ENTRE RAÍZES E SENTIDO: O SOFRIMENTO EXISTENCIAL NA AUSÊNCIA DE PERTENCIMENTO

  • Autor
  • Erika Bianca de Souza Lima
  • Co-autores
  • Aline de Andrade Marques Brandão da Fonseca , Gilberto Antônio Batista
  • Resumo
  • INTRODUÇÃO: A experiência humana é atravessada pela necessidade de pertencimento, seja em relação ao território, à cultura ou aos vínculos afetivos construídos ao longo da vida. No entanto, em um contexto marcado por constantes deslocamentos e fragilização das relações, muitos indivíduos vivenciam a perda dessas referências, o que pode impactar diretamente sua forma de existir no mundo. A ausência de vínculos significativos pode favorecer o surgimento de sentimentos como vazio, desorientação e perda de sentido da vida. Nesse cenário, as contribuições de Simone Weil, ao tratar do enraizamento, e de Viktor Frankl, ao abordar o vazio existencial, oferecem importantes caminhos para compreender esse tipo de sofrimento. OBJETIVO: Compreender de que maneira a ausência de pertencimento, entendida como desenraizamento, pode contribuir para a experiência do sofrimento existencial e da perda de sentido da vida, a partir do diálogo entre as perspectivas de Simone Weil e Viktor Frankl. METODOLOGIA: Trata-se de uma pesquisa de natureza teórica, com abordagem qualitativa, desenvolvida por meio de revisão integrativa da literatura. Foram analisadas obras clássicas dos autores centrais, bem como produções acadêmicas que discutem os conceitos de território, pertencimento, identidade, desenraizamento e sentido da vida, disponíveis nas plataformas Google Acadêmico, SciELO e Periódicos CAPES.  RESULTADOS: A análise evidenciou que o desenraizamento não se limita à perda de um espaço físico, mas envolve, sobretudo, a ruptura de vínculos simbólicos e afetivos que sustentam a identidade do sujeito. A partir da perspectiva de Simone Weil, o enraizamento se configura como uma necessidade fundamental da existência humana, relacionada à participação ativa em uma coletividade que compartilha valores, tradições e memórias. Já Viktor Frankl contribui ao demonstrar que a ausência de sentido pode gerar um vazio existencial marcado por apatia, falta de direção e sofrimento psíquico. Ao aproximar esses dois pensamentos, foi possível compreender que a perda de pertencimento fragiliza as bases que sustentam o sentido da vida, favorecendo experiências de vazio e perda de direção na vida. Por outro lado, o fortalecimento de vínculos e a reconexão com valores e significados mostraram-se elementos importantes na proteção contra esse tipo de sofrimento. CONCLUSÃO: Conclui-se que o pertencimento desempenha um papel central na construção do sentido da vida e na manutenção da saúde psíquica. A ausência de raízes, compreendida como ruptura com vínculos significativos, pode contribuir para o aprofundamento do sofrimento existencial e do vazio interior. Nesse sentido, pensar estratégias que favoreçam o enraizamento, seja por meio da valorização das relações, da cultura ou da história pessoal, torna-se fundamental.

     
  • Palavras-chave
  • pertencimento; desenraizamento; vazio existencial; sentido da vida; identidade
  • Área Temática
  • Psicologia
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O XIII Congresso Brasileiro de Logoterapia e Análise Existencial (CBLAE 2026) ocorreu entre os dias 26 e 29 de agosto de 2026 na Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), em Feira de Santana, na Bahia.

Com o tema central “Sentido na Vida e Dignidade Humana”, o congresso ofereceu quatro dias de uma intensa programação dedicada ao estudo, à atualização e à difusão do legado de Viktor Frankl. Foram realizados minicursos de pré-congresso, conferências, outorga do Prêmio Viktor Frankl, apresentações de trabalhos científicos, e mesas-redondas.

Promovido bianualmente, o CBLAE agrega pessoas interessadas na visão frankliana. É o evento de maior relevância nacional da área, constituindo um espaço privilegiado para o encontro e o diálogo entre representantes da academia, da clínica psicológica, da educação e diferentes campos da saúde. A programação favoreceu a discussão sobre temas contemporâneos relacionados à pesquisa, à inovação e às aplicações da Logoterapia no Brasil e no mundo.

Viktor Frankl legou os fundamentos da Logoterapia e Análise Existencial e, ao mesmo tempo, convocou as gerações futuras para continuar este legado. Ele não considerava seus conceitos como um sistema fechado, mas como um saber aberto e dinâmico, a ser constantemente estudado, aprofundado e atualizado. Em sintonia com essa perspectiva a ABLAE e o CBLAE entende que esta é uma missão desta geração de logoterapeutas.

Os Anais do CBLAE 2026 reúnem 73 trabalhos, apresentados oralmente em salas paralelas na tarde do dia 28/08 e na manhã do dia 29/08. Foram momentos de discussões frutíferas entre professores, estudantes de graduação e pós-graduação e profissionais da psicologia, enfermagem, educação, filosofia e outras áreas do conhecimento.

