Espiritualidade, responsabilidade e sentido da vida: uma reflexão sobre a dignidade humana à luz da Analise Existencial frankliana

  • Autor
  • Marcos Vinicius da Costa Meireles
  • Resumo
  •  

    O debate acerca do sentido da vida constitui uma das questões centrais da tradição filosófica e permanece particularmente relevante no contexto contemporâneo, marcado por crises de valores e pela experiência do chamado vazio existencial. Nesse cenário, torna-se necessário refletir sobre as dimensões que sustentam a dignidade humana e orientam a construção de uma existência significativa. O presente trabalho tem como objetivo analisar a relação entre espiritualidade, responsabilidade e sentido da vida, investigando de que maneira essas dimensões contribuem para a compreensão da dignidade humana a partir da perspectiva da Existenzanalyse de Viktor Frankl. Parte-se da hipótese de que a dignidade da pessoa humana se manifesta na sua capacidade espiritual de buscar e realizar sentidos na existência, assumindo de forma responsável as situações concretas da vida.

    A pesquisa adota uma abordagem teórico-filosófica de caráter interpretativo, fundamentada na análise conceitual de autores que tratam da questão ética fundamental da existência humana. Inicialmente, recupera-se a tradição filosófica que, desde a Antiguidade, coloca no centro da reflexão a pergunta sobre “como se deve viver”. Nesse contexto, mobilizam-se contribuições de Ernst Tugendhat, que identifica na filosofia antiga a formulação da pergunta prática fundamental da vida humana: “o que devo fazer?”. A partir dessa perspectiva ética, o trabalho se aprofunda na antropologia filosófica de Viktor Frankl, especialmente em sua compreensão de que o sentido da vida constitui uma categoria moral que se manifesta na responsabilidade pessoal diante das situações concretas da existência. Nesse horizonte, a espiritualidade é compreendida não como dimensão religiosa restrita, mas como aspecto constitutivo da pessoa humana, relacionado à autotranscedência, à liberdade interior e à capacidade de responder às exigências de sentido presentes na realidade.

    A análise evidencia que a busca pelo sentido da vida constitui uma característica fundamental da condição humana e está diretamente vinculada à dignidade da pessoa. Diferentemente de concepções que tratam o sentido como algo abstrato ou universalmente determinado, a perspectiva frankliana afirma que o sentido é sempre singular e se revela nas circunstâncias concretas da vida de cada indivíduo. Nesse contexto, Frankl estabelece uma distinção importante entre valores e sentido. Enquanto os valores correspondem a orientações gerais que podem guiar a ação humana, o sentido se manifesta na resposta concreta que cada pessoa oferece às situações específicas de sua existência. Assim, o sentido da vida não é algo previamente determinado nem arbitrariamente construído pelo sujeito, mas algo que se apresenta nas situações da vida e exige uma resposta responsável.

    Nesse horizonte, a Logoterapia identifica três caminhos fundamentais para a realização de sentido: os valores de criação, relacionados às obras e ações realizadas pelo indivíduo no mundo; os valores de vivência, que se manifestam nas experiências significativas, especialmente no encontro com o outro e no amor; e os valores de atitude, que se expressam na postura assumida diante de circunstâncias inevitáveis, como o sofrimento e os limites da existência. Essas três possibilidades revelam que o ser humano conserva sua dignidade mesmo em situações adversas, pois permanece capaz de escolher a atitude com que responde às condições da vida.

    No contexto contemporâneo, marcado pelo enfraquecimento das tradições e pela perda de referenciais morais compartilhados, a reflexão sobre o sentido da vida torna-se ainda mais necessária. O diagnóstico de Frankl aponta para a disseminação do vazio existencial, caracterizado pela sensação de falta de propósito e orientação. Diante desse cenário, cabe destacar o importante papel que a educação, enquanto espaço privilegiado para o desenvolvimento da consciência moral e da responsabilidade pessoal, pode contribuir no processo de “afinar a consciência” para perceber o sentido presente nas situações. Mais do que transmitir conteúdos ou tradições culturais, a educação pode contribuir para o despertar da dimensão espiritual do ser humano, favorecendo o reconhecimento das possibilidades de sentido presentes nas situações concretas da vida.

