A resiliência como ferramenta psicológica e a busca de sentido na Terceira Idade

  • Autor
  • Emanuelle Carneiro Nascimento
  • Co-autores
  • Vinícius Cerqueira Bastos dos Santos , Fabrisio Oliveira Sousa , Raique Oliveira Miranda , João Pedro Malaquias Santos
  • Resumo
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    Objetivo

    Analisar e descrever as relações entre resiliência psicológica, valores de atitude e sentido na vida para pessoas idosas.

    Metodologia

    O trabalho tem caráter qualitativo, de cunho bibliográfico e teórico-reflexivo, fundamentada em autores que discutem envelhecimento, resiliência e Logoterapia.

    Resumo

    Segundo Estatuto da Pessoa Idosa (Lei nº 10.741/2003) considera-se idosa a pessoa com idade igual ou superior a 60 anos. Nas últimas décadas, o aumento da expectativa de vida e o avanço das ciências médicas e sociais contribuíram significativamente para o crescimento da população idosa em diversos países, incluindo o Brasil. Esse fenômeno, denominado transição demográfica, impõe novos desafios à sociedade contemporânea, especialmente no que se refere à qualidade de vida e ao bem-estar psicológico na velhice. Nesse contexto, destaca-se a importância da resiliência psicológica, aqui compreendida como a capacidade de enfrentar adversidades e adaptar-se positivamente às mudanças, configurando-se como um fator protetivo fundamental para o envelhecimento saudável (Kotliarenko, Fontecilla & Cáceres, 1997, p. 5). Estudos apontam que idosos com maior capacidade de resiliência e com um sentido de vida bem definido tendem a apresentar melhor saúde mental, maior autonomia e menor incidência de quadros depressivos (Silva; Santos; Teixeira, 2017). O termo resiliência, originado da Física, refere-se à capacidade de um material retornar ao seu estado inicial após sofrer uma força externa (Houaiss & Villar, 2001, p. 2437). Ao longo do século XX, o conceito foi incorporado à Psicologia, passando a designar a capacidade humana de enfrentar adversidades físicas, psicológicas e sociais de maneira adaptativa e construtiva. (Melillo, 2004b). Nesse viés, a resiliência pode ser percebida em pessoas que, diante de sofrimentos inevitáveis, possuem maior capacidade de se posicionar perante os mesmos transcendendo uma postura meramente passiva. A resiliência pode ser desenvolvida ao longo da vida, principalmente por meio da aprendizagem, da convivência social, da valorização da própria história e da descoberta de sentido para viver. Estar em constante desenvolvimento emocional e intelectual ajuda o idoso a manter a autoestima, sua autonomia e seus objetivos mesmo apesar dos eventuais declínios com a idade. Na perspectiva dos idosos, o sentido da vida tende a ser associado à valorização dos vínculos afetivos, à construção de um legado e à compreensão de sentido às vivências acumuladas ao longo da trajetória existencial. Dessa forma, é válido lembrar que o envelhecimento é uma fase da vida marcada por diversas transformações: mudanças físicas, perdas afetivas, aposentadoria, reorganização dos papéis sociais e, muitas vezes, o enfrentamento da solidão. Diante dessas experiências, a busca por sentido de vida no processo de envelhecimento pode ser compreendida à luz da Logoterapia, abordagem desenvolvida por Viktor Frankl, que enfatiza a o sentido na vida como força motriz humana mesmo apesar de circunstâncias mais restritivas da existência. Como afirma o autor: “a busca do indivíduo por um sentido é a motivação primária em sua vida” (Frankl, 2008, p. 124). Nessa medida, a abordagem frankliana oferece importante contribuição para a promoção do envelhecimento saudável, ao favorecer a valorização da história de vida, o reconhecimento da dignidade da pessoa idosa e o fortalecimento do bem-estar existencial.

    Considerações Finais

    Portanto, mais do que o simples acúmulo de experiências ao longo da trajetória de vida, destaca-se a forma como a pessoa percebe e elabora suas vivências, sendo fundamental que consiga reconhecer os sentidos contidos no seu passado, naquilo que já foi vivenciado. Desse modo, é possível tornar a experiência de vida um recurso valioso, permitindo ao idoso encontrar valor na sua própria história, nas suas relações e no legado que se deseje transmitir para as gerações futuras.

