Para Viktor Frankl, pai da Logoterapia e Análise Existencial, é possível realizar sentido na vida sob qualquer circunstância. Dentre as adversidades encaradas pelo homem, destacam-se: a dor, a culpa e a morte, descritas como a “tríade trágica” da existência, condições às quais a vida está invariavelmente submetida. Frente a tal tríade, um otimismo trágico é requerido na mesma medida, de forma a assumir uma atitude que afirma a vida em qualquer circunstância. Nessa perspectiva, a capacidade humana de autotranscender, indo para além de si mesmo, em direção ao sentido, diz respeito à atitude que o homem é capaz de ter perante as situações trágicas.
Este estudo aborda essa temática, ao realizar a análise das experiências retratadas no filme “Beleza Oculta”. O filme conta a história de Howard e Madeleine, pais que perderam sua filha, Olivia, em consequência de um adoecimento ainda na infância, trazendo reflexões acerca da finitude, temporalidade e amor. O objetivo foi analisar o sentido do sofrimento retratado pelo personagem Howard, no filme “Beleza Oculta”, sob a ótica da Logoterapia e Análise Existencial. A obra referida é estadunidense, do gênero dramático e dirigida por David Frankel. Metodologicamente, o estudo consiste em uma pesquisa teórica, com característica analítica e descritiva. Para a análise do material, foi feita a análise de conteúdo segundo Bardin, com o estabelecimento de relações entre as vivências dos personagens e o referencial teórico da Logoterapia.
O estudo evidenciou que o personagem Howard, ao escrever cartas endereçadas para a morte, o tempo e o amor, aborda o fato de não ver mais sentido em sua existência. Acerca desse ponto, Frankl apresenta que o sentimento de que a vida não tem sentido como consequência da frustração da vontade de sentido, recebe o nome de vazio existencial. Preocupados com Howard, seus colegas de trabalho contratam atores, que deverão assumir os papéis da morte, do tempo e do amor, a fim de dialogarem com o executivo sobre o assunto abordado nas cartas. Os atores dialogam com ele e o confrontam, possibilitando a ampliação da percepção da sua área de liberdade, ou seja, para as possibilidades de realização de sentido apesar do sofrimento que ele vivencia, aguçando a consciência para a percepção das possibilidades de realização de sentido apesar do sofrimento. Desse modo, ele passa a se dar conta de que não é livre de seus “destinos”, ou seja, não é livre da tragédia acontecida com o falecimento de sua filha. Entretanto, passa a perceber que é questionado pela vida para responder com sentido, assumir uma atitude que afirma a vida.
Dentre as reflexões do filme, Howard dialoga com a atriz que representa a morte, abordando a dor da perda e o sentimento de que sua vida não tem mais sentido. A Logoterapia mostra que o ser humano é um homo patiens, sendo o único ser capaz de sofrer o seu sofrimento, assim como é o único capaz de assumir uma atitude afirmativa frente ao sofrimento. Ainda, a morte não corrói o sentido da vida. A finitude da vida dá ênfase para as possibilidades irrepetíveis de realização de sentido que se mostram no presente e requer o não-adiamento das ações hierarquicamente valorosas.
Concomitantemente, ao conversar com o ator que representa o tempo, Howard se dá conta de que a vida da filha não perde o seu valor pela temporalidade. Com Frankl, entende-se que os momentos vividos não perdem o seu sentido pela extensão objetiva do tempo, pois o vivido não é retirado da realidade, ao contrário, está seguro, eternizado no passado. Em diálogo com a personagem que representa o amor, Howard percebe o amor presente nos momentos bons, mas também na dor vivenciada. Com a Logoterapia, compreende-se que a finitude não retira o amor vivido. Mesmo em meio ao sofrimento, faz-se presente o valor que enriquece a vida de Howard, pela presença da filha em sua vida. Assim como aquilo que é vivido sobrevive à existência, também o amor genuíno está pautado na dimensão da essência. A morte não retira ou desfaz em qualquer medida o amor por uma pessoa, uma vez que o ato espiritual com que essa pessoa é envolvida sobrevive à existência.
