodrigues Gusmão (UFCG)
Flávia Neves Ferreira (UEPB)
Francisca Pereira da Cruz Zubicueta (UFMA)
Francisco Carlos Gomes dos Santos (AGIR3)
Gilvan de Melo Santos (UEPB)
Hermilia Feitosa Junqueira Ayres (UFCG)
Karen Guedes Oliveira (UFPB)
Katia Vanessa Pinto de Meneses (UnB)
Lisieux D'Jesus Luzia de Araújo Rocha (FCC)
Lorena Bandeira Melo de Sá (UNINASSAU)
Lílian Perdigão Caixêta Reis (UFV)
Marcos Vinicius da Costa Meireles (IFG)
Maria Helena Budal da Silva (Escola de Logoterapia)
Paulo Kroeff (UFRGS)
Rouseane da Silva Paula Queiroz (UERN)
Sandrelena da Silva Monteiro (UFJF)
Sarah Xavier Vasconcelos de Fialho Rodrigues (UNILIFE)
Sheila Maria Hesketh Rabuske (ALVEF)
Silvania Rita Ramos (SOBRAL)
Simone Guedes Alves Gomes dos Santos (AGIR3)
Solange Santos de Freitas (Núcleo Mineiro de Logoterapia)
Tatiana Oliveira de Carvalho (TJMA)
Vinícius Cerqueira Bastos dos Santos (UEFS)