    Ressalta-se ainda, que a Logoterapia propõe que o sentido da vida pode ser encontrado e realizado por meio de diferentes vias como a criação de obras, o encontro com o outro nas relações afetivas e as vivências recebidas pelo mundo externo, e a atitude assumida diante do sofrimento inevitável. Aplicada ao contexto do envelhecimento, essa perspectiva contribui para que o idoso busque sentido nos desafios, nas perdas e nas mudanças, transformando-os em oportunidades de crescimento interior e de fortalecimento da resiliência psicológica. Assim, mesmo diante de limitações físicas ou sociais, permanece a liberdade interior como recurso noético.

    Ao promover a reflexão sobre o sentido da própria existência, a Logoterapia pode servir como suporte ao idoso para manter a esperança e buscar por autonomia dentro das suas condições de vida. Demonstrando que a busca por sentido não se encerra com o avançar da idade, mas pode, ao contrário, tornar-se ainda mais profunda e significativa com e apesar dela.

     

     

  • Palavras-chave
  • Psicologia, logoterapia, busca por sentido, resiliência, idosos
  • Área Temática
  • Psicologia
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O XIII Congresso Brasileiro de Logoterapia e Análise Existencial (CBLAE 2026) ocorreu entre os dias 26 e 29 de agosto de 2026 na Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), em Feira de Santana, na Bahia.

Com o tema central “Sentido na Vida e Dignidade Humana”, o congresso ofereceu quatro dias de uma intensa programação dedicada ao estudo, à atualização e à difusão do legado de Viktor Frankl. Foram realizados minicursos de pré-congresso, conferências, outorga do Prêmio Viktor Frankl, apresentações de trabalhos científicos, e mesas-redondas.

Promovido bianualmente, o CBLAE agrega pessoas interessadas na visão frankliana. É o evento de maior relevância nacional da área, constituindo um espaço privilegiado para o encontro e o diálogo entre representantes da academia, da clínica psicológica, da educação e diferentes campos da saúde. A programação favoreceu a discussão sobre temas contemporâneos relacionados à pesquisa, à inovação e às aplicações da Logoterapia no Brasil e no mundo.

Viktor Frankl legou os fundamentos da Logoterapia e Análise Existencial e, ao mesmo tempo, convocou as gerações futuras para continuar este legado. Ele não considerava seus conceitos como um sistema fechado, mas como um saber aberto e dinâmico, a ser constantemente estudado, aprofundado e atualizado. Em sintonia com essa perspectiva a ABLAE e o CBLAE entende que esta é uma missão desta geração de logoterapeutas.

Os Anais do CBLAE 2026 reúnem 73 trabalhos, apresentados oralmente em salas paralelas na tarde do dia 28/08 e na manhã do dia 29/08. Foram momentos de discussões frutíferas entre professores, estudantes de graduação e pós-graduação e profissionais da psicologia, enfermagem, educação, filosofia e outras áreas do conhecimento.

Prezados estudiosos da Logoterapia e Análise Existencial aqui está a apresentação dos resumos dos trabalhos orais apresentados. São textos que expandem a compreensão entendimento dos pensamentos franklianos. Desejamos que seja uma leitura profícua, desperte novas reflexões e favoreça o diálogo entre leitores e autores, ampliando o entendimento e o desenvolvimento da abordagem que tem como centro o sentido na vida.

Prof. Dr. Flávio Luiz Honorato da Silva
(Coordenador da Comissão Científica do CBLAE 2026)

Os resumos de trabalhos deverão ter como fundamento básico a Logoterapia e Análise Existencial de Viktor Frankl (LAE). 

O texto do resumo deve ser colado no formulário e conter de 300 a 800 palavras. Não é necessário citar referências.

Todos os trabalhos serão apresentados oralmente e de modo presencial e posteriormente publicados nos anais. Haverá premiação dos melhores trabalhos.