A partir do estudo, conclui-se que o filme ilustra os conceitos de Frankl sobre a possibilidade de viver a vida com sentido, apesar do sofrimento irremediável. Observa-se que o personagem Howard ilustra o referencial da Logoterapia, ao abordar a capacidade humana de assumir uma atitude afirmativa em relação à vida, ilustrando a tese do otimismo trágico no diálogo sobre o sentido do sofrimento. Em suma, as situações e diálogos vivenciados por Howard trazem ao espectador uma nova perspectiva a respeito do sofrimento, ao passo que convocam o personagem a responder, a assumir uma atitude que afirma a vida sob quaisquer circunstâncias.
O XIII Congresso Brasileiro de Logoterapia e Análise Existencial (CBLAE 2026) ocorreu entre os dias 26 e 29 de agosto de 2026 na Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), em Feira de Santana, na Bahia.
Com o tema central “Sentido na Vida e Dignidade Humana”, o congresso ofereceu quatro dias de uma intensa programação dedicada ao estudo, à atualização e à difusão do legado de Viktor Frankl. Foram realizados minicursos de pré-congresso, conferências, outorga do Prêmio Viktor Frankl, apresentações de trabalhos científicos, e mesas-redondas.
Promovido bianualmente, o CBLAE agrega pessoas interessadas na visão frankliana. É o evento de maior relevância nacional da área, constituindo um espaço privilegiado para o encontro e o diálogo entre representantes da academia, da clínica psicológica, da educação e diferentes campos da saúde. A programação favoreceu a discussão sobre temas contemporâneos relacionados à pesquisa, à inovação e às aplicações da Logoterapia no Brasil e no mundo.
Viktor Frankl legou os fundamentos da Logoterapia e Análise Existencial e, ao mesmo tempo, convocou as gerações futuras para continuar este legado. Ele não considerava seus conceitos como um sistema fechado, mas como um saber aberto e dinâmico, a ser constantemente estudado, aprofundado e atualizado. Em sintonia com essa perspectiva a ABLAE e o CBLAE entende que esta é uma missão desta geração de logoterapeutas.
Os Anais do CBLAE 2026 reúnem 73 trabalhos, apresentados oralmente em salas paralelas na tarde do dia 28/08 e na manhã do dia 29/08. Foram momentos de discussões frutíferas entre professores, estudantes de graduação e pós-graduação e profissionais da psicologia, enfermagem, educação, filosofia e outras áreas do conhecimento.
Prezados estudiosos da Logoterapia e Análise Existencial aqui está a apresentação dos resumos dos trabalhos orais apresentados. São textos que expandem a compreensão entendimento dos pensamentos franklianos. Desejamos que seja uma leitura profícua, desperte novas reflexões e favoreça o diálogo entre leitores e autores, ampliando o entendimento e o desenvolvimento da abordagem que tem como centro o sentido na vida.
Prof. Dr. Flávio Luiz Honorato da Silva
(Coordenador da Comissão Científica do CBLAE 2026)
Os resumos de trabalhos deverão ter como fundamento básico a Logoterapia e Análise Existencial de Viktor Frankl (LAE).
O texto do resumo deve ser colado no formulário e conter de 300 a 800 palavras. Não é necessário citar referências.
Todos os trabalhos serão apresentados oralmente e de modo presencial e posteriormente publicados nos anais. Haverá premiação dos melhores trabalhos.
Áreas temáticas:
Psicologia
Educação
Enfermagem
Saúde
Ciências da Religião
Filosofia
Outras áreas
Categoria:
Pesquisa empírica: trabalhos que apresentam resultados obtidos a partir de coleta e análise sistemática de dados (quantativos e/ou qualitativos), com método explicitado. Exemplos de metodologias comuns: estudo transversal (survey/questionário/entrevista), estudo longitudinal, estudo quase-experimental, estudo correlacional, validação/adaptação de instrumentos, estudo qualitativo (fenomenologia, análise temática, teoria fundamentada, etnografia), métodos mistos, etc.
