O QUE APRENDI COM OS CASAIS
Minha intenção foi recolher alguns pensamentos e reflexões que me parecem úteis para quem quer atender ou já atende casais.
Meu primeiro forte estímulo para atender casais veio de um curso dentro da Teoria Sistêmica. Ali percebi a grande variedade de teorias e propostas, todas sistêmicas e todas com uma sua validação, mas sempre carentes da antropologia de Frankl, que é muito específica. Outro detalhe, provavelmente não existem dois logoterapeutas que tenham uma mesma prática clínica, um mesmo modus operandi. Lembro algumas considerações de Frankl sobre como ele pensava o logoterapeuta e entre as muitas ideias expressas, cito uma em particular: não quero papagaios para repetir o que eu falei, mas pessoas que possam também inovar. Inovar não significa inventar ou inverter a Logoterapia, mas a variedade de teorias sistêmicas, os nossos diferentes modos de sermos logoterapeutas e as observações de Frankl sobre como ele nos via foram de estímulo para iniciar a atender casais.
Na minha prática clínica, a lógica de Frankl, que propõe o Caminho dos Valores – já exposto em Congresso de Logoterapia e publicado – simplifica e muito o processo terapêutico, também no atendimento ao casal.
Outro ponto que simplifica nossa compreensão e pode nos colocar no caminho do atendimento aos casais é o fato que quando um casal se dispõe a encontrar um horário para o atendimento terapêutico, o casal já está em sintonia para uma busca de soluções e respostas.
Os casais chegam fragilizados, nosso primeiro passo é o acolhimento, a escuta. Nosso diferencial é a nossa visão de ser humano, a nossa antropologia, a busca de sentido e o caminho dos valores tem quase todas as respostas para um bom atendimento dos casais. Não digo todas as respostas, porque em determinadas situações precisamos contar com a ajuda, por exemplo, de psiquiatras e endocrinologistas, e precisamos ter conhecimento de aspectos legais em diversas áreas, para saber como lidar com abusos de diversos tipos, relações extraconjugais, dependência química etc.
HUMOR
Frankl cita o humor como fonte e garantia de saúde, sinalizando também que o humor é específico do ser humano e tenho visto que nossa capacidade de desdramatizar situações complexas e difíceis com o humor deve ser potencializada e colocada em relevo.
FRENTE A FRENTE
Com o professor e mestre Alejandro Paredes aprendi uma proposta que mudou minha maneira de atender casais. Ao invés de o casal estar frente ao profissional e dialogando e expondo os fatos ao profissional, convido o casal – mesmo online – a estar frente a frente e dialogar, expressar, responder um ao outro, momento em que, inclusive, eu desligo a câmera, dizendo “não estou aqui” e “isso que vocês querem dizer a mim, digam ao outro, iniciando com o nome do outro. Essa metodologia tem sido um grande diferencial, inclusive é por esse motivo que quis detalhar o que “aprendi com os casais”:
PARA QUEM VOCÊ ESTÁ FALANDO?
Aplicando a proposta do Prof. Paredes, percebi que quando estamos carregados de mágoas, tensões e talvez noites mal dormidas em função do estresse conjugal, é comum que não falamos para e não conversamos com a pessoa que amamos, nós falamos e interagimos com a pessoa que nos magoou. O resultado dificilmente poderia ser positivo e na verdade os rancores crescem continuamente. No ambiente terapêutico, depois que se cria o vínculo – no máximo na segunda sessão – proponho justamente isso, que o casal sente frente a frente e um possa dizer ao outro aquilo que está sentindo, o que o/a faz sofrer, o que pensa sobre determinada situação etc., iniciando a frase com o nome do cônjuge. Relato de casos dos atendimentos.
