A Logoterapia e Análise Existencial e a literatura clássica podem estabelecer relações estreitas, uma vez que abordam temáticas essencialmente humanas, evidenciando os anseios, os questionamentos e as motivações do ser humano. A distopia inglesa “Admirável Mundo Novo” apresenta uma sociedade altamente condicionada, em que destacam-se especialmente a produtividade e o prazer, além da negação de aspectos especificamente humanos. Ao longo da narrativa, são desenvolvidas temáticas que evidenciam os binômios pessoa livre versus condicionada, amor a uma pessoa versus busca estrita pelo prazer, princípios pessoais versus conformismo coletivo. Tais aspectos dialogam com a teoria de Frankl, já que considera uma visão de homem nas dimensões biológica, psicológica e noética ou espiritual, a qual engloba aquilo que é especificamente humano, como a liberdade, a responsabilidade, o amor, a religiosidade, entre outros fenômenos. O objetivo do ensaio teórico foi analisar a obra literária “Admirável Mundo Novo”, uma distopia inglesa escrita por Aldous Huxley e publicada em 1932, a partir do referencial teórico da Logoterapia e Análise Existencial, de Viktor Frankl. Em um diálogo dinâmico com a perspectiva frankliana, foram abordados temas como: o conceito de comunidade e massa; os destinos na visão da Logoterapia; a relação entre liberdade e responsabilidade; as três categorias de valores; a relação do homem com o suprassentido; o sentido do amor; a vontade de sentido versus a vontade de prazer; o vazio existencial; a neurose dominical; o homo patiens. “O mundo agora é estável. As pessoas são felizes, têm o que desejam e nunca desejam o que não podem ter.” Essa frase marca o elevado condicionamento presente nessa sociedade antiutópica, em que os destinos dados à pessoa são determinantes para o modo como ela irá se posicionar no mundo. Em contraponto, na Logoterapia, por mais que o homem não tenha sido livre de escolher seus destinos biológico, psicológico e social, ele ainda é livre para configurá-los dentro do seu espaço de liberdade e responsabilidade, diante das possibilidades que lhe são apresentadas. Essa liberdade, característica da dimensão noológica, nunca é retirada do homem, entretanto, pode estar adormecida. É possível observar isso em uma fala do personagem Bernard, que questiona-se como seria ser livre: “[...] o que eu sentiria [...] se fosse livre, se não estivesse escravizado pelo meu condicionamento?”. Frankl aponta que a liberdade deve ser complementada pelo senso de responsabilidade, de modo que ser homem significa ser-consciente e ser-responsável. A consciência é o órgão do sentido capaz de captar o sentido único a ser realizado e a essas possibilidades de sentido, chamam-se valores. Na Logoterapia, são definidas três categorias de valores: criadores, vivenciais e atitudinais. Na sociedade descrita no livro, as pessoas foram condicionadas a evitarem qualquer tipo de realização de valor e sentido, abrindo mão de uma existência autêntica, seja no trabalho, na apreciação da natureza, na religiosidade e no enfrentamento das adversidades da vida. O funcionamento condicionado e desumanizado é posto em questão quando o personagem John, vindo de uma sociedade que ainda vive o que no mundo novo é abolido, entra na história. Ele afirma “Se os senhores se permitissem pensar em Deus [...] Teriam uma razão para suportar as coisas com paciência, para fazer as coisas com coragem!”. Em diálogo com Frankl, a fé num suprassentido consiste numa expressão da autotranscendência, permitindo ao homem suportar e enfrentar as fatalidades da vida. No âmbito dos relacionamentos, no mundo novo são marcados por uma perspectiva meramente sexual, evidenciando a busca do prazer como fim último. Em contrapartida, Frankl afirma que a motivação primária do homem é a vontade de sentido, sendo o prazer uma consequência da realização de sentido. Ademais, nessa sociedade as pessoas são ensinadas a odiar a solidão e fogem do tédio e do sofrimento, seja pelo trabalho, pelos prazeres, ou pela droga soma. O grande problema disso é que na solidão e no tédio, o homem depara-se com suas fraquezas, o que pode evidenciar-lhe sua falta de sentido. Evidencia-se o vazio existencial, que para a Logoterapia está relacionado a ausência da efetivação de valores, da vivência de valores. Além disso, Frankl defende que sofrer está na essência da existência humana e a análise existencial deve tornar o homem capaz de sofrer (homo patiens), sendo possível satisfazer o sentido na vida, no sucesso e no fracasso, realizando valores criadores, vivenciais e atitudinais. Conclui-se que, pela obra analisada apresentar semelhanças com a sociedade do século XXI pela exaltação do prazer por si mesmo, pelo vazio existencial e pelas diversas formas de anestesiamento do sofrimento, o ensaio mostra que a Logoterapia pode ser uma abordagem relevante para abordar e questionar as questões do nosso tempo. As contribuições do ensaio incluem: o enriquecimento de trabalhos que buscam aproximar Psicologia e literatura; a ampliação do olhar para intervenções que tenham como base a biblioterapia; e o ensino da Logoterapia em contexto universitário ao discutir conceitos fundamentais da abordagem.