    A realização do sentido da vida constitui uma dimensão essencial da dignidade humana. A perspectiva da Logoterapia demonstra que a espiritualidade, compreendida como abertura à autotranscendência e ao mundo de valores, permite ao indivíduo responder de forma responsável às exigências da existência. Assim, mesmo em contextos marcados pela crise de valores, a vida permanece portadora de sentido. Cabe a cada pessoa, no exercício de sua liberdade e responsabilidade, descobrir e realizar de modo singular as possibilidades de sentido que se apresentam em sua existência, afirmando, desse modo, sua própria dignidade humana.

  • Palavras-chave
  • Valores. Viktor Frankl. Ética da Existência. Vazio Existencial
  • Área Temática
  • Filosofia
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O XIII Congresso Brasileiro de Logoterapia e Análise Existencial (CBLAE 2026) ocorreu entre os dias 26 e 29 de agosto de 2026 na Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), em Feira de Santana, na Bahia.

Com o tema central “Sentido na Vida e Dignidade Humana”, o congresso ofereceu quatro dias de uma intensa programação dedicada ao estudo, à atualização e à difusão do legado de Viktor Frankl. Foram realizados minicursos de pré-congresso, conferências, outorga do Prêmio Viktor Frankl, apresentações de trabalhos científicos, e mesas-redondas.

Promovido bianualmente, o CBLAE agrega pessoas interessadas na visão frankliana. É o evento de maior relevância nacional da área, constituindo um espaço privilegiado para o encontro e o diálogo entre representantes da academia, da clínica psicológica, da educação e diferentes campos da saúde. A programação favoreceu a discussão sobre temas contemporâneos relacionados à pesquisa, à inovação e às aplicações da Logoterapia no Brasil e no mundo.

Viktor Frankl legou os fundamentos da Logoterapia e Análise Existencial e, ao mesmo tempo, convocou as gerações futuras para continuar este legado. Ele não considerava seus conceitos como um sistema fechado, mas como um saber aberto e dinâmico, a ser constantemente estudado, aprofundado e atualizado. Em sintonia com essa perspectiva a ABLAE e o CBLAE entende que esta é uma missão desta geração de logoterapeutas.

Os Anais do CBLAE 2026 reúnem 73 trabalhos, apresentados oralmente em salas paralelas na tarde do dia 28/08 e na manhã do dia 29/08. Foram momentos de discussões frutíferas entre professores, estudantes de graduação e pós-graduação e profissionais da psicologia, enfermagem, educação, filosofia e outras áreas do conhecimento.

Prezados estudiosos da Logoterapia e Análise Existencial aqui está a apresentação dos resumos dos trabalhos orais apresentados. São textos que expandem a compreensão entendimento dos pensamentos franklianos. Desejamos que seja uma leitura profícua, desperte novas reflexões e favoreça o diálogo entre leitores e autores, ampliando o entendimento e o desenvolvimento da abordagem que tem como centro o sentido na vida.

Prof. Dr. Flávio Luiz Honorato da Silva
(Coordenador da Comissão Científica do CBLAE 2026)

Os resumos de trabalhos deverão ter como fundamento básico a Logoterapia e Análise Existencial de Viktor Frankl (LAE). 

O texto do resumo deve ser colado no formulário e conter de 300 a 800 palavras. Não é necessário citar referências.

Todos os trabalhos serão apresentados oralmente e de modo presencial e posteriormente publicados nos anais. Haverá premiação dos melhores trabalhos.