Relato de experiência e práticas profissionais: trabalhos que descrevem e analisam criticamente uma prática, intervenção, projeto ou ação profissional (clínica, educação, saúde, assistência, organizações etc.), destacando contexto, tomada de decisão e aprendizados. Exemplos de metodologias comuns: relato técnico fundamentado, pesquisa-ação, avaliação de processo, avaliação de programa/intervenção (com indicadores simples), triangulação de registros (diários de campo, observação, feedback de participantes).
Trabalho teórico-conceitual: trabalhos voltados ao aprofundamento teórico, discussão conceitual e elaboração de argumentos com base em literatura pertinente, podendo articular Logoterapia/Análise Existencial com temas e campos correlatos. Exemplos de metodologias comuns: ensaio teórico, análise conceitual, revisão de literatura (narrativa, integrativa, escopo), abordagens hermenêuticas/interpretativas de textos (quando cabível), comparação de modelos teóricos.
Produtos, tecnologias e inovação: propostas que apresentam um produto/solução aplicável (material, protocolo, instrumento, roteiro, recurso educativo), com descrição do desenvolvimento, fundamentação e uso potencial. Exemplos de metodologias comuns: prototipagem e iteração, validação de conteúdo, estudo piloto, avaliação de usabilidade/aceitabilidade, avaliação preliminar de efetividade (pré–pós, feedback estruturado).
Idioma da Submissão:
Português
Espanhol
Máximo de autores (e co-autores) por trabalho: 6
Máximo de trabalhos permitidos por autor: 2
Máximo de trabalhos permitidos por co-autor: 6
O primeiro autor deve estar inscrito no evento e conferir a confirmação de submissão em seu email. Caso não receba a confirmação, a submissão pode não ter sido realizada.
Coordenação Geral
David Moises Barreto dos Santos (presidente)
Vinicius Cerqueira Bastos dos Santos
Adriana Braitt Lima
Comissão Científica
Flávio Luiz Honorato da Silva (UFPB) - coordenador
Alisson de Meneses Pontes (UNILIFE)
Benedito Guilherme Falcão Farias (ALVEF)
David Moises Barreto dos Santos (UEFS)
Diogo Arnaldo Corrêa (UMC)
Elaine Custódio Rodrigues Gusmão (UFCG)
Flávia Neves Ferreira (UEPB)
Francisca Pereira da Cruz Zubicueta (UFMA)
Francisco Carlos Gomes dos Santos (AGIR3)
Gilvan de Melo Santos (UEPB)
Hermilia Feitosa Junqueira Ayres (UFCG)
Karen Guedes Oliveira (UFPB)
Katia Vanessa Pinto de Meneses (UnB)
Lisieux D'Jesus Luzia de Araújo Rocha (FCC)
Lorena Bandeira Melo de Sá (UNINASSAU)
Lílian Perdigão Caixêta Reis (UFV)
Marcos Vinicius da Costa Meireles (IFG)
Maria Helena Budal da Silva (Escola de Logoterapia)
Paulo Kroeff (UFRGS)
Rouseane da Silva Paula Queiroz (UERN)
Sandrelena da Silva Monteiro (UFJF)
Sarah Xavier Vasconcelos de Fialho Rodrigues (UNILIFE)
Sheila Maria Hesketh Rabuske (ALVEF)
Silvania Rita Ramos (SOBRAL)
Simone Guedes Alves Gomes dos Santos (AGIR3)
Solange Santos de Freitas (Núcleo Mineiro de Logoterapia)
Tatiana Oliveira de Carvalho (TJMA)
Vinícius Cerqueira Bastos dos Santos (UEFS)