O XIII Congresso Brasileiro de Logoterapia e Análise Existencial (CBLAE 2026) ocorreu entre os dias 26 e 29 de agosto de 2026 na Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), em Feira de Santana, na Bahia.
Com o tema central “Sentido na Vida e Dignidade Humana”, o congresso ofereceu quatro dias de uma intensa programação dedicada ao estudo, à atualização e à difusão do legado de Viktor Frankl. Foram realizados minicursos de pré-congresso, conferências, outorga do Prêmio Viktor Frankl, apresentações de trabalhos científicos, e mesas-redondas.
Promovido bianualmente, o CBLAE agrega pessoas interessadas na visão frankliana. É o evento de maior relevância nacional da área, constituindo um espaço privilegiado para o encontro e o diálogo entre representantes da academia, da clínica psicológica, da educação e diferentes campos da saúde. A programação favoreceu a discussão sobre temas contemporâneos relacionados à pesquisa, à inovação e às aplicações da Logoterapia no Brasil e no mundo.
Viktor Frankl legou os fundamentos da Logoterapia e Análise Existencial e, ao mesmo tempo, convocou as gerações futuras para continuar este legado. Ele não considerava seus conceitos como um sistema fechado, mas como um saber aberto e dinâmico, a ser constantemente estudado, aprofundado e atualizado. Em sintonia com essa perspectiva a ABLAE e o CBLAE entende que esta é uma missão desta geração de logoterapeutas.
Os Anais do CBLAE 2026 reúnem 73 trabalhos, apresentados oralmente em salas paralelas na tarde do dia 28/08 e na manhã do dia 29/08. Foram momentos de discussões frutíferas entre professores, estudantes de graduação e pós-graduação e profissionais da psicologia, enfermagem, educação, filosofia e outras áreas do conhecimento.
Prezados estudiosos da Logoterapia e Análise Existencial aqui está a apresentação dos resumos dos trabalhos orais apresentados. São textos que expandem a compreensão entendimento dos pensamentos franklianos. Desejamos que seja uma leitura profícua, desperte novas reflexões e favoreça o diálogo entre leitores e autores, ampliando o entendimento e o desenvolvimento da abordagem que tem como centro o sentido na vida.
Prof. Dr. Flávio Luiz Honorato da Silva
(Coordenador da Comissão Científica do CBLAE 2026)
Os resumos de trabalhos deverão ter como fundamento básico a Logoterapia e Análise Existencial de Viktor Frankl (LAE).
O texto do resumo deve ser colado no formulário e conter de 300 a 800 palavras. Não é necessário citar referências.
Todos os trabalhos serão apresentados oralmente e de modo presencial e posteriormente publicados nos anais. Haverá premiação dos melhores trabalhos.