Áreas temáticas:

Psicologia 
Educação
Enfermagem
Saúde
Ciências da Religião
Filosofia
Outras áreas
Categoria:

Pesquisa empírica:  trabalhos que apresentam resultados obtidos a partir de coleta e análise sistemática de dados (quantativos e/ou qualitativos), com método explicitado. Exemplos de metodologias comuns: estudo transversal (survey/questionário/entrevista), estudo longitudinal, estudo quase-experimental, estudo correlacional, validação/adaptação de instrumentos, estudo qualitativo (fenomenologia, análise temática, teoria fundamentada, etnografia), métodos mistos, etc.
Relato de experiência e práticas profissionais:  trabalhos que descrevem e analisam criticamente uma prática, intervenção, projeto ou ação profissional (clínica, educação, saúde, assistência, organizações etc.), destacando contexto, tomada de decisão e aprendizados. Exemplos de metodologias comuns: relato técnico fundamentado, pesquisa-ação, avaliação de processo, avaliação de programa/intervenção (com indicadores simples), triangulação de registros (diários de campo, observação, feedback de participantes).
Trabalho teórico-conceitual: trabalhos voltados ao aprofundamento teórico, discussão conceitual e elaboração de argumentos com base em literatura pertinente, podendo articular Logoterapia/Análise Existencial com temas e campos correlatos. Exemplos de metodologias comuns: ensaio teórico, análise conceitual, revisão de literatura (narrativa, integrativa, escopo), abordagens hermenêuticas/interpretativas de textos (quando cabível), comparação de modelos teóricos.
Produtos, tecnologias e inovação: propostas que apresentam um produto/solução aplicável (material, protocolo, instrumento, roteiro, recurso educativo), com descrição do desenvolvimento, fundamentação e uso potencial. Exemplos de metodologias comuns: prototipagem e iteração, validação de conteúdo, estudo piloto, avaliação de usabilidade/aceitabilidade, avaliação preliminar de efetividade (pré–pós, feedback estruturado).
Idioma da Submissão:

Português
Espanhol 
Máximo de autores (e co-autores) por trabalho: 6

Máximo de trabalhos permitidos por autor: 2

Máximo de trabalhos permitidos por co-autor: 6

O primeiro autor deve estar inscrito no evento e conferir a confirmação de submissão em seu email. Caso não receba a confirmação, a submissão pode não ter sido realizada. 

Coordenação Geral
David Moises Barreto dos Santos (presidente)
Vinicius Cerqueira Bastos dos Santos
Adriana Braitt Lima

Comissão Científica

Flávio Luiz Honorato da Silva (UFPB) - coordenador
Alisson de Meneses Pontes (UNILIFE)
Benedito Guilherme Falcão Farias (ALVEF)
David Moises Barreto dos Santos (UEFS)
Diogo Arnaldo Corrêa (UMC)
Elaine Custódio Rodrigues Gusmão (UFCG)
Flávia Neves Ferreira (UEPB)
Francisca Pereira da Cruz Zubicueta (UFMA)
Francisco Carlos Gomes dos Santos (AGIR3)
Gilvan de Melo Santos (UEPB)
Hermilia Feitosa Junqueira Ayres (UFCG)
Karen Guedes Oliveira (UFPB)
Katia Vanessa Pinto de Meneses (UnB)
Lisieux D'Jesus Luzia de Araújo Rocha (FCC)
Lorena Bandeira Melo de Sá (UNINASSAU)
Lílian Perdigão Caixêta Reis (UFV)
Marcos Vinicius da Costa Meireles (IFG)
Maria Helena Budal da Silva (Escola de Logoterapia)
Paulo Kroeff (UFRGS)
Rouseane da Silva Paula Queiroz (UERN)
Sandrelena da Silva Monteiro (UFJF)
Sarah Xavier Vasconcelos de Fialho Rodrigues (UNILIFE)
Sheila Maria Hesketh Rabuske (ALVEF)
Silvania Rita Ramos (SOBRAL)
Simone Guedes Alves Gomes dos Santos (AGIR3)
Solange Santos de Freitas (Núcleo Mineiro de Logoterapia)
Tatiana Oliveira de Carvalho (TJMA)
Vinícius Cerqueira Bastos dos Santos (UEFS)