Prezados estudiosos da Logoterapia e Análise Existencial aqui está a apresentação dos resumos dos trabalhos orais apresentados. São textos que expandem a compreensão entendimento dos pensamentos franklianos. Desejamos que seja uma leitura profícua, desperte novas reflexões e favoreça o diálogo entre leitores e autores, ampliando o entendimento e o desenvolvimento da abordagem que tem como centro o sentido na vida.

Prof. Dr. Flávio Luiz Honorato da Silva
(Coordenador da Comissão Científica do CBLAE 2026)

Os resumos de trabalhos deverão ter como fundamento básico a Logoterapia e Análise Existencial de Viktor Frankl (LAE). 

O texto do resumo deve ser colado no formulário e conter de 300 a 800 palavras. Não é necessário citar referências.

Todos os trabalhos serão apresentados oralmente e de modo presencial e posteriormente publicados nos anais. Haverá premiação dos melhores trabalhos.

Áreas temáticas:

Psicologia 
Educação
Enfermagem
Saúde
Ciências da Religião
Filosofia
Outras áreas
Categoria:

Pesquisa empírica:  trabalhos que apresentam resultados obtidos a partir de coleta e análise sistemática de dados (quantativos e/ou qualitativos), com método explicitado. Exemplos de metodologias comuns: estudo transversal (survey/questionário/entrevista), estudo longitudinal, estudo quase-experimental, estudo correlacional, validação/adaptação de instrumentos, estudo qualitativo (fenomenologia, análise temática, teoria fundamentada, etnografia), métodos mistos, etc.
Relato de experiência e práticas profissionais:  trabalhos que descrevem e analisam criticamente uma prática, intervenção, projeto ou ação profissional (clínica, educação, saúde, assistência, organizações etc.), destacando contexto, tomada de decisão e aprendizados. Exemplos de metodologias comuns: relato técnico fundamentado, pesquisa-ação, avaliação de processo, avaliação de programa/intervenção (com indicadores simples), triangulação de registros (diários de campo, observação, feedback de participantes).
Trabalho teórico-conceitual: trabalhos voltados ao aprofundamento teórico, discussão conceitual e elaboração de argumentos com base em literatura pertinente, podendo articular Logoterapia/Análise Existencial com temas e campos correlatos. Exemplos de metodologias comuns: ensaio teórico, análise conceitual, revisão de literatura (narrativa, integrativa, escopo), abordagens hermenêuticas/interpretativas de textos (quando cabível), comparação de modelos teóricos.
Produtos, tecnologias e inovação: propostas que apresentam um produto/solução aplicável (material, protocolo, instrumento, roteiro, recurso educativo), com descrição do desenvolvimento, fundamentação e uso potencial. Exemplos de metodologias comuns: prototipagem e iteração, validação de conteúdo, estudo piloto, avaliação de usabilidade/aceitabilidade, avaliação preliminar de efetividade (pré–pós, feedback estruturado).
Idioma da Submissão:

Português
Espanhol 
Máximo de autores (e co-autores) por trabalho: 6

Máximo de trabalhos permitidos por autor: 2

Máximo de trabalhos permitidos por co-autor: 6

O primeiro autor deve estar inscrito no evento e conferir a confirmação de submissão em seu email. Caso não receba a confirmação, a submissão pode não ter sido realizada. 

Coordenação Geral
David Moises Barreto dos Santos (presidente)
Vinicius Cerqueira Bastos dos Santos
Adriana Braitt Lima

Comissão Científica

Flávio Luiz Honorato da Silva (UFPB) - coordenador
Alisson de Meneses Pontes (UNILIFE)
Benedito Guilherme Falcão Farias (ALVEF)
David Moises Barreto dos Santos (UEFS)
Diogo Arnaldo Corrêa (UMC)
Elaine Custódio Rodrigues Gusmão (UFCG)
Flávia Neves Ferreira (UEPB)
Francisca Pereira da Cruz Zubicueta (UFMA)
Francisco Carlos Gomes dos Santos (AGIR3)
Gilvan de Melo Santos (UEPB)
Hermilia Feitosa Junqueira Ayres (UFCG)
Karen Guedes Oliveira (UFPB)
Katia Vanessa Pinto de Meneses (UnB)
Lisieux D'Jesus Luzia de Araújo Rocha (FCC)
Lorena Bandeira Melo de Sá (UNINASSAU)
Lílian Perdigão Caixêta Reis (UFV)
Marcos Vinicius da Costa Meireles (IFG)
Maria Helena Budal da Silva (Escola de Logoterapia)
Paulo Kroeff (UFRGS)
Rouseane da Silva Paula Queiroz (UERN)
Sandrelena da Silva Monteiro (UFJF)
Sarah Xavier Vasconcelos de Fialho Rodrigues (UNILIFE)
Sheila Maria Hesketh Rabuske (ALVEF)
Silvania Rita Ramos (SOBRAL)
Simone Guedes Alves Gomes dos Santos (AGIR3)
Solange Santos de Freitas (Núcleo Mineiro de Logoterapia)
Tatiana Oliveira de Carvalho (TJMA)
Vinícius Cerqueira Bastos dos Santos (UEFS)