A FINALIZAÇÃO COM UM ABRAÇO
Para terminar, tendo presente que, por natureza, as tensões afastam um do outro nas finalizações dos nossos encontros terapêuticos, peço que o casal fique de pé e, de surpresa deem um abraço e isso digo de forma variada: algumas vezes digo “podem dar um abraço, pode ser demorado, ou “vou concluir, vocês podem ficar namorando”. Esse tipo de conclusão aprendi com eles: o casal era o único na clínica, eu me ausentei da sala para que o casal realizasse uma tarefa da imersão e percebi que eles estavam trocando intensos carinhos. Ou seja, as tensões afastam um do outro, mas entendo como nosso papel de terapeuta de casais, valorizar os aspectos positivos de um e de outro, descobrir com eles caminhos onde cada um possa demonstrar o amor pelo outro e proporcionar momentos de descontração, com o nosso humor e aproveitando as circunstâncias que aparecem no ambiente terapêutico e, por que não, criar e dar espaço para trocas de carinho, como é o específico do casal.
O XIII Congresso Brasileiro de Logoterapia e Análise Existencial (CBLAE 2026) ocorreu entre os dias 26 e 29 de agosto de 2026 na Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), em Feira de Santana, na Bahia.
Com o tema central “Sentido na Vida e Dignidade Humana”, o congresso ofereceu quatro dias de uma intensa programação dedicada ao estudo, à atualização e à difusão do legado de Viktor Frankl. Foram realizados minicursos de pré-congresso, conferências, outorga do Prêmio Viktor Frankl, apresentações de trabalhos científicos, e mesas-redondas.
Promovido bianualmente, o CBLAE agrega pessoas interessadas na visão frankliana. É o evento de maior relevância nacional da área, constituindo um espaço privilegiado para o encontro e o diálogo entre representantes da academia, da clínica psicológica, da educação e diferentes campos da saúde. A programação favoreceu a discussão sobre temas contemporâneos relacionados à pesquisa, à inovação e às aplicações da Logoterapia no Brasil e no mundo.
Viktor Frankl legou os fundamentos da Logoterapia e Análise Existencial e, ao mesmo tempo, convocou as gerações futuras para continuar este legado. Ele não considerava seus conceitos como um sistema fechado, mas como um saber aberto e dinâmico, a ser constantemente estudado, aprofundado e atualizado. Em sintonia com essa perspectiva a ABLAE e o CBLAE entende que esta é uma missão desta geração de logoterapeutas.
Os Anais do CBLAE 2026 reúnem 73 trabalhos, apresentados oralmente em salas paralelas na tarde do dia 28/08 e na manhã do dia 29/08. Foram momentos de discussões frutíferas entre professores, estudantes de graduação e pós-graduação e profissionais da psicologia, enfermagem, educação, filosofia e outras áreas do conhecimento.
Prezados estudiosos da Logoterapia e Análise Existencial aqui está a apresentação dos resumos dos trabalhos orais apresentados. São textos que expandem a compreensão entendimento dos pensamentos franklianos. Desejamos que seja uma leitura profícua, desperte novas reflexões e favoreça o diálogo entre leitores e autores, ampliando o entendimento e o desenvolvimento da abordagem que tem como centro o sentido na vida.
Prof. Dr. Flávio Luiz Honorato da Silva
(Coordenador da Comissão Científica do CBLAE 2026)
Os resumos de trabalhos deverão ter como fundamento básico a Logoterapia e Análise Existencial de Viktor Frankl (LAE).
O texto do resumo deve ser colado no formulário e conter de 300 a 800 palavras. Não é necessário citar referências.
Todos os trabalhos serão apresentados oralmente e de modo presencial e posteriormente publicados nos anais. Haverá premiação dos melhores trabalhos.
Áreas temáticas:
Psicologia
Educação
Enfermagem
Saúde
Ciências da Religião
Filosofia
Outras áreas
Categoria:
Pesquisa empírica: trabalhos que apresentam resultados obtidos a partir de coleta e análise sistemática de dados (quantativos e/ou qualitativos), com método explicitado. Exemplos de metodologias comuns: estudo transversal (survey/questionário/entrevista), estudo longitudinal, estudo quase-experimental, estudo correlacional, validação/adaptação de instrumentos, estudo qualitativo (fenomenologia, análise temática, teoria fundamentada, etnografia), métodos mistos, etc.