Áreas temáticas:

Psicologia 
Educação
Enfermagem
Saúde
Ciências da Religião
Filosofia
Outras áreas
Categoria:

Pesquisa empírica:  trabalhos que apresentam resultados obtidos a partir de coleta e análise sistemática de dados (quantativos e/ou qualitativos), com método explicitado. Exemplos de metodologias comuns: estudo transversal (survey/questionário/entrevista), estudo longitudinal, estudo quase-experimental, estudo correlacional, validação/adaptação de instrumentos, estudo qualitativo (fenomenologia, análise temática, teoria fundamentada, etnografia), métodos mistos, etc.
Relato de experiência e práticas profissionais:  trabalhos que descrevem e analisam criticamente uma prática, intervenção, projeto ou ação profissional (clínica, educação, saúde, assistência, organizações etc.), destacando contexto, tomada de decisão e aprendizados. Exemplos de metodologias comuns: relato técnico fundamentado, pesquisa-ação, avaliação de processo, avaliação de programa/intervenção (com indicadores simples), triangulação de registros (diários de campo, observação, feedback de participantes).
Trabalho teórico-conceitual: trabalhos voltados ao aprofundamento teórico, discussão conceitual e elaboração de argumentos com base em literatura pertinente, podendo articular Logoterapia/Análise Existencial com temas e campos correlatos. Exemplos de metodologias comuns: ensaio teórico, análise conceitual, revisão de literatura (narrativa, integrativa, escopo), abordagens hermenêuticas/interpretativas de textos (quando cabível), comparação de modelos teóricos.
Produtos, tecnologias e inovação: propostas que apresentam um produto/solução aplicável (material, protocolo, instrumento, roteiro, recurso educativo), com descrição do desenvolvimento, fundamentação e uso potencial. Exemplos de metodologias comuns: prototipagem e iteração, validação de conteúdo, estudo piloto, avaliação de usabilidade/aceitabilidade, avaliação preliminar de efetividade (pré–pós, feedback estruturado).
Idioma da Submissão:

Português
Espanhol 
Máximo de autores (e co-autores) por trabalho: 6

Máximo de trabalhos permitidos por autor: 2

Máximo de trabalhos permitidos por co-autor: 6

O primeiro autor deve estar inscrito no evento e conferir a confirmação de submissão em seu email. Caso não receba a confirmação, a submissão pode não ter sido realizada. 

Coordenação Geral
David Moises Barreto dos Santos (presidente)
Vinicius Cerqueira Bastos dos Santos
Adriana Braitt Lima

Comissão Científica

Flávio Luiz Honorato da Silva (UFPB) - coordenador
Alisson de Meneses Pontes (UNILIFE)
Benedito Guilherme Falcão Farias (ALVEF)
David Moises Barreto dos Santos (UEFS)
Diogo Arnaldo Corrêa (UMC)
Elaine Custódio Rodrigues Gusmão (UFCG)
Flávia Neves Ferreira (UEPB)
Francisca Pereira da Cruz Zubicueta (UFMA)
Francisco Carlos Gomes dos Santos (AGIR3)
Gilvan de Melo Santos (UEPB)
Hermilia Feitosa Junqueira Ayres (UFCG)
Karen Guedes Oliveira (UFPB)
Katia Vanessa Pinto de Meneses (UnB)
Lisieux D'Jesus Luzia de Araújo Rocha (FCC)
Lorena Bandeira Melo de Sá (UNINASSAU)
Lílian Perdigão Caixêta Reis (UFV)
Marcos Vinicius da Costa Meireles (IFG)
Maria Helena Budal da Silva (Escola de Logoterapia)
Paulo Kroeff (UFRGS)
Rouseane da Silva Paula Queiroz (UERN)
Sandrelena da Silva Monteiro (UFJF)
Sarah Xavier Vasconcelos de Fialho Rodrigues (UNILIFE)
Sheila Maria Hesketh Rabuske (ALVEF)
Silvania Rita Ramos (SOBRAL)
Simone Guedes Alves Gomes dos Santos (AGIR3)
Solange Santos de Freitas (Núcleo Mineiro de Logoterapia)
Tatiana Oliveira de Carvalho (TJMA)
Vinícius Cerqueira Bastos dos Santos (UEFS)