Áreas temáticas:
Psicologia
Educação
Enfermagem
Saúde
Ciências da Religião
Filosofia
Outras áreas
Categoria:
Pesquisa empírica: trabalhos que apresentam resultados obtidos a partir de coleta e análise sistemática de dados (quantativos e/ou qualitativos), com método explicitado. Exemplos de metodologias comuns: estudo transversal (survey/questionário/entrevista), estudo longitudinal, estudo quase-experimental, estudo correlacional, validação/adaptação de instrumentos, estudo qualitativo (fenomenologia, análise temática, teoria fundamentada, etnografia), métodos mistos, etc.
Relato de experiência e práticas profissionais: trabalhos que descrevem e analisam criticamente uma prática, intervenção, projeto ou ação profissional (clínica, educação, saúde, assistência, organizações etc.), destacando contexto, tomada de decisão e aprendizados. Exemplos de metodologias comuns: relato técnico fundamentado, pesquisa-ação, avaliação de processo, avaliação de programa/intervenção (com indicadores simples), triangulação de registros (diários de campo, observação, feedback de participantes).
Trabalho teórico-conceitual: trabalhos voltados ao aprofundamento teórico, discussão conceitual e elaboração de argumentos com base em literatura pertinente, podendo articular Logoterapia/Análise Existencial com temas e campos correlatos. Exemplos de metodologias comuns: ensaio teórico, análise conceitual, revisão de literatura (narrativa, integrativa, escopo), abordagens hermenêuticas/interpretativas de textos (quando cabível), comparação de modelos teóricos.
Produtos, tecnologias e inovação: propostas que apresentam um produto/solução aplicável (material, protocolo, instrumento, roteiro, recurso educativo), com descrição do desenvolvimento, fundamentação e uso potencial. Exemplos de metodologias comuns: prototipagem e iteração, validação de conteúdo, estudo piloto, avaliação de usabilidade/aceitabilidade, avaliação preliminar de efetividade (pré–pós, feedback estruturado).
Idioma da Submissão:
Português
Espanhol
Máximo de autores (e co-autores) por trabalho: 6
Máximo de trabalhos permitidos por autor: 2
Máximo de trabalhos permitidos por co-autor: 6
O primeiro autor deve estar inscrito no evento e conferir a confirmação de submissão em seu email. Caso não receba a confirmação, a submissão pode não ter sido realizada.
Coordenação Geral
David Moises Barreto dos Santos (presidente)
Vinicius Cerqueira Bastos dos Santos
Adriana Braitt Lima
Comissão Científica
Flávio Luiz Honorato da Silva (UFPB) - coordenador
Alisson de Meneses Pontes (UNILIFE)
Benedito Guilherme Falcão Farias (ALVEF)
David Moises Barreto dos Santos (UEFS)
Diogo Arnaldo Corrêa (UMC)
Elaine Custódio Rodrigues Gusmão (UFCG)
Flávia Neves Ferreira (UEPB)
Francisca Pereira da Cruz Zubicueta (UFMA)
Francisco Carlos Gomes dos Santos (AGIR3)
Gilvan de Melo Santos (UEPB)
Hermilia Feitosa Junqueira Ayres (UFCG)
Karen Guedes Oliveira (UFPB)
Katia Vanessa Pinto de Meneses (UnB)
Lisieux D'Jesus Luzia de Araújo Rocha (FCC)
Lorena Bandeira Melo de Sá (UNINASSAU)
Lílian Perdigão Caixêta Reis (UFV)
Marcos Vinicius da Costa Meireles (IFG)
Maria Helena Budal da Silva (Escola de Logoterapia)
Paulo Kroeff (UFRGS)
Rouseane da Silva Paula Queiroz (UERN)
Sandrelena da Silva Monteiro (UFJF)
Sarah Xavier Vasconcelos de Fialho Rodrigues (UNILIFE)
Sheila Maria Hesketh Rabuske (ALVEF)
Silvania Rita Ramos (SOBRAL)
Simone Guedes Alves Gomes dos Santos (AGIR3)
Solange Santos de Freitas (Núcleo Mineiro de Logoterapia)
Tatiana Oliveira de Carvalho (TJMA)
Vinícius Cerqueira Bastos dos Santos (UEFS)