Relato de experiência e práticas profissionais: trabalhos que descrevem e analisam criticamente uma prática, intervenção, projeto ou ação profissional (clínica, educação, saúde, assistência, organizações etc.), destacando contexto, tomada de decisão e aprendizados. Exemplos de metodologias comuns: relato técnico fundamentado, pesquisa-ação, avaliação de processo, avaliação de programa/intervenção (com indicadores simples), triangulação de registros (diários de campo, observação, feedback de participantes).
Trabalho teórico-conceitual: trabalhos voltados ao aprofundamento teórico, discussão conceitual e elaboração de argumentos com base em literatura pertinente, podendo articular Logoterapia/Análise Existencial com temas e campos correlatos. Exemplos de metodologias comuns: ensaio teórico, análise conceitual, revisão de literatura (narrativa, integrativa, escopo), abordagens hermenêuticas/interpretativas de textos (quando cabível), comparação de modelos teóricos.
Produtos, tecnologias e inovação: propostas que apresentam um produto/solução aplicável (material, protocolo, instrumento, roteiro, recurso educativo), com descrição do desenvolvimento, fundamentação e uso potencial. Exemplos de metodologias comuns: prototipagem e iteração, validação de conteúdo, estudo piloto, avaliação de usabilidade/aceitabilidade, avaliação preliminar de efetividade (pré–pós, feedback estruturado).
Idioma da Submissão:
Português
Espanhol
Máximo de autores (e co-autores) por trabalho: 6
Máximo de trabalhos permitidos por autor: 2
Máximo de trabalhos permitidos por co-autor: 6
O primeiro autor deve estar inscrito no evento e conferir a confirmação de submissão em seu email. Caso não receba a confirmação, a submissão pode não ter sido realizada.
Coordenação Geral
David Moises Barreto dos Santos (presidente)
Vinicius Cerqueira Bastos dos Santos
Adriana Braitt Lima
Comissão Científica
Flávio Luiz Honorato da Silva (UFPB) - coordenador
Alisson de Meneses Pontes (UNILIFE)
Benedito Guilherme Falcão Farias (ALVEF)
David Moises Barreto dos Santos (UEFS)
Diogo Arnaldo Corrêa (UMC)
Elaine Custódio Rodrigues Gusmão (UFCG)
Flávia Neves Ferreira (UEPB)
Francisca Pereira da Cruz Zubicueta (UFMA)
Francisco Carlos Gomes dos Santos (AGIR3)
Gilvan de Melo Santos (UEPB)
Hermilia Feitosa Junqueira Ayres (UFCG)
Karen Guedes Oliveira (UFPB)
Katia Vanessa Pinto de Meneses (UnB)
Lisieux D'Jesus Luzia de Araújo Rocha (FCC)
Lorena Bandeira Melo de Sá (UNINASSAU)
Lílian Perdigão Caixêta Reis (UFV)
Marcos Vinicius da Costa Meireles (IFG)
Maria Helena Budal da Silva (Escola de Logoterapia)
Paulo Kroeff (UFRGS)
Rouseane da Silva Paula Queiroz (UERN)
Sandrelena da Silva Monteiro (UFJF)
Sarah Xavier Vasconcelos de Fialho Rodrigues (UNILIFE)
Sheila Maria Hesketh Rabuske (ALVEF)
Silvania Rita Ramos (SOBRAL)
Simone Guedes Alves Gomes dos Santos (AGIR3)
Solange Santos de Freitas (Núcleo Mineiro de Logoterapia)
Tatiana Oliveira de Carvalho (TJMA)
Vinícius Cerqueira Bastos dos Santos (UEFS)